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   <title>Recent Stories</title>
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   <updated>2008-11-18T16:25:50Z</updated>
   <subtitle>from Gorongosa National Park</subtitle>
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   <title>Olá Grutas de Khodzué Cheringoma! (parte I)</title>
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   <published>2008-11-18T16:25:34Z</published>
   <updated>2008-11-18T16:25:50Z</updated>
   
   <summary> De Domingos Muala Domingo: 23 de Março de 2008 Um Passeio até às Grutas de Khodzué! São dez horas e alguma coisa. Vasco Galante, todo preocupado pelo paradeiro de cada tripulante, intensifica as comunicações. Quer saber onde todos os...</summary>
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      <name>Gorongosa National Park</name>
      
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      <![CDATA[<p><img alt="DJMuala" hspace="5" src="http://my.gorongosa.net/stories/DJMuala.jpg" align="left" border="1" /></p>
<p>De Domingos Muala</p>
<p>Domingo: 23 de Março de 2008 </p>
<p><strong>Um Passeio até às Grutas de Khodzué!</strong></p>
<p>São dez horas e alguma coisa. Vasco Galante, todo preocupado pelo paradeiro de cada tripulante, intensifica as comunicações. Quer saber onde todos os que vão viajar estão. Também fiz parte do grupo das pessoas por Vasco convidadas para desfrutar das magnânimas belezas do Parque Nacional da Gorongosa, não fui excepção à preocupação dele. E porque tudo aqui no Parque da Gorongosa anda coordenado com todos os seus intervenientes, então agradecemos a todos que tornaram possível esta viagem às grutas de Khodzué (&ldquo;Codzo Caves&rdquo; no mapa mais abaixo).</p>
]]>
      <![CDATA[

<p><img alt="GORONGOSA_LGportOPT70_resized" src="http://my.gorongosa.net/stories/GORONGOSA_LGportOPT70_resized.jpg" border="1" />&nbsp;</p>
<p><strong>Para as Grutas?</strong><br />Partimos para lá cinco passageiros: Greg Carr, seu irmão Ken e seu sobrinho, a senhora Peggy Rockefeller, Tato Alexandre e eu e o nosso ilustre e habitual piloto.</p>
<p>Ao descolar, Greg Carr pediu que o piloto tomasse a direcção norte para facilitar-nos ver alguns elefantes. Os ânimos eram enormes, sobretudo no colega Tato. Tudo justificável. Porquê tanta emoção?</p>
<p>Primeira vez a sentar com patrão lado a lado e conversar naturalmente?</p>
<p>Primeira vez a viajar no espaço aéreo?</p>
<p>Primeira vez a aterrar de helicóptero em terra natal e num ambiente familiar em plena Páscoa? </p>
<p>Primeira vez num voo que se podia considerar bastante especial a contar com a importância social da maior parte dos tripulantes? </p>
<p>Quem nunca emocionado nessas circunstâncias? </p>
<p>E eu não fui excepção. Nem todas emoções de Tato foram as que eu senti. Talvez em cinquenta por cento. E as razões são por demais simples. <br />Tato ía para seu ambiente familiar, que até já conhecia. Embora tivesse passado muito tempo fora dele. Vou ser mais simplista e dizer que o ambiente de Khodzué já era familiar ao Tato. </p>
<p>Então, não tive emoções? Foi tudo normal para mim? Não. Tudo deve ter sido normal, naquela circunstância, só para o nosso engenho, o helicóptero. <br />A sinceridade e simplicidade é importante não é?</p>
<p><br /><strong>Então quais foram as minhas grandes na viagem às Grutas?</strong><br />Primeira vez no helicóptero &lsquo;do Parque&rsquo; e com patrão e aquelas pessoas tão importantes.</p>
<p>Primeira a perceber quanto pude ver: a grandeza, a verdura, a textura florestal, a necessidade de mais animais multiplicarem-se e popularem densamente os espaços ainda vazios. </p>
<p>Primeira vez a visualizar a grandeza do lago Urema e as partes que os seus efeitos se fazem sentir na vegetação, a perceber que o Parque não é só plano. Zonas altas e bastante rochosas com paisagens fanerozóicas imponentes aumentam a beleza deste vasto Parque. E as zonas altas com os seus acidentes rochosos, suas grutas, seus cursos de água, sua vegetação específica, seus pássaros, quebram a rotina do safaris de animais e abrem um brecha de igual emoção no espírito humano. Cortes rochosos que com o sol a incidir neles trazem à mente, antes das Grutas, uma outra beleza diferente de animais, plantas, pássaros e conduz sabiamente as suas correntes de água (as cascatas). </p>
<p>Toda a viagem foi repleta de primeira vez: a ver habitações dentro de Parque e em condições bastante vulneráveis a ataques selvagens. O que confirmou-me a outra face do Homem. A sua exclusividade de poder aprender tudo. Habitar em ambientes bastante perigosos como no meio de um Parque de animais selvagens. Habitar no coração de grandes cidades como Joanesburgo com altos índices de criminalidade. </p>
<p>Viver no Vaticano com alto nível de santidade? </p>
<p>O Homem é mesmo grande! E é grande a sua coragem e determinação! E o homem só fracassa quando admitir pensamentos contrários aos que teve ao decidir sobre algo. E qual seria a razão de toda coragem de continuar a residir no meio da selva, de animais, em pleno coração do Parque? A força de hábito? De tradição? De cultura? De guardar os animais e velar por eles? De poder desfrutar da abundância de carne? </p>
<p>Então qual das seguinte hipóteses é passível: </p>
<p>a) &lsquo;Aquelas comunidades de homens vivem aí no coração do Parque Nacional da Gorongosa para guardar e nunca matar nenhum animal ilegalmente&rsquo;.</p>
<p>b) &lsquo;Vivem aí porque não têm onde passar a residir&rsquo;. </p>
<p>c) &lsquo;Vivem aí porque desde sempre viveram ai e não é possível mudar agora&rsquo;. </p>
<p>Bom, perdi-me na descrição e quase que nunca mais vamos chegar. Mas era mesmo para dizer que vi pela primeira vez aquelas comunidades de humanos dentro do Parque. E acredito que só insistem em viver aí simplesmente porque pensam e são consistentes no seu pensamento em viver aí. E porque os uns pensamentos insistentes atraem tudo pensado, para o caso vertente a coragem, a protecção, a renitência, etc. Por outro lado, acredito que as comunidades têm medo de mudar do seu habitat. E é comum nos pensamentos fortes e fracos simultaneamente, ter-se medo de mudanças. As mudanças, pequenas ou grandes, são muitas das vezes difíceis de gerir e criam insegurança e conflitos. Pelo contrário, todos os indivíduos, grupos ou comunidades que abraçam conscientemente a mudança sempre colhem grandes sucessos. </p>
<p>Então aquelas comunidades no meio do Parque? </p>
<p><br /><strong>A viagem às Grutas continua!</strong><br />Já a chegar em Khodzué. Parámos na machamba da família do Tato, aliás na família habitual. Pelo menos assim aquela família o confirmou como hábito. Mais de uma dúzia de membros da mesma família, cuja maioria eram crianças, vieram a correr para a machamba de milho/mapira onde o helicóptero aterrou. Uma emoção grande era legível nos olhos dos dois grupos: os tripulantes ficaram mais apreensivos à cultura folclore e a família louca pelo helicóptero, pelos brancos na sua terra, e sobretudo por ver seu filho Tato descer do luxo do helicóptero no seio de brancos. </p>
<p>Alguns conseguiram controlar-se. Greg levava consigo umas fotos que a equipe da National Geographic outrora tirara nas Grutas com alguns membros desta família. </p>
<p><img alt="Nat_geo_1_resized" src="http://my.gorongosa.net/stories/Nat_geo_1_resized_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Jeremias, Greg, James, Bob, Luís e Baptista, com um dos filhos de Luís</em></p>
<p><strong>Quem está na foto que Greg levou para Khodzué?</strong><br />Estão na foto os três irmãos: Jeremias, Luís e Baptista. Jeremias foi o primeiro a chegar à nossa pista (machamba). Numa tentativa de andarmos um pouco pela pista encontrámos Luís semi-nu, num riacho bem perto onde provavelmente esteve para tomar banho. É hábito das famílias recônditas tomar banho em riachos que estejam perto das suas habitações. Travámos uma pequena conversa com Luís, todo atrapalhado. Tato teve que lhe pedir para usar suas calças porque afinal tínhamos entre homens a D. Peggy Rockfeller, uma mulher de renome e importância indiscutível no mundo da economia. Peggy Rockfeller, como o nome já alude, pertence a uma das famílias mais abastadas dos Estados Unidos da Amárica. E Peggy esteve aí diante do Luís que só tinha cuecas e camisa.</p>
<p><br /><strong>Embaraços inerentes a africanos?</strong><br />Como africano, senti um pouco de embaraço devo admitir. Um homem não fica tão despido diante de uma mulher na nossa cultura tradicional africana. Até os homens têm seus próprios sítios de tomar banho separado das mulheres, isto nos cursos de água onde tradicionalmente tomámos banho aqui em África. A cultura das praias é algo que aprendemos da cultura branca. E porque aprendemos, ainda está no processo de assimilação no cerne profundamente africano.</p>
<p>Diga-se bem alto aqui, que Peggy é uma mulher forte e corajosa. Não teve preguiça de nada. Enfrentou connosco o Luís semi-nu, a grande família modelo de famílias africanas das zonas rurais. Peggy inseriu-se naturalmente nesta ambiência e até nalguns casos serviu de suporte ao jovem português do Greg, tarefa que mais desempenhei sempre que necessário. Sobretudo da língua local ao Inglês e vice-versa.</p>
<p>Depois de uma pequena conversa e de ver as fotos que o senhor Greg trazia consigo, notou-se a ausência de Baptista. Consultado o Luís sobre o seu paradeiro, este disse que Baptista andava há já algum tempo doente e não saía de casa. De princípio pensámos que Baptista sofria de malária, já que é comum por esta banda tropical a malária liderar outras doenças endémicas em termos de frequência. Mesmo até na fama de matar muitos bantus, a malária assume uma liderança indiscutível.<br />Só faltam cientistas para tecerem uma tese forte entre a Malária e o Desenvolvimento.&nbsp; </p>
<p><img alt="Grutas 3_resized" src="http://my.gorongosa.net/stories/Grutas_203_resized.jpg" border="1" /></p>
<p><strong>O magnetismo do pensamento humano<br /></strong>Pensamentos predominantes tornam-se magnéticos independentemente da utilidade do que se pensa.</p>
<p>Milagre imprevisível! Baptista que os irmãos afirmaram seguramente ter passado uns dias bastante doente e a piorar ainda, depois de passar uma noite terrível de dores, não resistiu à emoção da visita. Os irmãos explicavam ainda sobre o estado da saúde de Baptista, quando este surpreendentemente desponta no capim onde ainda resistíamos em ouvir e amainar as emoções do encontro. Baptista surgiu com um lencinho a cobrir alguma parte da cabeça. O lenço tendia mais para o lado esquerdo segurado com braço do mesmo lado. A mão não soltava o lencinho (desses lencinhos vulgares que andam no mercado nestes dias). Baptista estava todo radiante e a mostrar grandes esforços de dominar as dores em favor da visita.&nbsp; Uma cura foi temporariamente operada no subconsciente dele como o psicólogo Jung defende. <br />O Magnetismo actuou no pensamento dominante do Baptista permitindo-o ganhar a ocasião.</p>
<p>Pouco depois era uma avalanche a chegar à 180 kms/hr. Crianças e senhoras. Cercaram o engenho voador (rude e indiferente a comoção acolhedora) enquanto nós saímos do mato em direcção à pista. <br /><br />Greg, já habituado, reagia como de sempre, sorridente, amigo, acolhedor e explicador. A confirmar mais uma das suas paixões pelo bem estar do mundo humano, e, aqui no Khodzué -Cheringoma, pela gente africana. Era no entanto o último que visitara a comunidade e a família num passado que se pode considerar recente comparativamente ao Tato, filho daquela gente. </p>
<p>Então Greg estava na melhor posição para explicar alguma coisa ao seu irmão Can e sobrinho sobre onde estávamos e com que gente. A Sra. Peggy, fluentemente comunicável em Língua Portuguesa, não atrasou em perceber nem resistiu. Pôs-se a conversar com as pessoas também. Aí estávamos nós a responder já a algumas perguntas de apresentação. Seguidamente dirigimo-nos todos à casa dessa grande família. </p>
<p>Todos acreditámos que poderíamos encontrar rapidamente com outros membros da comunidade e saudá-los. Alguns minutos foram. Só dois indivíduos adultos a mais é que apareceram. Por sinal ainda primos daquela família. É assim por estas partes. Todos são de alguma forma parentes.</p>
<p>Aí sentámos ainda. Esperávamos pela decisão do lugar da cerimónia para visitar as Grutas. Se dessa vez seria em casa ou mesmo nas Grutas.</p>
<p>Trocámos algumas impressões sempre que as crianças, tantas sentadas ao lado e muito conversadoras, assim o permitiram.</p>
<p>Ficámos sabendo que estes cidadãos andam quase 27 km para chegarem à vila sede e poder fazer algumas comprinhas de coisas como sal, roupa, cadernos para seus filhos (que percorrem 5 km diários) usarem na escola. Também na vila se trataram os documentos oficiais e outras facilidades. </p>
<p>Passámos para conversa da cerimónia. Cerimónia porque tradicionalmente não podemos ir directamente ver as Grutas sem pedir permissão e acompanhamento dos espíritos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>É importante saber que</strong><br />Açúcar, pão, refresco, cerveja, vinho, bolachas, cigarros, uma moeda de qualquer valor são mencionados como sendo coisas que os antepassados comiam. A moeda talvez os antepassados usassem para comprar coisas que a sua capacidade de produção local não podia fornecer. Refiro-me do refresco por exemplo. Fósforos também eram usados pelos antepassados para acender os cigarros, daí que fósforos não podem faltar. Tudo leva a crer que os nossos antepassados, cá em África, andam sempre famintos como nós, os seus descendentes ainda vivos. Para darem-nos alguma bênção e boa companhia, para livrarem-nos dos nossos pecados diante de mistérios fabulosos e perigos eminentes, precisam que os sirvamos aquilo que em vida mais gostavam: comer primeiro!</p>
<p>E 500 Mtn também faziam parte das coisas que os antepassados comiam?</p>
<p>Não! Esses 500 Mt eu é que não sei mesmo explicar para quê? Há quem pense que vão para o Comité de Gestão dos Recursos Naturais. Mas continuo com perguntas. O caminho está cheio de capim. As Grutas por si mesmas dizem nunca conhecer limpeza humana. E não existe ainda nenhum sítio limpo fora das Grutas onde as pessoas podem sentar tomar rancho condignamente. Daí a minha indagação: porque pagar um trabalho não feito? Talvez os 500 Mt sejam para comprar material de limpeza e mover pessoas para o trabalho!</p>
<p>Mesmo Peggy sabe dizer que o caminho da casa desta grande família para as Grutas é protestante!</p>
<p>Quem disser que da casa às Grutas Peggy foi de helicóptero declarou-se mentiroso. Mais uma bravura dela pelas terras de Cheringoma, aliás pelo Moçambique, pela África.</p>
<p>Trajada de calções um tanto quanto curtos para andar num mato cheio de capim, Peggy desafiou a primeira e espontaneamente o caminho de casa para as Grutas, caminho que segundo Greg faz quase dois quilómetros. Todo murado de capim por levantar com as mãos e braços à medida em que se avança. É este caminho para as Grutas que conduziu Peggy, Ken e seu sobrinho, Tato, eu e muitas crianças, algumas senhoras até ao santuário sagrado!</p>
<p>Perguntei, sem preguiça, a Peggy a sensação que teve ao experimentar a avenida desde as casas até as Grutas, avenida que normalmente exige calças, botas, e sobretudo coragem e determinação. Pergunta à que ela simplesmente respondeu que da próxima vez terá que vir trajada de calças. Claro que conversamos em português.</p>
<p>(continua)</p>]]>
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   <title>Olá Grutas de Khodzué Cheringoma! (parte II)</title>
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   <published>2008-11-18T10:25:52Z</published>
   <updated>2008-11-18T16:37:48Z</updated>
   
   <summary>(continuação)De Domingos Muala Domingo: 23 de Março de 2008 Já viu umas minas de exploração?As Grutas como tal carecem de um perito em descrição para impecavelmente poder trazer aquele misterioso acontecimento da natureza para imaginação dos que teimam em manter...</summary>
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      <name>Gorongosa National Park</name>
      
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      <![CDATA[<p><img alt="DJMuala" hspace="5" src="http://my.gorongosa.net/stories/DJMuala.jpg" align="left" border="1" />(continuação)<br /><br />De Domingos Muala</p>
<p>Domingo: 23 de Março de 2008 </p>
<p><strong>Já viu umas minas de exploração?</strong><br />As Grutas como tal carecem de um perito em descrição para impecavelmente poder trazer aquele misterioso acontecimento da natureza para imaginação dos que teimam em manter o hábito de ler neste século viciado. Autênticas minas (minha imaginação porque nunca vi uma mina de exploração) ora abertas por aqui, ora fechadas por ali.</p>]]>
      <![CDATA[
<p>Paraíso arrepiante de morcegos cujas variedades pedem um esclarecimento de cientistas na matéria.&nbsp;&nbsp;</p>
<p><img alt="Bats_resized" hspace="5" src="http://my.gorongosa.net/stories/Bats_resized.jpg" align="left" border="1" /></p>
<p>Ar está eternamente climatizado. Os aparelhos de ar condicionado aí montados são automáticos e super resistentes. Claramente prometem estragar-se pouco a pouco quando as rochas também pouco a pouco forem cedendo a violência das forças naturais.</p>
<p>Água, esta é apropriada para um mergulho só num calor de verão mais velho. Ken e seu sobrinho, já num verão debilitado de 23 de Março de 2008, não resistiram a tentação de mergulhar um pouco naquelas águas. Estranho! Os dois mergulharam com suas roupas e sapatos. Assim como passaram a prova do caminho tenebroso, assim introduziram-se naquelas águas santas! Quem nunca sentiu atracção pelo exótico? Pelo particular? Pela diferença?</p>
<p>Lembre-se que Ken é bastante maduro. Entretanto seu sobrinho é reservado. Ken conversou e aguentou com a onda jovem mergulhando, subindo e descendo as rochas. Saltou onde pôde, sentou quando estoirado. Só reprovou num truque: tratava-se da última prova da juventude. Subir numa das fissuras mais abruptas entre as paredes das rochas. Aí Ken aceitou que a idade não lhe poupa. Aceitou também que tudo tem o seu tempo e que vale apenas respeitar esta lei natural.</p>
<p align="center"><img alt="Gorge_resized" src="http://my.gorongosa.net/stories/gorge_resized.jpg" border="1" /></p>
<p>Seu sobrinho (perdoem-me não cheguei a fixar o nome do rapaz sobrinho de Greg), este sim. Está na melhor forma física que Ken. Talvez ainda que Greg. Passou a prova máxima. Subiu onde seu tio Ken foi avisado pelos instintos a evitar o atrevimento e conformar-se com a realidade. Subiu e desceu protegido de seus anjo de guarda. Enquanto isso, Ken tornou-se num professor e ia ensinando as crianças, que brincavam com um morcego vivo numa das &lsquo;cadeiras&rsquo;, que alguns morcegos são venenosos e suas mordeduras surtem numa doença mais forte que a famosa malária.</p>
<p>Tive que interromper minha entrevista com o camarada secretário do bairro para uma vez usurpado a profissão de professor por Ken, pelo menos ganhar a de intérprete da aula. </p>
<p>Lanterna é recomendada em algumas das auto-estradas internas que levam de uma gruta para a outra, excepto em sítios onde tem abertura natural de comunicação directa com a luz do sol. Também a coragem não escapa a recomendação. Sobretudo nas passagens sombrias com milhares de morcegos em festa no tecto das avenidas adentro. Uma imaginação fantoche não deixa de visitar a alma quando se repara, sobretudo para o teto natural, mais do que para os muros de vedação das auto-estradas internas das Grutas de Khodzué. Uma sensação de uma parte do tecto a cair por cima de uma coitada alma atrevida ou mesmo de muitas almas, já que anda-se sempre em grupo ali dentro.</p>
<p><strong>Uma verdade incontestável é</strong><br />Entrar nestas Grutas é aceitar a hipótese de morrer. É crer que a qualquer momento tudo pode acontecer. Se até a pobre imagem natural em rocha de um elefante, lá dentro das Grutas, foi forçada a aceitar a sepultura por um maciço imperativo do peso de rochas que se desintegraram do tecto e dos lados, o que descartaria a possibilidade de uma rocha surpreender a cabeça de um curioso? Não disse que isso aconteceu! São fantasmas que assaltaram a minha imaginação na altura real.</p>
<p>Disse sim que entrar nas Grutas é provar a tese segundo a qual a terra é feita de camadas: manto, crusta, núcleo. <br />Embora não visse núcleo nenhum nas grutas. Manto, sim essa camada eu testemunhei. Passei por ela para depois experimentar a crusta. Esses são conceitos que meus professores ensinaram-me na escola. Não condenem aos meus professores. Se estão trocados é minha falta de assimilação da matéria. Então os endireitem, por favor se for o caso. Não é assim o saber? Tão vulnerável que ninguém se deve pretender dono individual. Só a comunidade no seu todo reclama a propriedade do saber e não eu filho inútil dela.</p>
<p><strong>Ummmmm as Grutas de Khodzué! Quem as mostrou a Vasco Galante?</strong><br />Quer provar? Não hesite em visitar as Grutas de Khodzué! Para experimentar. Disse que faltam-me dons de descrição. Só consegui dizer que enquanto se estiver dentro das Grutas, até pode-se crer que fora não existe vida; árvores, arbustos, capim, animais, pessoas. É uma das possibilidades de estar vivo dentro e debaixo das rochas. É aceitar uma sepultura e comprometer-se a ressuscitar só depois de algumas horas. É aceitar visitar enquanto vivo o lugar dos mortos sem ficar por lá para sempre. Talvez quando caçado por uma rocha de maior peso. Aí sim terá ido para as Grutas buscar a diminuição da distância entre nós e aqueles pelos quais precisámos de sempre oferecer o conjunto de comida e bebida acima, para bênção, sucessos, boa companhia, paz para visitar as Grutas&hellip;</p>
<p><strong>A incessante vaidade humana; de escrever nas paredes?</strong><br />Também pode-se praticar a arte de rabiscar dentro dessas Grutas.</p>
<p><strong><em><u>Atenção:</u></em></strong> só os altos dignitários é que estão felizmente credenciados a riscar seus nomes nas rochas naturais. Ken e eu sugerimos a compra de um livro e umas canetas para os que devem assinar sua presença atrevida nas Grutas o fazerem livremente num papel. Os dois acreditamos que assim a beleza natural das rochas dentro das Grutas ficaram como a Natureza as quis. Pelo menos seria o único lugar onde a força destruidora do famoso racional (Homem) deveria ter piedade e prudência. E isso não reduz a fama do Homem, pelo contrário.</p>
<p>Há sempre razão para o Homem estragar a natureza. Há sempre justificativos fortes para corromper o natural! A criatividade sempre anda a deriva quando a vontade é ávida. E o bicho da comunicação tem aí a sua disfarçada culpa. Todos querem comunicar. Mesmo quando a sua comunicação não tem mensagem, aliás tem conteúdo desorientador e improdutivo. Desculpe exagerar. Pelo menos eu tenho o hábito mau de às vezes ficar emocionado e perder um pouco de cabeça. Sobretudo quando a gente racional mostra-se instável e louva a loucura.</p>
<p><u>Então é ideal pensar-se num livro para aquele lugar onde os importantes sentem o orgulho de deixar seus nomes timbrados?</u></p>
<p><strong>Última parte da viagem às Grutas</strong><br />Saídos das Grutas tivemos que esperar. Quase um hora e meia pela chegada do helicóptero para devolver-nos ao famoso Chitengo. Estávamos com fome e cansados. Todo nosso lanche tinha sido sacrificado aos espíritos dos antepassados. Aos meus avós. Reparei no sobrinho de Greg. Muito faminto. Não escondeu a derrota dele diante da fome. Diante da necessidade inadiável como diz o Sigmund Freud. Mas Ken já não. Parecia mais resistente à fome. Talvez porque era o mais velho do grupo. E sentia a obrigação moral de convencer-nos que já provou um pouco a dureza da impiedosa vida. Indiferente, foi entretendo seu sobrinho com conversas. Então aproveitei conhecer um pouco mais a família tradicionalmente responsável pelas cerimónias nas Grutas. Eu em parte não poderia ter razão se me mostrasse mais faminto que aqueles bons americanos. Porque afinal o farnel foi oferecido aos nossos antepassados em troca da boa companhia nas Grutas. Ganhei o tempo a inquirir a nossa companhia local que a seguir passo a retratar.</p>
<p>Francisco Soares Chimbatata é o falecido pai dos três irmãos que depois de saborearem o helicóptero ficaram connosco lado à lado nas Grutas. Saídos das Grutas com o nosso farnel sacrificado no &lsquo;Nsembe&rsquo; (10 pães e mais de 10 refrescos), ganhei o tempo para saber que:</p>
<p><strong>A família de 31 pessoas</strong></p>
<p>Francisco Soares Chimbatata que em vida acumulava funções de mestre de cerimónias nas Grutas e secretário do Bairro Khodzué apercebendo-se da vizinhança da sua morte distribuiu os seus poderes pelos filhos.<br />Francisco teve duas esposas, que eram duas irmãs filhas do mesmo pai e da mesma mãe. Algo um pouco estranho, não é?</p>
<p align="center"><img alt="Ladies_kids" src="http://my.gorongosa.net/stories/Ladies_kids.jpg" border="1" /></p>
<p>O Francisco começou por ter a mãe da tripla, Luís, Jeremias e Baptista, por esposa. Esta primeira esposa é que convida a sua irmã mais velha e viúva para ser a segunda mulher do seu esposo. Isso não é incesto é simplesmente uma poliginia sororal o contrário da poliandria fraternal ou adélfica praticada em Gorongosa. Com duas esposas Francisco fez 12 filhos. 8 da primeira esposa e 4 da segunda. Mais tarde Deus pediu a Francisco devolver 4 crianças restando-o com 8 que agora rezam pelo seu pai. </p>
<p><strong>O mestre de cerimónias nas Grutas de Khodzué</strong><br />Luís Francisco Soares Chimbatata, filho mais velho dos vivos, coube-lhe a responsabilidade de ministrar as cerimónias nas Grutas tarefa que faz com muito gosto. Luís tem com mais 36 anos, duas esposas, 13 filhos dos quais 7 rapazes e 6 raparigas, superando assim o número de filhos de seu pai.</p>
<p>Para responder às necessidades básicas de pai, Luís pratica agricultura, apicultura há de mais de 21 anos e tem 150 colmeias para além de trabalhar na CMM (Cerração Madeireira de Moçambique) desde o ano de 2000. </p>
<p>A CMM rende-lhe actualmente 1.800 Mt mensais.<br />Luís é o único sortudo daquela casa. Talvez por ser o mais velho. Foi abençoado! Luís às vezes orienta seus irmãos para recolherem o mel e vender para fazer face às vicissitudes da vida quotidiana enquanto ele atura a CMM como pisteiro/sinaleiro. É uma daquelas actividades que se as árvores reagissem não tardariam a mostrar a sua indignação contra ele.</p>
<p><strong>O secretário do Bairro Khodzué</strong><br />Jeremias Francisco Soares Chimbatata é o olho do governo no bairro Khodzué, cargo exercido em sucessão de seu falecido pai. Foi assim que Francisco o quis antes de deixar a terra para os ceus junto de Deus. </p>
<p>O jovem secretário disse que seu bairro tem uma capacidade para 450 casas. Actualmente tem quase 290. Muitas pessoas preferem ir viver perto da vila sede de Cheringoma. <br />Jeremias exerce o seu poder sobre 210 homens e quase 230 mulheres de acordo com um censo mais recente que fez no seu bairro. </p>
<p>Jeremias tem 34 anos de idade, polígamo. A primeira com 5 cinco crianças das quais 4 rapazes e 1 rapariga. A segunda esposa já deu ao grande chefe uma menina, elevando o número de filhos deste senhor para 6. <br />Para além das suas responsabilidades comunitárias, Jeremias dedica-se a actividades agrícolas e à criação de galinhas. Sonha um dia poder comprar uma moageira de pelo menos três cilindros. Quer fazer negócios. Seu bairro só tem uma moageira que nem se quer ainda começou a moer.</p>
<p>Sobre a população jovem aquele dirigente revelou que o seu bairro tem mais de 500 que vão de 0-18 anos, sendo 307 meninas e os restantes do sexo oposto. Casamentos prematuros são a grande realidade comum em Khodzué. </p>
<p>Da resolução dos problemas do bairro recebe 65 Mt de cada caso. Depois de acumular por algum tempo ele manda o montante para a sede da localidade. De lá o dinheiro depois será processado em salários para os seus três juízes tradicionais locais.<br />Desde 2005 que Jeremias começou a exercer as actividades de secretário de bairro só espera em 2009 para começar a ganhar salário pelo seu trabalho de secretário de bairro Khodzué.</p>
<p><strong>Baptista é um aventureiro</strong><br />É preciso perceber que há várias formas de receber poderes, directa ou indirectamente. Baptista Francisco Soares Chimbatata recebeu indirectamente várias funções por influência de seu pai: chefe do policiamento comunitário e membro do Comité de Gestão dos Recursos Naturais de Khodzué. </p>
<p align="center"><img alt="Baptista" src="http://my.gorongosa.net/stories/Baptista.jpg" border="1" /></p>
<p>Com os seus 29, ele é dono de duas esposas. Já deve ter notado que os 3 irmãos tem 6 esposas. São todos polígamos. Dizia que Baptista é pai de 2 crianças. Sendo a segunda esposa prematura e ainda sem filhos.<br />Deve obviamente ter somado já 30 membros resultantes da trípla. Adicione a esta soma a mãe deles que vive e compartilha o mesmo quintal com os filhos. Ela é a macaiaia da família! Com a mãe a soma sobe para 31 membros da família.</p>
<p><strong>A alimentação dos 31 membros<br /></strong>Interessou-me ainda perceber que a família tem 31 membros no mesmo quintal grande. Um quintal cheio de casas, de fruteiras como massaniqueira, papaeiras, etc. Apesar de serem 31, toda esta família está tão organizada que as suas 6 esposas têm rotineiramente que preparar refeições para todos. Cada senhora conhece perfeitamente a sua vez e só confecciona uma refeição porque a refeição seguinte será uma outra senhora. Os esposos providenciam sempre caril . Deste modo, eles fazem a coesão da família.</p>
<p><img alt="Baptista Jeremias_resized" src="http://my.gorongosa.net/stories/Baptista_20Jeremias_resized.jpg" border="1" /></p>
<p><strong>O bairro de Kodzué</strong><br />Com um universo de quase 290 casas, Khodzué não foi esquecido pelo governo distrital. Desde 2006 tem já duas Associações uma neste bairro e a outra em Nhamatope surgidas no âmbito da promoção de iniciativas locais pelos governos distritais através do fundo de investimento a iniciativas locais. A Associação de Khodzué está virada para a produção de hortícolas e de fruteiras tais como cajueiros, laranjeiras, coração de boi.<br />A outra de Nhamatope dedica-se unicamente a hortícolas. Pelo menos foi assim que o secretário do Khodzué adiantou em resposta ao meu questionário sobre as actividades económicas da sua população. </p>
<p>As habitações em Khodzué são feitas com base em bambus, matope/lama e cobertas de capim. Muitos pensam em cobrir suas casas com chapas para evitar queimar no tempo dos fogos.</p>
<p>Segundo a mesma fonte, os solos são muito férteis e produzem entre outras culturas o gergelim em grande quantidade. Gergelim é tido como uma cultura puramente comercial.</p>
<p>&nbsp;</p>]]>
   </content>
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   <title>Nhancuco já tem quatro salas novas (parte I)</title>
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   <published>2008-11-17T18:28:24Z</published>
   <updated>2008-11-17T20:56:34Z</updated>
   
   <summary><![CDATA[Texto e fotos de DJMuala Quarta&ndash;feira, 23 de Julho de 2008 SÓ SENTE POR NHANCUCO QUEM REALMENTE A ENTENDE COMO A Carr Foundation DO PARQUE DA GORONGOSA (DJMuala) Esforços do Projecto de Reabilitação do Parque Nacional da Gorongosa (PRPNG) marcam...]]></summary>
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      <name>Gorongosa National Park</name>
      
   </author>
   
   
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      <![CDATA[<p><img alt="DJMuala" hspace="5" src="http://my.gorongosa.net/stories/DJMuala.jpg" align="left" border="1" />Texto e fotos de DJMuala </p>
<p>Quarta&ndash;feira, 23 de Julho de 2008</p>
<p><br /><em>SÓ SENTE POR NHANCUCO QUEM REALMENTE A ENTENDE COMO A Carr Foundation DO PARQUE DA GORONGOSA (DJMuala)</em></p>
<p><strong>Esforços do Projecto de Reabilitação do Parque Nacional da Gorongosa (PRPNG) marcam o fim de uma era e o princípio da outra na comunidade de Nhancuco.</strong></p>
<p>A sorte para esta comunidade, desta vez, é de um estabelecimento de ensino convencional que o PRPNG intermediou ao trazer personalidades sensíveis do Millennium BIM em visita da comunidade e do seu forte potencial ecoturístico. </p>
]]>
      <![CDATA[

