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Nhancuco já tem quatro salas novas (parte I)

DJMualaTexto e fotos de DJMuala

Quarta–feira, 23 de Julho de 2008


SÓ SENTE POR NHANCUCO QUEM REALMENTE A ENTENDE COMO A Carr Foundation DO PARQUE DA GORONGOSA (DJMuala)

Esforços do Projecto de Reabilitação do Parque Nacional da Gorongosa (PRPNG) marcam o fim de uma era e o princípio da outra na comunidade de Nhancuco.

A sorte para esta comunidade, desta vez, é de um estabelecimento de ensino convencional que o PRPNG intermediou ao trazer personalidades sensíveis do Millennium BIM em visita da comunidade e do seu forte potencial ecoturístico.

Nhancuco, uma das comunidades do interior da província de Sofala junto à Serra da Gorongosa, viu uma das suas desgraças conhecer solução a partir da sua amizade e colaboração com o PRPNG nos programas de reflorestamento da Serra e conservação dos recursos naturais ainda existentes nesta região. Tal como a comunidade de Vinho, vizinha do acampamento de Chitengo no PNG, que passou a ter uma escola e um posto de saúde graças ao PRPNG, Nhancuco já tem quatro salas de aulas convencionais.

O PRPNG, cuja grande vocação é combinar as promoções da conservação da biodiversidade do Grande Ecossistema no sul do Vale do Rift e do desenvolvimento humano das comunidades, em compensação do bom entendimento com tais comunidades tem vindo a convidar personalidades, visitantes e turistas para o Parque e para as comunidades da sua zona de desenvolvimento sustentável (CZDS) -´zona tampão´. Nhancuco é uma dessas CZDS que tem já muitos viveiros de plantas nativas que o PRPNG usa para reflorestar as partes da Serra “encarecadas”. Muitos dos visitantes dos viveiros e cascatas sobre o rio Murombodzi que preferem passar via Nhancuco acabam entrando em contacto directo com as carências desta comunidade e alguns comprometem-se a dar a sua ajuda para mitigar tais carências locais como se testemunha aqui e hoje. O mesmo assistimos no dia 24 de Junho de 2008, no Vinho, na presença do Sua Excelência Presidente da República de Moçambique Armando Emílio Guebuza e sua comitiva e ainda no dia 14 de Junho de 2008,  presenciou-se diante do governo da Gorongosa e provincial da entrega dos 20% de receitas do Parque para a comunidade de Nhambita.

Entrega de um cheque Nhambita

Entrega de um cheque de 88,623,95 mt à Comunidade de Nhambita

Testemunhada a inauguração e entrega de quatro salas de aulas modernas para nós, gente local aqui reunida hoje, 23 de Julho de 2008: mulheres, homens, crianças de Nhancuco, num mesmo lugar, apesar da nossa tradicional tendência de organização grupal na comunidade: as mulheres com bebés no colo concentram-se mais de um lado;
 
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Mulheres estão mais para a esquerda.

É cultural, mas não só!

Há quem acredite que é curioso ver este cenário: quase a maioria das senhoras aqui presentes têm bebés no colo, ou a amamentar ou ainda grávidas. É mesmo raro encontrar alguma senhora que não tenha bebé ou que não esteja em estado de gestação cá mais para interior da Gorongosa.
 
Em Nhancuco dormimos cedo. Logo que o sol se deita, nós também nos deitamos. A calma da noite, tão inspiradora da ciência do raciocínio humano, é para nós uma continuidade de actividades puramente biológicas, ligadas aos instintos fortes. A escuridão assume alguma cumplicidade neste comportamento. Também faltam-nos entretenimentos constantes senão à volta de fogueiras onde os mais velhos, se aí estiverem e não embriagados de nipa, cabanga, tchiacutchena , ou qualquer outra bebida, vão contando aos mais novos o tchintankano (conto popular à volta da fogueira) num compasso de espera pelo jantar e logo após este, só para uma ligeira digestão. Dias de festa são poucos quando a monotonia sofre alguma ligeira brecha.

Os nossos trabalhos, duríssimos e diários nas machambas muito férteis, contribuem para ao cair da noite rapidamente nos sentirmos bastante fatigados e com a pressa para a tarimba (cama local feita de estacas espetadas no chão), esteira, manta durante os 120 minutos mais fortes do sono. Porém, o cansaço trazido das machambas externas não nos escusa de cultivar e semear com zelo e dedicação a fertilidade das machambas internas.