<p>Nhancuco, uma das comunidades do interior da província de Sofala junto à Serra da Gorongosa, viu uma das suas desgraças conhecer solução a partir da sua amizade e colaboração com o PRPNG nos programas de reflorestamento da Serra e conservação dos recursos naturais ainda existentes nesta região. Tal como a comunidade de Vinho, vizinha do acampamento de Chitengo no PNG, que passou a ter uma escola e um posto de saúde graças ao PRPNG, Nhancuco já tem quatro salas de aulas convencionais. </p>
<p>O PRPNG, cuja grande vocação é combinar as promoções da conservação da biodiversidade do Grande Ecossistema no sul do Vale do Rift e do desenvolvimento humano das comunidades, em compensação do bom entendimento com tais comunidades tem vindo a convidar personalidades, visitantes e turistas para o Parque e para as comunidades da sua zona de desenvolvimento sustentável (CZDS) -&acute;zona tampão&acute;. Nhancuco é uma dessas CZDS que tem já muitos viveiros de plantas nativas que o PRPNG usa para reflorestar as partes da Serra &ldquo;encarecadas&rdquo;. Muitos dos visitantes dos viveiros e cascatas sobre o rio Murombodzi que preferem passar via Nhancuco acabam entrando em contacto directo com as carências desta comunidade e alguns comprometem-se a dar a sua ajuda para mitigar tais carências locais como se testemunha aqui e hoje. O mesmo assistimos no dia 24 de Junho de 2008, no Vinho, na presença do Sua Excelência Presidente da República de Moçambique Armando Emílio Guebuza e sua comitiva e ainda no dia 14 de Junho de 2008,&nbsp; presenciou-se diante do governo da Gorongosa e provincial da entrega dos 20% de receitas do Parque para a comunidade de Nhambita.</p>
<p><img alt="Entrega de um cheque Nhambita" src="http://my.gorongosa.net/stories/Entrega_20de_20um_20cheque_20Nhambita_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Entrega de um cheque de 88,623,95 mt à Comunidade de Nhambita</em></p>
<p>Testemunhada a inauguração e entrega de quatro salas de aulas modernas para nós, gente local aqui reunida hoje, 23 de Julho de 2008: mulheres, homens, crianças de Nhancuco, num mesmo lugar, apesar da nossa tradicional tendência de organização grupal na comunidade: as mulheres com bebés no colo concentram-se mais de um lado;<br />&nbsp; <br /><img alt="IMG_3649 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3649_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Mulheres estão mais para a esquerda.</em></p>
<p><strong>É cultural, mas não só!</strong></p>
<p>Há quem acredite que é curioso ver este cenário: quase a maioria das senhoras aqui presentes têm bebés no colo, ou a amamentar ou ainda grávidas. É mesmo raro encontrar alguma senhora que não tenha bebé ou que não esteja em estado de gestação cá mais para interior da Gorongosa. <br />&nbsp;<br />Em Nhancuco dormimos cedo. Logo que o sol se deita, nós também nos deitamos. A calma da noite, tão inspiradora da ciência do raciocínio humano, é para nós uma continuidade de actividades puramente biológicas, ligadas aos instintos fortes. A escuridão assume alguma cumplicidade neste comportamento. Também faltam-nos entretenimentos constantes senão à volta de fogueiras onde os mais velhos, se aí estiverem e não embriagados de nipa, cabanga, tchiacutchena , ou qualquer outra bebida, vão contando aos mais novos o tchintankano (conto popular à volta da fogueira) num compasso de espera pelo jantar e logo após este, só para uma ligeira digestão. Dias de festa são poucos quando a monotonia sofre alguma ligeira brecha. </p>
<p>Os nossos trabalhos, duríssimos e diários nas machambas muito férteis, contribuem para ao cair da noite rapidamente nos sentirmos bastante fatigados e com a pressa para a tarimba (cama local feita de estacas espetadas no chão), esteira, manta durante os 120 minutos mais fortes do sono. Porém, o cansaço trazido das machambas externas não nos escusa de cultivar e semear com zelo e dedicação a fertilidade das machambas internas. </p>
<p>Cultivamos e semeamos juntos nas machambas adentro, várias vezes na mesma noite tão longa e calma, e quase todas as noites que tivermos saúde para tal. Estas noites controladas pelo pôr do sol para nós e pela iluminação, diversão e feitiço do alfabeto para outros Moçambicanos. </p>
<p><br /><strong>Machambas nocturnas, machambas nocturnas!</strong></p>
<p>Às vezes são muitas machambas principais que se têm que cultivar num regime de rotação semanal. As tantas machambas não dispensam, em muitos casos, as hortas mesquinhas &lsquo;chindes&rsquo; , como as mindas (machambas) várias vezes têm tolos (pequena baixa húmida para hortas) e até dimbas (grande baixa húmida). Ter uma ou várias machambas principais não escusa ter hortas. As vezes, cada machamba principal de um senhor é horta de um outro que faz a manutenção enquanto o dono vai cumprindo a sequência das outras machambas e hortas na série dele, porta sempre aberta ao colono deste século &ndash; o famoso e discreto HIV. </p>
<p>A assiduidade nocturna comprova-se nas fotos; nossas mulheres todas com crianças sucessivas e outras senhoras grávidas a espera de nascer. Este é o ciclo costumeiro, cultural, dogma que um dia as quatro salas irão questionar. A vinda de um posto médico para Nhancuco monitorizaria o planeamento familiar que ainda está a deriva na consciência e na concepção do viver daqui em Nhancuco. As crianças são uma grande riqueza e não um encargo para educar. As crianças ajudam na machamba e em outras actividades caseiras como buscar água, lenha, varrer o quintal, cuidar dos mais novos, levar produtos da machamba para casa, para moagem, frutas para vender no mercado, etc. e não roubam emprego de ninguém que não teríamos dinheiro para pagar ao fim do mês. As crianças ajudam desde crianças e ajudam mesmos quando adultas. Os direitos da criança daqui são mais os seus deveres em relação ao cumprimento desta ou daquela actividade que se espera que ela faça. Se ela por rebeldia falhar ao cumprimento de uma das suas tarefas temos para ela várias opções: um chicote, porradas, retirar-lhe uma refeição ou seja puni-la com torturas físicas fortes. Esta é a nossa educação no contexto costumeiro e sempre deu resultados positivos: incutir e transmitir para gerações novas os valores tradicionais locais.</p>
<p><strong>Circunstância por circunstância</strong></p>
<p>Os homens gostam de ficar do lado deles em algumas circunstâncias. Na foto abaixo eles concentram-se mais do lado direito. Portanto, de dia e sobretudo em ambientes mais públicos os homens comportam-se como inimigos das mulheres, aí submissas aos bebés e descalças, separação quase natural não reclamada. Noutra circunstância, os homens em Nhancuco são colegas inseparáveis das mulheres com as quais forjam os machambeiros, e outros profissionais de amanhã!<br />&nbsp; <br /><img alt="IMG_3650 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3650_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Os homens estão mais para a direita.</em></p>
<p><strong>Também as crianças têm circunstâncias aqui em Nhancuco</strong></p>
<p>As nossas crianças geralmente encostam ao lado que preferirem em eventos populosos; mas à medida que crescem não abandonam a aprendizagem por imitação, vão se identificando mais com sexos idênticos e ainda por imitação aprendem as actividades tidas como específicas para cada grupo sexual. Da escolinha até a universidade frequenta-se localmente e em ambientes ligados ao ritmo da vida que lhes espera na fase adulta. Mesmo os cargos de liderança na estrutura tradicional aprendem-se em contextos muito locais. Atingem-se todos os níveis escolares; o bacharelato, a licenciatura e mesmo a doutoramento em idades diferentes conforme a posição social e o que se espera dessa criança/jovem na sua vida activa. Por exemplo, todas as crianças já indicadas para cargos de maior influência decisiva na vida da comunidade começam cedo a aprender todos os truques ligados a aquela futura posição em grupos de sexo idêntico e específicos. Nesses grupos as nossas crianças aprendem o estilo de vida costumeiro assim como o seu papel na sua família, no seu futuro lar, na vizinhança e na comunidade. </p>
<p>As circunstâncias existem mesmo em qualquer idade e a separação por grupos de sexos idênticos ganha hipocrisia à medida em que as crianças continuam crescendo e atingem a puberdade aqui em Nhancuco. Normalmente, elas inventam entretenimentos nocturnos que os juntam ao sexo oposto, sobretudo no tempo de luar. Actualmente, até não é estranho experimentarem alguma aventura pela noite tímida, em habituais jogos de papá e mamã debaixo de capim alto, salvando-se apenas quando usam as camisinhas, das tantas a elas distribuídas pelos titios ora empregados que acreditam que combater o HIV basta incitar a curiosidade adolescente distribuindo-lhes as borrachas portáteis! Borrachas que os mais inocentes agradecem a oferta porque vão poder enchê-las de ar e ter pelo menos uma bola para jogar com a malta. Bastam alguns plásticos atados circularmente por linhas de uma manta rasgada por fora do balão (jeito), para fazer-se uma perfeita bola que vai contribuir para um crescimento harmonioso dos garotinhos. Claro, a lubrificação do jeito que passa das mãos até a boca dos garotinhos não deve causar graves problemas a saúde deles!</p>
<p><img alt="IMG_3648 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3648_20L_small.jpg" border="1" />&nbsp; <br /><em>As crianças são por hábito muito livres embora com idade as meninas se identificam mais com as mães e os meninos com os pais.</em></p>
<p><strong>A missão do PRPNG não é fazer tudo sozinho, mas incentivar acções de Conservação do Ecossistema e de Desenvolvimento Humano!</strong></p>
<p>Através de muitos esforços para conservar, restaurar o ecossistema a sul do Vale do Rift; incentivar o ecoturismo, buscar mais parceiros para ajudar os vários projectos que o PRPNG vai levando a cabo dentro do Parque e nas comunidades da sua zona de desenvolvimento sustentável (CZDS)-&acute;zona tampão&acute;; projectos como a compra e introdução de espécies de animais largamente dizimadas durante a guerra dos 16 anos, aumento do controlo da caça furtiva, a criação de mais postos de empregos, a reabilitação e reconstrução do acampamento de Safaris de Chitengo e outros acampamentos para trabalhadores, a construção de novas infra-estruturas no Parque e nas suas CZDS-&acute;zona tampão&acute;- como escolas e postos de saúde, a entrega dos 20% das receitas do Parque para as CZDS-&acute;zona tampão&acute;, a disposição de enfermeiros para prestar assistência sanitária nas diversas CZDS ainda sem postos de saúde, a instalação de telecentros ligados a internet em algumas CZDS, a introdução das práticas da agricultura sustentável nas CZDS, a instalação de uma secadora de frutas na vila da Gorongosa como forma de facilitar as comunidades venderem aí as tantas frutas sempre condenadas ao apodrecimento nas diferentes épocas, etc., o PRPNG conseguiu servir de ponte entre a comunidade de Nhancuco (uma das CZDS) e o Banco Internacional de Moçambique (BIM) para a construção das quatro salas novas de aulas nesta comunidade. (ver fotos das adiante).</p>
<p><strong>Estratégias conscientes são a aposta do PRPNG nos seus programas</strong></p>
<p>Na sua estratégia que privilegia mais oportunidades para o melhoramento do Parque e do nível de vida das CZDS, o PRPNG sempre convida entidades e personalidades diferentes e se esforça, depois, em levar tais visitantes e turistas a ver o seu trabalho de restaurar o Parque, a Serra, as comunidades e as oportunidades de ecoturismo que as CZDS oferecem. </p>
<p>Convidando personalidades, visitantes e turistas para os diferentes cantos do Grande Ecossistema, o PRPNG sortudamente conseguiu, num desses dias, trazer personalidades do BIM à comunidade de Nhancuco (lugar onde o PRPNG tem uma das suas equipas de trabalho a produzir viveiros de plantas nativas que reflorestam a Serra) que está a quase 700 m de altitude na Serra, perto das cascatas sobre o rio Murombodzi. Estas personalidades, depois de verem o estado precário das salas de aulas de Nhancuco, aceitaram sem hesitar partilhar a responsabilidade social. Era todo o Millennium BIM a ver e entender as necessidades das crianças desta comunidade de Nhancuco que estudavam em salas péssimas, feitas a partir de caniço e colmo, sem nenhuma segurança nem protecção. O Millennium BIM abriu voluntariamente os seus cofres e desembolsou dinheiro para ajudar a esta comunidade, proprietária das cascatas sobre o rio Murombodzi, a sair das salas de aulas péssimas:</p>
<p><img alt="IMG_3564 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3564_20L_small.jpg" border="1" />&nbsp; </p>
<p><em>Antigas salas que funcionaram desde 2005 até 22 de Julho de 2008.</em></p>
<p>para as salas recém-construídas:</p>
<p><img alt="IMG_3571 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3571_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>De 23 de Julho em diante, estas passam a ser as salas de aulas.</em></p>
<p>Uma responsabilidade social exemplar foi assumida aqui pelo Millennium BIM e consubstanciou-se em acção concreta. Millennium BIM mostrou a vontade de olhar para as camadas mais desfavorecidas e realmente carentes. Uma camada que tem que assumir o ritmo de vida actual, mais enquadrado no contexto do chamado mundo actual. Um mundo alfabetizado, global, lentamente reversível. As salas representam incentivo ao tal mundo, um futuro pintado por palavras impressionantes como sustentável, desenvolvido, erradicado de pobreza, melhor e tantos outros termos carregados de psicologia. Muitas gerações recorrerão para estas salas para se alfabetizarem, inspirarem, buscar o que lhes estimula e esperam conquistar através de desafios da vida pós-colonial apoiada no alfabeto.<br />&nbsp; <br /><strong>O nosso sentimento geral hoje em Nhancuco é de</strong></p>
<p>Um agradecimento profundo ao PRPNG que se esforça em trazer para as suas CZDS entidades, personalidades conscientes, responsáveis, sensíveis e dispostas a contribuir para a salvação da fauna, flora e que impulsionam uma visão diferente das pessoas que fazem parte deste grande ecossistema. Que o PRPNG um dia consiga ajudar-nos a aprender novas formas de viver que não eliminam os animais, as árvores nem precisemos de praticar queimadas que acabam destruindo nossas próprias vidas, celeiros, e casas e outros haveres.</p>
<p><strong>Se pudéssemos pedir diríamos</strong></p>
<p>Por favor PRPNG, continue a trazer para as nossas comunidades necessitadas, mais e mais entidades e personalidades com sensibilidade e disponibilidade, que um dia nos ajudarão a ter um posto de saúde, alargar e nivelar a estrada para Nhancuco, construir mais salas de aulas porque o número de alunos de ora em diante certamente vai explodir. Por falar de escola, falta-nos ainda um bloco administrativo, casas para professores, mais casas de banho e latrinas, uma cantina, etc. Por exemplo, actualmente os professores que preferem ficar perto de algumas escolas onde leccionam, como os da escola mãe de Murombodzi, da qual as quatro salas de aulas já inauguradas em Nhancuco são anexas, vivem nestas casas: </p>
<p>&nbsp;<img alt="Sábado P Dombe em frente da casa" src="http://my.gorongosa.net/stories/S_E1bado_20P_20Dombe_20em_20frente_20da_20casa_small.jpg" border="1" /> <br /><em>Casa que era para o director da escola de Murombodzi, Sábado Paulo Dombe (em frente da casa).</em></p>
<p>Esta casa acima era para o director Sábado e é partilhada por duas professoras desta escola mãe. </p>
<p>Sábado Paulo Dombe (em frente da casa) é o actual director da escola mãe, da qual fazem parte integrante as quatro salas inauguradas hoje, dia 23 de Julho de 2008, pelo governo da província e do distrito da Gorongosa, na presença do representante do Millennium BIM e da senhora Maria João Barbosa, entre outros distintos convidados e a própria comunidade de Nhancuco. Portanto, Sábado é o director das quatro salas novas.</p>
<p>O director Sábado decidiu ceder esta casa para suas duas colegas que trabalham com ele na escola mãe por ser a maior e mais espaçosa para partilhar comparativamente a uma outra que fica a escassos metros. Sábado vai passar a dormir nessa outra casa (pequena) que ainda está em construção:</p>
<p><img alt="Futura casa de Sábado P Dombe" src="http://my.gorongosa.net/stories/Futura_20casa_20de_20S_E1bado_20P_20Dombe_small.jpg" border="0" />&nbsp; <br /><em>Futura casa (ainda em construção) do director da escola mãe de Murombodzi, Sábado Paulo Dombe.</em></p>
<p>&nbsp;<img alt="Casa de banho em construção" src="http://my.gorongosa.net/stories/Casa_20de_20banho_20em_20constru_E7_E3o_small.jpg" border="0" /> <br /><em>Casa de banho (em construção) comum para as duas residências de professores.</em></p>
<p>Nestas condições vivem muitos dos professores provenientes, que preferem ficar perto da escola ou salas de aulas onde estão afectos para disseminar o alfabeto formal nas CZDS do PNG. São estas condições que diminuem paz ao Greg e toda sua equipa de gestão do PRPNG e, conscientes de não poder recuperar tudo sozinhos, Greg e sua equipa de gestão do Parque se esforçam em convidar seus amigos e simpatizantes para o Parque e para as comunidades. O PRPNG agradece a qualquer parceiro que voluntariamente decidir ajudar com algum fundo para que a conservação e a melhoria do nível de vida das CZDS seja alcançado.</p>
<p><strong>Os hábitos dos professores provenientes e naturais</strong></p>
<p>Para os professores e as comunidades que vivem aqui nos confins da civilização moderna, a única fonte de informação muitas vezes são os rádios (se os tiverem) que se atam a uma corda e se penduram no pescoço, enquanto se caminha. Isso para os profissionais locais claro &ndash; os camponeses. Quando se chega à machamba, os rádios a tocar são pendurados numa árvore, num murmuché ou em qualquer outro lugar elevado enquanto as enxadas tocam no chão duro. O lugar elevado ajuda a espalhar o som. Os professores penduram os rádios em seus &acute;jogos de a vida começa assim&acute; (cadeiras e mesas de bambus). Aqui não existe cultura dos jornais. Isso de ler é hábito das vilas e cidades, à medida em que se afasta destes focos urbanos tais hábitos de ler caducam. </p>
<p>Muitos dos professores provenientes que preferem viver em ambientes mais agitados e ambular todos os dias para os seus postos de trabalho é que conseguem alguma diferença. Primeiro começam por alugar casas em um dos bairros da vila-sede da Gorongosa. Vivem aí os primeiros 5 ou 6 meses do seu primeiro ano de trabalho enquanto esperam pelo primeiro salário. Este salário é que lhes abre as portas para passarem a receber mensalmente como os professores antigos. Normalmente têm que esperar este salário até aos meses de Maio e Junho do primeiro ano de trabalho em toda a Gorongosa. Nesse tempo todo, estes seres chamados professores sobrevivem a custo chamado por magaiva (arranjos pessoais com vista a safar-se de alguma dificuldade temporária), sobretudo, na vila da Gorongosa. Os professores colocados no interior, pelo menos, costumam ter apoio dos líderes e de alguns membros da comunidade em géneros alimentares, enquanto vivem em casas construídas pela comunidade como as vistas em cima.</p>
<p>A sorte dos residentes na vila-sede não é em alimentos, é poderem assistir algum filme nas proliferantes casas de filmes espalhadas por todos os bairros já electrificados da vila. Poderem ainda ver televisão, falar aos telefones fixos e móveis, beber alguma cerveja fresca devida em barracas, conviver com mais colegas e outros funcionários de outros ministérios, em suma, estes professores têm algum acesso a informação actualizada e nalguns casos aos jornais escritos. Portanto, estes ganham a actualização e padecem de fome enquanto no interior se pode esperar mais apoios em alimentos e carência de informação actualizada. </p>
<p>Depois do primeiro salário acumulado que inclui os salários dos meses todos que o professor esteve a trabalhar sem receber até ao mês do primeiro salário, portanto o maior salário na vida de um professor novo em Gorongosa, muitos costumam conseguir comprar pelo menos uma bicicleta, meio de transporte diário para o seu posto de trabalho. Na posse de uma bicicleta afirma-se definitivamente a recusa do professor de ir viver para a comunidade perto das salas onde lecciona devido às condições inóspitas destes sítios. Alguns mais empreendedores aproveitam esse salário para abrir suas contas bancárias, comprar algum terreno na periferia da Gorongosa ou mesmo começar a pagar pouco a pouco alguma casa. Claro que outros acabam todo seu primeiro dinheiro a matricular em clubes de bebedeiras nocturnas. Daí a nossa esperança que os professores afectos aqui em Nhancuco, um dia, tenham casas convencionais que os motivem a viver no meio de nós, dia e noite, e ensinem as nossas crianças o alfabeto formal e informal que trazem consigo. <br />&nbsp;<br /><strong>Sentimento dos pais em relação as novas salas</strong></p>
<p>De hoje em diante, aqui em Nhancuco, começamos a sentir a necessidade de mandar todas as nossas crianças para estudar naquelas salas tão bonitas, tão simbólicas, um dos nossos orgulhos nesta comunidade. </p>
<p>Em Nhancuco acreditamos que o PRPNG sozinho não vai poder fazer tudo para o Parque e para todas as comunidades do Grande Ecossistema ao longo deste Vale do Rift. Temos a consciência de que o PRPNG tem a responsabilidade de encabeçar as actividades de recuperação e revitalização do natural e social nesta zona remota de Sofala, mas sentimos que precisa de muitos apoios do trabalho local e de dinheiro doado pelos que têm e podem doar para poder levar os seus projectos avante e com sucessos. É verdade que todos podem doar ao PRPNG algo que ajude a efectivar os seus inúmeros projectos. Moralmente, todos tínhamos que dar o nosso contributo ainda que mínimo para e participar. Os apoios de entidades com responsabilidade social, a exemplo do Millennium BIM que se encarregou não só do financiamento como também da própria construção das salas, ajudam a elevar o nível de vida nas CZDS do PNG.&nbsp; </p>
<p><strong>A comunidade de Nhancuco louva a estratégia do PRPNG</strong></p>
<p>Continue PRPNG a convidar mais potenciais parceiros, com sensibilidade, consciência e responsabilidade sociais; parceiros capazes de seguir o exemplo iniciado pelo Millennium BIM de Moçambique no apoio às CZDS do Parque, um dos grupos de comunidades mais carentes de infra-estruturas sociais em toda a região centro de Moçambique. Em Nhancuco, somos um dos grupos mais pobres e carente.</p>
<p>As novas salas de aulas, que hoje nos entregam oficialmente, são o tema das nossas conversas de ora em diante, como não sairão das bocas das outras comunidades nossas vizinhas. Estas salas são, por enquanto, o único símbolo colectivo oferecido por humanos para toda a nossa comunidade, depois da oferta de Deus - as cascatas do Murombodzi e a Serra. </p>
<p>Nos orgulhamos, porém, da família Palhinha e Carvalho pelas primeiras carteiras que usamos nas primeiras salas, carteiras que retiramos das ruínas residenciais abandonadas que pertenciam a estas duas famílias. Recordamos-lhes mais sempre que vemos tais carteiras, porque salas há em Matacamachaua, por exemplo, que nem se quer têm tijolos por carteiras.<br />&nbsp; <br /><img alt="IMG_3565 l" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3565_20l_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Carteiras (tijolos) retirados das antigas construções pertencentes às famílias Palhinha e Carvalho,</em></p>
<p>Ora, buscando identificarmo-nos com o novo símbolo colectivo, mandaremos as nossas crianças; meninas e meninos para estudar nas salas novas, cientes de que nós, os pais, também passaremos pelas salas novas para podermos decifrar o alfabeto na busca de um passo para frente. </p>
<p>Agradecemos o PRPNG que serviu de ponte entre nós em Nhancuco e o BIM. <br />Temos ainda outras tantas necessidades que Nhancuco sozinha nunca conseguirá fazer, gostaríamos de contar sempre com este tipo de ajudas, enquanto nos ensinam a corresponder com as vossas expectativas. </p>
<p><strong>Cresce a consciência local de conservação</strong></p>
<p>Os nossos hábitos e práticas agrícolas, na busca de superar nossas necessidades básicas usando os recursos naturais à nossa volta, levam-nos à&nbsp; atitudes que, em outros contextos fora de Nhancuco, são interpretadas como tristes, devastadoras, desflorestadoras, entre mil adjectivos nocivos contra o natural. Perpetramos tais acções não por maldade contra a natureza, nem para intencionalmente ofender os peritos na conservação da biodiversidade, mas constituem nossas formas tradicionais de produzir para sobrevivermos e por vezes nem mesmo notamos que agimos mal. </p>
<p>Pelo contrário, sabemos que é a forma herdada dos nossos antepassados para produzir mais comida que alimenta as nossas famílias cada vez mais crescente. Notamos que assim se costuma ter mais excedentes até para vender aos compradores sempre assíduos ao longo da época das colheitas. Uma traição é que os nossos antepassados eram poucos&nbsp; numericamente, que depois de desequilibrarem o natural à sua volta gradualmente, mudavam-se para outros lugares para continuarem a abrir outros mathemas (ver adiante), caçar, extrair o minério em detrimento do natural. Sempre viveram assim e legaram-nos este estilo de vida que leva tempo para mudar.&nbsp; Pouco a pouco vamos compreendendo que os tempos mudaram e temos que também mudar as práticas antigas para ajustarem-se às novas exigências: as exigências de seremos muitos numericamente com um espaço que já começa a escassear. As mudanças são inevitáveis e termos que mudar das nossas práticas tradicionais ajustando-as para as novas realidades. Antes, por exemplo, não precisámos de salas de aulas. O tipo de escola era outro. Estudava-se sistematicamente só no período dos ritos de iniciação. O resto era por imitação dos adultos.</p>
<p><img alt="Mapira a ser vendida" src="http://my.gorongosa.net/stories/Mapira_20a_20ser_20vendida_small.jpg" border="1" />&nbsp;</p>
<p><em>Mapira a ser vendida.</em></p>
<p><strong>Alguns truques actuais para sobreviver em Nhancuco</strong></p>
<p>Uma das formas de sobreviver aqui é vender constantemente uma parte dos produtos da machamba para fazer face as novas exigências da vida &ndash; comprar, comprar, comprar mais isto hoje aquilo amanhã. Outra parte dos mesmos produtos as mulheres e crianças levam-na sempre que necessário à moagem para se obter a farinha - a nossa base alimentar.&nbsp;</p>
<p>&nbsp;<img alt="Processo de obtenção de farinha" src="http://my.gorongosa.net/stories/Processo_20de_20obten_E7_E3o_20de_20farinha_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>O processo de obtenção da farinha, nossa base alimentar em Nhancuco.</em></p>
<p>No princípio, quando a vida era simples e as necessidades de comprar se limitavam a instrumentos básicos, sal, sabão, alguma roupa básica, cobertores, a maior parte dos produtos da machamba era armazenada em celeiros para a fase pós-colheita. Este excedente alimentava a família até a colheita seguinte. Era uma segurança alimentar indiscutível. </p>
<p>Actualmente, com a vida toda feita de compras disto e daquilo, somos irresistivelmente induzidos a vender a maior parte dos produtos da machamba sempre que se tem uma necessidade para comprar outros artigos que não temos localmente. Como consequência da economia virada ao mercado passamos a fome o resto do tempo como se não tivéssemos produzido o suficiente. As moagens, a escola actual e as suas tantas necessidades, o vestuário mais estruturado e diverso da era actual, as bicicletas, as viagens, os documentos do notariais, as bebidas industrializadas, os rádios, chinelos, sapatos, capulanas, ofertas nas igrejas, entre outras necessidades novas e imperativas que exigem cada vez mais dinheiro, aqui em Nhancuco, são uma parte das novas exigências de uma vida mais complexa que para aguentar temos que vender a maior parte da nossa produção agrícola. O nosso único rendimento económico é a nossa produção agrícola. É esta produção que deve responder a todas as necessidades que nos são impostas pela a avalanche da moda, da modernidade, do capitalismo, do alfabeto formal e informal. É muito o que é preciso comprar para as nossas novas e ilimitadas preocupações. Temos de comprar esses produtos diversificados que abundam no mercado de hoje e que duram pouco tempo. Esses produtos fabricados na sua maioria na China para os países como Moçambique, produtos baratos na compra como no estragar-se!<br />&nbsp; <br /><em><img alt="Mulheres e meninas na moagem" src="http://my.gorongosa.net/stories/Mulheres_20e_20meninas_20na_20moagem_small.jpg" border="1" /></em></p>
<p><em>No Murombodzi,&nbsp; mulheres e crianças é que frequentemente vão à moagem.</em> </p>
<p>As nossas expectativas da vida circunscrevem-se basicamente nestes moldes; o nosso tradicional (sempre a caducar) está a ser cada vez mais ocidentalizado sem consentimento. Uma onda de sublevação chamada modernismo, incompatível com o existencialismo, arrasta cegamente a maioria e tudo quanto pode. Os teóricos deste inevitável dilema cultural, mais destruidor que um abate desenfreado de árvores da Serra, chamam-no de dinamismo cultural e com ele alienam-nos impiedosamente em todo Nhancuco. Nós, os pais e encarregados de educação em Nhancuco, sofremos a duplicar com esta nova calamidade geral a qual não temos como esquinar. Ora é o alfabeto formal ocidental que, como a igreja bíblica, se intrometeu em Nhancuco com suas promessas de um futuro melhor: a profissão, o emprego, boa vida, novas formas de governar o povo acima dos régulos, electricidade, celulares, carros, computadores, etc. O alfabeto formal é acusado de poder trazer tudo isso para a vida de todos seus adeptos quando na verdade só uma minoria é que vai realmente beneficiar-se. O informal e talvez mais oriental, pretendendo abrir horizontes coexistenciais enquanto cultiva a preguiça na zona,&nbsp; produz o estilo de vida que se pode ver abaixo em Murombodzi:&nbsp; </p>
<p><img alt="O estilo de lojas mais frequ" src="http://my.gorongosa.net/stories/O_20estilo_20de_20lojas_20mais_20frequ_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>O estilo de lojas mais frequentes no interior da Gorongosa.</em></p>
<p>Um jovem-senhor que ao invés de estar a praticar os mathemas (abate de árvores para abrir nova machamba) assimilou o hábito de vendedor e senta-se no mercado de Murombodzi a caçar directamente o dinheiro. Espero pelo dia que este meu concidadão (muitos na mesma condição) se tornará em um milionário capaz de passar habilidades comerciais aos nossos filhos!&nbsp;</p>
<p><img alt="ATT00098" src="http://my.gorongosa.net/stories/ATT00098_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Mercado perto da escola mãe de Murombodzi.</em></p>
<p>O contrário poderá desorientar os filhos se pautarão em seguir a vida comercial como esta ou terão de aprender sozinhos abrir os mathemas!</p>
<p>No nosso mercado vendemos o que conseguimos puxar de bicicletas da vila-sede da Gorongosa e colocamos a disposição de outros lá dentro das nossas comunidades. Assim tentamos lutar pela vida sem recorrer aos trabalhos habituais das machambas. <br />Ao entrarmos na inevitável bancarrota, voltamos para as nossas enxadas e para os mathemas tradicionais. Eis alguns dos produtos que puxamos da vila para os nossos mercados do interior e também lá pagamos as senhas para as receitas da administração:</p>
<p><img alt="O tipo de produtos" src="http://my.gorongosa.net/stories/O_20tipo_20de_20produtos_small.jpg" border="1" />&nbsp;</p>
<p><em>O tipo de produtos vendidos no nosso mercado perto da escola mãe de Murombodzi.</em></p>
<p>Cada qual está na sua banca. Os produtos são, na sua maioria, os mesmos embora os donos são diferentes, com destinos assemelhados aos produtos que vendem. É assim que idealizamos poder viver na nova sociedade virada ao comodismo e consumismo. Na pior desorientação sobre o que seguir em todo fluxo da modernidade, achamos valer mais esta criatividade que não viola nem moral nem fisicamente a nenhum irmão cientes de que não garante nenhum futuro seguro.</p>
<p><img alt="Uma das novas formas de viver" src="http://my.gorongosa.net/stories/Uma_20das_20novas_20formas_20de_20viver_small.jpg" border="1" />&nbsp; <br /></p>
<p><em>Uma das novas formas de viver para além das machambas nesta comunidade.</em></p>
<p>Esforcem-se em ajudar-nos a mudar das práticas consideradas danificadoras para as aprovadas como alternativas sustentáveis. Bem haja o PRPNG!<br />&nbsp;&nbsp;<br /><strong>Ajudar a quem realmente merece e quer é construir uma história permanente</strong></p>
<p>Uma memória indelével e menção honrosa endereçamos ao BIM que, tendo visto a situação difícil em que as nossas crianças estudavam aqui em Nhancuco, pontualmente aceitou dispensar fundos para a construção das salas convencionais, seguras, onde os nossos filhos passarão a sentar-se e estudar a vontade sem receios de molhar ao cair da chuva. </p>
<p>A época chuvosa é sempre nossa vizinha aqui em Nhancuco. Como de hábito, esta época é mais prolongada e acompanhada de precipitações e outras formas naturais que ameaçavam sempre as nossas crianças durante as suas aulas. E nós também quando estamos nas nossas aulas de alfabetização. Para além de que as temperaturas aqui na Serra mudam à qualquer instante, e antes estávamos sujeitos a toda esta maçada. O Millennium BIM, pela primeira vez, construiu-nos as primeiras quatro salas com o material convencional, resistente, seguro e cómodo.</p>
<p>É o Millennium BIM que abriu-nos aqui em Nhancuco pela primeira vez, depois da guerra dos 16 anos, esta página da história das infra-estruturas sociais construída na base de material convencional de que apreciamos e agradecemos imenso. A nossa capacidade construtiva e experiência locais aqui em Nhancuco só nos admitem construir infra-estruturas como as antigas salas de Nhancuco, as casas dos professores vistas acima, etc. Como um pintainho dentro de um ovo sempre precisa da galinha para abrir a carapaça, também em Nhancuco nós precisámos do BIM para nos tirar das salas precárias para as convencionais que acabou de entregar-nos hoje.<br />&nbsp;<br />Com elevado apreço sentimos de coração e alma a grandeza desta ajuda na comunidade de Nhancuco. Teremos sempre dentro de nós, em memória indelével do Millennium BIM, a mais distinta apreciação dos esforços empreendidos em construir-nos o futuro sustentável.</p>
<p>Millennium BIM, continue com esta disponibilidade sempre pronta para ajudar a melhorar as condições dos que realmente necessitam de ajuda como nós em Nhancuco!</p>
<p>Em Nhancuco, depois das salas do BIM, ainda lutamos com carências extremas em posto de saúde, acessibilidade da via principal que leva a esta comunidade. </p>
<p>Mulheres, crianças, velhos, deficientes físicos vêm-se sempre na obrigação de percorrer grandes distâncias para chegarem ao posto de saúde mais próximo e obterem os tratamentos. Muitas vezes temos de carregar estas pessoas com macas, quando já não conseguem andar, até chegar ao posto de saúde mais próximo. E às vezes morrem a caminho do posto de saúde!<br />&nbsp;<br />Muitos turistas e visitantes estragam seus carros, voltam no caminho, ficam enterrados e arrependidos enquanto procuram chegar às cascatas de Murombodzi. São estas pessoas que conseguindo passar por Nhancuco acabariam por ver as nossas dificuldades, e quem sabe se um dia nos pudessem ajudar como o Millennium BIM! Quiçá outras instituições possam imitar o exemplo já dado pelo Millennium BIM. </p>
<p>Bem haja oh Millennium BIM em Moçambique!</p>
<p><strong>Quando um governo eleito pelo povo não se esquece dos seus compromissos eleitorais</strong></p>
<p>Bem haja oh governo da província e do distrito que com responsabilidade soube estar sempre presente na nossa comunidade de Nhancuco lado a lado até hoje, dia 23 de Julho de 2008, dia da inauguração das nossas salas de aulas de Nhancuco, construídas pelo Millennium BIM. A presença do governo nestes locais ajuda-nos a perceber a preocupação pelas comunidades de que representam. </p>
<p>Em Nhancuco acreditamos que com acções práticas como estas, que todos podem ver sem muito esforço inclusive as crianças, os cegos que podem palpar, o governo realmente está do lado das comunidades e se esforça em traduzir em realidades tangíveis os destinos que sonha para as pessoas que representa. Continue nosso governo a representar-nos e lutar sempre pelo melhor de nós, vossas comunidade, em todo o tempo e lugar depois de vos votarmos como nossos representantes legítimos. </p>
<p>Bem hajam todos aqueles que directa ou indirectamente contribuíram para que estas salas realmente pudessem ser construídas e servir simultaneamente para as nossas crianças buscarem aí o seu futuro melhor e nós a nossa alfabetização. Aos desenhadores, pedreiros, carpinteiros, e a todas as profissões ligadas a construção das salas, vai o nosso muito obrigado.</p>
<p><strong>Porquê este documento?</strong></p>
<p>Para restaurar o hábito de leitura extensiva que entrou na última etapa da sua falência. Ler os e-mails e escrevê-los, as sms pelo telefone, os filmes e músicas, os vídeo-clips, etc., está na moda sim. A moda pode-se definir como hóspede. Vai-se, passa depressa, ficamos nós e só nós. Saímos de uma moda para a outra e passamos a vida na moda! Triste é que os modistas hipnotizam-nos como o vento hipnotiza folhas secas!</p>
<p><strong>Então:</strong></p>
<p>Hendrik Pott fez o que Vasco Galante tradicionalmente faz. Convidar os outros a partilhar uns momentos impares. Desta vez foi Hendrik Pott. </p>
<p>Estava a matabichar na companhia de dona Rosa e uns colegas, na manhã do dia 22 de Julho, debaixo de uma das árvores do bonito quintal do habitual Restaurante Furtivo de Chitengo. </p>
<p>Hendrik preencheu este papel. Não sei as motivações dele para a opção; <br />Se por vontade pessoal ou por indicação, se por afeição natural e clandestina, ou simplesmente por escolha aleatória, ou...<br />Convidou-me a fazer parte de um evento indelével na vida de uma comunidade: para a cerimónia de inauguração das quatro novas salas de aulas em Nhancuco. Salas anexas da escola primária de Murombodzi.</p>
<p>Hendrik sugeriu que levássemos uma máquina de filmar ou de fotografar. Então quis saber se Carlitos Sunza (nosso jornalista no PRPNG) deixara tudo a disposição. </p>
<p>A verdade contradizia. Hendrik, sempre calmo e inteligente, esperto e experiente ficava cada mais impaciente e desesperado à medida em que a resposta positiva demorava chagar. Interessava ao Hendrik uma máquina que o garantisse imagens para recordar este dia histórico na vida da comunidade de Nhancuco. Um nacionalismo puro, uma paixão forte pelo Nhancuco, pelas salas novas, pela educação que se alastra aos confins, a responsabilidade de representar o PRPNG neste evento ... escapavam do interior de Hendrik para espreitarem fora dele através da cara, seu temperamento mexia-se como um caniço no leito de um rio.</p>
<p>Quem nunca quis ter recordações dos momentos impares na vida? Um dia tão impar e sem mdc (<strong>m</strong>enor <strong>d</strong>ivisor <strong>c</strong>omum &laquo;na matemática básica da escolinha&raquo;) como 23 de Julho de 2008. </p>
<p>Hendrik, em nome de todo bem articulado PRPNG convidou-me para este dia impar. Uma gratidão enorme fica aqui expressa com a minha máxima sinceridade possível para toda equipa de gestão do PRPNG. </p>
<p>A máquina está no escritório do departamento para as comunicações. Carlitos acreditou que Vasco levara as chaves para a reunião trimestral de Maputo. Para abrir as portas de Maputo!</p>
<p>Vasco não salta para nenhum ramo seco. Tem consciência que ramo seco pode deixá-lo conhecer o chão propositadamente. <br />Ao Vasco Galante talvez falte-lhe duplicar os anitos que sustentam Carlitos. Os hábitos de ocultar a verdadeira idade é dos africanos. Estes é que manipulavam a idade a seu belo prazer. Geralmente reduziam uns dois ou mais quando obrigados a registar-se oficialmente em documentos. Poucas são as vezes que tiveram idade acrescida. </p>
<p>Isso de registar é tal cultura do alfabeto acidental. Aqui tudo regista-se na memória e passa-se depois para os mais novos com acréscimos ou diminuições. Os nascimentos não precisavam de ser registados em documentos, porém ninguém jamais esqueceu seus familiares por não estarem registados, nem os régulos esqueciam os seus elementos. </p>
<p>Então começaram a ser obrigados porque não faz parte da sua cultura registar-se quando uma criança nasce. Na cultura folclore africana não existe o registo escrito de nascimento porque os curandeiros (parteiras oficiais da cultura e médicos) não tinham o alfabeto escrito, mas na memória. O Alfabeto ambulante, que muitos acreditam ter nascido no Egipto, Fenícia, transformado e reduzido pelos gregos para o sistema actual do mundo moderno é recente em África. Tal alfabeto, escondendo-se na loucura do Humanismo (movimento que eliminou uma sociedade dogmática antiga, mais democrática, igualitária, honesta na moral e incompatível com o desorientador alfabeto), eliminou a consciência antiga; antiguidade que não tolerava o feminino, era ao mesmo tempo mais deformada para a avidez da actualidade traiçoeira, irreconciliável com as interpretações grosseiras da extremista Bíblia Sagrada. Quando este alfabeto chegou no interior de Sofala, começaram a surgir idades falsas manipuladas em função dos objectivos dos registos. Os europeus têm já por tradição registar-se logo ao nascer. E Vasco é um europeu apaixonado pela África, então...!</p>
<p>(continua)</p>
<p><br />&nbsp;</p>]]>
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   <title>Nhancuco já tem quatro salas novas (parte II)</title>
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   <published>2008-11-17T18:20:58Z</published>
   <updated>2008-11-17T21:08:09Z</updated>
   
   <summary><![CDATA[(continuação) Texto e fotos de DJMuala Quarta&ndash;feira, 23 de Julho de 2008 Vasco não levou as chaves à Maputo!Vasco afinal deixou as chaves no Chitengo. Contactou com Hendrik ao telefone e situou-o sobre o resto, as chaves do escritório do...]]></summary>
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      <name>Gorongosa National Park</name>
      
   </author>
   
   
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      <![CDATA[<p><img alt="DJMuala" hspace="5" src="http://my.gorongosa.net/stories/DJMuala.jpg" align="left" border="1" />(continuação)</p>
<p>Texto e fotos de DJMuala </p>
<p>Quarta&ndash;feira, 23 de Julho de 2008</p>
<p><strong>Vasco não levou as chaves à Maputo!</strong><br />Vasco afinal deixou as chaves no Chitengo. Contactou com Hendrik ao telefone e situou-o sobre o resto, as chaves do escritório do Departamento para a Comunicação. </p>
]]>
      <![CDATA[

<p>Hendrik, esquecido do meu número de telefone, talvez porque recebera novo telefone e quem sabe novo número naquela empresa (onde os judeus existem em oposição aos pagãos), teve que mandar o colega Elias Fazenda para localizar-me. Elias foi à minha tenda. Importunou meu colega Macadona, a quem disse estar a ser chamado pelo Hendrik quando na verdade eu é que era o alvo.</p>
<p>Já estava por acaso há muito a espera do Hendrik que conversava em frente dos escritórios em park homes das Finanças, IT e Administração com algum colega, talvez conversava com o Jacob, chefe dos transportes do sector de Infra-estruturas em reorganização. Esperei. Acabada a conversa deles, Hendrik veio ao meu encontro. </p>
<p>Juntos fomos para o escritório ainda em park homes do Departamento de Comunicação para eu levar a máquina fotográfica. Entrámos eu e Hendrik e retirei a máquina da sua mala vermelha habitual. </p>
<p>Fui passar a noite na vila da Gorongosa porque quis trabalhar um pouco mais a margem de 22 horas, horas que o actual gerador que fornece energia no Chitengo desliga deixando-me muito a desejar. </p>
<p>Hendrik, tomando um comportamento santo, não se opôs. Aceitou naturalmente a companhia de Macadona que se prontificou a dar-lhe a direcção do Telecentro da vila da Gorongosa. Macadona havia se prontificado igualmente para dar a direcção do Telecentro da Gorongosa ao motorista que passaria a pegar-me no dia seguinte para a cerimónia de inauguração das salas novas de aulas de Nhancuco.</p>
<p>Foi tudo conforme. Garantido o transporte pelo Hendrik que ficara com a missão de requisitar um motorista. Pareceu-me um assunto menos importante. Hendrik não disse nada antes das oito horas do dia sagrado para Nhancuco. Consultei telefonicamente o Macadona, voluntário em dar endereço do local de encontro. Interessava-me saber se o programa estava conforme. Nada estava adiado mesmo com a chuva que se fazia sentir logo de manhã.</p>
<p>No Chitengo não havia nenhum chefe nesta semana. Todos tinham partido para Maputo entre os dias dezoito e vinte. Foram para uma reunião de balanço trimestral. Ficámos só elementos para manter o trabalho ao longo da semana. Os últimos a saírem foram Greg e sua visitante, que depois de me despedirem na nossa Mediateca partiram rumo à cidade Beira de helicóptero.</p>
<p>Esperar é a regra para os carentes. Esperei pelo transporte como se espera um chapa-cem. Umas horas da manhã passaram enquanto estive de pé na varanda do Telecentro a reparar para o lado da Beira por onde viria o carro. O Parque fica na direcção da Beira para quem estiver na vila da Gorongosa. Duas horas passaram a reparar para o único lado. </p>
<p>Misturava entre incertezas e irritações de molhas sempre que eu saísse para fora da varanda convidado por um ruído de alguma viatura qualquer que viesse naquela direcção porque fora uma manhã com chuviscos, sobretudo na vila da Gorongosa. Como eu não sabia a cor da viatura que viria, toda e qualquer viatura que viesse na direcção da Beira movia com minhas entranhas. Minha adrenalina subia cada hora que passasse sem ver o chegar da viatura esperada. </p>
<p>Pouco a pouco foram chegando alguns conhecidos meus que me fizeram companhia. Já a aumentar o número de companheiros vimos chegar um Nissan branco com o timbre do Parque (um colante com imagem de um leão) colada nos dois lados das portas, este sinal característico de qualquer viatura do Parque. Era conduzido pelo Erasmo, motorista do Departamento de Desenvolvimento Humano. </p>
<p>O Departamento de Desenvolvimento Humano é mistério entre paixão fanática por assuntos sociais e se esforça por concretizar esta paixão. Com os seus sucessos e fracassos, este departamento procura fazer-se presente na vida das CZDS do PNG. Na vez da inauguração das quatro salas, para além do motorista Erasmo, eu também fiz-me presente embora convidado pelo Hendrik para este evento. Os nossos departamentos são uma forma de ter um determinado grupo de trabalhadores empenhados em desenvolver alguma tarefa específica a exemplo de trabalhos em grupo. No fim partilhamos tudo por todos e nos ajudamos a ir para frente num espírito de uma mesma equipa do PRPNG.</p>
<p>Chegou o motorista. De aspecto simples, pareceu-me um pouco confuso e incerto se ia ao encontro de um chefe ou de um amigo. Erasmo nunca tinha estado perto de mim como desta vez, e se esforçava por ser mais formal, menos natural e relaxado. Levou-me. Li no seu comportamento a atitude &ldquo;estranha&rdquo; de um moçambicano diante de um chefe. Aliás, não é sempre assim em todas as sociedades instáveis onde os chefes são deuses temidos, donos intocáveis e vingativos? Um chefe numa sociedade instável é um ídolo chato que a qualquer altura pode despedir qualquer seu subordinado do emprego. Pelo menos é assim que a gente esta habituada a ver nas empresas ditas das sociedades de instabilidade social.</p>
<p>Erasmo primeiro interpretou-me como um desses chefes, dos quais está sempre habituado a ser o que pode ser diante de um chefe para agradá-lo e ser aprovado bom motorista. Deixei-lhe um tempo para perceber-me que nem chefe mesmo sou. Mais tarde venci a luta de persuadi-lo da minha real posição: um simples colega dele, tão colega quanto ele o é para mim.<br />Erasmo veio do Parque na companhia de alguma gente também colega no carro. Um deles saiu de frente para trás do carro. Deu-me espaço. Suponho que me entendeu na tradição de chefe e de um dos donos da viagem. O clima e o circuito de informações no sector laboral é um assunto e muitos vivem na insegurança e hipocrisia. Uma incerteza laboral que pode acidentalmente trair. Uma das doenças dos projectos é os chefes poderem rescindir o contrato do trabalhador a qualquer altura. O PRPNG é um projecto. Então todo o cuidado é menor para quem já conseguiu aí o seu posto de trabalho. Sobretudo os subordinados, cada um procura preservar a sua imagem com vassalagens e &ldquo;fenhedorismos&rdquo;. Então o colega desceu de frente onde esteve comodamente sentado para me dar espaço. Senti alguns complexos para assumir o lugar. Enquadrava-me atrás, mas... o sucedido tinha mesmo sucedido. Tentei persuadir o mutante para manter-se no seu lugar, mas aquele tinha suas posições muito bem claras, não era para persuasão. </p>
<p>Aceitei o lugar cedido com muita pena e não disse nada. Só avançámos. O Hendrik precisava de saber da situação meteorológica de Nhancuco para poder ir de helicóptero. Tinha as excelências na sua companhia. Hendrik representava oficialmente o PNG, embora se tivesse lembrado de convidar-me para a viagem. Eu quis lhe ser útil nesta missão como sempre quis ser útil de acordo com as minhas humildes potencialidades. Então fomos a Nhancuco no meio de chuva na vila da Gorongosa e chuviscos à medida em que afastávamos da vila.</p>
<p>Qualquer paragem, quer fosse para comprar bananas incomodava-me. O desejo de utilidade sempre conduziu-me. Esta era uma das ocasiões a não desperdiçar. Buscámos chegar o mais rápido possível a Nhancuco. Como de hábito, quando se procura atingir qualquer alvo, obstáculos nunca gazetam. É sempre assim. A coragem, a determinação, a famosa sorte, um pouco de prós e contras juntam-se no processo. E na nossa viagem a Nhancuco tivemos esses momentos. </p>
<p>A minha pressa era para chegar mais rápido, ler o estado do tempo em Nhancuco e situar ao Hendrik que viria de helicóptero. Para os colegas das infra-estruturas que vieram no carro, a pressa era para chegar e pregar o dístico tapado a vermelho abaixo, marco importante da cerimónia de inauguração.&nbsp;</p>
<p><img alt="IMG_3572 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3572_20L_small.jpg" border="1" />&nbsp; </p>
<p><em>Dístico depois de fixado e encoberto para a inauguração.</em></p>
<p>Entretanto, um camião igualmente atrasado e cheio de carteiras para mesmas salas intrometeu-se a frente de nós num terreno lamacento e escorregadio. No princípio estava tudo óptimo, porque percorríamos um terreno comparativamente menos sinuoso. Porém adiante a frustração foi enorme. Mesmo a equipe do administrador do distrito da Gorongosa e alguns membros da delegação provincial tiveram que descer dos seus carros para darem juízo ao motorista do camião que entalara-se num terreno consideravelmente plano em relação ao vale que acabara de superar depois de duas investidas sem sucessos na tentativa de subir a prova mais cara para um motorista depois das chuvas em pleno terreno do vale do Murombodzi. </p>
<p>Moreza (da equipe do administrador da Gorongosa) foi o primeiro a descer do seu carro para ajudar o motorista do camião que já enfrentava algumas dificuldades em frente do nosso carro. Formou-se aí, rapidamente, um comboio com suas carruagens. Nós seguíamos atrás do camião. Atrás de nós chegaram muitos outros carros ligeiros que traziam delegações distrital e provincial para a cerimónia, nesses eventos não são todos que usam a via aérea. Dadas as dificuldades da cabeça do comboio liderar a marcha, viu-se a necessidade das carruagens liderarem a marcha, os carros ligeiros. Só foi uma inversão. Moreza, cansado de espera, desceu do seu carro enquanto o camião mostrava as sua últimas catas, subiu no nosso que seguia atrás do camião e só por 180 segundos. Começara a gincana do camião em frente. Seguiu o Moreza uma onda de peritos na condução entre os quais o administrador do distrito da Gorongosa, a quem saudei apertando-o a mão. Lá foram eles a pé primeiro atrás do camião, depois passaram lateralmente para a frente e conseguiram instruir o motorista do engenho a seguir as regras da condução: ceder espaço para as viaturas mais ligeiras ganharem o tempo. O camião encostou. Abriu-se, ao lado direito do camião, um pequeno desvio por onde os ligeiros passaram com o seu direito!</p>
<p>Fomos à Nhancuco que ainda ficava à um bom pedaço de distância do local onde deixámos o camião. Chegámos e vi que as condições do tempo localmente favoreciam para um helicóptero aterrar. Comuniquei ao representante do PNG, Hendrik, para voar e trazer as excelências esperadas para a inauguração das salas novas de Nhancuco. As delegações que normalmente chegam primeiro aos locais dos eventos, talvez para reconhecer se as condições aí não levantam suspeitas conspiracionais, já tinham chegado e estavam calmas. Tudo indicava que as excelências podiam aterrar e presidir a cerimónia de inauguração. A morte é mais chefe tirano destemido que a própria &ldquo;ignorância&rdquo; para a qual se construiu as salas para combater.&nbsp;<br />&nbsp; <br /><img alt="IMG_3571 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3571_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>As quatro salas novas de Nhancuco.</em></p>
<p>Procurei logo a senhora Maria João Barbosa, responsável do programa e da organização do evento em Nhancuco. Maria Barbosa encarrega-se, por sinal, de um projecto de Responsabilidade Social dentro da sua instituição, Millennium BIM, projecto chamado por Mais Moçambique Para Mim. É um sector vocacionado a responder pela componente social dentro do grande Banco Internacional de Moçambique. Por isso mesmo, Maria esteve na comunidade de Nhancuco para participar da inauguração e entrega das quatro salas para a comunidade local. O equivalente a este sector do BIM, no PNG é o Departamento de Desenvolvimento Humano. </p>
<p>Maria Barbosa organizou todos os preparativos, por parte do Banco, para a cerimónia do dia. Apresentei a Maria Barbosa os homens do departamento das infra-estruturas que o PRPNG enviou para ajudarem nos preparativos; fixar o dístico da cerimónia da inauguração, gesto que ela muito apreciou e agradeceu. Maria Barbosa tem um jeito de ser diferente, nasceu mesmo para assuntos sociais. Logo a primeira que nos encontrámos com ela ficamos impressionados pelo gesto bastante acolhedor. É sempre assim, em cada instituição não faltam pessoas com um carisma naturalmente social. No Parque da Gorongosa também temos um Maria Barbosa que a primeira nos faz sentir muito a vontade. Basta visitar este Parque e o seu acampamento &ndash; Chitengo &ndash; nestes dias enquanto alguns ainda estão a trabalhar aqui e as qualidades profundamente sociais ainda fazem parte da equipa. </p>
<p>Maria Barbosa percebeu e confiou-nos sem histórias nem preconceitos, embora nunca nos tivesse visto antes. Acolheu calorosamente aos dois mestres enviados pelo PRPNG e a mim também. Não tínhamos, por acaso, aspecto que convidasse muita importância nem pretendemos isso. Até porque os dois meus colegas estavam fardados de seus equipamentos de trabalho:</p>
<p>&nbsp;<img alt="Meus colegas" src="http://my.gorongosa.net/stories/Meus_20colegas_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Meus colegas enviados pelo PRPNG para fixar o dístico de inauguração das salas de Nhancuco,</em></p>
<p>Maria entregou-lhes a missão de profissionalmente fixarem o símbolo. Maria foi distribuindo, sem trapalhice nem tendência nenhuma, a sua amabilidade por todos ai presentes, dando a cada um a correspondida quantidade de chá que sua chávena pedia naquele dia. Pelo menos foi assim que muitos e eu inclusivamente experimentámos desta vocacionada do Millennium Bim. Sim Maria, talentos não se compram, embora alguns precisem de cultivá-los enquanto outros os têm por doação de Deus!</p>
<p>Se eu fosse instituição com vocação genuinamente social e humanitária certamente puxava estes dons, estes génios sociais que temperam carismaticamente as tantas empresas para constituir uma turma exemplar de harmonia e paz equilibrados! </p>
<p>Avancei resistindo chupar o pedaço de mel até ao fim. Eu queria ter a história evolutiva das antigas salas de Nhancuco para as novas e modernas salas. E era uma guerra interior entre partir e ficar. Havia muita razão para ficar, como havia para partir. Estava em jogo a questão humana e o que me levou a ir para Nhancuco. Tive de partir repreendendo o natural, o espontâneo, o original em mim a favor do artificial, do pão, do bem para minha humilde família, ... chamando Erasmo, parti para as antigas salas de caniço de Nhancuco.</p>
<p>O coordenador da zip de escolas da zona, Armando Jossias, distribuía, na circunstância, camisetas aos motoristas e outras entidades que achou credenciadas. Parei um pouco até que meu motorista também tivesse o mérito que lhe foi reconhecido sem hesitação nem demora. Depois avançámos para o segundo destino.</p>
<p>Já no pequeno destino, encontrei o chefe da SISE distrital da Gorongosa com quem troquei algumas impressões cândidas. Pesquei a rede da Mcel, na tentativa de enfatizar mais o estado do tempo ao meu chefe Hendrik. Porém, pouco depois chegaram de novo, como naquele sítio de camião, muitos outros carros ligeiros atrás de nós nas antigas salas, um dos quais trouxe o administrador do distrito da Gorongosa, João Oliveira, que nos ordenou sair do local sem demoras. Seríamos um importúnio para as excelências descerem enquanto uns tantos estávamos aí? </p>
<p>João Oliveira só queria três carros para receber os que viriam de helicóptero do PNG. Saímos obedientes de volta ao primeiro destino para as novas salas de aulas.&nbsp;</p>
<p><img alt="Caminho" src="http://my.gorongosa.net/stories/Caminho_small.jpg" border="1" />&nbsp;</p>
<p><em>A via que sai das antigas salas anexas e conduz às novas.</em></p>
<p>Dando boleia ao nosso colega Ângelo, voltámos ao centro da história do dia: às novas salas de aulas de Nhancuco. Eu já tinha alcançado o meu objectivo de fotografar as antigas salas e historiar uma desejada mudança positiva do precário ao normal.<br />Já nas novas salas, fui tirando algumas fotografias dos já aí reunidos e à espera da delegação.<br />&nbsp; <br /><img alt="IMG_3573 l" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3573_20l_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Os alunos e alunas estão num forte ensaio de canções para a festa da inauguração.</em> </p>
<p>Enquanto as crianças ensaiam suas canções, os adultos lado a lado foram afixando tudo, os dísticos, a mesa da cerimónia, o lugar e artigos de ntsembe , entre outros preparativos.</p>
<p>Pouco depois chegou o helicóptero, que no princípio ia aterrar mesmo no pátio das salas novas, mas foi acenado para ir aterrar na sua pista habitual, no pátio das antigas salas lá mais para cima de onde fomos corridos.&nbsp;</p>
<p><img alt="IMG_3574 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3574_20L_small.jpg" border="1" />&nbsp; </p>
<p>Bertus, piloto do helicóptero, não desobedeceu. Levou o seu engenho mais para frente onde ele bem conhece. Lá para cima estavam os três carros preparados para trazer as excelências ao lugar da cerimónia de inauguração.</p>
<p>Penso que a aterragem naquele sítio das antigas salas tinha um objectivo: mostrar às excelências as instalações em decadência e as em ascendência. Mesmo Peggy Rockefeller e Rebecca Peterson (duas americanas que se impressionaram por Nhancuco e pelas salas) poderiam adorar se estivessem presente porque sabem da construção destas salas.</p>
<p>Descidos do helicóptero, as excelências chegaram às novas salas em carros.&nbsp;</p>
<p><img alt="IMG_3588 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3588_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>As excelências a chegarem no local da cerimónia de carro.</em></p>
<p>Depois de aterrarem no quintal das antigas salas anexas lá mais para cima, as excelências vieram em dois carros para as novas salas anexas. A expectativa era enorme nas crianças e adultos com se pode ver pela posição das cabeças. Era como se de hino se tratasse. Os nossos representantes são muito venerados por nós pelo menos cá nas zonas rurais que os vemos em ocasiões especiais como estas.</p>
<p><img alt="IMG_3589 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3589_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>O segundo carro que trazia mais outros dignitários para inauguração das salas de Nhancuco.</em></p>
<p>Chegaram, desceram dos carros, saudaram a comunidade aí presentes, entre locais e vindouros, líderes tradicionais e outros do governo distrital e provincial e motoristas que os esperavam.</p>
<p><img alt="IMG_3590 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3590_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Descidos dos carros, as excelências saúdam os presentes apertando mãos a alguns.</em></p>
<p>O governador é o primeiro a estender a mão para saudar cada um dos chefes, representantes e líderes comunitários aí presentes. Algumas caras dos nossos chefes locais misturam entre emoção, medo, coragem, falta de intimidade e grande honra de apertar mão aos altos dirigentes como o governador. Uma grande realização se deixa antever em cada um deles. Outros nessas situações nem conseguem levantar a cara para encarar o chefe, o seu próprio chefe. Inventa-se um alvo qualquer onde descarregar a vista e disfarçar quando se está diante de um superior. Reparar directamente nos olhos do chefe é falta de respeito!?! É uma questão cultural evitar reparar fixamente no semblante de um chefe. Só o chefe esse sim, pode reparar fixamente no semblante do seu subordinado e não é falta de respeito nenhum! Poucos são os subordinados que se atrevem a erguer a cara e encarar a cara do grande chefe com alguma naturalidade.</p>
<p><img alt="IMG_3591 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3591_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Governador da província a saudar o presidente do conselho da escola de Murombodzi.</em></p>
<p>A saudação se limita a alguns chefes e aqueles cujo protocolo votou e os organizou numa dada posição. Para criar um ritmo e evitar espaços vazios os batuques começaram imediatamente. Tudo fica bem articulado de tal modo que não existe, nestas ocasiões, momentos que não estejam preenchidos por alguma acção prevista. A cerimónia de Nhancuco seguiu a regra.</p>
<p>As manifestações culturais locais estão previstas para recrear e criar uma motivação apropriada ao trabalho. Sempre surpreendem o espírito por mais que alguém os tenha assistido várias vezes, têm na regra algo invulgar que chama um sorriso para as caras dos presentes.<br />&nbsp; <br /><img alt="IMG_3594 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3594_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Um sorriso forte escapa do controlo de muitos e desponta para fora de bocas.</em></p>
<p>Era tudo no meio de batucada e dança tradicionais mais características da zona, e geralmente só leva alguns instantes, onde tudo começou a tomar corpo. Durante as danças os sorrisos escondidos espreitam fora, normalmente vive-se uma atmosfera muito quente onde nós, os locais, onde procuramos no máximo mostrar a nossa capacidade cultural folclore e os vindouros, já habituados a outras culturas diferentes da nossa, encontram uma das memoráveis graças e recreiam-se na verdade.&nbsp;</p>
<p><img alt="IMG_3597 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3597_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Tradicionalmente é comum alguma manifestação cultural típica da região em visita.</em></p>
<p>Pouco depois os hóspedes, presos aos seus horários rígidos, seguem para outros momentos do evento. Nós porém continuámos por alguns instantes porque afinal as danças seguem um ritmo que não se deve abandonar bruscamente antes de se atingir a última nota final.</p>
<p><img alt="IMG_3598 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3598_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Manifestação cultural típica da região.</em></p>
<p>A comitiva seguiu para o lugar onde estava o régulo Canda já preparado para presidir o tradicional ntsembe. Localmente, qualquer evento de maior impacto na vida da comunidade ou do visitante faz-se depois de se passar pelo culto de ntsembe que convida os espíritos dos nossos antepassados a fazerem parte e acompanharem a situação. </p>
<p>É aparente a admiração do Administrador do Millennium BIM Moçambique, João Figueiredo (o homem que ficou tão impressionado com as condições da anterior escola de Nhncuco que decidiu financiar a nova escola) que provavelmente menos habituados a estes ritos africanos seguidos no interior do país precisa de algum momento para aceitar e conformar-se!<br />Vaquina, sábio governador da província de Sofala, certamente mais habituado a estes ritos nos seus contactos com o interior, mostra-se menos admirado, assim como o próprio administrador Gorongosa também está habituado.</p>
<p><img alt="IMG_3599 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3599_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Régulo Canda já preparado para presidir à cerimónia.</em></p>
<p>Pouco depois começou o culto do ntsembe. O culto local demorou mais do que os batuques e danças de recepção e saudação. O governador da província, mais sereno e iluminado e talvez por força do hábito a estes ritos nos seus trabalhos com as comunidades, pacientemente foi cumprindo o culto a seus avós (se é que partilha do africanismo) debaixo desta. Todos os presentes tiveram que submeter-se ao culto, para seguidamente aturar-se os cultos alheios a cultura africana. </p>
<p>Nada é mais frágil de despertar que a minha curiosidade: porque é que nestas cerimónias sempre se começa por um culto local e depois segue-se aos cultos assimilados? </p>
<p>Crê-se publicamente que os últimos a rir riem-se melhor, não será verdade que os últimos cultos e discursos levam a melhor que o ntsembe inicial?</p>
<p>Sempre quis acreditar por experiência que os donos de uma casa abrem a porta ao hóspede quer para entrar quer para sair. Por que é que o culto não se divide em parte inicial e final para deixar os donos da casa fecharem as portas? Talvez quando o hóspede é mais importante que o dono da casa então ao sair abre sozinho e fecha a porta diante dos donos! Lá foi o culto do ntsembe.</p>
<p><img alt="IMG_3609 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3609_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>O ntsembe presidido pelo régulo Canda porque Nhancuco fica dentro do seu regulado.</em></p>
<p>É quase hábito fazer as cerimónias (ntsembe e outras públicas) de ligação com os nossos antepassados em Nhancuco debaixo de árvores ou em locais especiais como em elevações montanhosas e rios, etc.</p>
<p>&nbsp;<img alt="ATT00107" src="http://my.gorongosa.net/stories/ATT00107_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Exemplo de um dos locais onde as nossas cerimónias tradicionais são feitas para pedir chuva.</em></p>
<p>Parece que em todas as cerimónias oficiais ou tradicionais a bebida não pode faltar, pelo menos é o que fica evidente em todas as cerimónias locais que temos assistido. Nas cerimónias tradicionais não só os nossos antepassados bebem como também os representantes têm o direito de saborear a bebida.</p>
<p>Contrariamente aos discursos, o servir de algo consumível sempre começa com o mais velho da equipa, ou seja começa com o mais chefe dos outros chefes aí presentes.</p>
<p>Lembre-se que o protocolo não falta em ambos lados, é este que serve os presentes algo para consumir ou os lugares para os hóspedes se sentarem.</p>
<p><img alt="IMG_3612 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3612_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>O chefe máximo da delegação é o primeiro a ser servido pelo protocolo tradicional.</em></p>
<p><img alt="IMG_3613 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3613_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>O Administrador do Millennium BIM precisa de familiarizar-se e por isso é incitado a perceber a regra.</em></p>
<p>O Millennium BIM deve construir mais infra-estruturas sociais para o seu Administrador frequentar e habituar-se as regras locais nos cultos folclores. Assim terá mais oportunidade de perceber como o interior vive comparativamente aos hábitos citadinos.</p>
<p><img alt="IMG_3614 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3614_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p>Já percebeu a regra e segue normalmente a regra. Não interessa a qualidade de bebida, mas o seguir da norma.</p>
<p>O dono da casa aqui é último a ser servido. O protocolo já foi bem instruído e não vai falhar ao servir. É uma questão de hierarquia nestas personagens tipo. Os mais velhos primeiro, depois o mais novo em cada circunstância.</p>
<p><img alt="IMG_3615 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3615_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Contrariamente ao habitual, aqui o dono da casa é o último a consumir.</em></p>
<p>Todos os cultos do dia envolveram alguma bebida, no ntsembe tradicional serviu-se vinho, na abertura do dístico serviu-se o champanhe. A diferença que consegui notar é que na cerimónia tradicional, primeiro serviu-se aos nossos antepassados depois serviu-se aos vivos. Enquanto que na cerimónia oficial, só os vivos tomaram sem servir aos seus avós. Aliás, no ntsembe o jovem protocolo serviu aos hóspedes. Ao brindar-se o champanhe não vi o régulo a ser servido uma taça de champanhe!</p>
<p>Findo o ntsembe seguiu-se para a inauguração das salas anexas de Nhancuco. Saindo de um extremo das salas onde se fez a cerimónia de ntsembe para onde está o dístico que o governador da província vai inaugurar.</p>
<p><img alt="IMG_3618 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3618_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Deslocação para o local onde foi fixado o dístico de inauguração.</em></p>
<p>A inauguração, o pano roxo está nas mãos do governador. Mas há uma barreira de pessoas que impede a boa visualização do momento.</p>
<p><img alt="IMG_3620 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3620_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Hendrik Pott (representante do PRPNG no dia) debaixo do dístico.</em></p>
<p>Já inauguradas as salas com a abertura do dístico. E segue-se o champanhe.</p>
<p><img alt="IMG_3621 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3621_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Governador Vaquina abrindo a champanhe diante de um público atento para logo aplaudir.</em></p>
<p>Como de regra, há uma grande salva de palmas quando se abre o champanhe. Os sorrisos não gazetam mesmo nos que se pretendam mais sérios que os outros nestas ocasiões. Aí a seriedade se relativiza ou se torna mesmo ridícula. Festa é festa e festa é alegria e alegria reconhece o sorriso como companheiro convidado.</p>
<p><img alt="IMG_3622 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3622_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Quando chefiar é servir e não ser servido os servidos legitimam o poder do servente por consentimento.</em> </p>
<p>Um esforço de responsabilidade humilde faz do governador indiferente aos aplausos e enquanto os outros gaudeiam-se, Vaquina continua a servir nas taças o líquido que muitos avidamente anseiam. As glândulas salivares activadas pelo arco/acto reflexo segregam com certeza. Mas a aluna, esta sim, não deve perceber muito de champanhe.</p>
<p>Cada um dos presentes com direito pega na taça mais próxima enquanto uns esperam ser servidos e outros até só conseguiram ver a garrafa de longe. </p>
<p>É regra que a minoria constitui com ou sem razão a elite abençoada, com plenos direitos sobre os outros. Só não há revoltas quando o poder é consentido e jamais imposto. </p>
<p>Pena é que os que muito se esforçaram não foram reconhecidos neste jogo. Veja-se que a Maria Barbosa só tem a sua máquina a fotografar depois de ter organizado o evento todo. Para ela aí, parece-me que só deve trabalhar e é isso que espera e que ela faz! </p>
<p>Ganha depois se lhe fizerem justiça atrasada!</p>
<p><img alt="IMG_3624 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3624_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Então cada qual pega na sua taça e a Maria (organizadora) fotografa.</em></p>
<p>Cada qual com a sua taça é a hora do brinde. E daí os sorrisos são contagiosos mesmo para indivíduos distantes.</p>
<p><img alt="IMG_3625 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3625_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>A fase mais venerada do culto.</em></p>
<p>Estes ganham as salas e a honra, pós não têm idade para &ldquo;champanhar&rdquo; ainda! Ganham por toda a vida quando puderem aproveitar das salas devidamente.</p>
<p><img alt="IMG_3628 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3628_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p>Seguras que as salas ficam consigo, as criança não reclamam o champanhe nem o director Sábado.</p>
<p>Com algum champanhe nas cabeças as lindas salas tornavam-se lindíssimas e aguçava a inspiração. Começando no corredor das salas vai se entrando e saindo de uma sala para a outra. Tudo foi andando da melhor forma pois não é aí o lugar de intimidações nem de críticas abertas entre os vivos. E tudo começara a dar bem, desde a cerimónia de ntsembe.<br />&nbsp;<br />(continua)</p>
<p>&nbsp;</p>]]>
   </content>
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   <title>Nhancuco já tem quatro salas novas (parte III)</title>
   <link rel="alternate" type="text/html" href="http://my.gorongosa.net/stories/2008/11/nhancuco_ja_tem_quatro_salas_n_2.html" />
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   <published>2008-11-17T18:15:28Z</published>
   <updated>2008-11-20T19:16:13Z</updated>
   
   <summary><![CDATA[(continuação) Texto e fotos de DJMuala Quarta&ndash;feira, 23 de Julho de 2008 A Escola já pode ser visitada...]]></summary>
   <author>
      <name>Gorongosa National Park</name>
      
   </author>
   
   
   <content type="html" xml:lang="en" xml:base="http://my.gorongosa.net/stories/">
      <![CDATA[<p><img alt="DJMuala" hspace="5" src="http://my.gorongosa.net/stories/DJMuala.jpg" align="left" border="1" />(continuação)</p>
<p>Texto e fotos de DJMuala </p>
<p>Quarta&ndash;feira, 23 de Julho de 2008</p>
<p><strong>A Escola já pode ser visitada</p>
]]>
      <![CDATA[

<p></strong>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img alt="IMG_3629 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3629_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>De sala em sala, dá-se um olhar por todas elas com e sem carteiras ainda.</em></p>
<p>Sim senhor, aquelas são carteiras e não estas que acabavam depressa os calções e saias coloridas destes meus amiguinhos:</p>
<p><img alt="IMG_3566 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3566_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Antigas salas e carteiras de Nhancuco.</em></p>
<p>Antigas salas e carteiras de estudantes. Esta comunidade sozinha conseguiu fazer as salas acima para fazer face a actual forma de educação.<br />&nbsp; <br /><img alt="IMG_3630 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3630_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Novas carteiras para os alunos de Nhancuco.</em> </p>
<p>Sala e carteiras fruto de apoios. Influenciar as comunidades com outras formas de educação que se quer implicar demonstrar mais do que discursar. Assim mais do que sensibilizar com palavras persuadiu-se com acções. Qualquer pai já sente a vontade de enviar sua criança para estas salas.</p>
<p>A evolução dos quadros das antigas salas anexas a novas salas anexas.</p>
<p><img alt="IMG_2101" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_2101_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Antigo quadro das antigas salas anexas.</em></p>
<p><img alt="IMG_3632 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3632_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>O tipo de quadros das novas salas.</em></p>
<p>Depois da visualização das salas seguiu-se para a mesa. Podemos chamá-la de mesa de discursos tendo em conta o que aí se tratou. A encarregada do protocolo, a directora dos serviços distritais de educação e cultura, juventude e tecnologia da Gorongosa, Joaquina de Figueiredo, distribuiu os lugares na mesa. </p>
<p>Geralmente o presidente da cerimónia senta-se no centro da mesa, tendo os segundos mais destacados de cada evento a sentar-se nas alas direita e esquerda respectivamente. Há sempre algum papel de suporte à memória a sair das pastas para a mesa.</p>
<p><img alt="IMG_3636 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3636_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Cada um encontra seu lugar na mesa de honra.</em></p>
<p>O administrador da Gorongosa foi o primeiro a ler a sua mensagem-relatório sobre a situação educativa no distrito, a subida para 67 estabelecimentos de ensino com estas quatro salas, entre outros pontos importantes.&nbsp;</p>
<p><img alt="IMG_3637 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3637_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>João Oliveira a ler sua mensagem</em></p>
<p>Depois senta-se esperando que o protocolo passe a palavra para um outro dignitário.&nbsp;</p>
<p><img alt="IMG_3638 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3638_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>João Oliveira senta-se olhando para Joaquina</em></p>
<p>Joaquina Domingos sem hesitar passou a palavra ao representante&nbsp; do BIM. </p>
<p>Este levanta-se e apoiando-se no seu papel, discursa sucintamente. Constitui uma breve história do embrião as salas. Diz que foi há um ano e meio que a situação começou a constituir preocupação no BIM (provavelmente por modéstia não menciona o papel decisivo que desempenhou no resolver da situação). E conta como passo-a-passo se foi efectivando o sonho que no dia 23 de Julho uniu personalidades na comunidade de Nhancuco para inaugurar oficialmente.</p>
<p><img alt="IMG_3639 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3639_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Administrador do Millennium BIM discursando.</em></p>
<p>O administrador representante do Millennium BIM entregou as salas para a comunidade reiterando porém, que todo o cuidado e manutenção são da responsabilidade da comunidade. Ao BIM coube construir e à comunidade cabe o uso, a manutenção, a conservação daquilo que chamou de património da comunidade de Nhancuco.</p>
<p>Armando Jossias (coordenador da zip de escolas da zona) foi o intérprete que resumidamente dava a súmula aos que precisassem.</p>
<p><img alt="IMG_3642 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3642_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Armando Jossias, coordenador da zip de escolas da zona traduzindo os discursos.</em></p>
<p>Ninguém nestes contextos é superior linguisticamente. Muitos dos eruditos em línguas europeias são leigos em línguas locais enquanto que muitos dos eruditos em línguas locais são igualmente leigos ou neófitos em línguas europeias.</p>
<p>Joaquina deu por fim a palavra ao governador.</p>
<p><img alt="IMG_3644 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3644_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>O Governador Vaquina iniciando o seu discurso sobre a cerimónia.</em></p>
<p>Partindo da regra comum de viva-viva, o governador teceu o seu discurso mais longo que os dos primeiros dois. </p>
<p>Lembrar a todos que as salas surgem no âmbito dos esforços de conservação do PRPNG. </p>
<p>Reconhece que foi o PRPNG que criou a oportunidade de trazer para Nhancuco representantes do BIM. Estes, depois de ver e mexida a sua sensibilidade pelo estado péssimo das antigas salas anexas, tudo fizeram para a construção de salas novas e convencionais ora em inauguração.</p>
<p>O governador reconhece que é a conservação dos recursos naturais da Serra é muito importante. A Serra, fonte dos cursos de água e riachos que dão mais vida nos terrenos abaixo dela, rica em paisagem e espécies que as pessoas amantes destas belezas, indo ao encontro destes bens, chegam a ter consciência das necessidade que as comunidades residentes têm e ajudam. Deu como exemplo o Millennium BIM.</p>
<p>Vaquina acredita que é nessas salas onde sairão os futuros profissionais, membros governo, líderes, ambientalistas de amanhã. </p>
<p>Lamenta o reduzido número de alunas nas escolas e pede para que os pais aceitem mandar também as filhas para estudar.</p>
<p>Disse que as crianças já não iriam mais sentar-se em troncos porque já há carteiras.</p>
<p>Para Vaquina as salas é também para adultos que podem ir frequentar a alfabetização. Com a alfabetização os adultos seriam capazes de aprender a ler e escrever, compreender as mensagens transmitidas através da rádio, dos extensionistas e colaborar.</p>
<p>Lembra palavras do régulo Canda segundo o qual as salas serão importantes se os pais mandarem as suas crianças (meninos e meninas) para estudar.</p>
<p>Fazendo das palavras do representante do BIM suas, Vaquina confirma que a construção das salas já foi efectivada. </p>
<p>A protecção e conservação, saindo do contexto de recursos naturais e atingindo a manutenção do imóvel, não perdoaram o cuidado a ser ter com as portas e janelas que as novas salas têm em contraste das antigas salas cujas janelas e portas não precisavam de óleo!</p>
<p><img alt="IMG_3563 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3563_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Portas e janelas das antigas salas de Nhancuco.</em></p>
<p>Segundo o governador, se uma porta ou janela das novas salas estiver a fazer barulho temos de lembrar em pôr óleo:</p>
<p><img alt="IMG_3657 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3657_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Uma das portas das novas salas construídas pelo Millennium BIM.</em></p>
<p><img alt="IMG_3658 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3658_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Qualidade de janelas das novas salas construídas pelo Millennium BIM em Nhancuco.</em></p>
<p><strong>A Escola mãe de Murombodzi</strong></p>
<p>Conversando com Sábado Paulo Dombe, director da Escola Primária de Murombodzi, escola da qual as quatro salas hoje inauguradas em Nhancuco são anexas.</p>
<p>Para já a escola na sua globalidade, incluindo as suas salas anexas em Nhancuco e Nhadinde, funciona com 718 alunos,&nbsp; dos quais 217 são meninas e 501 rapazes. </p>
<p>Nesta escola ensina-se da 1&ordf; a 5&ordf; classes. </p>
<p>Nas salas anexas em Nhancuco ensina-se da 1&ordf; a 4&ordf; classe. </p>
<p>Sábado Paulo Dombe, director da escola, começou a trabalhar na escola de Murombodzi, escola mãe das anexas de Nhancuco e Nhadinde, em 2002. Veio transferido para esta escola.</p>
<p><img alt="ATT00179" src="http://my.gorongosa.net/stories/ATT00179_small.jpg" border="1" />&nbsp;</p>
<p><em>Director Sábado Paulo Dombe ao lado da escola mãe em Murombodzi.</em></p>
<p>Na altura as salas anexas de Nhancuco não tinha retomado as suas actividades porque um professor que esteve a leccionar aí, antes da vinda do director Sábado, abandonara as salas anexas devido ao reduzido número de alunos que aderiam as aulas.</p>
<p>Quando Sábado chega a escola mãe, teve a grande missão de reabrir as salas anexas de Nhancuco em 2005 com apenas um professor, o José Lucas Madauia. </p>
<p>Assim pouco a pouco, com ajuda de outros líderes comunitários a exemplo dos senhores Silvestre Braga, fumo Randinho, Amadeu Fulai, Sábado e o seu único professor na altura conseguiram persuadir a comunidade e ter os primeiros alunos. Começou como de hábito com a 1&ordf; classe. </p>
<p>Em 2006, introduziu a 2&ordf; classe. Em 2007 introduziu a 3&ordf; classe e em 2008 introduziu a 4&ordf; classe e em 2009, com a melhoria e aumento de salas de aulas graças ao Millennium BIM e segundo a vontade expressa pela directora dos Serviços distritais de Educação e Cultura Juventude e Tecnologia da Gorongosa, será a vez de introduzir-se a 5&ordf; classe em Nhancuco.</p>
<p>Nhancuco que hora conta com um universo de 270 alunos, dos quais 63 são meninas, deu os primeiros passos na história de infra-estruturas modernizadas.</p>
<p>Os alunos pela primeira vez vão poder sentar-se em carteiras, em salas com um tecto convencional, quadros bons, paredes modernas e pintadas.<br /></p>
<p><img alt="Nossos filhos" src="http://my.gorongosa.net/stories/Nossos_20filhos_small.jpg" border="1" /></p>
<p><img alt="Nossos filhos emo" src="http://my.gorongosa.net/stories/Nossos_20filhos_20emo_small.jpg" border="1" />&nbsp;&nbsp; </p>
<p><em>Nossos filhos emocionados de alegria trazida pelo Millennium BIM não resistiram à tentação de inaugurar as suas carteiras já no dia.</em></p>
<p>As crianças e professores de Nhancuco iniciam assim e hoje uma data diferente na sua longa história de infra-estruturas para o ensino-aprendizagem.</p>
<p>O director Sábado não parou na sua missão de expandir o acesso de ensino às crianças da zona em que o Ministério da Educação lhe confiou a missão de direcção da escola. Para além de Nhancuco, Sábado abriu mais outras salas anexas em Nhadinde, uma outra comunidade da mesma zona.</p>
<p>Nas salas de Nhadinde as crianças podem fazer 1&ordf; e 2&ordf; classes. </p>
<p>Em Nhadinde Sábado colocou um professor porque outros dois partilham quatro turmas em Nhancuco. </p>
<p>Já na escola mãe (Escola Primária de Murombodzi) o efectivo de professores é de três, contando com o próprio director da escola que também dá aulas a 2&ordf; e 3&ordf; classes nesta ainda escola-capela de Murombodzi.</p>
<p><img alt="Vista frontal" src="http://my.gorongosa.net/stories/Vista_20frontal_small.jpg" border="1" />&nbsp;<br /><em>Vista frontal da sala-capela principal da escola mãe.</em></p>
<p>Ao todo são 6 professores e um auxiliar afectos na escola de Murombodzi:</p>
<p>&ndash;<strong> Amélia Lídia Mateus</strong>, proveniente da Beira, docente de N3, formada na ADPP em Nhamatanda, lecciona 1&ordf; e 4&ordf; classes na escola-sala mãe de Murombodzi.</p>
<p>&ndash; <strong>Isabel Manuela</strong>, proveniente da Beira, docente de N4, concluiu a 12&ordf; classe do ensino geral na Escola Samora Machel da Beira e depois, buscando ter uma formação profissional, teve de frequentar os novos cursos de formação de professores em curso em Moçambique. Isabel fez o curso comummente chamado de <strong>10&ordf; +1</strong>, o que significa que alguém com 10&ordf; feita, só pode ir ao Instituto fazer um ano de aprendizagem das técnicas e práticas de ensino, o que a professora Isabel Manuela optou em seguir, mesmo depois de ter concluído a sua 12&ordf; classe que lhe confere o N3. Esta professora está afecta na escola mãe de Murombodzi e lecciona 2&ordf; e 5&ordf; classes. Talvez Isabel volte a negociar a validade do seu certificado do nível médio para passar a ganhar um salário mano do actual e usufruir do subsídio de isolamento e horas extras.</p>
<p>&ndash; <strong>Sábado Paulo Dombe</strong>, digno director da escola, concluiu a sua primeira formação do professorado em 16 de Dezembro de 1988, no CFPP-Inhamízua, durante três anos. Depois frequentou o curso à distância para nível médio no IAP da Gorongosa cujo certificado lhe foi conferido em 06 de Junho de 2008. Sábado é professor há mais de 20 anos e tem quase 12 anos a desempenhar cargo de director em escolas diferentes e já vem como director da escola de Murombodzi desde 2002. Agora como docente de N3, o director lecciona 2&ordf; e 3&ordf; classes. O Ministério da Educação sempre cria condições para os seus profissionais irem aumentando as suas competências pessoais e laborais através de formações e capacitações a vários níveis, o que acaba melhorando até a situação salarial dos mais carentes.</p>
<p>&ndash; <strong>Perino Peri</strong>, docente de N4, veio transferido de Inhaminga para Gorongosa e actualmente professor de Nhancuco. Perino não se beneficiou ainda de nenhuma formação do professorado prolongada, mas seminários e workshops que o tornaram capaz de leccionar devidamente. Este é o primeiro ano que Perino lecciona em Nhancuco a 1&ordf; e 4&ordf; classes. Com a determinação e dedicação para melhorar a qualidade de ensino em toda a Gorongosa, os serviços distritais de educação juventude e tecnologia um dia se vão lembrar de incluir Perino Peri no grupo dos professores apurados para o seu IAP da Gorongosa, onde os professores de N4 como Perino aumentam o seu conhecimento a nível das técnicas de como ensinar e adquirem um certificado profissional de qualidade e a N3.</p>
<p>&ndash; <strong>Matias Armando</strong>, docente de N4, também sem formação do professorado prolongada, mas seminários e outras capacitações que o qualificaram. Estudou o nível básico na Escola Industrial da Beira e 2008 é o seu segundo ano a trabalhar em Nhadinde onde lecciona 1&ordf; e 2&ordf; classes. Também Matias não escapará o sorteamento para o IAP da Gorongosa. É só viver um pouco mais para o tempo lhe fazer a justiça e mostrar a estratégia que os serviços distritais de educação e cultura estão a utilizar na selecção das prioridades ao seu IAP.</p>
<p>&ndash; Manuel Fernando, docente de N3, formado no Instituto Nacional de Educação de Adultos (INEA) na Manga-Beira. Há dois meses que Manuel está a trabalhar em Nhancuco onde lecciona 2&ordf; e 3&ordf; classes. Pessoalmente espero que este profissional qualificado para a Alfabetização e Educação de Adultos possa ser uma honra para nós, os adultos desta comunidade que muito precisamos de alfabetização. Em Nhancuco, com as nossas novas salas de aulas que o Millennium BIM construiu para nós, faremos da alfabetização algo sério. E se um dia conseguirmos painéis solares, até passaremos a frequentar as aulas de noite. Nhancuco vai ser aquele espaço em que muitos não vão querer perder.</p>
<p>&ndash; Rui Ernesto Belo, auxiliar, que desempenha funções de secretaria na escola mãe e circula pelos dois sítios com salas anexas da escola (Nhancuco e Nhadinde). Rui é o precursor que percorre os três lugares fazendo os seus serviços de secretaria nesta zona.</p>
<p>Para 2008 funcionam na escola mãe de Murombodzi seis turmas divididas conforme as descrições de cada professor/a acima. Estas seis turmas da escola mãe frequentam as aulas em três salas de aulas, uma das quais é a sala-capela principal. As outras salas da escola mãe vêm abaixo:</p>
<p><img alt="O exterior das outras duas salas" src="http://my.gorongosa.net/stories/O_20exterior_20das_20outras_20duas_20salas_small.jpg" border="1" />&nbsp;</p>
<p><em>O exterior das outras duas salas da escola-mãe de Murombodzi.</em></p>
<p><img alt="As carteiras" src="http://my.gorongosa.net/stories/As_20carteiras_small.jpg" border="1" />&nbsp; <br /><em>As carteiras dentro da sala-capela da escola-mãe de Murombodzi.</em></p>
<p><img alt="Uma carteira tem este aspecto" src="http://my.gorongosa.net/stories/Uma_20carteira_20tem_20este_20aspecto_small.jpg" border="1" />&nbsp;</p>
<p><em>Uma carteira tem este aspecto.</em></p>
<p><em><img alt="As  carteiras de uma das outras" src="http://my.gorongosa.net/stories/As_20_20carteiras_20de_20uma_20das_20outras_small.jpg" border="1" /></em></p>
<p><em>As carteiras de uma das&nbsp; outras salas da escola mãe.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </em></p>
<p><em></em><img alt="Uma das secretárias de profess" src="http://my.gorongosa.net/stories/Uma_20das_20secret_E1rias_20de_20profess_small.jpg" border="1" />&nbsp;</p>
<p><em>Uma das secretárias do professor numa sala da escola-mãe.</em></p>
<p>Em Nhancuco existem quatro turmas e em Nhadinde duas e em média cada turma tem sessenta alunos. </p>
<p>A escola tem um Conselho de Escola constituído por alguns membros da escola e da comunidade local. O Conselho, entre tantas áreas da sua actuação, conta com as seguintes comissões:</p>
<p>&ndash; Construções e produção;</p>
<p>&ndash; Saneamento do meio;</p>
<p>&ndash; Cultura e desporto;</p>
<p>&ndash; Género e HIV/SIDA.</p>
<p>O presidente do Conselho da Escola é o senhor João Xavier com mais de oito anos a exercer o cargo.</p>
<p><strong>De novo em Nhancuco</strong></p>
<p>Estamos cada vez mais convictos localmente que sempre que se faz uma cerimónia tradicional bem acolhida pelos espíritos sempre algo estranho deve mexer com a atenção dos presentes. Desta vez foi a queda brusca e ruidosa do mastro que assegurava a imagem do Presidente Guebuza presa em vidro.&nbsp;</p>
<p>&nbsp;<img alt="Fixação segura" src="http://my.gorongosa.net/stories/Fixa_E7_E3o_20segura_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Fixação segura da imagem do Presidente Guebuza, que depois viria a sofrer uma queda misteriosa em pleno ntsembe.</em></p>
<p>A imagem beijou o chão em plena oração de ntsembe e o tímido vidro perdeu como de sempre que um vidro cai, as suas propriedades uniformes. </p>
<p>Os esforços visíveis na fixação da imagem só justificam que a sua queda mais tarde, durante o rito de ntsembe, só nutre a consciência tradicional segundo a qual se a cerimónia for bem acolhida, então algo estranho que vai despertar a atenção de todos presentes terá que acontecer. E esta cerimónia de inauguração das quatro salas de aulas não fugiu da regra.</p>
<p>Uns perto do incidente deram-se o trabalho de recolher os restos de vidros e dar-lhes outros destinos enquanto o ntsembe voltou a dominar a atenção dos fiéis ao culto africano. É assim na nossa África sempre misteriosa e só pesará para a consciência de quem não conhece a realidade deste berço da humanidade.</p>
<p>Lembre-se que durante o ntsembe todos, numa direcção devem obrigatoriamente ajoelhar-se ou sentar-se no chão. Mas os dignitários, jornalistas e fotógrafos são sempre marginais a esta regra. Nunca se ajoelham. Talvez os espíritos os perdoam assim, ou são já parte de deuses isentos enquanto ainda vivos.</p>
<p>&nbsp;<img alt="IMG_3603 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3603_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>D&ordf; Maria João Barbosa, junto ao viveiro de plantas do PRPNG, cerimónia de ntsembe em Nhancuco.</em></p>
<p>Assim se veneraram os espíritos dos nossos antepassados para acompanharem com sucessos a missão das salas.</p>
<p>A conservação e o reflorestamento foram temas bastante focalizados em muitos dos discursos aqui em Nhancuco, e desta vez fê-los o representante do Millennium BIM e o governador. </p>
<p>Agradou ouvir tais discursos bem estruturados neste encontro popular enquanto contextualizados com a cerimónia da inauguração das salas.&nbsp;</p>
<p><img alt="IMG_3652 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3652_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Últimas palavras do discurso do governador antes de partirem de volta.</em></p>
<p>A cultura moderna anda sempre presa aos horários. Tudo se faz num horário bastante rigoroso. Por isso mesmo não podemos ter as nossas excelências entre nós hoje em Nhancuco por todo o dia. As suas agendas obrigam-nos a partir tão urgente deixando-nos muito a desejar para o convívio, as conversas mais detalhadas. </p>
<p>Depois, o governador, em nome da população de Nhancuco, ofereceu ao representante do Millennium BIM o presente abaixo:</p>
<p><img alt="IMG_3654 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3654_20L_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>O cabrito e os cachos foram o presente dado ao representante do Millennium BIM em Nhancuco.</em></p>
<p>Tivemos que admitir ficar sozinhos para o resto da tarde enquanto os convidados pouco a pouco partiam de regresso para as suas proveniências.</p>
<p><img alt="IMG_3651 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/IMG_3651_20L_small.jpg" border="1" />&nbsp;</p>
<p><em>O regresso da delegação que esteve presente na cerimónia de inauguração das quatro salas em Nhancuco.</em></p>
<p>Alguns convidados locais e da delegação distrital ficaram por uns instantes e brindaram a sua vez. Durante os brindes da cerimónia do ntsembe e do champanhe, após a inauguração da placa, estes convidados não brindaram. Chegada a sua vez chegou, estes não hesitaram em mostrar a sua atitude. Sem muita formalidade, cada um pegou no que pôde para si. Por que é que as pessoas adoram drogar-se? </p>
<p>Sempre me perguntei: por que é que a invenção da mulher sempre valeu mais do que a do cientista Galileu? <br />&nbsp;</p>
<p><br />&nbsp;</p>
<p><em>D&ordf; Maria João Barbosa, no meio de alguns principais da escola. 23.07.08, por DJMuala.</em> </p>
<p>D&ordf; Maria João Barbosa, no meio, à esquerda director Sábado, Fabião João Prato (secretário do conselho da escola). Logo à direita da D&ordf; Maria Barbosa estão Perino Peri (professor em Nhancuco), Rui Ernesto Belo (auxiliar da escola), João Xavier (presidente do conselho da escola)</p>
<p>Em baixo, DJMuala a colher algumas emoções do dia 23 de Julho de 2008 no seio de algumas personalidades locais. A animação do dia foi enorme e difícil de descrever aqui.<br />&nbsp;</p>
<p><img alt="DJMuala2" src="http://my.gorongosa.net/stories/DJMuala2_small.jpg" border="1" /></p>
<p><em>DJMuala recolhendo algumas emoções do dia nos locais em Nhancuco. 23.07.08, por Perino Peri.</em><br /></p>]]>
   </content>
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   <title>O Artista aceitou regressar a casa...</title>
   <link rel="alternate" type="text/html" href="http://my.gorongosa.net/stories/2008/11/o_artista_aceitou_regressar_a.html" />
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   <published>2008-11-17T17:49:40Z</published>
   <updated>2008-11-17T18:39:23Z</updated>
   
   <summary>No Acampamento de Chitengo Pena de Quatro Meses Ergue Um Furtivo, revelando a Decadência de uma Tradição Musical. de Domingos Muala INTRODUÇÃONo estilo de viver bastante materialista (que vem caracterizando as comunidades do interior de Sofala), orientado para a satisfação...</summary>
   <author>
      <name>Gorongosa National Park</name>
      
   </author>
   
   
   <content type="html" xml:lang="en" xml:base="http://my.gorongosa.net/stories/">
      <![CDATA[<p><strong><img alt="DJMuala" hspace="5" src="http://my.gorongosa.net/stories/DJMuala.jpg" align="left" border="1" />No Acampamento de Chitengo </strong></p>
<p><strong>Pena de Quatro Meses Ergue Um Furtivo, revelando a Decadência de uma Tradição Musical.</strong></p>
<p>de Domingos Muala</p>
<p><strong>INTRODUÇÃO<br /></strong>No estilo de viver bastante materialista (que vem caracterizando as comunidades do interior de Sofala), orientado para a satisfação das necessidades básicas e diárias, muitas pessoas mais se preocupam com as actividades que lhes rendem bens materiais de uma forma imediata perdendo-se, deste feita, a exploração do seu potencial máximo em criatividades artísticas. </p>]]>
      <![CDATA[
<p>Muita gente local agora não se&nbsp; importa em aprender muitos dos conhecimentos do passado, sobretudo, porque nesta era o que mais domina é responder as necessidade imediatas atravez de acções do tipo práticas agrícolas, pequenas criações, tecelagem de utensílios para vender como esteiras, cestos, cerâmica, caça furtiva, etc, e toda a actividade que possa resultar em vantagens imediatas para a satisfação das necessidade biológicas mais essenciais. </p>
<p>Pela falta de incentivos a estes saberes locais, os detentores destes conhecimentos geralmente não se apercebem da importância cultural, económico-turística desses saberes. Desse modo, os artistas locais pouco se dedicam a desenvolver as artes enveredando pelo caminho do que mais lhes resolve as preocupações vitais essenciais atravez de actividades descritas no parágrafo anterior esperando poderem obter alimentos, dinheiro, bens materias indispensáveis para as suas famílias reservando, se possível, pouquíssimo tempo para desenvolver as artes que não lhes rendem ganhos nenhuns.&nbsp; </p>
<p><strong>Nyakajambe encontra, em Tomás Jeremias, um amparo</strong></p>
<p><img alt="Foto Tomás Geremias" src="http://my.gorongosa.net/stories/Foto_20Tom_E1s_20Geremias.jpg" border="1" /><br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br /><em>Tomás Jeremias tocando Nyakajambe (na mão esquerda) e Ndhuzu (na mão direita)</em></p>
<p>Nascido em 1971, Tomás começou a praticar o Nyakajambe a partir de 1979 quando passou a viver com seu irmão Rui Jeremias, hoje falecido! Paz à alma de Rui Jeremias! Foram mais de seis meses para Tomás aprender a arte de tocar Nyakajambe. </p>
<p>Na zona onde Tomás reside, há mais de quinze anos, já não existem pessoas que praticam este tipo de arte musical. O artista gostaria de passar este conhecimento para mais pessoas. Porém, assegura que nunca viu alguém interessado em aprender. Segundo seu plano, era preciso que existissem mais pessoas para ele ensinar de maneiras a constituir-se um grupo que perpetue esta arte de tocar Nyakajambe.</p>
<p>Tomás, apesar de não ser um empreendedor, é um detentor de um saber de grande valor cultural que entretém há muitos nacionais e estrangeiros, como se evidenciou a partir da sua actuação constante para turistas, visitantes e o pessoal em serviço no acampamento de Chitengo durante os quatro meses de sua pena e pela gente que se reúne à sua volta quando ele toca seus instrumentos no seu bairro, na banca de seu irmão.&nbsp;&nbsp; </p>
<p>Em cada performance no referido acampamento, os entretidos voluntariamente davam algum dinheiro ao Tomás. O artista diferenciava-se deste modo dos outros furtivos que não ousaram ostentar algum saber de grande valor social. Aliás, os outros furtivos também adoravam e se recreavam sempre que o Tomás estivesse a tocar os seus instrumentos musicais frequentemente ao final do dia.</p>
<p>Pela experiência de ter ganhado algo a partir desta arte, Tomás descobriu o valor dela e gostaria de continuar a manter um vínculo muito forte com Parque no sentido de ser sempre convidado para este lugar quando tem turistas, visitantes, hóspedes, jornalistas, para ele poder recreá-los.</p>
<p><strong>Da Cadeia, Um Furtivo Consegue Despesas para sua Esposa e Três Filhos</strong> </p>
<p>O dinheiro que Tomás ia conseguindo dentro dos quatro meses que esteve a cumprir a sua pena no Chitengo, ele mandava para a sua esposa ajudar-se com as despesas caseiras tais como pagar a moagem quando a esposa fosse farinar os cereais, comprar vestuário para as crianças e ela mesma, caril, entre outras despesas de casa. Desta forma, embora o Tomás estivesse a cumprir a pena de ter matado um boi-cavalo no Santuário (do PNG onde trabalhou durante nove meses na equipa de vedação), ele conseguia, através do seu saber particular ostentado, obter dinheiro para resolver algumas despesas pessoais e caseiras a partir da sua cadeia, privilégio que os outros furtivos não tiveram por não terem conseguido demonstrar algum saber de grande valor.</p>
<p><strong>Revelação da arte de Tomás Jeremias no Chitengo</strong></p>
<p>É importante sublinhar que a pena de Tomás no Chitengo não se traduziu em tocar o Nyakajambe aí. Para além das suas actividades normais de recluso no acampamento que se resumiam basicamente em rotinas ligadas à limpeza do pátio, cozinhar para alguns fiscais que passam refeições no Piquete, lavar alguma roupa deles e engomar, buscar lenha, água, lavar dentro de casa e nas casas de banho, Tomás às vezes teve que ajudar a equipa da fiscalização durante as queimadas descontroladas para apagar os fogos assim como ir ao Santuário para ajudar a manter a área, à volta da vedação, limpa.&nbsp; </p>
<p>Foi pela coragem que teve em ultrapassar o fatídico dia a dia de um furtivo, que ele inverteu o seu cansaço por um vigor demonstrando o seu talento. Pouco tempo depois da sua estadia no acampamento, descobriu-se que Tomás é artista talentoso e passou a gozar de um prestígio particular de tal maneira que era dispensado em algumas actividades para poder atender aos seus &ldquo;fanáticos&rdquo; clientes tocando-lhes o Nyakajambe e o Ndhuzu muitas vezes em frente do restaurante antigo ao cair do dia.</p>
<p><strong>Nyakajambe toca-se em momentos especiais</strong><br />&nbsp;&nbsp;&nbsp; <br /><img alt="Tomás Geremias" src="http://my.gorongosa.net/stories/Tom_E1s_20Geremias.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Tomás&nbsp; Jeremias entretendo alunos na Mediateca em Chitengo a convite do Prof.Domingos</em></p>
<p>Como qualquer dança nestas comunidades, Tomás sempre tocou o Nyakajambe em momentos particulares quer no Chitengo quer em Nyamakaza. Em Nyamakaza (bairro onde vive), ele geralmente toca na banca de um dos seus irmãos mais velhos, Salazar Jeremias. Salazar é fiscal do PNG afecto no Santuário e tem uma banca no bairro onde vende bebidas alcoólicas incluindo cerveja e o vinho para além de outros produtos. Quando os clientes de seu irmão começam a embriagar-se, Tomás vai para a banca entretê-los com as suas canções tocadas a partir de Nyakajambe e Ndhuzu. </p>
<p><strong>São muitos que se divertem com o Nyakajambe mesmo em Nyamakaza</strong></p>
<p>Geralmente quando o Tomás toca os seus instrumentos muitas crianças o cercam para apreciar a mestria com que ele toca e adoram. Talvez considere-se este um dado bastante importante para, bem organizado, o Tomás poder espalhar este seu conhecimento por algumas daquelas crianças que se mostrarem interessadas. Assim, esta arte passaria a ter mais praticantes e mais concorrentes para tocar e ganhar seu pão a partir da actividade recreativa.</p>
<p>No Chitengo, Sempre que Tomás tocasse seus instrumentos musicais, muitos turistas, visitantes, trabalhadores dispensavam o ecrã gigante do famoso LG que regularmente o Departamento de Comunicações usa para projectar vídeos, filmes e outras mensagens sobre o Parque da Gorongosa, sua história, os mementos mais cruciais do Projecto de Restauração ora no terreno, etc, a favor da actuação ao vivo do artista local. </p>
<p><strong>Crise da Arte e Sugestão:</strong> </p>
<p>É crucial que estes saberes folclóricos sejam identificados, comecem a ser valorizados e se criem formas de estimular as pessoas detentoras de tais saberes artísticos dando-lhes espaço para demonstrarem, sempre que possível, as suas capacidades de performance por forma a que elas próprias se apercebam da importância e do valor dos seus saberes e consigam viver na base destes conhecimentos que existem localmente. A partir destes e de outros incentivos possíveis é possível estimular nas comunidades os saberes muitas vezes abandonados à extinção e substituídos por acções menos amigas da conservação como os abates desenfreados de árvores porque se crê, na massa local, que é só da agro-pecuária e da caça furtiva que se pode obter alimentos, caril e dinheiro nas famílias maioritariamente à volta do PNG.</p>
<p><strong>Como o Artista local Tomás Jeremias pára no acampamento de Chitengo?</strong></p>
<p>Tomás Jeremias matou um boi-cavalo no Santuário em Julho último, foi denunciado por outros furtivos, capturado pelo Fiscal Miguel e levado ao acampamento do PNG (Chitengo). </p>
<p>Seguindo a regra habitual da Fiscalização deste Parque, Tomás foi julgado no tribunal judicial do distrito da Gorongosa e condenado a uma pena de quatro meses. </p>
<p>Ora, geralmente as penas dos furtivos são cumpridas no acampamento de Chitengo e traduzidas em trabalhos manuais a favor do Parque. Os furtivos só são enviados para cumprir as penas nalguns Postos de Fiscalização quando se achar necessário e conveniente.&nbsp; </p>
<p>Depois da captura, julgamento e condenação, Tomás ficou completamente isolado da sua esposa, dos três filhos e do resto da sua família. Avolumaram-lhe então os pensamentos e saudades. Pensava no seu papel de pai e tio de muitos que dele esperam alguma ajuda, na sua esposa, Inês Alficha, que tinha que ficar sozinha quatro meses a cuidar das três crianças deles, Jeremias Tomás de sete anos e a estudar na 1&ordf; classe, Tina Tomás de três anos e Sara Tomás de dois anos, etc. </p>
<p><strong>Pequena Biografia de Tomás Jeremias</strong></p>
<p>Tomás foi nascido em Gravata, no Posto Administrativo de Vunduzi, no regulado de Juchenge (?), na Gorongosa, filho de um caçador e camponesa. Último a ser nascido num total de 8 irmãos e irmãs (cinco homens e três mulheres) da mesma mãe, Tomás não conheceu os seus pais porque só tinha dois anos quando seu pai, depois de uma discussão caseira com sua mãe, Jeremias decidiu esfaquear a sangue frio e mortalmente a esposa, Rainha Zuze. Depois, com consciência pesada de ter morto uma criatura humana e não simplesmente um animal do PNG (como era de hábito) fuzilou-se sozinho e no mesmo dia com a sua arma Nguguda que usava para caça. Pelo menos Jeremias voluntariamente aceitou seguir o destino que deu à sua própria vítima. O assassino e suicida tinha ainda uma outra esposa com a qual teve três crianças totalizando 11 filhos.</p>
<p><strong>Perfil Artístico de Tomás Jeremias</strong></p>
<p>Nos primeiros anos após o desaparecimento físico dos pais, Tomás passou ao cuidado de uma mana (irmã mais velha) de nome Éda Jeremias até 1979. No mesmo ano, Tomás, já com quase 8 anos, passou a viver com seu irmão Rui Jeremias. Foi a partir do convívio&nbsp; com este irmão que Tomás começou a aprender a tocar o Nyakajambe. Rui (também agricultor e caçador) era grande tocador deste instrumento. O Tomás ia imitando seu irmão e gradualmente acabou ganhando a paixão. </p>
<p>Já em 1979, Tomás conseguiu fazer o seu primeiro instrumento musical (primeiro Nyakajambe e Ndhuzu) quando ainda viviam em Gravata. Mas a guerra tornou-se bastante tensa e a população de Gravata vivia dividida: uma estava do lado da Frelimo e vivia em aldeias comunais enquanto a outra população estava na zona da Renamo e vivia em seus madembes (nos seus lugares de nascimento). Tomás e todos os seus irmãos estavam na zona controlada pela Frelimo, portanto, viviam em aldeias e continuava a tocar os seus instrumentos (Nyakajambe e Ndhuzu).&nbsp; </p>
<p><img alt="Tomas2 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/tomas2_20L.jpg" border="1" /></p>
<p><em>(Foto&nbsp;de Stephanie Hanes)</em></p>
<p><strong>Tomás sai do Ambiente Familiar</strong> </p>
<p>Em 1987, o senhor Chacanza Alberto Roly, na altura chefe do Posto Administrativo de Vunduzi, pediu o menino Tomás e Rui admitiu. Chacanza passou a viver com o Tomás que o ajudava com os trabalhos de casa, tais como limpeza do quintal, roupa, utensílios domésticos, cozinhar, etc. Em troca destas actividades, Tomás recebia de Chacanza 1.500 mt da antiga família, dinheiro que usava para comprar seu vestuário pessoal e ajudar seus irmãos. Tomás nunca teve a sorte de ir à escola, a sua escola sempre foi a arte de tocar os seus instrumentos, as actividades rotineiras aprendidas no ambiente familiar e em casa do patrão Chacanza.</p>
<p>Ainda em 1987, por causa de ataques constantes das tropas da Renamo, o chefe do Posto decidiu voltar para Beira de onde tinha vindo e levou consigo o Tomás. Tomás ficou com o seu patrão na Beira até 1992. Neste mesmo ano, 1992, Rui, com quem Tomás viveu nos últimos anos, accionou mortalmente uma mina. </p>
<p>Convém notar que durante todo este período até a ida para Beira, Tomás nunca deixou de tocar os seus instrumentos e mesmo durante os anos que viveu na cidade ele sempre praticou a sua arte. Quando os seus irmãos o fossem visitar levavam consigo uma parte do material que Tomás usava para fazer seus instrumentos musicais. Chacanza adorava muito a arte do Tomás. </p>
<p>Um dos primeiros momentos mais marcantes na história artística de Tomás foi quando Rufino Vicente, um jornalista, convidou o raipaz para fazer algumas gravações na Rádio Moçambique. A segunda fase mais marcante é o convívio, as fotografias e filmagens feitas ao Tomás durante o performance da arte no Chitengo. Uma carga psicológica tão forte que ele próprio confessa jamais voltar ao Chitengo como furtivo, mas na busca de um emprego e um espaço para entreter os que gostam de Nyakajambe e Ndhuzu. </p>
<p><strong>Tomás é moralmente obrigado a voltar ao ambiente familiar e ele aceita</strong></p>
<p>No ano seguinte após a morte do irmão, 1993, Tomás teve que abandonar o serviço na Beira para ir se juntar aos restantes irmãos que já se encontravam a viver em Nhamakaza-Bué Maria (no regulado de Chicare) e tomar o cuidado das crianças órfãs. </p>
<p>Assim que o mano cuidou de Tomás, este retribuiu ao irmão pela mesma moeda cuidando os filhos do falecido. Não é assim a justiça natural que muitos se costumam fingir de esquecidos; que um bem se paga com um bem e um mal também com um mal? O sacrifício, esforço, coragem, determinação ou qualquer nome que os especialistas queiram atribuir vai dar no mesmo referente aqui entendido como o abandono de Tomás da cidade da Beira que o ensinou a falar algum português, do patrão que tanto o gostava, do dinheiro e do ambiente que o educava implícitamente, para ir assumir o cuidado dos filhos deixados pelo irmão morto por uma mina. Bom, esse foi o sacrifício que Tomás teve de aceitar. Tomás está ciente de que seu irmão foi ser um antigo combatente no reino dos céus!&nbsp; </p>
<p>Eram seis sobrinhos nascidos de uma das duas esposas que seu irmão deixou que viram no Tomás uma grande ajuda. A outra esposa do Rui nunca conseguiu dar luz a nenhuma criatura, mas continuou esposa aceitando que o marido casasse outra que produzisse frutos. Acontece em muitas culturas? E quando o marido morre, vítima das consequências da guerra civil, ela foi abrangida pelo socorrista que acabara de chegar para velar pela família!</p>
<p>Tomás fazia machambas como as cunhadas e a comida comia junto com elas e as crianças. Nessa altura ele ainda vivia no mesmo quintal com as elas e as crianças. Para além da machamba Tomás caçava animais (acção herdada ou simplesmente cultural?) cuja carne uma parte servia para o consumo caseiro, outra vendia para obter dinheiro que satisfazia outras despesas da casa. Conseguiu manter três crianças do seu falecido irmão a estudar na escola de Bué Maria. </p>
<p><strong>O Artista Apaixona-se pela Inês na Igreja Nova em Metuchira</strong></p>
<p>Em 1994, Tomás começou a rezar na Igreja Nova VIDA sita em Metuchira. Já tinha conseguido dominar a emoção de perder um irmão e confirmado a sua responsabilidade exclusiva; olhar para a família como um pai. Era então a vez dos instintos menos pacientes, os sexuais. Lá na Igreja, pela primeira vez, ele viu e gostou da Inês. Usando os seus manos e manas, Tomás oficializou o namoro com a menina que mais tarde, em 1995, veio a ser sua esposa. Na altura, a Inês tinha 12 anos, quando decidiram casar-se, ela somente tinha completado 13 anos e Tomás tinha 24 anos (quase o dobro sendo ela ainda bastante menor para casar é ...folia ou cultura?).&nbsp; </p>
<p><strong>O Casal e os três filhos</strong></p>
<p>De 1995 a esta parte, o casal já tem três filhos cujos nomes estão descritos acima. Jeremias, filho mais velho de Tomás, é por enquanto a única criança que já mostra grande interesse em aprender a arte do pai. Talvez porque o pai já viu, durante a estadia que teve no Chitengo, que vale a pena saber tocar aqueles instrumentos e consiga motivar o seu filho com mais segurança.</p>
<p>Tomás e sua esposa, como a maioria dos residentes na zona tampão do PNG, dedicam-se a actividade agrícola da qual obtêm alimentos para a família e o excedente vendem. O casal tem duas machambas; uma para produzir mapira, milho, abôbora, pepino, mexoeira, tomate, etc, ou seja, virada para o sustento da família da qual os excedentes o casal vende. A segunda machamba é reservada para a produção de gergelim, cultura para a comercialização. Para além do trabalho da machamba, Tomás aprendeu a produzir esteiras que depois vende. Depois destas actividades tidas por ele como mais importantes porque respondem as necessidades de comer e vestir, Tomás assume como actividade de lazer tocar seus instrumentos musicais (Nyakajambe e Ndhuzu) que ele faz sozinho. </p>
<p><strong>Comer e vender a carne de caça é hábito velho a corrigir nos homens das comunidades à volta do PNG</strong></p>
<p>Tomás deve ter herdado a actividade de caçar. Seu pai era grande caçador e detentor de uma arma pessoal com a qual mais tarde ele se caçou sozinho chegada a hora. </p>
<p>Num certo passado, a caça não era muito proibida como é actualmente, o que fez com que muitos homens das comunidades à volta do PNG incluíssem esta actividade na agenda cultural dos deveres básicos de um homem em oposição à mulher.&nbsp; </p>
<p>Esta tese aceita-se pelos escassos casos reportados de furtivas! As medidas proibitivas da caça antes eram menos estritas porque os animais eram abundantes e muitos residentes nem precisavam de entrar no Parque para caçar. Caçavam mesmo na zona tampão e até na floresta tropical da Serra sem precisar de entrar em contradições com as autoridades de conservação dentro do Parque. </p>
<p>Todavia, os tempos mudaram, também os animais diminuíram de números e só restaram no interior do Parque e as homens, acostumados de resolver parte das suas necessidades com a carne começaram a entrar com maior frequência para a zona do Parque para roubar o que uma vez lhes parecia garantido por Deus, só para beneficiar os residentes destas comunidades particulares. </p>
<p>A verdade foi traiçoeira; os tempos em que os animais eram propriedade particular destas comunidades foram relegados ao pretérito. No presente, procura-se descobrir tudo e globalizar. No caso vertente, descobre-se que só faz sentido se os animais pertecerem a todos cidadãos do mundo, que a diversidade do ecossistema da Gorongosa se aprove, à escala mundial, como um dos patrimónios mundiais, uma das áreas que o mundo inteiro deva prestar atenção e conservar.</p>
<p>Não é assim a regra? Uns descobrem, quer na natureza quer no laboratório, enquanto os outros esperam beneficiar-se das descobertas! Ninguém consciente se incomoda por isso; mesmo na machamba são poucos que sempre capinam, porém são muitos que comem, alguns dos quais nem mesmo conhecem de onde vem a comida que faz seus tecidos musculares. Aí o fenómeno furtivo que trouxe o artista Tomás Jeremias para cumprir a pena e desvendar uma página diferente, pela positiva, na história dele e da família dele. </p>
<p><strong>Quem é Salazar Jeremias?</strong></p>
<p>É um Fiscal do Parque Nacional da Gorongosa (PNG) afecto no Santuário e irmão mais velho de Tomás. Ele é um empreendedor como a maioria dos fiscais, aliás, como a maioria dos trabalhadores deste Parque. Todos de alguma forma empreendem conforme as suas capacidades económicas. Para a maioria dos fiscais, o seu salário e maguenes (dinheiro extra salário) são aplicados para comprar geradores, TV e filmes que vão projectando nos bairros em que vivem e ganham algum dinheiro. Outros como o Salazar constrõem barracas onde vão vendendo bebidas e outros produtos de maior procura localmente. </p>
<p>Salazar começou a trabalhar no Parque desde princípios de 2005 cuja admissão foi facilitada por Paul Roche (um sul-africano) que na altura residia no acampamento de Chitengo e geriu o processo de construção da vedação do Santuário. </p>
<p>O próprio Tomás também trabalhou na equipa que vedou a área do Santuário por um període de 9 meses, cuja admissão foi facilitada por seu irmão Salazar. É sempre assim por aqui onde há muita procura, quando os recursos andam a deriva. Aquele que conseguir descobrir primeiro um poço habitualmente vai puxando seus familiares, amigos, vizinhos, conhecidos e afiliados, etc, para o poço. Chama os outros para se agregarem a ele e se refrescarem com a água que se procurava, beber, tomar banho, lavar e limpar toda a sarna se possível! Esta água que antes dificilmente se conseguia na medida satisfatória... E Salazar é daqui, seguiu a norma de conduta social para com seu irmão Tomás, apitou-o. Antes de ir trabalhar para o Santuário, Tomás praticava a agricultura e a caça furtiva, claro na clandestinidade, como a maioria dos residentes da zona tampão. </p>
<p><strong>Tomás Jeremias Despediu-se de Chitengo</strong></p>
<p>Tomás partiu de volta esta manhã para Nhamakaza depois de cumprir uma pena de quatro meses no acampamento de Chitengo. Ele foi cheio de emoção e ciente de que conseguiu, pelo tempo de sua estadia no Chitengo, traduzir a isolação com a sua família num momento mais forte na sua vida: ter sido convidado várias vezes pelo Parque para partilhar o seu conhecimento de grande valor turístico com turistas, jornalistas, visitantes e trabalhadores no acampamento.&nbsp; Como qualquer pessoa que parte, mesmo &acute;para os céus e não os méus&acute;, Tomás viveu nos últimos minutos uma mistura de emoções e realidades; deixar Chitengo e partir para casa. Um grande conflito de forças contradictórias transbordava do interior para o exterior usando os circuitos habituais: olhos, gestos faciais, boca, fraco controlo da situação, atitudes amorfas várias. Partir de regresso para seu ambiente familiar, para a reunião e alegria caseiras enchia-lhe de satisfação por um lado. </p>
<p>Por outro lado, deixar Chitengo, um ambiente que mais do que nunca soube acolhê-lo, valorizar o seu saber do qual recebeu muitas vezes alguma recompensa em dinheiro com qual ia cumprindo seu dever de marido, pai, tio, irmão, etc, portanto, ele deixa um ambiente que mais do que uma pena foi uma grande realização artística e fonte de rendimento. </p>
<p>&ldquo;Deixo o Parque com muita saudade. Durante o tempo que vivi aqui consegui perceber que afinal vale a pena saber algo e saber partilhar tal algo positivamente com os outros. Era minha vontade puder ter um emprego aqui. Trabalhando aqui eu poderia ter mais espaço para tocar meus instrumentos (Nyakajambe e Ndhuzu) para todas as pessoas que gostam deste tipo de música. Depois, já livre da minha pena, poderia ir sempre para casa velar pelas famílias que estão lá.&rdquo;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
<p>&mdash;Tomás Jeremias, 30 de Outubro de 2008</p>
<p><img alt="Tomas1 L" src="http://my.gorongosa.net/stories/tomas1_20L.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Tomás Jeremias num das performances de despedida na mediateca de Chitengo a convite do prof. Domingos. (Foto&nbsp;de Stephanie Hanes)</em></p>
<p>Com Tomás foram capturados mais dois familiares: um seu irmão e um tio. Todos tiveram soltura no mesmo dia e deixaram Chitengo como muitos o deixam: momentos de conflitos entre ir-se e não se ir embora deixando. Deixar este pequeno mundo para trás sempre foi um assunto. Ainda que se tenha esperança de um dia incerto voltar-se a visitar, viver, ter Chitengo. <br /></p>]]>
   </content>
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   <title>Na Gorongosa Há Tempo Para Tudo!</title>
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   <published>2008-11-06T19:07:45Z</published>
   <updated>2008-11-06T19:10:12Z</updated>
   
   <summary>Às vezes é preciso dar pausa e olhar para trás de Domingos Muala Geralmente, para quem gosta de contemplar, quer o cíclo da natureza pura, quer o cíclo da criação humana por aqui na Gorongosa, não é raro concluir que...</summary>
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      <name>Gorongosa National Park</name>
      
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      <![CDATA[<p><strong><img alt="DJMuala" hspace="5" src="http://my.gorongosa.net/stories/DJMuala.jpg" align="left" border="1" />Às vezes é preciso dar pausa e olhar para trás</strong></p>
<p>de Domingos Muala</p>
<p>Geralmente, para quem gosta de contemplar, quer o cíclo da natureza pura, quer o cíclo da criação humana por aqui na Gorongosa, não é raro concluir que existem momentos diversos. Há para isso momentos fortes e fracos como os dias e as noites, momentos de muito calor como nestes dias e os de muito frio como os meses de que sentimos saudades agora (pelo menos na Gorongosa é assim), as folhas rebentam novas efrescas nas árvores e depois caem cansadas de servir a própria mãe árvore, a humidade convida formigas por terrenos baixos num tempo e no outro só se vêm formigas quando anunciam mau tempo e chuvas! etc.</p>]]>
      <![CDATA[
<p>Os homens também há momentos vários; de nascer e de morrer, de planificar e construir opotos aos de planificar e destruir, de amar e os de odiar. Há um dualismo em muitas coisas naturais e mesmo nas fruto da inteligência criativa do homem.</p>
<p>Queira tomar como exemplo de vários momentos de percurso, a história da vida do Parque Nacional da Gorongosa que de 1920 a 1940 teve-se um momento muito forte de planificação. De 1941 a 1959 marcado por um momento muito forte de construção de infra-estruturas turísticas, divisão de actividades por grupos diferentes, todos apostados a fornecer um serviço melhor para os turistas e apaixonados pelas paisagens míticas, lendárias, imponentes do Grande Vale do Rift no seu extremo sul!</p>
<p>De 1960 a 1980, época do pico do gigante e monstruoso Parque, que ameaçou com a sua diversidade animal,&nbsp; os vários mundos de conservação. A flora, os pássaros, os répteis grandíssimos (os crocodilos), entre outra beleza natural exclusiva tornaram deste Parque soberbo, bastante expressivo. E neste mesmo período o Parque conheceu um número de turistas e aventureiros assustador em recordes.</p>
<p>Não obstante os esforços,&nbsp; entre 1976 e 1981 estava-se a planificar o fim do mito da Gorongosa. Entre 1981 e 1992, efectivou-se com sucesso o plano da destruição da fauna bravia que constituiu símbolo indiscutível&nbsp; de Moçambique! </p>
<p>Prosperaram as plantas, porque poucos podiam ter tempo de cortar árvores, capinar, queimar, trepar a Serra. Reinava o aumento do trauma pelas violências militares, durezas da vida, medos e receios da morte, humiliações, discriminações, entre outras formas de trauma.</p>
<p>Entretanto, podemos considerar que de 1994 a 2002 planificou-se a reconstrução da fauna. De 2004 a ....(talvés 2038!) reconstroi-se efectivamente a fauna do Parque Nacional da Gorongosa através de apoios da Carr Foundation com introduções consecutivas de várias espécies de animais como búfalo, boi-cavalo, elefante, hipopotámos, zebras, etc, no ora empobrecido Parque da Gorongosa. Depois, sem dúvidas virá a destrução novamente. Há tempo para tudo!!!!</p>
<p><strong>Dia dos professores, 12 de Outubro</strong></p>
<p>Também os professores da Gorongosa se deram tempo fora das salas de aulas, desta vez não para participar em seminários de capacitações, formações diversas, excursões com alunos, receber salários, mas para uma reflexão conjunta, em convívio com alunos, colegas, pais e encarregados de educação, e toda a comunidade da vila da Gorongosa, sorrindo, dançando, contando anecdotas, bebendo alguma cerveja nas barracas da Gorongosa, etc.</p>
<p><img alt="Clip_image002" src="http://my.gorongosa.net/stories/clip_image002.jpg" border="1" /><br />&nbsp;<br />O cenário acima marcou o início de um dos momentos marcantes da vida dos professores na vila sede da Gorongosa. Por volta das 9 horas do dia 12 de Outubro de 2008, professores reunidos e organizados em fila, assistidos pelo governo distrital e algumas estruturas locais como se verá na foto abaixo, os professores fizeram uma procissão da Escola Primária Completa 3 de Fevereiro para a praça dos heróis local,numa dstância de quase 600 metros.</p>
<p><img alt="Clip_image003" src="http://my.gorongosa.net/stories/clip_image003.jpg" border="1" /><br />&nbsp; <br />Os professores da Gorongosa e seus dirigentes locais, unanimemente, decidiram marcar o seu dia (12 de Outubro) com actividades diferentes das rotineiras em salas de aulas espalhadas pela vila e periferias. Foi uma pausa considerada importante e necessária como se pode ver do discurso do administrador local, João Oliveira:</p>
<p><img alt="Clip_image008" src="http://my.gorongosa.net/stories/clip_image008_small.jpg" border="1" /><br />&nbsp;<br /><em>&ldquo;O professor é a nossa luz porque é ele quem nos ensina a usar devidamente a língua da unidade nacional.É ele quem nos ensina o saber ser, fazer e estar. Se não fosse o professor , cada um de nós aqui presentes estaria a usar a sua própria língua materna e talvés tivéssemos muitas dificuldade de comunicar com eficiência.&rdquo;</em><br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&ndash;&nbsp;&nbsp;João Oliveira, no Fumaso em 12.10.08 </p>
<p>Ao longo dos variados momentos do dia dos professores na Gorongosa, houve tempo para a deposição da corao de flores na praça dos heróis Moçambicanos como é de hábito em qualquer cerimónia oficial na Gorongosa:</p>
<p><img alt="Clip_image007" src="http://my.gorongosa.net/stories/clip_image007_small.jpg" border="1" /><br />&nbsp;<br />Bonezi João Catique Ráiva, secretário distrital da ONP (Organização Nacional do Professores) encarregou-se de depôr solenemente a coroa de flores na praça da vila, esta vila da Gorongosa que aspira pela municipalização breve.</p>
<p>Outro momento foi o da segnda procissão igualmente ordeira para o lugar costumeiro para descursos dos dirigentes e alguns ilustres do dia. O lugar, conhecido por FUMASO, fica a quase 500 da praça em direcção à Beira, foi percorrido com muita emoção e cantos, pela maioria enquanto os dirigentes e alguns destacados se deslocaram em viaturas próprias.</p>
<p><img alt="Clip_image006" src="http://my.gorongosa.net/stories/clip_image006_small.jpg" border="1" /><br />&nbsp;<br />Já no recinto habitual (do FUMASO) alguns momentos foram preenchidos por canto e dança e apresentações culturais várias;</p>
<p><img alt="Clip_image005" src="http://my.gorongosa.net/stories/clip_image005.jpg" border="1" /><br />&nbsp;<br /><em>Professoras e professores de Mapombue, uma das escolas da periferia da vila, apresentando seus cantos.</em> </p>
<p>Mais de 800 pessoas entre professores, estudantes, pais e encarregados de educação, diversos convidados s estiveram presentes neste recinto no dia 12 dos Professores.</p>
<p><img alt="Clip_image004" src="http://my.gorongosa.net/stories/clip_image004.jpg" border="1" /><br />&nbsp;<br />Mapadza, uma das danças típicas da Gorongosa, nunca se fez ausente em momentos de alegria, convívio e paz mesmo com o escaldar do sol do dia.</p>
<p>Em gesto de simpatia com os professores, ofereci aos que pude este poemeto. </p>
<p align="center"><br /><strong><em><u>Caro professor da Gorongosa</u></em></strong></p>
<p align="center">Tu és a luz para novas almas <br />Assim que novo ano começa,<br />És a direcção para novos ingressos<br />Que vão conhecer a escola pela primeira vez.</p>
<p align="center">Professor, de ti se espera a paz no pai<br />Sempre relaxado<br />A frustração para as mães e empregadas<br />Porque só elas têm total cuidado da criança.</p>
<p align="center">Professor da Gorongosa, de ti se espera a luz para novas almas<br />tu és a luz para os novos ingressos<br />A luz para adolescentes, jovens e<br />Velhos que desafiam o curso nocturno<br />Na busca de um certificado para a promoção.</p>
<p align="center">És tu a causa de afirmação social<br />És tu o que hoje eu sou<br />Sem tu eu não seria ...<br />Sem professor tu não serias professor!</p>
<p align="center">Falo de ti óh Marufo<br />Falo de ti óh Mapossa<br />Também tu óh Gito<br />Sem me esquecer de ti óh Dumba...</p>
<p align="center"><strong><em><u>Meu caro professor</u></em></strong></p>
<p align="center">Esforça-te esforça-te<br />A ser realmente o que espero de ti<br />O que o René espera de ti<br />O que o ministério espera de ti<br />O que a nação espera de ti.</p>
<p align="center">Contigo as crianças abrem-se ao mundo<br />Do alfabeto<br />Da contagem<br />Das horas<br />Do gosto pela arte.</p>
<p align="center">Tu inspiras<br />nas crianças<br />Nos adolescentes<br />Nos jovens<br />Nos velhos do curso nocturno...</p>
<p align="center">Tu promoves a iniciação à cultura de raciocínio<br />Mais activo da interpretação dos fenómenos naturais</p>
<p align="center">Professor, tu inspiras a cultura de paz<br />De harmonia<br />Entendimento<br />Compreensão<br />Democracia.</p>
<p align="center"><strong><em><u>As palavras que ensinas</u></em></strong></p>
<p align="center">Estudar<br />Aprender<br />Resolver<br />Calcular<br />Exercícios<br />Tpc.</p>
<p align="center">Discutir<br />Em grupos<br />Investigar<br />Consultar<br />Analisar...</p>
<p align="center">São exemplos de palavras que sempre<br />Bem alto gritas<br />Quando entramos na sala da Escola Primária<br />Três de Fevereiro<br />Nhamussongora Rio<br />...</p>
<p align="center">Também na Escola Primária Completa<br />1 de Maio<br />De Mapombué<br />De Nhambondo<br />De Matchisso<br />De Nhataca<br />De Vunduzi...</p>
<p align="center"><br />Também assim ouvi ti gritar na Escola Secundária<br />Cristo Rei da Gorongosa<br />Eduardo Mondlane.</p>
<p align="center"><br /><strong><em><u>Com essas palavras tu</u></em></strong></p>
<p align="center">Incutes em mim<br />O princípio da lógica<br />Matemática<br />Do raciocínio.</p>
<p align="center">Despertas em nós<br />O interesse pela diferença<br />A análise da realidade.<br />O princípio da responsabilidade<br />E da autonomia.</p>
<p align="center">Tu que formaste em tempos diferentes<br />Os governantes<br />Naturais da Vila Páiva de Andrade<br />Naturais da Vila da Gorongosa.</p>
<p align="center">Formaste em tempos diferentes os intelectuais<br />De Sofala<br />Da região Centro de Moçambique<br />Do Belo Moçambique<br />Os intelectuais do mundo inteiro.</p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p align="center"><strong><em><u>Caro professor</u></em></strong></p>
<p align="center">Nós na Gorongosa<br />Contamos contigo para<br />O cumprimento das nossas metas<br />Tanto neste quinquénio<br />Como nos próximos quinquénios</p>
<p align="center">Tu serás sempre uma parte integrante dos nossos programas à nível<br />Dos pólos de Desenvolvimento<br />Da província<br />Da nação toda</p>
<p align="center">Tu terás sempre o prestígio social<br />Inerente à tua posição<br />Ao teu papel de espelho<br />Da humanidade.</p>]]>
   </content>
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   <title>Snapshot From Gorongosa</title>
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   <id>tag:my.gorongosa.net,2008:/stories//4.183</id>
   
   <published>2008-10-30T00:09:18Z</published>
   <updated>2008-10-30T00:10:06Z</updated>
   
   <summary><![CDATA[Rebecca Peterson, 60 Minutes Producer, tells her personal account of visiting and reporting on Gorongosa National Park: &ldquo;As I packed for my trip to Africa, I took along my new digital camera - although I'd bought it more than a...]]></summary>
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      <name>Gorongosa National Park</name>
      
   </author>
   
   
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      <![CDATA[<p>Rebecca Peterson, 60 Minutes Producer, tells her personal account of visiting and reporting on Gorongosa National Park:</p>
<p>&ldquo;As I packed for my trip to Africa, I took along my new digital camera - although I'd bought it more than a year before and I'm the first to admit that it was a bit more camera that I can easily manage&hellip;&rdquo;&nbsp; <a href="http://www.cbsnews.com/stories/2008/10/28/60minutes/main4551594.shtml" target="_blank">Read More&gt;</a></p>
<p>(CBS) By 60 Minutes producer Rebecca Peterson. </p>]]>
      
   </content>
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   <title>A Majestic Excursion to Mount Gorongosa (Part 1)</title>
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   <published>2008-10-02T22:38:53Z</published>
   <updated>2008-10-02T22:38:55Z</updated>
   
   <summary><![CDATA[By&nbsp;DJ Muala Thursday, June 5, 2008 From Chitengo to the Murombodzi FallsA two-hour tour of contradictions through mythical landscapes Departure point: Chitengo We had already reached 8:15 when, after giving chairs to everyone and to me too, Vasco Galante sat...]]></summary>
   <author>
      <name>Gorongosa National Park</name>
      
   </author>
   
   
   <content type="html" xml:lang="en" xml:base="http://my.gorongosa.net/stories/">
      <![CDATA[<p><img alt="DJMuala" hspace="5" src="http://my.gorongosa.net/stories/DJMuala.jpg" align="left" border="1" />By&nbsp;DJ Muala</p>
<p>Thursday, June 5, 2008</p>
<p><strong>From Chitengo to the Murombodzi Falls<br /></strong>A two-hour tour of contradictions through mythical landscapes</p>
<p>Departure point: Chitengo</p>
<p>We had already reached 8:15 when, after giving chairs to everyone and to me too, Vasco Galante sat down opposite Greg Carr. The American philanthropist was seated towards the back, right next to our VIP for the day, the CBS journalist Rebecca Peterson (from the North American TV station). And of course I was opposite Rebecca. There was the Gorongosa National Park journalist, Carlitos Sunza, in the front, and the pilot Bertus was next to him. The term philanthropist here simply means a person who not only uses words to improve the general well-being, but who also takes action, day and night, giving everything they&rsquo;ve got and making great personal effort for the well being of all. </p>
]]>
      <![CDATA[

<p>After this, Bertus moved without delay to start the machine. </p>
<p>And there was a startling noise as the 6-seater machine that had been asleep over night came to life. The pilot ventured out of the helicopter to check if the doors were securely closed. It reminded me of the popular saying &ndash; it&rsquo;s good to trust, it&rsquo;s better to distrust. </p>
<p>So the pilot re-closed the doors and windows and confirmed the state of his vehicle before takeoff. This is what they call responsibility. Sometimes just using words to talk about responsibility isn&rsquo;t enough.</p>
<p>We got onboard. I took part in the adult talk. I heard about the anxieties of the wakulu wakulu, the big shots. Adults who had every right to choose their travel companions. </p>
<p>I was proud to be there with Greg, Rebecca, Vasco, Carlitos and Bertus. Still, I had fleeting anxieties in the first moments after boarding and sitting among my hierarchical superiors. Our VIP Rebecca was in front of me &ndash; this was Vasco&rsquo;s strategy for us to sit so that I could share what experience I had with her. I could tell her about the histories that I write, about the people of Gorongosa, and about the area we were flying over. It was a strategy that didn&rsquo;t work out very well. The language barrier between us made communication difficult. </p>
<p>You see, my official language is Portuguese, and I can communicate in English and in other languages. My companion&rsquo;s first language was English, and she knew only some words and phrases in Portuguese.</p>
<p>I think she quickly forgot that we could still converse in English. She got caught up in the thrill of flying over this territory full of animals, as we traveled towards the largest tropical forest in Southern Africa, located on Mount Gorongosa. </p>
<p>She graced us with her smile from the very beginning. And she waited for our outpouring of explanations, mainly from Vasco and Greg, who reported on numerous issues.</p>
<p>Much of the conversation centered on general information, such as the traditional name of the current Site One, the small residential quarter of the Park reserved for junior staff. </p>
<p>Vasco agrees and furthers his point by citing the traditional name of the new Chitengo Restaurant &ndash; Chicalango. </p>
<p><img alt="Chitengo_resized" src="http://my.gorongosa.net/stories/Chitengo_resized.jpg" border="1" /></p>
<p>Other questions concerned the beautiful wildlife and how much we could see in the particular section of the larger Park ecosystem that we would cover on our visit. </p>
<p>Rebecca listened attentively to the conversation. Sometimes she jumped in and determined the direction of the conversation. </p>
<p>For me, the landscape seemed somehow different now than it had been in March when I last admired it on a trip to the Cheringoma Grotto. And of course it would be.</p>
<p>Time changes everything and everything changes with time. Things change. Nature &ndash; inanimate and animate &ndash; changes. Just like feelings change with time!</p>
<p>In March it&rsquo;s more green. There are marshes and swamps everywhere. And there are many places in the Park where the roads are sometimes cut off by dangerous, raging high waters. In March, the trees don&rsquo;t seek water. But in June, the situation is quite the opposite. Fires threaten dry grass &ndash; the same grass that is a defiant green in the landscape in the third month of the year. </p>
<p>Today, we went in a sight-seeing direction that was different from the route we took that month. This time, Greg didn&rsquo;t mention the area with the elephants. And I already suspected how the mountain would effect our entire crew two and a half hours later. But we went.</p>
<p>Just minutes after takeoff, we were charmed by the animals. Over here there was one, over there they were in groups. The rare albino waterbuck even made an appearance that day. </p>
<p><img alt="Albino Waterbuck_cropped" src="http://my.gorongosa.net/stories/Albino_20Waterbuck_cropped.jpg" border="1" />&nbsp;<br /><em>Albino waterbuck: genetics on display.</em></p>
<p>The only thing we couldn&rsquo;t determine was if the animals were males or females. Some ran away frightened by the motors of the loud aircraft. They followed their instinct of self preservation. Yes sir, the animal population at the Park is multiplying little by little. </p>
<p>The 16 years of peace at the Park and the Park restoration project are helping the animals multiply. The animals ran into their safe houses &ndash; under the trees!</p>
<p>The aircraft didn&rsquo;t stop. I felt sorry for the tousled trees. They were being punished by a helicopter, just as often happens with the fragile roofs of our houses in this zone of Mozambique. When this type of engine hovers just above these young roofs, they cry for their parents to brush their hair again. And it can take several hours to disentangle the hair of these traditional habitats. Our thatched huts.</p>
<p>Poor trees! Thanks to their animal abilities, animals can at least make a furtive escape from the hunters.</p>
<p><strong>Bela-Vista</strong></p>
<p>Bela-Vista means only Bela-Vista &ndash; Beautiful View. Just leave aside the metaphors and imagine the phrase word for word. Even in our Portuguese from Gorongosa, it&rsquo;s still possible to grasp the essence of each element in this juxtaposition. If there are still comprehension difficulties, then substitute the term: Bela-Visão &ndash; Beautiful Vision. Vision of the open spaces from here forward. The well-conceived colonial-era lodge was to be situated on one of the distinctive rises of the region. This particular rise is in a prominent location that allows for a majestic panorama over the remaining area of the Park &ndash; except for the zone behind the mountain.</p>
<p><strong>How to get to Bela-Vista?</strong><br />To get to Bela-Vista, follow the road that leaves Chitengo, passes through and continues to other parts of the Park. A Park inspection point was intended to inhabit the area next to Bela-Vista.</p>
<p>I diligently asked our inexhaustible guide if there was a plan to rehabilitate these infrastructures in the future, since they are restoring the animals, tourist infrastructure at Chitengo, and the communities neighboring the Park. Vasco readily answered that it&rsquo;s part of the plan. </p>
<p>As we were leaving the Park, there were many fields where deep green alternated with patches of blondish brown. The green was from the trees. Big or small. The grass was brown because it was dry, violated by the sun and deserted by the manna from last season.</p>
<p>Outside the park, the scene was the opposite &ndash; a lot of blondish brown interrupted by patches of obvious green from the mango trees. Along the rivulets of water there also still appeared some deep green. The brown here is already quite disturbing. The houses blunt the effect amidst all this brown. </p>
<p><strong><u>Tsiquir Gold Mines</u></strong></p>
<p><img alt="Clip_image002_resized" src="http://my.gorongosa.net/stories/clip_image002_resized.jpg" border="1" />&nbsp;<br /><em>Arial view of Tsiquir Gold Mines.</em></p>
<p><strong>Save the animal habitat and refuge! <br /></strong>The adults also flee from the noise of the helicopter!</p>
<p>What kind of adult runs away and why? Those who are exploring the gold mines of Tsiquir.</p>
<p>They run out from the mines. To hide in the bush. Probably because their houses are far away from the mine pits. How is it that these animals (if animal means physical mobility) coincidentally find refuge underneath the trees when they are overcome with fear? Some (rational) animals illegally exploring gold from the Tsiquir mines took refuge under the trees. Already within the Park, other (irrational) animals were also fighting for survival &ndash; they ate and looked for food. Surprised by the noise, they ran for the trees without thinking. Trees, trees!</p>
<p><strong>Trees, the only life protection.</strong><br />Two simultaneous incidents involving animal behavior in relation to trees. Two unforeseen events. And witnessed by six people. Animals that instinctively had to run back to the trees to protect themselves from an imminent danger. They knew they wouldn&rsquo;t regret it. </p>
<p>Even Mother Earth who sustains us retreats to the trees to create more life. So that she can strengthen her position in the orbital race and be proud among the group of other planets, the earth relies on the trees! By way of trees, she gets animals, rains, humanity, and other life. But by way of animals, she doesn&rsquo;t get a single tree. She simply loses her status as one of the other contestants (planets and heavenly bodies) in conquering lives for herself. </p>
<p>When they heard and then finally saw the helicopter, why did the humans there decide to flee under the trees? And what about the (irrational) animals within the Park?<br />Could there be a mutual intelligibility between the two behaviors?<br />What consciousness is there for the rational ones at Tsiquir?<br />&nbsp;<br />They almost make me believe that human limitations are quite severe indeed. They are even incapable of clearly seeing each moment in life. </p>
<p>Nevertheless, there&rsquo;s a Thomas in the Bible who still doubts. I saw a few scared ones standing over there, inert. They didn&rsquo;t run away into the forest. Even after we circled around the mines two times. They were still there &ndash; immobile and halted.</p>
<p><strong>What did those mines look like?</strong><br />A large colony of holes carved out of the subsoil. And the view from above revealed humans all over the outside and inside of the holes. It reminded me of the dynamics of ants entering and leaving their homes, each ant with his pack. And the packs of these ants below us are rocks unearthed from below and brought up for inspection by the waters and the poisonous mercury. The fugitive gold is inspected. As rare to find as wisdom. Where are the water and the mercury of wisdom? </p>
<p>On top of that, the holes actually become water wells, awaiting rings so they could mitigate the lack of the precious liquid in the villages. And there would be real gold for all in Tsiquir if those wells could be fitted with rings and covers. There would be potable water for use in communities that need it the most. After partaking in the scarce mineral deposits, these neighboring villages see the few remaining sporadic rivers and boreholes as solutions to the crisis of that vital indispensable liquid. By tradition, this generation has inherited practices that now need to be readjusted and contextualized. </p>
<p>And the Thomases, who want to see it to believe it, will still be present in many humans &ndash; these are the infamous fearful ones. And the fearful ones will continue standing there outside the mines. </p>
<p>Likewise in Tsiquir, the presence of destructive human action was plain to see, action that is frequently linked to the necessity of survival: the predominate agricultural practice of slash and burn (locally, mathema). There were bald areas on top, on the slopes, and in the valleys of the mountainous areas, as there were justifiably bald areas in the large residential yards.&nbsp; </p>
<p>It&rsquo;s interesting to observe how the local communities grow dizzily: there are few residential yards with one house. Many have five or more houses. With the parents&rsquo; house often in the middle, and the houses of sons and daughters around the father&rsquo;s house. It&rsquo;s an aggregation of family that keeps on growing. Planning to have children here first requires planning the number of wives and chindes (dependent women). And being someone&rsquo;s wife means having at least one child with him. And the chindes? They accept that there are fewer men in Gorongosa, but they don&rsquo;t accept that they will have fewer children with the small number of available men!</p>
<p>So this was why I saw such a concentration of houses within each yard. And there are so many similar yards as well. I&rsquo;m sure that each family has a large farm plot. Shared by all of the members of the family. But still under the control of the parents. And as the children advance in age and in responsibility, they detach from the large family farm plot and run their own mathemas. They tenaciously start their own farm plots, these adolescents who get married or get pregnant at a tender age, and then the plots are given to the pregnant girls, still in their adolescence, who set up their own home. And so according to the norm, they become heads of households. They become parents with a farm plot they share with their family members. </p>
<p>Sometimes there&rsquo;s even an exploratory breaking away from the family plot. This is in line with the century&rsquo;s trend, started by Mr. Santos Mosca, of buying and selling agricultural products in this part of Mozambique. </p>
<p>So, the father&rsquo;s farm plot is without question for commercial purposes. Commerce that springs from food products can today be seen exploding along the streets of dear Gorongosa. Gorongosa&rsquo;s interior is not on the fringes. And the many Mr. Santos Moscas of this era are commonly called manhambanes (people who come from Inhambane province). </p>
<p>It&rsquo;s a practice that is tied to our daily life. We find here in Gorongosa farm plots for the mother/mothers, sons and daughters, grandsons and granddaughters, cousins, and everyone who shares the same residential yard. They may have farm plots in various places because the manhambanes buy and sell produce from the plots. And the farm plots come from mathemas &ndash; slash and burn. It&rsquo;s only the trees that lose in this vicious cycle. This is how it is in Tsiquir. This is how it is in Nhancuco. This can be seen in Gorongosa town for those who have visited there. </p>
<p>I just want to know where people hide their conscious when they don&rsquo;t send a wake up call to those who need it. </p>
<p>I&rsquo;d like to know where we camouflage our collective responsibility to care for the equilibrium of our habitat &ndash; our ecosystem in agony. </p>
<p>Unsustainable agriculture causes more and more devastation to our ecosystem, yet it isn&rsquo;t abolished. Maybe because it&rsquo;s cheaper to eat than to criticize the process that brings us the food. And criticize here isn&rsquo;t to be confused with deny, rather analyze and take a stand. Urge people to understand this dilemma of ultra-rapid ecological imbalance that is already difficult and will be worse in the future. </p>
<p>We circled around the mine area two times. The emotion that I had contained shortly after boarding the aircraft grew again into a monster inside me when I saw from afar the mines I had always heard about. My sorrow at not having a camera with me now seemed like a lack of respect. And I couldn&rsquo;t do anything but just be glad that our VIP of the day had brought her camera with her. Of course a journalist doesn&rsquo;t forget her camera and she had hers. And Vasco helped her, well aware that Carlitos was seated by the pilot and was also filming at least the most remarkable landscapes. And the Tsiquir mines were obviously not an exception. From the mines there arose a conversation among the three distinguished guests in back. The visitor commented on the possibility of making the mines official so that people could exploit the gold in a transparent way. Vasco, knowing his material thanks to his frequent interactions with local and central authorities, succinctly explained to Rebecca the general view about the Tsiquir mines. He added that the last time he saw the excavation, the water was a brownish red from washing the rocks in it. He believes that recently less mercury has been used, which already generally reduces water pollution. These cloudy waters certainly flow into the park. </p>
<p>And because the conversation about the mines was in English, two adjectives &ndash; stark and sharp &ndash; were introduced to make a contrast with the natural landscapes we had seen. Vasco tried to clarify the difference between the two adjectives in the description. Greg assumes the position of lexicologist. He explains the difference. He uses all available resources &ndash; words and hand gestures, and you can see he strains to clarify. He achieves his goal. After all, is it necessary to expend a lot of effort to achieve your goals? And we, his auditorium, prove to him that we have clearly understood the difference. And the class of the lexicology professor, Greg, ended with feedback from the questioner. He associated sharp with nítido (clear, distinct) and decided the meaning of stark was somewhere between austero (severe, austere) and forte (powerful, acute), and in the end he decided to abandon synonyms. And Bertus responded from the cabin to confirm that he had understood Greg&rsquo;s explanation. </p>
<p>And I didn&rsquo;t add anything because the vocation of being a teacher never belonged to any one person in particular. It&rsquo;s like business or commerce. We&rsquo;re all businesspeople in one way or another, consciously or unconsciously. In the same way, we&rsquo;re all teachers, whether with training or without. These are two activities as inherent to human nature as the shadow is to the human body, and they are only enhanced by specialization. </p>
<p>But the helicopter is going quickly. </p>
<p><strong>On To Nhancuco</strong><br />As we were arriving, the conversation turned to a different topic. Paying careful attention is Vasco&rsquo;s job. Many times he even surprises us. He remembered immediately to point out to our Rebecca that we were already in Nhancuco as the helicopter banked above some local plant nurseries. Rebecca wanted to see the nursery from above. So we all pointed with our hands to show her the house that had the many plant-filled plastic bags. But this was not part of Bertus&rsquo; mission. His job was to leave us in Nhancuco and fly to the village of Murombodzi/Kuangueresi, where he would wait for us.&nbsp; </p>
<p>From the grass where the machine landed, we disembarked into the yard of the Nhancuco primary school. Ummm, ummm! This is who quickly showed up upon our arrival:</p>
<p>&bull;&nbsp;seven colleagues responsible for the nurseries based there in Nhancuco,</p>
<p>&bull;&nbsp;fifteen adults, among them nine women (probably taking a break from their farm plots near the grassy landing pad where we alighted)</p>
<p>&bull;&nbsp;twenty eight children clothed in the local manner without care for bodily hygiene or for the tattered clothes they were wearing. Greg extended his hands to these children and greeted each one with a squeeze of the hands &ndash; the same child hands that had just been pulled from their daily local routine: throwing stones at birds, helping their mothers work in the fields, playing mago (a game with small stones in holes in the dusty ground), pulling boxcars made of cane and tin cans, etc&hellip; while they waited for it to be time to go to the nearby school. We also followed Greg&rsquo;s good example. </p>
<p><strong>The current physical condition of the Nhancuco school</strong><br /></p>
<p align="center"><img alt="Clip_image003" hspace="10" src="http://my.gorongosa.net/stories/clip_image003.jpg" border="1" /></p>
<p><strong></strong></p>
<p><em>Current Nhancuco school, soon to be replaced by new classrooms about 800 m from this location.</em></p>
<p>Walking along the patio of the school, we noticed the pitiful situation. A single teacher by the name of Perino Perino was teaching by himself, in the same period, in two mixed classrooms filled with more than 4 different classes. He must be a teacher as good as Socrates!</p>
<p>What boggles the mind is that that same child of God would then have to face the same situation in the following periods, but obviously with different students. This means that he would circulate among at least eight different classes. Therefore, there would be no less than sixteen different lesson plans taught by the same teacher in one day. </p>
<p>Maybe a super-human could give quality lessons that had a real impact and were tailored to the lives of the students in Nhancuco. On the other hand, it could be all rote, taught in order to fulfill a program laid out in frequent curricular meetings with other professors. And students don&rsquo;t fail according to this strategy, so they&rsquo;re all pushed along to the next grade level. At the end of the day, be proud to be a teacher&hellip;</p>
<p>And this is how we train our wise citizens &ndash; autonomous, conscious, responsible citizens, that will know how to defend their rights and recognize their civic responsibilities in the world of tomorrow. </p>
<p>A teacher could be like this when he&rsquo;s left to his own luck. While he&rsquo;s in one classroom giving instructions to some handful of students, the other classroom is empty &ndash; the students left to run wild. He who doesn&rsquo;t know students was never a student himself. And that&rsquo;s not his fault, is it?</p>
<p>In those classrooms, I looked in vain for a chair. But sometimes our eyes deceive us, I didn&rsquo;t see any except for blocks of stone. Some were perhaps taken from the ruins of the old houses of Ferrão that were sold to the family of Carlos Palhinha during the colonial era &ndash; the ruins are still close by. Even I would go grab myself a block and sit on it rather than sit on the very dusty floor. </p>
<p>And what about the blackboards in those classrooms? They looked like rags tied with string and hanging at a 30 degree angle. The bottom of the blackboards rest on two posts stuck in the floor, the top is lashed to one of the construction poles of straw and reed. From behind, the blackboards rest on the poles in the wall. And the classes? What do they rest on?</p>
<p>I&rsquo;m not ashamed of the realities inside my country. But I never get used to these facts. And they are particularly shocking in an era when development is the resounding principle in politics. It&rsquo;s not even a matter of electricity, information technology, school lunches, transport, or clothing that&rsquo;s adequate and clean. Those things that most people define as basic conditions. Here it&rsquo;s clear that the concept of basic conditions is relative. </p>
<p>And Vasco, always attentive, made sure to introduce me to a colleague of my same profession, the adept teacher in Nhancuco. I greeted him, squeezing his hands with an eagerness to hold the chalk that powdered his right hand. As is common in right-handed people, his left hand held the lesson planning notebook, where he had notes to write on the board. </p>
<p>The community of Nhancuco only saw us from afar as we passed by on the road. We saw a modern car parked there, belonging to someone from outside the mountain region who was looking for the traditional healers (maybe to cure an illness, maybe so that the chief would be more of a chief according to local beliefs). Despite seeing the car, we continued along our road. </p>
<p>This was so that our Rebecca would know that at least the precariously critical physical conditions of the construction that was now called a school would soon be replaced by new classrooms, situated about 800 meters along the road from the current school and almost completed. After we had gotten a good look at the new classrooms, we returned secure in the fact that Rebecca had seen the improved future school building. The fumo Randinho, the traditional leader from that area of Nhancuco, made himself known to us. He walked with us to some of these places and until the nursery house. </p>
<p><strong>One of the Nhancuco nurseries</strong><img alt="Clip_image004" src="http://my.gorongosa.net/stories/clip_image004_small.jpg" border="1" />&nbsp;<br /><em>One of the nurseries of native trees in Nhancuco, Mount Gorongosa.</em></p>
<p>Angelo is the agricultural technician and supervisor who takes care of the nurseries. Fresh out of the bath, he joined us along the path to the only nursery we visited, in front of the workers quarters. Angelo had a break in his work routine today. He had to explain to us, and principally to our guest, the five different groups of indigenous plants present in the plastic bags in the nursery. And in English. The plastic bags with the plants are well organized by species whose scientific names will be labeled by Tongai, a colleague from that work team. </p>
<p>Our curiosity to see the nurseries didn&rsquo;t keep us from going to see the real fields where those plants are used to reforest the bald parts of Mount Gorongosa. And we visited one of the planted fields. There are the plants. Already in flagrant growth. They are reforesting the old farm plots that have already been abandoned and surrendered by owners who have been reformed. </p>
<p>(To be continued&hellip;)<br /></p>]]>
   </content>
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   <title>Majestosa digressão à Serra da Gorongosa (parte I)</title>
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   <published>2008-10-02T22:30:12Z</published>
   <updated>2008-10-02T22:40:27Z</updated>
   
   <summary>Por DJ Muala Quinta-Feira: 5 de Junho de 2008 De Chitengo às Cascatas do Murombodzi Duas horas de uma viagem ambivalente pelas paisagens míticas Local de partida: Chitengo Já tínhamos começado com o segundo quarto das oito horas, quando Vasco...</summary>
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      <name>Gorongosa National Park</name>
      
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      <![CDATA[<p><img alt="DJMuala" hspace="5" src="http://my.gorongosa.net/stories/DJMuala.jpg" align="left" border="1" />Por DJ Muala</p>
<p>Quinta-Feira: 5 de Junho de 2008 </p>
<p><br /><strong>De Chitengo às Cascatas do Murombodzi <br /></strong>Duas horas de uma viagem ambivalente pelas paisagens míticas</p>
<p>Local de partida: Chitengo</p>
<p>Já tínhamos começado com o segundo quarto das oito horas, quando Vasco Galante, depois de servir os assentos a todos e a mim também, sentou-se oposto ao Greg Carr. O filantropo americano sentara-se nas últimas cadeiras traseiras, lado a lado com a nossa VIP do dia, a jornalista da CBS (TV norte-americana), Rebecca Peterson. E eu claro estava oposto a Rebecca. À frente sentara-se o jornalista do Parque Nacional da Gorongosa (PNG), Carlitos Sunza, ao lado do piloto Bertus. O termo filantropo aqui simplesmente caracteriza as pessoas que não só buscam o bem-estar de todos por palavras, mas que tudo fazem com acções no seu dia e noite, entregando tudo inclusive as suas próprias energias para o bem de todos.</p>
]]>
      <![CDATA[

<p>Posto isto, Bertus iniciou o aparelho sem preguiça. <br />E já com o ruído assustador &ldquo;do acordar de uma máquina de seis lugares&rdquo; que esteve adormecida durante a noite, o piloto atreveu-se ainda a sair para fora do helicóptero para ir verificar se as portas deste estavam bem fechadas. Lembrou-me da sabedoria popular segundo a qual confiar é bom e desconfiar é melhor.</p>
<p>Lá foi ele refechar as portas, as janelas e confirmar o estado do seu transporte antes de descolar. É assim mesmo o que se chama de responsabilidade. Às vezes não basta referir-se a responsabilidade com palavras. </p>
<p>Ficámos adentro. Partilhei algumas experiências de adultos. Ouvi as preocupações de wakulu wakulu (dos graúdos). Adultos que tinham todo o direito de escolher com quem viajar. </p>
<p>Senti-me orgulhoso aí com Greg, Rebecca, Vasco, Carlitos, Bertus. Todavia, ocorreram-me fantasminhas nos primeiros instantes depois de subir e sentar-me com os meus superiores hierárquicos. A VIP Rebecca em frente de mim numa estratégia que Vasco ordenou que sentássemos por formas a que contasse a minha limitada experiência e conhecimento sobre a história da gente da Gorongosa que escrevo e sobre área que sobrevoávamos. Foi uma estratégia que não produziu muitos resultados, uma vez que a diferença de língua frustrava a nossa comunicação.</p>
<p>Aliás, eu tenho como língua oficial o português, com competência de comunicar em inglês e outras línguas e a minha interlocutora tem como língua um o inglês, conhecendo apenas palavras frase do português.</p>
<p>Penso que facilmente ela esquecia-se que ainda podíamos trocar impressões usando a língua inglesa, enquanto vivíamos a emoção de sobrevoar a zona de animais a caminho da floresta tropical mais vasta da região Austral, localizada na Serra da Gorongosa. </p>
<p>Não nos privando do seu sorriso nos primeiros momentos, ela esperou as nossas chuvas de explicações feitas, sobretudo por Vasco e Greg, reportando vários assuntos.</p>
<p>Estavam em foque questões gerais como o nome local a atribuir ao actual Site One, o pequeno quarteirão residencial do PNG reservado ao seu pessoal júnior. </p>
<p>Vasco concorda e enfatiza o seu argumento tomando como base a designação do novo Restaurante do&nbsp; Chitengo: Chicalango.</p>
<p><img alt="Chitengo_resized" src="http://my.gorongosa.net/stories/Chitengo_resized.jpg" border="1" /></p>
<p>Também eram temas de conversa, questões sobre a beleza da fauna bravia à medida em que percorríamos uma parte do grande ecossistema do PNG. <br />E Rebecca ouvia atenciosamente as conversas. Por vezes entrava na onda e liderava o diálogo.</p>
<p>Para mim, a paisagem parecia um tanto quanto diferente que a de Março que contemplei durante a deslocação às Grutas de Cheringoma. E é óbvio. </p>
<p>O tempo muda tudo ou tudo se muda com o tempo. As coisas mudam. A natureza inanimada e animada muda. Assim como mudam-se os sensações em função do tempo! </p>
<p>Em Março é mais verde, tem muitos charcos e pântanos em todo o lado. E em muitos lugares dentro do Parque, as estradas de quando em vez andam interrompidas com fluxos de águas furiosas e preguiçosas. As árvores em Março não buscam a água. Mas já em Junho a situação é inversa; até as queimadas ameaçam o capim seco, o mesmo capim verde e rebelde que se pode apreciar na passagem do terceiro mês de cada ano civil.</p>
<p>Assim fomos numa direcção paisagística contrária à daquele mês. Desta vez, Greg não fez menção à zona dos elefantes. Antevi nele o prelúdio que a Serra depois viria a causar a todos nós da tripulação duas horas e meia mais tarde. Mas fomos. </p>
<p>Minutos depois de descolarmos, animais recreavam-nos. Por aqui um, por ali em grupos. Até este raro Inhacoso albino fez parte dos animais que vimos naquele dia. </p>
<p><img alt="Albino Waterbuck_cropped" src="http://my.gorongosa.net/stories/Albino_20Waterbuck_cropped.jpg" border="1" />&nbsp;<br /><em>Inhacoso albino: a genética em prova.</em></p>
<p>Dos outros animais, só não vi quantos eram masculinos ou femininos. Uns corriam espantados pelos motores da aeronave barulhenta. Seguiam os seus instintos de protecção. Sim senhor,&nbsp; população animal do PNG pouco a pouco está a multiplicar-se.</p>
<p>Os 16 anos de calma no PNG e o Projecto de Restauração deste estão a facilitar a multiplicação de animais. Estes corriam para dentro das suas casas de refúgio &ndash; debaixo das árvores! </p>
<p>A aeronave não parou. Sentiu pena das árvores que ficariam despenteadas. Vingadas até por um helicóptero como acontece muitas das vezes nos tectos frágeis das nossas casas por estas bandas de Moçambique. Quando este tipo de engenho voa quase por cima deste tecto miúdo, este chora para os pais o pentearem novamente. E pode levar algumas horas para endireitar os cabelos destes habitats tradicionais. As nossas palhotas.</p>
<p>Coitada das árvores! Os animais ainda podem, graças à sua capacidade animal, escapar-se da presença de caçadores/furtivos. </p>
<p><br /><strong>Bela-Vista</strong><br />Pouco depois estávamos em Bela-Vista. <br />Vasco mostrou umas três ruínas que bem pude ver abaixo. E explicou-nos o que se pretendeu fazer aí na era colonial - um lodge turístico. Uma estrutura gigante ainda de pé aí à espera de possível socorro. Estrutura que viria a ser um restaurante. Outras estruturas minúsculas ao lado, adivinhadamente dormitórios para aquele lodge estratégico.<br />&nbsp;<br />Bela-Vista significa unicamente Bela-Vista. É só sair um pouco das metaforizações da vida e imaginar termo por termo do composto. Mesmo no nosso português da Gorongosa, ainda se pode perceber o essencial de cada elemento dessa justaposição.&nbsp; Se se tiver ainda dificuldades de perceber, então substitui-se os termos: Bela-Visão. Visão dos espaços abertos daí em diante. O bem pensado lodge da era colonial situa-se numa das elevações características daquela zona, cuja diferença está no facto de aquela elevação ser a mais eminente possível que permite um visual majestoso sobre os restantes espaços com excepção da zona pós-Serra. </p>
<p><strong>Como chegar à Bela-Vista?<br /></strong>Para chegar à Bela-Vista segue-se uma estrada que, saindo de Chitengo, passa por aquele sítio e continua para outras partes do Parque. Um posto de fiscalização do Parque quis ser vizinho da Bela-Vista.</p>
<p>Diligentemente perguntei ao nosso explicador incansável se havia um plano de se recuperar àquelas infra-estruturas num futuro próximo, já que se está a restaurar os animais, as infra-estruturas turísticas de Chitengo, as comunidades vizinhas do PNG, ao que Vasco, sem preguiça disse constar nos programas.</p>
<p>À medida que vamos saindo do Parque, abundam canteiros de um verde carregado alternado com espaços castanho-louro em algumas partes. O verde é de árvores. Grandes ou pequenas. Capim fez-se castanho por estar seco, violentado pelo sol e desertado pelo maná da época finda. </p>
<p>Já fora do Parque o cenário é inverso. Muito castanho-louro minguado de algum verde de mangueiras, obviamente. Salvo ao longo de cursinhos de água onde ainda se pode ver algum verde carregado. O castanho aqui já é bastante inquietante à mente. As casas despontam no meio de algum desse castanho.</p>
<p><strong><u>Minas de ouro em Tsiquir</u></strong></p>
<p><img alt="Clip_image002_resized" src="http://my.gorongosa.net/stories/clip_image002_resized.jpg" border="1" />&nbsp;<br /><em>Vista aérea das minas de Tsiquir.</em></p>
<p><strong>Salve o habitat e refúgio dos animais!<br /></strong>Também os adultos fogem do ruído do helicóptero!<br />Que adulto foge e porquê? Quando está a explorar o ouro nas minas de Tsiquir. </p>
<p>Correram das minas para fora. Para se esconderem no mato. Provavelmente porque as suas casas ficam longe daqueles jazigos. Como é que estes animais (se animal significa mobilidade física), coincidentemente encontraram debaixo das árvores o seu refúgio uma vez dominados pelo medo? Uns animais (racionais) exploravam ilegalmente o ouro das minas de Tsiquir e recorreram para debaixo das árvores. Já dentro do Parque outros animais (irracionais) também estavam a lutar pela sobrevivência &ndash; comiam e buscavam como comer. Surpresos pelo ruído, sem pensar procuraram as árvores. Árvores, árvores! </p>
<p><strong>Árvore, única protectora de vidas.</strong><br />Dois incidentes simultâneos envolvendo comportamentos animais em relação às árvores. Dois factos imprevisíveis. E testemunhados por seis pessoas. Animais que instintivamente tiveram que recorrer às árvores para se protegerem de um perigo eminente. Sabiam que não se iam arrepender. </p>
<p>Até a Mãe Terra que nos sustenta recorre às árvores para dar mais vidas. Para poder ganhar mais a sua permanência na corrida orbital e orgulhar-se no grupo dos outros planetas a terra apoia-se só nas árvores! Com estas ela consegue os animais, as chuvas, a humidade, as outras vidas. Só com animais ela não consegue nenhuma árvore. E simplesmente perde o estatuto no seio dos outros concorrentes (planetas e astros) em conquistar vidas para si. </p>
<p>Porquê os humanos naquele sítio quando primeiro ouviram e por fim viram o helicóptero se puseram em fuga para debaixo das árvores? E os animais (irracionais) dentro do Parque? <br />Haverá uma inteligibilidade mútua entre os dois comportamentos? <br />Que consciência para os racionais de Tsiquir?<br />&nbsp;<br />Quase que me deixavam acreditar que a limitação humana está bastante confinada. Impossibilitados até de prever com certeza cada instante da vida.</p>
<p>Todavia, algum Tomé da Bíblia ainda resiste.&nbsp; Uns tantos teimosos aí os vi de pé, inertes. Não fugiram para o mato. Mesmo depois de darmos duas voltas por cima das minas. Continuaram imóveis e entretidos. </p>
<p><strong>Com que se parecem aquelas minas?</strong><br />Uma grande colónia de buracos escavados no subsolo. E com os humanos aí por fora e dentro dos buracos, vistos de cima, lembram-me a dinâmica de formigas a entrar e sair de suas casas cada uma com sua trouxa. E as trouxas daquelas formigas aí abaixo são pedras escavadas abaixo e trazidas acima para a inspecção pelas águas e pelo venenoso mercúrio. Inspecciona-se o fugidio ouro. Tão raro de encontrar como a sabedoria. Onde fica a água e o mercúrio da sabedoria?</p>
<p>De cima os buracos fazem autênticos poços de água a espera de anilhas para colmatarem a carência do precioso líquido nas povoações. E o bairro de Tsiquir teria o verdadeiro ouro para todos se aqueles poços aceitassem anilhas e tampas. Água potável para o consumo naquelas comunidades que tanto a precisam. Para aquelas povoações vizinhas que depois de colaborarem para a escassez dos depósitos, vêem nos restantes poucos rios periódicos e os poucos furos como solução da crise do líquido vitalício indispensável. Esta é uma geração herdeira tradicional das práticas que pedem reajustes contextualizados.</p>
<p>E os Tomés, com o comportamento de querer acreditar depois de ver, ainda continuarão presentes em muitos humanos - os famosos teimosos. E os teimosos continuaram de pé aí fora de umas minas.</p>
<p>Ainda em Tsiquir ficou nítida a presença da acção destruidora humana frequentemente ligada a necessidade de sobrevivência: a prática de agricultura denominada por slash and burn (mathema localmente). Carecas nos cimos, nas encostas e vales das elevações montanhosas assim como carecas justificáveis nos grandes quintais habitacionais. </p>
<p>É interessante perceber como as comunidades locais crescem vertiginosamente: poucos quintais são os têm uma casa. Muitos têm cinco ou mais casas. Com a casa dos pais por vezes no centro e as dos filhos/filhas à volta da do pai. Um agregado familiar cada vez mais medrante. A planificação da natalidade aqui antes pede a planificação do número de esposas e de &ldquo;chindes&rdquo; (as mulheres sucursais). E ser mulher de alguém é ter com ele pelo menos uma criança. E as chindes? Estas reconhecem o menor número de homens na Gorongosa, mas não reconhecem o menor de crianças a fazer com os poucos homens existentes!</p>
<p>Assim vi tanta concentração de casas no mesmo quintal. E tantos quintais similares. Não duvido que cada família tem no princípio uma grande machamba. Comum a todos os membros da família. Quando ainda sob controlo total dos pais. E à medida que as crianças vão crescendo em idade e em responsabilidade vão se desintegrando da grande machamba da família e praticando os seus próprios mathemas. A abrir tenazmente suas próprias machambas aqueles adolescentes, que se casam ou se engravidam em tenra idade e depois são entregues as menininhas grávidas, ainda na adolescência formam seus lares. E assim pela regra, tornam&ndash;se nos responsáveis de casas. Tornam-se em pais com uma machamba comum junto com os seus membros de família. </p>
<p>Ás vezes mesmo faz-se uma separação empreendedora, seguindo a onda do século iniciado por Santo Mosca - da compra e venda de produtos agrícolas nesta parte de Moçambique. <br />Então a machamba do pai da família intocavelmente fica para fins comerciais. O comércio jacto de géneros alimentícios visto a explodir hoje nas ruas da querida Gorongosa. O interior da Gorongosa não é marginal. E os Santos Moscas deste período são comummente chamados por &ldquo;manhambanes&rdquo; (gente vinda de Inhambane).</p>
<p>É prática atada aos nossos dias encontrar aqui na Gorongosa machamba para a mãe/mães, filhos e filhas, netos e netas, primos e primas, todos que partilham o mesmo quintal. Podem ter machambas em espaços diferentes motivados pela compra e venda, pelos &rsquo;manhambanes&rsquo;, dos produtos da machamba. E as machambas saem dos mathemas só as árvores saem a perder nesse circuito vicioso. Assim é no Tsiquir. Assim é em Nhancuco. Assim se vê mesmo na vila da Gorongosa para quem já por aí passou. </p>
<p>Só queria saber onde muitos guardam a sua consciência quando não agem para acordar os que merecem. <br />Gostava de saber onde fica camuflada a nossa responsabilidade conjunta de velar pelo equilíbrio do nosso habitat - o ecossistema agonizante.</p>
<p>Uma agricultura insustentável cada vez mais devastadora do nosso ecossistema que não é invertida. Talvez porque é mais barato comer que criticar o processo que traz tal comida. E criticar aqui não se confunde com negar, mas analisar e posicionar-se. Urge perceber este dilema de desequilíbrio ecológico ultra-rápido que dificulta já e piora mais no futuro.</p>
<p>Umas duas voltas demos ao lugar das minas. A emoção, que tanto dominei depois de pouco tempo na aeronave voltou a avolumar-se em monstro em mim ao ver grosso modo as minas que sempre só ouvia. A tristeza de não ter máquina fotográfica aí comigo transformou-se em falta de respeito. E perdendo jeito limitei-me a coçar a nossa VIP do dia que trazia sua máquina consigo. Claro uma jornalista não esquece máquina como não lhe falta também. E acudiu-a Vasco, que bem sabia que o Carlitos sentado com o piloto ia filmando pelo menos as paisagens mais marcantes. E as minas de Tsiquir obviamente não são excepção. Até delas se desenvolveu uma conversa afiada entre os três celebres aí atrás. A visitante comentava na possibilidade de se oficializar as minas para as pessoas poderem explorar o ouro de forma clara. Vasco, conhecedor da matéria graças as suas interacções frequentes com as autoridades locais, centrais, põe-se a explicar sucintamente a Rebecca sobre o que se pensa das minas de Tsiquir. E acresce que da última vez que vira aquela extracção a água estava vermelho-acastanhada pela lavagem das pedras nela. E acreditou que o mercúrio ultimamente se usa menos o que já reduz grosso modo a poluição das águas. Estas águas turvas certamente entram no Parque.&nbsp; </p>
<p>E porque a conversa sobre as minas era em Inglês, dois adjectivos stark e sharp intrometeram-se para contrastar as paisagens naturais que íamos vivendo. Vasco procura esclarecer-se melhor da diferença entre os dois adjectivos na descrição. Greg assume a posição de lexicólogo. Explica a diferença. Usa todos os recursos à sua disposição, como palavras e gestos com as mãos num esforço aparente. E atinge o seu objectivo. Afinal para atingir objectivos é&nbsp; preciso muito esforço? E nós, o seu auditório, provámos-lhe perceber com clareza a diferença. E a aula do professor de lexicologia, Greg, deu-se por terminada com um feedback do inquisidor. Este associou o sharp com nítido e buscou o stark entre austero e forte e por fim decidiu abandonar a sinonímia. E respondeu Bertus da cabina a confirmar ter percebido a explicação do Greg. </p>
<p>Eu não me pronunciei simplesmente porque a vocação de ser professor nunca foi propriedade de ninguém em particular. É comparável ao negócio/comércio. Todos de alguma forma somos comerciantes de natureza, quer conscientes ou inconscientes. Assim também todos somos professores quer com formação ou sem. São duas práticas inerentes à natureza humana como a própria sombra do corpo e só se complementam com alguma especialização particular.<br />Mas o helicóptero anda depressa. </p>
<p><strong>Então em Nhancuco</strong><br />Já a chegar, as conversas mudam de tema. A atenção equilibrada é vocação de Vasco. Muitas vezes até chega a surpreender-nos. Lembrou-se imediatamente de chamar atenção à nossa Rebecca que estávamos já em Nhancuco e a curvar de helicóptero em cima de um dos viveiros de plantas nativas. A Rebecca quis ver o viveiro mesmo de cima. Então todos acenámos com as mãos indicando-lhe a casa que contém inúmeros sacos plásticos com plantas. Mas isso não fazia parte da missão de Bertus. Cabia-lhe sim deixar-nos em Nhancuco e sobrevoar até a comunidade de Murombodzi/kuangueresi, onde foi esperar-nos.</p>
<p>Do capim onde aterrara o engenho, saímos para o quintal da escola primária de Nhancuco. Ummm, ummm! Rapidamente acorreu ao lugar uma média de:</p>
<p>&bull;&nbsp;sete colegas responsáveis dos viveiros sedeados aí em Nhancuco; </p>
<p>&bull;&nbsp;quinze adultos entre os quais 9 mulheres (provavelmente ganharam um intervalo das suas machambas perto da pista em que aterrámos &ndash; no capim);</p>
<p>&bull;&nbsp;vinte e oito crianças vestidas à maneira local sem preocupação de higiene corporal e nem no vestuário esfarrapado de que estavam trajados. A estas crianças Greg estendeu suas mãos e passou a saudá-las todas apertando-lhe sim as mãos, estas mãos de crianças que acabavam de sair das suas rotinas diárias da zona: jogar as pedras aos passarinhos, ajudar as mães nos trabalhos das machambas, jogar mago (pedrinhas em buracos no chão poeirento), puxar carrinhos feitos de caniço e latas, etc..., enquanto controlam o tempo de irem às aulas aí pertinho. Também seguimos o bom exemplo de Greg;</p>
<p><strong>O estado físico da actual escola de Nhancuco</strong></p>
<p align="center"><img alt="Clip_image003" hspace="10" src="http://my.gorongosa.net/stories/clip_image003.jpg" border="1" /></p>
<p><em>Actual escola de Nhancuco brevemente a ser substituída por salas novas, a quase 800 m deste local.</em></p>
<p>Andando um pouco pelo pátio da escola deparámo-nos com uma situação lastimável. Um único professor de nome Perino Perino ensinava sozinho em duas salas mistas da escola acima quatro turmas de classes diferentes só naquele período. Acho que é um professor Sócrates! </p>
<p>O que alude a mente é que aquele também filho de Deus, depois teria que encontrar mais a mesma situação nos tempos seguintes e obviamente com alunos diferentes o que o faria circular por pelo menos oito turmas mistas diferentes. Portanto, não menos de dezasseis planos de aulas diferentes a serem efectivadas pelo mesmo professor no mesmo dia. </p>
<p>Talvez um super-homem daria aulas de qualidade que tenham um impacto real e contextualizadas na vida dos alunos de Nhancuco. Caso contrário, seria tudo mecânico, conduzido no espírito de cumprir os programas exigidos nas reuniões&nbsp; pedagógicas frequentes com outros professores. E como não se reprova naquele estágio escolar, então empurrar todas as crianças para classes seguintes. Depois orgulhar-se de ter sido professor ... </p>
<p>E assim sim vamos formando os cidadãos sábios, autónomos, conscientes, responsáveis, cidadãos que saberão defender os seus direitos e reconhecer os seus deveres cívicos no mundo de amanhã. <br />Provavelmente é assim um professor deixado à sorte de ninguém nas cidades. Enquanto ele está numa sala a dar instruções para uns alunos mistos, a outra sala está vazia e os alunos daí entregues a desordem. Quem não conhece alunos nunca foi aluno. E não tem culpa nisso, tem?<br />&nbsp;<br />Naquelas salas, simplesmente procurei ver uma carteira. Mas como a vista às vezes ilude, não vi senão blocos de pedras, uns se calhar retirados das ruínas das antigas habitações de Ferrão vendidas para a família do Carlos Palhinha na então era colonial e as ruínas ainda por aí pertinho. Mesmo eu podia ir puxar um bloco e sentar-me nele que sentar-me no chão muito poeirento. </p>
<p>E os quadros das duas salas? Estes pareciam-se com farrapos atados a cordas e pendurados obliquamente a uma abertura de quase 30&ordm; graus. Na base os quadros estão suportados por duas estacas espetadas no chão, no lado superior asseguram-se em uma das estacas da construção de palha e caniço. Na parte traseira, os quadros apoiam-se nas próprias estacas da construção. E as aulas? Onde encostam? </p>
<p><br />Não me envergonham as realidade do interior do meu país. Mas estes factos sempre insistem em não familiarizar-se comigo. E chocam com a reflexão numa era em que desenvolvimento é a política sonante. Não se trata de pensar na electricidade, na informática, nos balões, nos lanches escolares, nos transportes, no vestuário digno e limpo. Naquilo que muitos definem como condições básicas. Aqui se vez com nitidez o relativismo do conceito de condições básicas.</p>
<p>E Vasco, sempre atento, não se esqueceu de apresentar-me ao meu colega de profissão, o desenrascado professor de Nhancuco. E saudei apertando-lhe as mãos com gosto de pegar no giz que poeirava a mão direita do professor. Claro, a mão esquerda dele segura como de hábito nos dextras, o caderno de planificação de onde tira as notas para o quadro. </p>
<p>O acampamento de Nhancuco só nos viu passar pela estrada perto. Mesmo vendo um carro moderno aí estacionado de alguém que fora à Montanha procurar os curandeiros (talvez para curar doenças, talvez para aquele chefe ser mais chefe conforme se crê na ideologia local), à frente foi o nosso caminho. <br />Penso que era para dar-se uma ideia a nossa Rebecca que pelo menos o estado físico, precariamente crítico, das instalações ora chamadas de escola que acabávamos de ver seria brevemente substituído por umas novas salas de aulas quase prontas a uns oitocentos metros da actual escola ao longo da estrada abaixo. Depois que ganhámos um bom visual das novas salas regressámos seguros que a Rebecca viu as futuras salas melhoradas. O fumo Randinho (daquela área de Nhancuco) não se fez alheio a visita. Caminhou connosco em alguns desses sítios até à casa dos viveiros.</p>
<p><strong>Um dos viveiros em Nhancuco</strong></p>
<p><img alt="Clip_image004" src="http://my.gorongosa.net/stories/clip_image004_small.jpg" border="1" />&nbsp;<br /><em>Um dos viveiros de árvores nativas em Nhancuco, Serra da Gorongosa.</em></p>
<p>Ângelo, técnico agrário e supervisor, que vela pelos viveiros depois de tomar banho, juntou-se a nós a caminho do único viveiro que visitámos em frente do acampamento de trabalhadores. Hoje Ângelo teve uma quebra de rotina no seu trabalho. Tinha que explicar-nos e, sobretudo à nossa hóspede, os cinco grupos diferentes de plantas indígenas presentes aí nos plásticos dos viveiros. E em língua inglesa. E os sacos de plástico contendo as plantas estão bem arrumados por espécies diferentes cujos nomes científicos ainda estão por serem postos pelo Tongai, um colega daquela equipa de trabalho.</p>
<p>A curiosidade provocada por aqueles viveiros não desculpou-nos de ver o campo realístico onde tais plantas são aplicadas no reflorestamento das partes carecadas da Serra da Gorongosa. E visitámos um dos campos plantados. Lá estão as plantas. Já em franco desenvolvimento. Reflorestam as antigas machambas já abandonadas e cedidas pelos donos já sensibilizados. </p>
<p>(continua)</p>]]>
   </content>
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   <title>A Majestic Excursion to Mount Gorongosa (Part II)</title>
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   <published>2008-10-02T22:16:41Z</published>
   <updated>2008-10-09T03:18:27Z</updated>
   
   <summary><![CDATA[By&nbsp;DJMuala Thursday, June 5, 2008 (continuation) And Murombodzi Falls?You&rsquo;ll need an adventurous spirit if you want to reach the Falls. Climbing up and down small hills from the campsite at Nhancuco until the tourist site of the Murombodzi Falls. We...]]></summary>
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      <name>Gorongosa National Park</name>
      
   </author>
   
   
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      <![CDATA[<p><img alt="Cascatas Murombodzi 2_resized" hspace="5" src="http://my.gorongosa.net/stories/Cascatas_20Murombodzi_202_resized.jpg" align="left" border="1" />By&nbsp;DJMuala</p>
<p>Thursday, June 5, 2008</p>
<p>(continuation)</p>
<p><strong>And Murombodzi Falls?<br /></strong>You&rsquo;ll need an adventurous spirit if you want to reach the Falls. Climbing up and down small hills from the campsite at Nhancuco until the tourist site of the Murombodzi Falls. We walked. We received a few phone calls in the areas where there was Mcel reception. We confirmed and arranged our coming plans with the help of Mcel. Then we were left with only the march to our destination. Rebecca had to shift her mindset and take off one of the tops she was wearing<strong>. </strong></p>
]]>
      <![CDATA[

<p>There used to be transportation in these areas. So Greg, who knew the situation and was already mentally prepared, moved to the front, dragging all of us behind him. When I asked him how he felt climbing up and down, he quickly responded that he felt a little big (crudely, fat), and that he needed the exercise. </p>
<p>Our colleague David took lead of the march a few times. Then he swapped with Greg, who took his place. Vasco, using his motivation to battle the climb, would only say that he was burning off the sugar from the morning coffee he had before we left Chitengo. </p>
<p>Everyone knew the way except for Rebecca. Even Carlitos, our journalist, remembered his last trip to the Falls. He even recalled that last time the path was choked with grass. Very different from this time, when three people could walk shoulder to shoulder without touching the grass alongside the path. </p>
<p>Restrooms made from local materials are situated all along the path to the Falls. It&rsquo;s necessary to stop and consider what&rsquo;s behind and gather energy for what&rsquo;s ahead. Even businesses have holidays, meetings, balance sheets. Our trip also had these moments. </p>
<p>We crossed a river. Anyone who had ever crossed that river before would notice the difference in crossing it now. Our colleagues had found time to neatly assemble a natural stone bridge, placing one stone on top of the other without blocking the natural course of the water! How surprising! How helpful! Positive human action! Learning to live with a problem without destroying the adversary &ndash; the Murombodzi river! How novel!&nbsp; </p>
<p>A natural chill in the air signals the entrance to the Falls. It was almost 10:34. Carlitos was in the rear, filming. We had arrived. Some people sat down. David and I were no longer tired. We saw the first, most accessible part of the Falls and we set our sights on the rocks. </p>
<p>We continued up towards the harder-to-reach part. Everything here brings awe to the human spirit. Only each individual can express for themselves the state of their soul in front of this magnificent natural landscape &ndash; the big Falls. The falls over the Murombodzi River. For me this historic place provoked so much that there&rsquo;s not time or space to express it here. Maybe using self-contained expressions like: </p>
<p>&bull;&nbsp;Constant tumble of cool water<br />&bull;&nbsp;Spray rising from the impact of water on rocks<br />&bull;&nbsp;Coolness sprinkled over a sizeable area by the falling water<br />&bull;&nbsp;A row of natural reservoirs that unpretentiously collect water and distribute it<br />&bull;&nbsp;A nearby natural pool for swimming<br />&bull;&nbsp;Rocks splayed out in an evocative and impressive way<br />&bull;&nbsp;Clear water<br />&bull;&nbsp;Different<br />&bull;&nbsp;Fascinating<br />&bull;&nbsp;Startling<br />&bull;&nbsp;Mysterious<br />&bull;&nbsp;Moving<br />&bull;&nbsp;Botherere&rsquo;s House<br />&bull;&nbsp;Enviable<br />&bull;&nbsp;Etc&hellip;</p>
<p><img alt="Clip_image001_resized" src="http://my.gorongosa.net/stories/clip_image001_resized.jpg" border="1" />&nbsp;</p>
<p><em>Murombodzi Falls may soon cease to exist if trees are cleared from the Mountain.</em> </p>
<p>And because we couldn&rsquo;t take it with us, we left this natural wonder there. For anyone who likes natural beauty, your soul will be satisfied here. </p>
<p>En route to Murombodzi village and close to the Falls, there stands a church that piques one&rsquo;s curiosity. The Bethany Church. Standing until today with only five pillars. Three at the end with the altar and the pastor. Two here on the end where the congregation sits. The benches are each made of two stakes stuck on the far edges, with another plank across that rests on the open V shape of the end stakes. And here it is &ndash; two long columns of benches inside five tall pillars in place of walls, as simple as it is natural. We saw Bethany Church on the tip of the rise that leads to the populated area of Murombodzi/Kwangueresi village. </p>
<p>We stopped at the church and the commentary promptly started. Very impressive. Vasco highlighted how this spectacle draws the spirit&rsquo;s attention &ndash; he said even Peggy Rockefeller (daughter of one of the riches families in the United States of America) wasn&rsquo;t immune to the charms of this church. Rockefeller venerated the church by choosing it as the site for a traditional ceremony that she took part in.&nbsp;&nbsp; </p>
<p>Rebecca would also like to see the Church&rsquo;s believers at worship.</p>
<p>We continued our walk listening to Vasco tell stories of adventures from colonial times. For example, the Makombe people chose to raise cattle on the Mountain. And they were very successful. </p>
<p><strong>Murombodzi/Kwangueresi Village<br /></strong>Bertus and his helicopter already had an audience almost as large as the one we had in Nhancuco. Children and adults (men and women) crowded together to greet the helicopter and to enjoy the fruits of human technology. That which is built by a handful of men has meaning for all mankind. Yes. It&rsquo;s quite necessary yet also uncommon to have the courage to stop and appreciate the advances of our species. Notice the wide divergence in experience here &ndash; I&rsquo;ve seen it in my day-to-day life. <br /></p>
<p><img alt="Heli_resized" src="http://my.gorongosa.net/stories/heli_resized.jpg" border="1" /><br />&nbsp;<br /><em>Helicopter after landing in Murombodzi Village</em></p>
<p>For example, people who very rarely see these inventions (such as helicopters, airplanes, computers, various telephones, machines to produce water, televisions, etc&hellip;), people who have never tried to make use of these or other miraculous machines of human technology, know very well how to appreciate them. Too bad for those who lose a taste for the simplicity of life. Pity for those who didn&rsquo;t invent the machines, but who have lost the perceptiveness to contemplate them.&nbsp; </p>
<p>On the other hand, are people who know very well how to appreciate natural beauty (waterfalls, forests, grottos, stars, diverse animal and plant species, even the way of life of other peoples, etc&hellip;)</p>
<p>Is curiosity also relative? And what role do our habits play in influencing our curiosity? <br />&nbsp;<br />We arrived. Five, just as we&rsquo;d left from Nhancuco. And five, just as we left the Falls. We greeted everyone. Greeting is universal. In every culture people greet and are greeted. And it&rsquo;s become natural for everyone to want to greet upon meeting someone for the first time. </p>
<p>Maybe the really prideful, the self-important, think that they have the right to always be greeted by others. In that village, at that moment, there wasn&rsquo;t anyone who would wait to be greeted. Everyone threw themselves without hesitation into warm greetings, everyone with another one, which was us.</p>
<p>I engaged in a quick conversation with Seriano Bage, a man from the village. I wanted to satisfy my curiosity. To know about the resident community. A bit about its history, traditions, habits, customs, various interpretations of life. It was already known that many of them worshiped God at the Pentecostal Church. But there was a lack of what&rsquo;s always lacking &ndash; time. After some of our group finished taking pictures and getting some video, they already headed back in the direction of the helicopter. The helicopter can land in any flat place. I was obliged to say good-bye to those who would stay behind, the locals. Until another day, pretty Murombodzi/Kwangueresi Village. Another day I&rsquo;ll satisfy more of my curiosity. We&rsquo;ll build a trusting friendship. When we know each other a bit more and share more of our lives together. Also our difficulties. So we&rsquo;ll wait for another day!</p>
<p>And so I ran after the others and got into the machine in front of Carlitos who had changed places with Rebecca Peterson. </p>
<p>And so ended the prettiest phase of our trip. </p>
<p>The unsavory part of the trip: The Gorongosa tropical forest simply begs for a peace accord that can no longer wait!</p>
<p>It all started when we flew over the Mountain. Our smiles, me and Carlitos, disappeared in no time. We tried on the harshness. It was what everyone who had already flown over the Mountain had insisted on telling us. The Mountain is being destroyed. It&rsquo;s true.<br /></p>
<p><img alt="Forestclearing_2_resized" src="http://my.gorongosa.net/stories/forestclearing_2_resized_small.jpg" border="1" />&nbsp;<br /><em>Hundred-year-old trees are destroyed to make room for a farm plot that will last a maximum of two years&hellip;</em></p>
<p>And you only get full proof of this when you fly over it. That&rsquo;s when you see the new areas that are being cleared. The areas where the trees are being cut down. The spaces where you can still see some of the felled trees, just like the many other bald spaces once were. I&rsquo;m talking about a visibly critical situation that leads me to think we don&rsquo;t act just because we don&rsquo;t fully grasp the danger that this destruction represents. Or because we don&rsquo;t worry much about the future generations who will grow up in this beautiful Gorongosa. </p>
<p><strong>The trees and the water</strong><br />The percentage of water in organisms, machines, and the earth, only exists in books. Selfish books that contain within them the knowledge of the quantity of existing water, its origin, its life cycle, its multiple daily uses for both inanimates and animates. The necessity of initiating more water production to sustain the explosion of lives and technologies, and to counteract the explosion of expanding deserts, is hidden behind the creation of more boreholes, wells and other points where water comes up from underground. All this while we strive to destroy the last natural trees &ndash; the tree churches of our pantheistic forefathers in Gorongosa. </p>
<p>The stark loss of trees, in various quantities, and in many places along and around the Mountain was at odds with the warm feelings that had built up since Chitengo and strengthened at the Falls. </p>
<p>Although Greg had already alluded to it when he forgot to give us a view of the elephants on this trip. This is an opportunity that I&rsquo;ve always waited for. Because I&rsquo;ve never been lucky enough to see a live elephant. I&rsquo;ve seen them thousands of times in books, photographs and pictures, in the Khodzuè-Cheringoma Grottos, etc. And I can&rsquo;t wait to have the pleasure of seeing a live elephant. But Greg was right. He understood that the moment was gone. </p>
<p>We entering a critical phase in terms of continuing to maintain balance in our ecosystem. In the ecosystem of our Gorongosa Park. The Park that belongs to all of us. The Park that we&rsquo;re always proud of. This Park really is ours and it needs more water from the Mountain than from the floods. We who have lived here since time immemorial and who, because of hunger and the weakening sun in this area, have begun to leave on our own. </p>
<p>This region hasn&rsquo;t produced good agricultural yields in quite some time &ndash; it hasn&rsquo;t produced much cotton and the animals have been killed by sun and disease. The region brings us only disease and death. We left this land little by little for other regions outside of the tando (encampment). The colonial authorities exacerbated our departure with their at times inhuman policy of expelling us from the tando, to areas outside. They did this in order to create from the tando what has now fallen into our hands. Today it&rsquo;s called Gorongosa National Park. </p>
<p>We have often seen this Park as the enemy. In other times it deprived us of our land, meat, skins, ivory, etc., that we ate, sold, traded for food, etc., in order to protect these goods. And someone turned them into common property for all of the citizens of Gorongosa, of Sofala Province, of Mozambique, of the whole world. It&rsquo;s a Park for all of the concerned friends and unwitting enemies of nature. Of the nature that gave birth to us. And we need to take care of it like a mother would. Of the nature that we give birth to. And we should take care of it as our creation, life-giving force, creativity. </p>
<p>Limited resources that someone, acting together in the past, managed to form into assets so that we can all stand proud and face the rest of the world. Except that now we&rsquo;re no longer proud to talk amongst ourselves about the Park. From inside our Gorongosa. We treat it as an enemy that deprived us of the greatest payback, and that now wants to deprive us once again of the Mountain. Just like during colonial times, even today we still don&rsquo;t understand the advantage of protecting rare species. Rare because in other days we wiped them out with our attitudes without even realizing it. We only welcome the Park when we have an ulterior motive!</p>
<p>Time is unjust to Gorongosa. It vanishes with its intelligence. But humans don&rsquo;t vanish. They&rsquo;re always here. They act, and are active in action. That is, they act based on the fleeting bits of intelligence left by time. They act with innate limitations. And they die as a victim of the same limitations before time can get here. Asked what they were doing in Gorongosa, the right answer evades them, leaving only confusion like the trees when they are fractured. They acted as individualists and they were dragged along by stormy time. They weren&rsquo;t able to distinguish the essential from the additional, the urgent from the important, and they died like this, before bringing together theory and practice in their Gorongosa. <br />&nbsp;<br />In the Tsiquir area everything was already becoming clear. The kind of agriculture that was always practiced in these attractive regions, which are rich in natural landscapes and varied sights, and which were handed over according to blind luck that epitomizes them today. Hectares and hectares waiting anxiously to see the green of the trees. Hectares and hectares tired of the brownish blonde of the desert. And some browns are already deserted because they no longer produce. They have been through menopause and productive impotence. </p>
<p>Spaces, streams, marshes and swamps were gradually reduced to little Kalaharis. The rivers and streams that used to make up thousands of arteries, veins and capillaries that carried the pure blood of the heart (the Mountain) to the regional brain (the Park&rsquo;s current area) and to the rest of the body of Gorongosa gradually left us. Only a little finger of that framework remains today. And it&rsquo;s this finger that watches Gorongosa in agony, and it&rsquo;s fainting head. </p>
<p>In place of them. In place of the thousands and thousands of waterways that used to proliferate, circulating and irrigating all of dear Gorongosa, there are thousands and thousands of trucks, tracks, routes, streets, roads, bridges, everything to help the omnipresent rulers of the region &ndash; humans!<br /></p>
<p><img alt="Hutscamp1-jungle_resized" src="http://my.gorongosa.net/stories/hutscamp1_2Djungle_resized.jpg" border="1" />&nbsp;<br /><em>This war is locally called &ldquo;mathemas&rdquo; and attacks have intensified since 1992. The victims are here for all to see.</em> </p>
<p>Mathemas will only abate if we listen to our consciousness, heed the call to action and act together without going after the guilty. </p>
<p>The time has arrived for us to sit and reflect on the past. In the present. We need to analyze what we mean by this word development that we&rsquo;re always heralding. Analyze what we mean by sustainable development. And if we don&rsquo;t stop destroying, maybe we can destroy straight forward and create a balanced ecology along the sides!</p>
<p>The procedural death of many veins, capillaries and glands that conserved the necessary humidity (from the Mountain) in order to ensure an abundance of diverse life in the region below the Mountain is already irreparably bankrupt. </p>
<p>The impartiality of time clearly displays the stages from the living Gorongosa to the Gorongosa whose ecosystem has a weakening ecology. </p>
<p>We just have to let loose our consciousness and our sensitivity. </p>
<p>This may seem opinionated to some. Exaggerated to others. Protecting my job to still others. Scouting for work to others. </p>
<p>Nevertheless, whatever it may seem like to the extremists, whatever is may seem like to those who haven&rsquo;t had the opportunity yet, whatever it may seem like to the Thomases from the Bible who wait to believe until after they&rsquo;ve seen &ndash; only an acute ignorance could remain indifferent. </p>
<p>I doubt we&rsquo;ll all have the luck to see in order to believe. If that were the case we wouldn&rsquo;t have the word faith. And according to the Bible, only those who were with Thomas on the day Jesus wanted to shame the disbeliever were able to see him. </p>
<p>We just need to have an unfettered mind in order to analyze. Let go of the metaphors of life and indulge our curiosity a little. Walk a bit outside of the small urban centers that lull us into imprisonment. Step into the only tropical rain forest below the Zambezi River. </p>
<p>We can assess the pace of the tree cutting &ndash; mathemas. Then we can estimate how many years this forest will withstand the current speed of the mathemas. Mere regeneration is no longer a dependable method to make up for the injuries caused by rapid population growth. We have to think of another way to teach the good native people of Gorongosa to farm in a sustainable and rational way, if these terms aren&rsquo;t too far fetched. </p>
<p><img alt="N (c) Jeffrey Barbee-Gorongosa Mozambique_resized" src="http://my.gorongosa.net/stories/N_20_28c_29_20Jeffrey_20Barbee_2DGorongosa_20Mozambique_resized.jpg" border="1" />&nbsp;<br /><em>Is it true that after once learning this type of agriculture we are then unable to change it?</em></p>
<p>From a Gorongosa that knew only a superior density and diversity of animal life. A density that wasn&rsquo;t confined only to the tandos. From a Gorongosa where the Zimbabweans who arrived from far away places like Mbire and Báruè unscrupulously killed the animals and the meat that, in addition to consuming, they sold (and the ivory too) to the Arab traders stationed in the coastal zone of the Indian Ocean. </p>
<p>And they did this before they decided to permanently flee Zimbabwe and definitively establish themselves in the heart of Gorongosa. From where they began the destruction of the ecosystem at a laisse-faire pace that gradually, with the continually growing number of interested parties and births, we see today as Gorongosa in agony, over-populated by people who replaced the previous density of assorted irrationals. </p>
<p>I wanted to believe in the delusion that we, the rationals &ndash; seemingly more adaptable and endowed with powers of intelligence and intelligibility &ndash; would be capable of looking backwards, to history, to time immemorial, with eyes that could see and let us understand that our actions are an avalanche on top of the ecosystem where we have found ourselves since the past preterit tense. And without giving up on the essential challenge of survival, we could choose to learn methods that would save Gorongosa in agony from it&rsquo;s current state. Gorongosa is here, there, over there, way over there &ndash;&nbsp; today and now! And the destruction of the Gorongosa ecosystem effects us all. </p>
<p>And it&rsquo;s difficult to grasp that the destruction of the nature surrounding us is keeping pace with AIDS within our own human nature. When this unmentionable death, unstoppable, entered our houses, we learned through sacrifice and hours upon hours in the production of antiretrovirals that delay our death. Lab analyses of patients with the disease loudly murmur that the virus doesn&rsquo;t have a cure, but we learn to live with it and mitigate the impact of the noxious effects on our life. </p>
<p>The time for us to analyze the health of the Gorongosa ecosystem is pounding at our door. Together, we should resoundingly confess the type of virus it suffers from. The emaciated animals and vegetation that today characterize the once gigantic ecosystem have two principle enemies: </p>
<p>&bull;&nbsp;The war and the fugitives who openly bet on the animals.</p>
<p>&bull;&nbsp;The peace and social tranquility that has sworn since 1992 to eradicate the plants, the trees, the forests, the vegetation.</p>
<p>There have already been sixteen years of war against the forests, followed by sixteen years of war against the animals in the Gorongosa region. </p>
<p>Let&rsquo;s consider, then, thirty-two years of wars. Either we fight against animals and when they go scarce, we sign peace accords and remain alive. Then we stir up another war against the plants and when they go scarce, we sign accords for our own defeat.</p>
<p>To be a philosopher about this ecosystem is to look for answers about the origins, infancy, adolescence, adult period, old age, death, and afterlife of this immemorial and memorable ecosystem. </p>
<p>And if we want to see what remains survive for future generations, if we want to delay the complete death of this ecosystem that, although injured, still guarantees our lives and could still guarantee tomorrow&rsquo;s lives, then we must examine our conscience and study what type of antiretrovirals work against Gorongosa&rsquo;s underlying infection (many have diagnosed deforestation, and the reader?).<br />&nbsp;<br />Will we let our ecosystem just vanish? Will we live on just rocks, dust and sand in the future? Can the inorganics on their own bring us rain, oxygen, photosynthesis, life? The forest that we&rsquo;re saying good-bye to is ours. And the one that&rsquo;s already gone was also ours. And with it went the animals that can only live within it. </p>
<p>If there&rsquo;s a group that once put down roots in Gorongosa, then someone yesterday put down roots in Gorongosa. And today someone else is putting down roots to begin a life here. And tomorrow another someone else will put down roots to make this ecosystem their home. All of us together are destroying what&rsquo;s natural and putting in its place corn, sorghum, beans, pineapple plants, mango trees, banana trees, orange trees and any type of tree, but the change is evident, palpable.&nbsp; <br />&nbsp;<br />Gorongosa is over there where we live and work. Where we have a chance to attack and defend violence against vegetation: Gorongosa!</p>
<p>Some vestiges of violated vegetation: inside of the district administrative space, in the many continually more computerized offices &ndash; mission: Chitengo &ndash; the multiple modern and traditional accommodations, built on different parts of Gorongosa&rsquo;s soil, the innumerable farm plots and big residential yards here and there, the streets, tracks, roads, ways, alleys that were built there yesterday, here today and over there tomorrow, including the tarimbas (local beds made with stakes stuck in the ground) and modern beds, replace and will continue to replace one or another of the various trees that always had this place as their habitat. And we have justification for this. The best always for our species. We don&rsquo;t have a reason to cut down trees and more trees, with breathtaking speed, for new farm plots, residential yards, accommodations, commercial workshops, farms, etc&hellip; for these things, we don&rsquo;t have the option of respecting the trees! </p>
<p>The sudden and giddy population growth in Gorongosa, and the need for space for the new people being born to fulfill their expansionist dreams over waning plant life will never come to an end. </p>
<p>Oh&hellip; be sensitive my dear and well-known rationalists. When are we going to take action to avoid the total extinction of purely natural vegetation that has for so long nourished animal life, the ecosystem? </p>
<p>According to the practices that we call intelligent, we can&rsquo;t stay in the same farm plot. We require a nomadic existence to the detriment of the tropical forests that consequently disappear along with the animals it sheltered. </p>
<p>If we look for our pride in being more rational, more intelligent, more capable of making Gorongosa a better place, we simply can&rsquo;t find it!</p>
<p>On our way back now and already inside the Park, we see an enormous burned area at the very beginning of June. Over there before the Mussicadzi River. An enormous brown plain was already visited by a vindictive, uncontrolled, early morning fire. Maybe it was started by practitioners of the art of smoking and tossing the butts. Or maybe by rat catchers. Can we get rid of the immature practitioners of mathemas? </p>
<p>A little while later, we landed on the continually improved landing pad at Chitengo. And we thanked Bertus for giving us an exclusive ride that brought together the sacred and the profane. </p>
<p>If it took sixteen years for the animals in the ecosystem to declare defeat, why is it that in sixteen years the tropical forest of the same ecosystem can&rsquo;t know peace?</p>
<p>The answer always slips through fingers of our intellect!<br /><br /></p>]]>
   </content>
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   <title>Majestosa digressão à Serra da Gorongosa (parte II)</title>
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   <published>2008-10-02T22:08:20Z</published>
   <updated>2008-10-09T03:21:06Z</updated>
   
   <summary>Por DJMuala Quinta-Feira: 05 de Junho de 2008 (continuação) E as Cascatas do Murombodzi?Um espírito de aventureiro recomenda-se se quiser chegar às Cascatas. Alguns subires e desceres das pequenas elevações desde o acampamento de Nhancuco até ao lugar turístico das...</summary>
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      <name>Gorongosa National Park</name>
      
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      <![CDATA[<p><img alt="Cascatas Murombodzi 2_resized" hspace="5" src="http://my.gorongosa.net/stories/Cascatas_20Murombodzi_202_resized.jpg" align="left" border="1" />Por DJMuala</p>
<p>Quinta-Feira: 05 de Junho de 2008 </p>
<p>(continuação)</p>
<p><strong>E as Cascatas do Murombodzi?</strong><br />Um espírito de aventureiro recomenda-se se quiser chegar às Cascatas. Alguns subires e desceres das pequenas elevações desde o acampamento de Nhancuco até ao lugar turístico das Cascatas de Murombodzi. Andámos. Respondemos a alguns telefonemas nos sítios onde houve rede da Mcel. Acertámos e concertámos as actividades dos tempos seguintes ajudados pela Mcel. Depois só ficámos com as marchas para o destino. Rebecca teve que ajustar o seu psíquico e retirar uma das camisolas do corpo. </p>
]]>
      <![CDATA[

<p>Nestas partes os transportes era uma vez. Por isso Greg, conhecedor da situação e já preparado mentalmente, avançou na dianteira arrastando todos atrás de si. Quando lhe perguntei como se sentia pelas subidas e descidas, prontamente respondeu-me que se sentia um pouco forte (vulgarmente gordo) e precisava de praticar aqueles exercícios.</p>
<p>David, nosso colega, umas vezes encabeçou a marcha. Outras vezes trocou com Greg que o substituía. Vasco, todo motivado e a lutar com as subidas, só me disse que estava a queimar os açúcares do café que tomara de manhã no Chitengo antes de partirmos. Carlitos apoiava-se na sua idade jovem para superar a marcha.</p>
<p>Todos dominam o caminho. Mas Rebecca, esta não. Até Carlitos, nosso jornalista, também lembra-se da sua última viagem às Cascatas. Chega mesmo a lembrar-se que da última vez o caminho estava muito cerrado com capim. Diferentemente desta, que três pessoas podem andar lado a lado sem tocar no capim lateral.</p>
<p>As casas de banho feitas de material local existem ao longo do caminho para as Cascatas. Parar para analisar o passado e ganhar novas energias para frente é condição. Mesmo nas empresas temos férias, reuniões, balanços. Também a nossa viagem teve estes momentos.</p>
<p>Atravessámos o rio. Qualquer um que já atravessou àquele rio conseguirá ver a diferença actual na travessia. Os colegas tiveram tempo de amontoar organizadamente uma ponte de pedras naturais sobrepondo-as umas sobre as outras sem interromper o curso normal das águas! Surpreendente! Facilitador! Positiva acção humana! Aprender a viver com os problemas sem eliminar o adversário - o rio Murombodzi! Curioso!</p>
<p>A frescura natural marca a entrada nas Cascatas e eram quase dez horas e trinta e quatro minutos. Carlitos vinha filmando atrás. Chegámos. Uns sentaram-se. David e eu perdemos o cansaço. Vimos a primeira parte mais acessível. Desafiámos as rochas. </p>
<p>Subimos para a parte menos acessível. Aqui tem tudo para admirar o espírito humano. Só cada um consegue sozinho exteriorizar o seu estado de alma diante desta magnífica paisagem natural - as Cascatas grandes. Cascatas sobre o rio Murombodzi. Esta parte histórica, para mim suscitou muito de que falta tempo e espaço para exprimir aqui. Talvez usando expressões separadas como:</p>
<p>&bull;&nbsp;Queda constante e majestosa de águas frescas;<br />&bull;&nbsp;Chuviscos causados pelo choque das águas nas rochas;<br />&bull;&nbsp;Frescura que a queda das águas asperge num raio considerável;<br />&bull;&nbsp;Tanques naturais e sequenciados na base que recolhem despretensiosamente a água e distribuem-na;<br />&bull;&nbsp;Uma piscina natural ao lado para nadar;<br />&bull;&nbsp;Rochas dispostas de forma sugestiva e impressionante;<br />&bull;&nbsp;Águas limpas;<br />&bull;&nbsp;Diferente;<br />&bull;&nbsp;Fascinante;<br />&bull;&nbsp;Assustadora;<br />&bull;&nbsp;Misteriosa;<br />&bull;&nbsp;Comovente;<br />&bull;&nbsp;Casa de Botherere;<br />&bull;&nbsp;Invejável;<br />&bull;&nbsp;Etc...</p>
<p><img alt="Clip_image001_resized" src="http://my.gorongosa.net/stories/clip_image001_resized.jpg" border="1" />&nbsp;</p>
<p><em>As cascatas de Murombozi, brevemente poderão deixar de existir se as árvores desaparecerem da Serra.</em></p>
<p>E porque não conseguimos levar connosco o mistério natural, aí o deixámos. Para todos que gostam de belezas naturais poderem satisfazer as suas almas.</p>
<p>Rumo ao bairro Murombodzi e bem perto das Cascatas tem uma igreja que incita a curiosidade. A Igreja Betania. Feita até hoje só de cinco estacas. Três naquela ponta onde fica o altar e o pastor. Duas aqui na base onde senta-se a comunidade. Os bancos são de duas estacas espetadas em extremos com uma outra estaca transversal que se assegura nas aberturas naturais em forma de V das estacas extremadas. Assim em duas colunas compridas de bancos dentro das cinco estacas mais altas em lugar de paredes, tão simples quanto natural, vimos a Igreja Betania na vertente da elevação que conduz para às habitações da povoação do bairro Murombodzi/Kwangueresi.</p>
<p>Parámos nesta igreja e não tardaram os comentários. Bastante impressionante. Vasco provou a atenção que esta singelidade chama ao espírito dizendo que mesmo Peggy Rockefeller (filha de uma das famílias mais ricas dos Estados Unidos da América) não resistiu ao ver esta igreja. E Rockefeller homenageou a igreja escolhendo-a como o lugar para a cerimónia tradicional na qual ela participou.</p>
<p>A Rebecca também gostaria de ver os crentes desta igreja quando estão aí em culto.</p>
<p>Continuámos a caminhada a escutar histórias contadas por Vasco de aventureiros que na era colonial, a exemplo dos makombes, escolheram a Serra para a criação de gado. E tiveram muitos sucessos.</p>
<p><br /><strong>Bairro Murombodzi/Kwangueresi</strong><br />Bertus com seu helicóptero já tinha uma grande audiência de pessoas quase igual à que tivemos em Nhancuco. Crianças, adultos (senhoras e senhores) se juntaram para saudar o helicóptero. Para deleitarem-se com o fruto da tecnologia humana. Aquilo que alguns homens conseguem fazer e ter sentido ao olho humano comum. Sim. A coragem de parar e apreciar os avanços desta espécie as vezes é necessária e curiosa. Cuidado que tem uma grande divisão aqui de experiências, conforme tenho estado a observar no meu dia-a-dia. </p>
<p><img alt="Heli_resized" src="http://my.gorongosa.net/stories/heli_resized.jpg" border="1" /><br />&nbsp;<br /><em>Helicóptero pousado no Bairro Murombodzi</em></p>
<p>Por exemplo, gente que pouco vê essas invenções (como os helicópteros, aviões, computadores, telefones diversos, máquinas de fabricar água, televisores, etc...); gente que nunca experimentou desfrutar destes e de outros engenhos milagrosos da tecnologia humana, sabe muito bem apreciá-los. Coitado dos que perderam a simplicidade da vida. Pena dos que não tendo inventado engenhos, perdem a sensibilidade de contemplá-los.</p>
<p>Por outro lado, está gente que sabe muito bem apreciar a vida natural (as cascatas, as florestas, as grutas, as estrelas, as diversas espécies vegetais e animais, até o estilo de vida de outras gentes, etc...).<br />A curiosidade também é relativa? E os hábitos que papel jogam na curiosidade?</p>
<p>Chegámos. Cinco como saímos de Nhancuco. E cinco como saímos das Cascatas. Saudámos a todos. Saudar é um valor universal. Todas as culturas saúdam e saúdam-se. E é já natural que todos sentimos a vontade de saudar quando nos encontrámos pela primeira vez com alguém. </p>
<p>Talvez os muito orgulhosos. Os muito importantes por si mesmos acham-se no direito de serem sempre saudados pelos outros. Naquele bairro e naquele instante, não havia nenhum que esperasse ser saudado. Todos e sem hesitar lançaram-se em saudações afectuosas uns com os outros, que éramos nós. </p>
<p>Travei uma rápida conversa com Seriano Bage, um homem daquele bairro. Queria matar minha curiosidade. Saber como é a comunidade residente. Um pouco de sua história, suas tradições, hábitos, costumes, interpretações várias da vida. Pois que já sabia que muitos deles professam a Deus na Igreja Pentecostal. Mas faltou o que sempre faltou: o tempo. Depois que alguns do nosso grupo acabaram de tirar fotos e filmar um pouco, já começaram a andar em direcção ao helicóptero. O helicóptero tem pista em qualquer sítio plano. Senti-me na obrigação de dizer adeus para os que iam ficar, os locais. Até um dia lindo bairro de Murombodzi/Kwengueresi, um dia satisfarei melhor a minha curiosidade. Construiremos uma amizade confiada. Quando nos conhecermos um pouco mais e partilhamos os vários momentos da vida. Também as dificuldades. Então esperemos pelo dia! </p>
<p>Foi assim que correndo atrás dos outros subi no engenho já em frente de Carlitos que trocara lugares com a Rebecca Peterson.<br />Assim dava-se por fim a fase mais bonita da nossa viagem.</p>
<p>Os dissabores desta viagem: A floresta tropical da Gorongosa suplica justamente um acordo de paz inadiável! </p>
<p>Tudo começa quando sobrevoámos a Serra. Os nossos sorrisos eu e Carlitos foram dissipados sem muita demora. Experimentámos aquela dureza. Aquilo que todos os que já tiveram a oportunidade de sobrevoar a Serra insistem em dizer-nos. A Serra está em destruição. É verdade. <br /></p>
<p><img alt="Forestclearing_2_resized" src="http://my.gorongosa.net/stories/forestclearing_2_resized_small.jpg" border="1" />&nbsp;<br /><em>Árvores centenárias são destruídas para dar lugar a uma machamba que durará 2 anos no máximo...</em> </p>
<p>E só se tira a prova máxima disso quando sobrevoamo-la. É quando se vêem os lugares frescos que estão a ser limpos. Os lugares onde as árvores estão sendo cortadas. Os espaços que mostram ainda umas árvores caídas, bem como muitos outros espaços hoje encarecados antes foram. Trata-se de uma situação visivelmente crítica que leva a crer que só não agimos porque não compreendemos o perigo representado por aquela destruição. Ou porque pouco pensamos sobre o futuro das gerações radicadas na belíssima Gorongosa. </p>
<p><strong>As árvores e a água<br /></strong>A percentagem de água nos organismos, nas máquinas, na terra só vive nos livros. Livros egoístas que carregam sozinhos a consciência da quantidade da água existente, da sua origem, seu ciclo de vida, sua utilidade múltipla para os animados e inanimados cada dia. O imperativo de incentivar a maior produção de água que sustente as explosões de vidas, de tecnologias, e inverta a explosão de desertos alargados esconde-se atrás da abertura de mais furos, poços e outras fontes de água vindas do subsolo enquanto nos esforçamos por eliminar as últimas árvores naturais. As árvores-igrejas dos nossos antepassados panteístas da Gorongosa.</p>
<p>Aquele forte abate de árvores, em porções varáveis e em muitos lugares ao longo e redor da Serra desmentiu as ricas emoções que tínhamos acumulado desde Chitengo e acrescidas nas Cascatas. <br />Aliás, Greg já havia aludido. Quando desta vez ele se esqueceu em dar-nos uma vista pela zona dos elefantes. Convite que sempre esperei. Porque nunca tive a sorte de ver um elefante ao vivo. Mil vezes tenho visto só nos livros, fotografias, nas pinturas, nas Grutas de Khodzuè-Cheringoma, etc. E o prazer de poder ver um elefante ao vivo faz-me de esperançoso. Mas a verdade estava com Greg. Ele pressentiu o humor fugidio. </p>
<p>Íamos para o lado mais crítico em termos de continuidade de um equilíbrio do nosso ecossistema. Do ecossistema do nosso Parque da Gorongosa. O Parque de todos nós. O Parque de que nos orgulhamos sempre. Este Parque é mesmo nosso e que precisa de mais água da Serra que de cheias. Nós que vivíamos nesta área nos tempos imemoráveis e que por causa da fome e do sol que se abateu nesta zona, começámos até a sair daí sozinhos. </p>
<p>Zona que não dando bons rendimento agrícolas desde muito, já não produzia muito algodão e os animais mortos por sol e doença só nos provocavam doenças e mortes. Saíamos poucos aos poucos para outras zonas fora do tando. Saída essa que os colonialistas depois vieram a exacerbar com expulsões, por vezes desumanas, do tando para fora dele. Para fazerem deste tando o que depois veio a ficar nas nossas mãos. E se chama hoje de Parque Nacional da Gorongosa. </p>
<p>Este parque que muitas das vezes o interpretámos como inimigo, porque outrora andou a nos retirar das terras, da carne, das peles, dos marfins, etc..., que comíamos, vendíamos, trocávamos com comida, etc..., para proteger estes bens. E alguém fê-los bens comuns para todos cidadãos da Gorongosa, de Sofala, Moçambique, do mundo inteiro. Parque de todos amigos conscientes e inimigos inconscientes da natureza. Da natureza que nos gerou. E temos que cuidá-la como mãe. Da natureza que nós geramos. E devemos cuidar como nossa criação, esforço, criatividade. </p>
<p>Recursos esgotáveis que alguém, agindo com coesão no passado, conseguiu traduzi-los em bens de que nós todos nos orgulhamos em falar com o mundo fora. Embora já não nos orgulhamos em falar com o próprio parque internamente. Dentro da nossa Gorongosa. Tomamo-lo por um inimigo que nos retirou o benefício máximo a carne. E que ora pretende-nos retirar novamente da Serra. Não percebemos ainda hoje, como nos tempos da colonização, a vantagem de proteger as espécies raras. Raras porque outras vezes as extinguimos inconscientemente através das nossas atitudes. E só aceitamos quando temos segundas intenções!</p>
<p>É assim a injustiça do tempo na Gorongosa. Sempre sumido com a sua inteligência. Mas o homem não some. Está sempre aí. Age e é agitado a agir. Porém, age com os retalhos da inteligência sempre fugaz no tempo. Age com a limitação inata. E morre vítima da mesma limitação antes do tempo chegar. Perguntado o que andou a fazer na Gorongosa, simplesmente a resposta certa foge-lhe deixando só a confusão como as árvores quando partem. Agiu individualista e foi arrastado pelo tempo inclemente. Não conseguiu diferenciar o essencial do acessório, o urgente do importante e morreu assim antes de unir a teoria coma prática na sua Gorongosa.<br />&nbsp;<br />Já na zona de Tsiquir tudo começara a ficar mais claro. O tipo de agricultura que sempre se praticou nestas atractivas zonas, ricas de paisagens naturais e um visual diverso que foram sendo entregues a sorte da feiura que as caracteriza hoje. Hectares e hectares que anseiam em ver a cor verde de árvores. Hectares e hectares cansadas de um castanho-louro desértico. E alguns castanhos andam desertados porque já não produzem. Atingiram a menopausa e a impotência produtiva. </p>
<p>Espaços, riachos, pântanos, charcos foram sendo reduzidos à pequenos calaharis. Os rios e riachos que outrora constituíram milhares de artérias, veias, capilares que carregavam o sangue puro do coração (a Serra) para o cérebro da vida da região (a zona actualmente tida por Parque) e as restantes partes do corpo da Gorongosa gradualmente se despediram-nos. Só uma mãozinha daquelas estruturas restam hoje. É esta mãozinha que assiste a agonizante Gorongosa e o seu cérebro desmaiado.</p>
<p>Em sua substituição. Em substituição dos milhares e milhares de canais de água que outrora abundaram circulando e regando toda a querida Gorongosa andam milhares e milhares de caminhos, picadas, rotas, ruas, estradas, pontes tudo para facilitar os novos abundantes e reinantes da zona - os humanos! </p>
<p><img alt="Hutscamp1-jungle_resized" src="http://my.gorongosa.net/stories/hutscamp1_2Djungle_resized.jpg" border="1" />&nbsp;<br /><em>Esta guerra chama-se mathemas localmente e acelerou de ataques desde 1992 e as vítimas estão aqui à vista de todos.</em> </p>
<p>Estes mathemas só podem reduzir de fúria se nos despertarem a consciência e acção e se agirmos conjuntamente sem buscarmos o&nbsp; culpado.</p>
<p>É chegado o tempo de sentarmos e reflectir no passado. No presente. Analisarmos o que se depreende por desenvolvimento que sempre cantamos. Analisar o que se depreende por desenvolvimento sustentável. E não deixando de destruir, talvez destruirmos à frente e equilibrarmos a ecologia ao lado!</p>
<p>A morte processual de muitas veias, capilares, e glândulas que segregavam a humidade necessária (a partir da Serra) para a abundância da vida diversificada na região abaixo da Serra entrou já na falência irreparável. <br />A justiça do tempo evidencia sem dúvidas os estágios da Gorongosa viva à Gorongosa em desfalecimento ecológico do seu ecossistema. <br />Basta abrirmos a consciência e a sensibilidade.</p>
<p>Pode parecer política para alguns. Exagero para outros. Defender emprego ainda para uns. Caçar emprego para outros.</p>
<p>Porém, pareça o que parece para os extremistas. Pareça o que parece para quem ainda não teve oportunidade. Pareça o que parece aos vários Tomés da Bíblia que só esperam acreditar depois de ver. Só uma ignorância acentuada pode ficar indiferente. </p>
<p>E duvido se todos teremos a sorte de ver para acreditar. Caso contrário não teríamos a palavra fé. E segundo a Bíblia, só os que estiveram com Tomé, no dia que Jesus quis envergonhar aquele incrédulo, conseguiram vê-lo. </p>
<p>Basta termos uma mente divagante para analisar. Sairmos um pouco das metáforas da vida e sermos um pouco curiosos. Andarmos um pouco para fora dos pequenos centros urbanos que nos aprisionam hipnoticamente. Entrarmos na floresta tropical única em termos de extensão para as terras debaixo do Zambeze. </p>
<p>Vermos o ritmo de corte de árvores &ndash; os mathemas. Depois estimarmos juntos em quantos anos aquela floresta irá resistir na velocidade actual dos mathemas. A regeneração sozinha deixa de ser método fiável para compensar os danos pelo rápido crescimento populacional. Depois há que pensarmos na forma alternativa para ensinar a esta boa gente já nativa da Gorongosa a cultivar de forma sustentável e racional, se os termos não conotarem exagero. </p>
<p><img alt="N (c) Jeffrey Barbee-Gorongosa Mozambique_resized" src="http://my.gorongosa.net/stories/N_20_28c_29_20Jeffrey_20Barbee_2DGorongosa_20Mozambique_resized.jpg" border="1" />&nbsp;<br /><em>É verdade que depois de aprendermos já não conseguimos mais alterar este tipo de agricultura?</em></p>
<p>De uma Gorongosa que conheceu nada mais que uma super densidade de diversidade animal. Densidade que não se cingia ao então tando. De uma Gorongosa que os zimbabweanos vindos de diferentes cantos de Mbire e Báruè, matavam sem escrúpulo os animais e a carne que, para além de consumo, vendiam (e o marfim também) aos comerciantes árabes baseados nas zonas costeiras do Índico. </p>
<p>E isso faziam antes de decidirem fugir de Zimbabwe e fixarem-se definitivamente no coração da Gorongosa. De onde começaram a destruição do ecossistema num ritmo de laisse-faire que gradualmente, com o cada vez crescente número de interessados pela Gorongosa e os nascimentos, vemos hoje uma agonizante Gorongosa, super habitada pelos homens que substituíram a antiga densidade de irracionais diversos.</p>
<p>Queria ganhar ilusão e acreditar que nós os racionais, aparentemente mais maleáveis e dotados de dom da inteligência e inteligibilidade, fôssemos capazes de olhar para trás, para a história, para os tempos imemoráveis com olhos de ver e pudéssemos perceber a avalanche das nossas acções sobre o ecossistema que encontrámos desde do tempo pretérito. E sem abandonar o desafio vital da sobrevivência, optássemos por aprender práticas que poupem a agonizante Gorongosa no ponto em que está agora. Gorongosa está aqui, ali, lá, acolá hoje e agora! E a destruição do seu ecossistema afecta a todos nós.<br />&nbsp;<br />E custa para perceber que a destruição da Natureza à nossa volta está ao ritmo da SIDA na própria natureza humana. Logo que a morte indiscutível entrou nas casas sem travão, aprendemos com sacrifício e horas a fio a produção de anti-retrovirais que adiam-nos a morte. Análises laboratoriais de pacientes da doença zumbem muito alto que o vírus não tem cura, mas aprendemos a conviver com ele e retardar-lhe a reacção dos efeitos nocivos à vida. </p>
<p>A hora de analisarmos a saúde do ecossistema da Gorongosa já bate a nossa porta. Juntos confessemos ecoar o tipo de vírus de que padece. A magrizela animal e vegetal de que se caracteriza actualmente o então gigante ecossistema tem dois inimigos principais: </p>
<p>&bull;&nbsp;A guerra e os furtivos que apostaram publicamente nos animais. </p>
<p>&bull;&nbsp;A paz e tranquilidade sociais que juraram desde 1992 liquidar as plantas, as árvores, as florestas, a vegetação.<br /><br />Passam já 16 anos de guerra contra as florestas que se seguiram aos 16 anos de guerra contra animais nesta região da Gorongosa. <br />Completámos assim 32 anos de guerras. Ou lutamos contra animais e quando escasseiam fazemos acordos de paz e continuamos vivos. Depois levantamos outra guerra contra os vegetais e quando escasseiam assinamos acordos da nossa própria derrota. </p>
<p>Ser filósofo deste ecossistema é&nbsp; buscar respostas sobre as origens, a infância, a adolescência, a fase adulta, a velhice, a morte e pós morte deste imemorável e memorável ecossistema.</p>
<p>E se quisermos ver os restos a sobreviverem para outras gerações futuras, se quisermos adiar a morte completa deste ecossistema que embora debilitado assegura-nos vivos e poderia assegurar ainda a vida de amanhã, então ponhamos a mão na consciência e estudemos o tipo de anti-retrovirais para a infecção em causa (muitos diagnósticos indicam o desflorestamento, e o leitor?) da nossa Gorongosa.<br />&nbsp;<br />Deixaremos o nosso ecossistema assim a extinguir-se? Viveremos só de rochas, poeira e areia no futuro? Os inorgânicos por si só podem pedir para nós as chuvas, oxigénio, fotossíntese, vida? A floresta que se despede é nossa. Aquela que já se foi era nossa. E com ela foram os animais que só podiam viver nela. </p>
<p>Se um grupo um dia se instalou para viver na Gorongosa, alguém ontem se instalou para viver na Gorongosa. Outro hoje está a se instalar para passar a viver aqui. E amanhã alguém mais se vai instalar para fazer deste ecossistema a sua morada. Todos em conjunto estamos a destruir o mais natural e substituindo-o com milho, mapira (sorgo), feijão, mangueiras, bananeiras, ananaseiros, laranjeiras e com tudo que termina ou não com eiras, mas a viragem está evidente, palpável.<br />&nbsp;<br />Gorongosa é aí onde vivemos e trabalhamos. Onde temos a oportunidade de agredir e assistir a violência vegetal: Gorongosa!</p>
<p>Alguns rastos da vegetação violentada: já dentro do espaço da Administração do distrito, dos vários escritórios cada vez mais informatizados da vila, missão, Chitengo, as múltiplas habitações modernas e tradicionais, construídas nas diferentes partes do solo da Gorongosa, as inúmeras machambas e grandes quintais aqui e ali, as estradas, picadas ruas, caminhos, ruelas construídas ali ontem, aqui hoje e acolá amanhã, inclusive as tarimbas (camas locais feitas de estacas espetadas no chão) e as camas modernas substituíram e continuarão a substituir uma ou várias árvores que sempre tiveram aquele sítio como seu habitat. E para isso temos justificação. O melhor sempre para a nossa espécie. Falta-nos a razão de deitar abaixo árvores e árvores, na velocidade de vento, para novas machambas, quintais, habitações, estaleiros comerciais, quintas, etc..., para as quais não temos alternativas de respeitar as árvores!</p>
<p>O crescimento abrupto e vertiginoso da população na Gorongosa e as necessidades de espaços a serem ocupados pelos novos homens em nascimento para instalarem os seus sonhos expansionistas sobre a moribunda vegetação não conhecerão estanque. </p>
<p>Oh... sensíveis, meus caros e famosos racionais, quando vamos tomar acções e evitar a extinção completa da vegetação puramente natural que há muito vem a manter viva a natureza animal, o ecossistema?</p>
<p>Pelas práticas que chamamos inteligência não conseguimos permanecer na mesma machamba. Precisamos de um nomadismo em detrimento da floresta tropical que consequentemente desaparece com seus animais que albergava. </p>
<p>Buscado o nosso orgulho de mais racionais, mais inteligentes, mais capazes de transformar a Gorongosa em melhor sítio simplesmente não o encontramos! </p>
<p>Já de regresso e dentro do Parque vimos uma enorme porção queimada num Junho ainda jovem. Ali antes do rio Mussicadzi. Uma enorme planície castanha foi já visitada por um fogo matutino, vingativo e descontrolado. Talvez provocado por praticantes da arte de fumar e deitar as beatas. Ou até por furtivos de ratazanas. Dá para nos descartarmos dos praticantes precoces de mathema? </p>
<p>Pouco depois já estávamos a aterrar na pista cada vez melhorada de Chitengo. E agradecemos a Bertus que nos deu um ride exclusivo que associou o sagrado ao profano.</p>
<p>Se em 16 anos os animais do ecossistema declararam rendição porque é que em 16 anos a floresta tropical do mesmo ecossistema não pode conhecer a paz? </p>
<p>A resposta sempre escapou entre os dedos da nossa inteligência!<br /><br /></p>]]>
   </content>
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   <title>A Legendary Journey to the Cheringoma Caves at Khodzué</title>
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   <published>2008-09-05T17:02:01Z</published>
   <updated>2008-09-29T19:07:05Z</updated>
   
   <summary><![CDATA[by&nbsp;Domingos Muala Vasco Galante, Director of Communications at Gorongosa National Park, brought us our luck. He made arrangements so that the most exclusive Easter of this generation &ndash; the Easter on the earliest date in our lifetimes &ndash; would be,...]]></summary>
   <author>
      <name>Gorongosa National Park</name>
      
   </author>
   
   
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      <![CDATA[<p><img alt="DJMuala" hspace="5" src="http://my.gorongosa.net/stories/DJMuala.jpg" align="left" border="0" />by&nbsp;Domingos Muala</p>
<p>Vasco Galante, Director of Communications at Gorongosa National Park, brought us our luck. He made arrangements so that the most exclusive Easter of this generation &ndash; the Easter on the earliest date in our lifetimes &ndash; would be, for us, indelibly enhanced by a visit to the marvelous bat paradise in the sensational abyss of Cheringoma &ndash; the Caves.</p>
]]>
      <![CDATA[

<p>We &ndash; the seven member crew (Greg Carr, Ken Carr and his son Jeff, Peggy Rockefeller, Bertus the helicopter pilot, Tato Alexandre, and me, Domingos João Muala) &ndash; owe him the utmost appreciation for providing us the exclusive opportunity to enjoy one of the extraordinary natural sights of the interior of Cheringoma, Sofala, Mozambique. </p>
<p>Our helicopter lifted off from the runway of the Chitengo Safari camp inside Gorongosa National Park around 10 o&rsquo;clock on Sunday morning, March 23, 2008. We headed towards the north of the Park. Greg&rsquo;s intention was for us to see some elephants, and perhaps to provide our most important VIP of the day, Peggy Rockefeller (from one of the wealthiest families in the United States) with a green view of the fabulous Rift Valley ecosystem, dotted with marshes and waterways running this way and that. Peggy was accompanied by Greg&rsquo;s brother and nephew, who were present on their first visit to these, the most natural lands of the Indian Ocean coastal region. <br />It was an unmatched emotional experience. It was a mixture of joy and incredible surprise for the most inexperienced among us, Tato and Domingos. For us, it was like dreaming while awake. And it&rsquo;s difficult for me to describe it. It&rsquo;s beyond me to bring you this triumph. I&rsquo;ll try to give you just a taste. </p>
<p><img alt="GORONGOSA_LGengOPT70_resized" src="http://my.gorongosa.net/stories/GORONGOSA_LGengOPT70_resized.jpg" border="0" /></p>
<p>Tato and me, two workers on the lowest level of the company structure, were chosen by Vasco Galante to go that day with the boss on a visit to the underground natural works in Cheringoma. And in the aircraft we were seated next to the boss Greg and his executive class &ndash; the American millionaires. The emotion we two experienced escapes my power to describe it. </p>
<p>It was the first time for everything. Ride in an Executive class helicopter. Sit next to the boss, close together and like friends. Casual conversation! Talk through the helicopter headphones. Visualize the grandeur and greenery of the Park at that time of year. See up close some of the resident communities inside the bush, animals crazed by the sound of the engine and looking for refuge under low trees. My colleague, Tato, astonished with joy. Already in the air he kept losing control of his emotions. He nudged me each time he saw an animal, a lost house in the belly of the animal wilderness, or as soon as he saw the rocky outcroppings of the high zones. </p>
<p>Tato&rsquo;s feelings turned into an epidemic when we landed in his family&rsquo;s field of varied crops. We were in front of a crowd of family members whom he hadn&rsquo;t visited in almost twenty years. And, looking at his family members, you could read the triumph of this first ever experience: to see their son descend from a flight surrounded by white people, and what kind of white people at that? The wealthy benefactor of Gorongosa National Park, the savior of their own son who was brought by helicopter to visit his family, his native land, his machamba. Even a sick member of the family &ndash; Baptista, who had spent days in bed suffering from eye pain &ndash; got better from his illness and walked that day, going with us to see the Grottos. </p>
<p>After some time among the large family, we departed from that house of 31 people for the Grottos, which were almost two kilometers away. Now indeed there was a fair trade: Greg gave space to all. Tato&rsquo;s family members got into the helicopter.&nbsp; We went with some family members to the Grottos by foot, while others flew, anxious to try the helicopter flight, at least from the field to the Grottos. </p>
<p>The novelty of it ruled everything and everyone. The foreigners were amazed at the dexterity and ease with which the locals agilely shifted their feet in search of the rocky path covered in grass. Distance doesn&rsquo;t exist for those not accustomed to riding in vehicles, and in Khodzué local transport doesn&rsquo;t exist. </p>
<p>The foreigners were about to get tired of walking when the destination surprised us and fissures appeared without warning. &ldquo;These are the Grottos!&rdquo; called out the local owners. And soon the local traditional rites had wiped out all of our provisions. They were used for the ntsembe (the traditional ceremony) necessary before entering into the unfamiliar underground &ndash; the China of the bats.&nbsp; Luís Francisco S. Chimbatata, a local community leader, took all of our snacks and gave them to the ancestral spirits in exchange for a safe visit to the Grottos.<br /></p>
<p><img alt="Cave2_resized" src="http://my.gorongosa.net/stories/cave2_resized_small.jpg" border="0" /></p>
<p>Forgive me if I&rsquo;ve already used up my poor vocabulary. It&rsquo;s not easy to describe the Cheringoma Grottos. I wanted only to give an idea of the Grottos, of an unusual Easter, of a trip when some workers went together with their boss on an executive flight. And&hellip; </p>
<p>We entered cautiously in each Grotto after a few steps in the natural avenues inside. It was like trying the impossible and stopping all thought, in fact, it was condition number one:&nbsp; move like a child and think like a dunce. There are so many entrances inside from one area to the next. And a mysterious river with water fresh and permanent, a natural rock basin always full of water. The waters of this river go around to dampen the roots of the rocks, some of which shrank from the bits of sun in the fissures that connect to the outside. A variety of live bats make up the false roof over the natural lakes. Plants exist on the banks of the river and crevices, as if there weren&rsquo;t bushes and even trees outside of the Grottos. A slanting rock serves as a frame where the courageous high dignitaries recorded their historic passage. We suggest that a book and a pen be put there. And remember that the avenues inside, in many places with a false roof, seem impeccably paved with the excrement of the owners of the country &ndash; the bats. If you&rsquo;re allergic, use shoes&hellip;</p>
<p>How about that for an Easter?</p>
<p>By Domingos João Muala</p>
<p><em>Domingos João Muala is a member of the Human Development Team at Gorongosa National Park, where he teaches both English and Portuguese to Project staff.&nbsp; He is also currently writing a book on the history of Chitengo and its surrounding communities. His colleague, Tato Alexandre, is a member of the staff of the Chitengo Restaurant.</em><br /></p>
<p>&nbsp;</p>]]>
   </content>
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   <title>Uma viagem lendária às Grutas de Cheringoma em Khodzué</title>
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   <published>2008-09-05T16:52:23Z</published>
   <updated>2008-11-06T19:24:49Z</updated>
   
   <summary>de Domingos Muala Para nós quem nos abriu a sorte foi Vasco Galante, o director do Departamento das Comunicações do Parque Nacional da Gorongosa (PNG). Articulou dentro da sua equipa de Gestão do PNG, para que a Páscoa mais exclusiva...</summary>
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      <name>Gorongosa National Park</name>
      
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      <![CDATA[<p><img alt="DJMuala" hspace="5" src="http://my.gorongosa.net/stories/DJMuala.jpg" align="left" border="0" />de Domingos Muala</p>
<p>Para nós quem nos abriu a sorte foi Vasco Galante, o director do Departamento das Comunicações do Parque Nacional da Gorongosa (PNG). Articulou dentro da sua equipa de Gestão do PNG, para que a Páscoa mais exclusiva desta geração, a única Páscoa mais cedo enquanto vivos, fosse por nós indelévelmente acrescida de importância com uma visita ao maravilhoso paraíso de morcegos nos abismos sensacionais de Cheringoma &ndash; as Grutas.</p>
]]>
      <![CDATA[

<p><img alt="GORONGOSA_LGportOPT70_resized" src="http://my.gorongosa.net/stories/GORONGOSA_LGportOPT70_resized.jpg" border="0" /></p>
<p>É a Vasco e a toda equipa de Gestão do PNG que nós os sete tripulantes: Greg Carr, Can Carr e seu sobrinho, Peggy Rockefeller, Bertus (piloto do elicóptero de), Tato Alexandre e Domingos João Muala endereçamos o nosso mais profundo apreço pela exclusiva oportunidade concedida de irmos desfrutar uma das naturezas ocultas do interior de Cheringoma-Sofala-Moçambique.</p>
<p>O nosso helicóptero descolou da pista do acampamento de Safaris de Chitengo dentro do PNG por volta das dez horas do domingo vinte e três de Março último, com o sentido norte do Parque, como o veterano e patrão Greg o quis. A intenção de Greg era podermos ver alguns elefantes. E talvez prover a nossa mais VIP do dia, pertencente à uma das famílias mais ricas dos Estados Unidos, a Peggy Rockefeller, de um visual verde do fabuloso ecossistema do Vale do Rift salpicado com pântanos e cursos de água por aqui e por alí, na companhia de seu irmão e sobrinho aí presentes na sua primeira vez em tudo destas terras mais naturais do índico.<br />Foi tudo uma experiência emocional impar. Um mistura entre alegria e surpresa incrível entre nós os mais inexperientes, Tato e Domingos. Para nós foi um sonhar enquanto acordados. E custa-me descrever aqui. Falta-me tudo para trazer vos este triunfo indígena. Só os filhos da inteligência conseguiriam descrever aos outros tal experiência interior. Vou tentar dando um cheirinho: eu e o Tato, dois empregados de escalão mínimo possível na estrutura da empresa que Vasco Galante escolheu para irem com o patrão visitar as manobras naturais no subsolo de Cheringoma naquele dia. E, na aeronave, sentados lado a lado com patrão Greg e sua classe executiva, os milionários americanos, a emoção vivida por nós os dois foge do meu poder de descrição. </p>
<p>Era tudo primeira vez. E menos predito: subir no helicóptero da classe executiva. Sentar-se com patrão. Juntinhos e como amigos. Conversar a vontade! Falar aos auscultadores do helicóptero. Visualizar a grandeza do e verdura do Parque naquela estação do ano. Ver nitidamente algumas comunidades residentes no interior da Selva, animais endoidecidos pelo ruido do engenho a procurarem refúgio debaixo das árvores fechadas. Meu colega Tato atónito de alegria. Já no ar o controlo emocional a escapar-lhe com frequência. Então coçava-me a cada segundo que visse um animal, uma casa perdida no ventre da mata de animais, ou logo que visse os cortes rochosos das zonas altas. A sensação de Tato tornou-se epidemia, quando já se aterrava na machamba de policultura da sua família, tendo em frente uma multidão de seus familiares que já não visitava há quase vinte anos. Também da família dele se podia ler a primeira vez triunfal: ver seu filho descer de um voo rodeado de brancos e que brancos? Os ricos impulsionadores de todos: do PNG, das comunidades à volta do Parque, de Khodzué, os salvadores do seu próprio filho que até o trazem de helicóptero para ver sua família, sua terra natal (seu madhembe). Mesmo um que andava doente na família recuperou da doença e andou nesse dia. E foi connosco ver as Grutas. É o Baptista que andava há dias deitado a padecer com dores de vista.</p>
<p>Depois de um tempo no seio da grande família e de Greg distribuir fotos de alguns da família que trazia no seu bolso, foi a saída para as Grutas que distam quase dois&nbsp; kms daquela casa de 31 membros. Agora sim fez-se uma troca justa. Greg dá espaço a todos. Sobem na aeronave os da família. Andámos nós a pé até as Grutas com uns membros da família enquanto outros voaram, ansiosos de experimentar o helicóptero pelo menos da machamba às Grutas. Que tal esta Páscoa?</p>
<p>Até a Peggy se lembra dela. Andou no capim de calções curtos no caminho que leva ao sítio misterioso. Com ela também Can e seu sobrinho, Tato, eu e muitos outros da família que não couberam no voo. A novidade governava tudo e em todos. Os estrangeiros espantavam-se pela destreza com que os nativos agilmente trocavam os pés na busca do caminho pedregoso cerrado com capim. A distância não existe para quem não está habitudo a andar de veículos e em Khodzué não pensem em transporte local. </p>
<p>O cansaço de andar já começara a aproximar-se nos estrangeiros quando o destino nos surprendeu com fissuras sem aviso prévio. &ldquo;São as Gruta!&rdquo;, gritam os donos. E logo os ritos tradicionais locais dizimaram todo nosso farnel. Serviu de ntsembe (cerimónia tradicional) necessário antes de se entrar para dentro do subsolo invulgar - a china dos morcegos.</p>
<p><img alt="Cave2_resized" src="http://my.gorongosa.net/stories/cave2_resized_small.jpg" border="0" /></p>
<p>Desculpem-me que já se esgotou o meu vocabulário barato. Não é fácil descrever as Grutas de Cheringoma. Foi só para dar uma ideia das Grutas, da Páscoa particular, da viagem de passeio de uns empregados juntinho com seu patrão num voo executivo. E...então Luís Francisco S. Chimbatata levando todo nosso lanche ofereceu-o aos espíritos dos seus antepassados em troca da nossa boa visita e segurança nas Grutas. Rockefeller e Greg regressaram pouco depois porque tinham outras agendas. Ficámos nós. Entrávamos cautelosos em cada gruta depois de algumas passadelas nas avenidas naturais adentro. Era como experimentar o impossível e deixar de pensar, aliás é condição número um, agir como uma criança e pensar como um tolo. Tem tantas entradas lá dentro de um bairro ao outro. E um rio misterioso com água fresca e permanente, uma bacia de pedra natural sempre cheia de água, as águas deste rio vão contornando a regar as raízes das rochas, algumas das quais minguadas com bocados de sol nas fissuras que se comunicam com o exterior. Uma variedades de morcegos vivos constituem o teto falso sobre as lages naturais. As plantas existem nas bermas do rio e fissuras, como se não existissem arbustos e mesmo árvores por fora das Grutas. Uma rocha oblíqua serve de um quadro onde os corajosos altos dignitários marcam sua passagem histórica. Aconselhamos que se coloque aí um livro e uma caneta. E lembrar que as avenidas adentro, em muitos sítios com o teto falso, aparecem impecavelmente pavimentadas com os excrementos dos donos do país-os morcegos. Um alérgico usa sapatos.&nbsp;&nbsp;&nbsp; </p>
<p>Saídos do subsolo, pus-me a colher a história da família Francisco Soares Chimbatata que tradicionalmente lidera as cerimónias tradicionais antes de se entrar para dentro destas memoráveis Grutas de Cheringoma, até a chegada do helicópterro que nos devolveu ao Chitengo-PNG. Mas não partimos de regresso antes da enfermeira Antónia (que Greg mandara vir no helicóptero para tratar o Baptista e outros doentes da Comunidade de Khodzué) terminar o seu atendimento aos muitos doentes que se juntaram rapidamente.<br /></p>
<p><em>Domingos João Muala é membro do departamento de Desenvolvimento Humano do Parque Nacional da Gorongosa, onde ensina inglês e português ao pessoal do Projecto. Domingos está também, de momento, a escrever um livro sobre a história de Chitengo e suas comunidades circundantes. O seu colega, Tato Alexandre, é membro da equipa do Restaurante de Chitengo.<br />&nbsp;</em></p>
<p><em></em>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>]]>
   </content>
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   <title>Actualização quanto aos Inseparáveis Irmãos da Gorongosa: Virilidade Restaurada!</title>
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   <published>2008-07-01T14:42:51Z</published>
   <updated>2008-07-01T14:42:55Z</updated>
   
   <summary>No ano passado, partilhamos consigo a história dos Irmãos Inseparáveis da Gorongosa, dois leões que foram tratados pelo nosso veterinário interno e director de conservação, Carlos Lopes Pereira, por ferimentos nas patas provocados por armadilhas colocadas no Parque por caçadores...</summary>
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      <name>Gorongosa National Park</name>
      
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   <content type="html" xml:lang="en" xml:base="http://my.gorongosa.net/stories/">
      <![CDATA[<p><img alt="Lion4" hspace="5" src="http://my.gorongosa.net/stories/Lion4_small.jpg" align="left" vspace="5" border="1" />No ano passado, partilhamos consigo a história dos <a href="http://my.gorongosa.net/stories/2007/09/um_conto_acerca_de_dois_leoes.html">Irmãos Inseparáveis da Gorongosa</a>, dois leões que foram tratados pelo nosso veterinário interno e director de conservação, Carlos Lopes Pereira, por ferimentos nas patas provocados por armadilhas colocadas no Parque por caçadores ilegais. Carlos teve de amputar a extremidade da pata de um dos irmãos e de tratar a pata ferida do outro, tendo vindo a acompanhar a recuparação destes dois leões desde então. <br />
]]>
      <![CDATA[
</p>
<p>Há bem pouco tempo, ao patrulharem a rede de safari do Parque, os nossos fiscais encontraram estes dois leões e tiveram a possibilidade de observá-los por algum tempo. É com muita felicidade que relatamos que ambos se encontram bem de saúde. Na realidade, o leão que sofreu a amputação das garras parece ter recuperado todas&nbsp; as suas capacidades &ndash; Foi apanhado a acasalar com uma fêmea! A sua pata magoada parece não ter, de todo, impedido os seus esforços. Está de facto recuperado.</p>
<p><img alt="Lion2" hspace="5" src="http://my.gorongosa.net/stories/Lion2_small1.jpg" vspace="5" border="1" /></p>
<p>Carlos, que passou muitas horas a observar os dois irmãos leões, acredita que o irmão cujas garras foram amputadas é o irmão dominante, mesmo depois do ferimento que sofreu. Contrariamente ao que se podeira pensar &ndash; que um ferimento tão sério quanto o que o leão padeceu o deixaria numa posição de vulnerabilidade física, permitindo a outros machos afastarem-no do seu estatuto dominante &ndash; o leão manteve o seu estatuto dominante, pelo menos em relação ao seu irmão (e às suas interacções com as leoas). Tal confirma que o domínio nos leões é um assunto complicado que envolve mais do que a mera força física!&nbsp; </p>
<p><img alt="LionLicking" hspace="5" src="http://my.gorongosa.net/stories/LionLicking_small.jpg" vspace="5" border="1" /><br /></p>]]>
   </content>
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