Cultivamos e semeamos juntos nas machambas adentro, várias vezes na mesma noite tão longa e calma, e quase todas as noites que tivermos saúde para tal. Estas noites controladas pelo pôr do sol para nós e pela iluminação, diversão e feitiço do alfabeto para outros Moçambicanos.


Machambas nocturnas, machambas nocturnas!

Às vezes são muitas machambas principais que se têm que cultivar num regime de rotação semanal. As tantas machambas não dispensam, em muitos casos, as hortas mesquinhas ‘chindes’ , como as mindas (machambas) várias vezes têm tolos (pequena baixa húmida para hortas) e até dimbas (grande baixa húmida). Ter uma ou várias machambas principais não escusa ter hortas. As vezes, cada machamba principal de um senhor é horta de um outro que faz a manutenção enquanto o dono vai cumprindo a sequência das outras machambas e hortas na série dele, porta sempre aberta ao colono deste século – o famoso e discreto HIV.

A assiduidade nocturna comprova-se nas fotos; nossas mulheres todas com crianças sucessivas e outras senhoras grávidas a espera de nascer. Este é o ciclo costumeiro, cultural, dogma que um dia as quatro salas irão questionar. A vinda de um posto médico para Nhancuco monitorizaria o planeamento familiar que ainda está a deriva na consciência e na concepção do viver daqui em Nhancuco. As crianças são uma grande riqueza e não um encargo para educar. As crianças ajudam na machamba e em outras actividades caseiras como buscar água, lenha, varrer o quintal, cuidar dos mais novos, levar produtos da machamba para casa, para moagem, frutas para vender no mercado, etc. e não roubam emprego de ninguém que não teríamos dinheiro para pagar ao fim do mês. As crianças ajudam desde crianças e ajudam mesmos quando adultas. Os direitos da criança daqui são mais os seus deveres em relação ao cumprimento desta ou daquela actividade que se espera que ela faça. Se ela por rebeldia falhar ao cumprimento de uma das suas tarefas temos para ela várias opções: um chicote, porradas, retirar-lhe uma refeição ou seja puni-la com torturas físicas fortes. Esta é a nossa educação no contexto costumeiro e sempre deu resultados positivos: incutir e transmitir para gerações novas os valores tradicionais locais.

Circunstância por circunstância

Os homens gostam de ficar do lado deles em algumas circunstâncias. Na foto abaixo eles concentram-se mais do lado direito. Portanto, de dia e sobretudo em ambientes mais públicos os homens comportam-se como inimigos das mulheres, aí submissas aos bebés e descalças, separação quase natural não reclamada. Noutra circunstância, os homens em Nhancuco são colegas inseparáveis das mulheres com as quais forjam os machambeiros, e outros profissionais de amanhã!
 
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Os homens estão mais para a direita.

Também as crianças têm circunstâncias aqui em Nhancuco

As nossas crianças geralmente encostam ao lado que preferirem em eventos populosos; mas à medida que crescem não abandonam a aprendizagem por imitação, vão se identificando mais com sexos idênticos e ainda por imitação aprendem as actividades tidas como específicas para cada grupo sexual. Da escolinha até a universidade frequenta-se localmente e em ambientes ligados ao ritmo da vida que lhes espera na fase adulta. Mesmo os cargos de liderança na estrutura tradicional aprendem-se em contextos muito locais. Atingem-se todos os níveis escolares; o bacharelato, a licenciatura e mesmo a doutoramento em idades diferentes conforme a posição social e o que se espera dessa criança/jovem na sua vida activa. Por exemplo, todas as crianças já indicadas para cargos de maior influência decisiva na vida da comunidade começam cedo a aprender todos os truques ligados a aquela futura posição em grupos de sexo idêntico e específicos. Nesses grupos as nossas crianças aprendem o estilo de vida costumeiro assim como o seu papel na sua família, no seu futuro lar, na vizinhança e na comunidade.

As circunstâncias existem mesmo em qualquer idade e a separação por grupos de sexos idênticos ganha hipocrisia à medida em que as crianças continuam crescendo e atingem a puberdade aqui em Nhancuco. Normalmente, elas inventam entretenimentos nocturnos que os juntam ao sexo oposto, sobretudo no tempo de luar. Actualmente, até não é estranho experimentarem alguma aventura pela noite tímida, em habituais jogos de papá e mamã debaixo de capim alto, salvando-se apenas quando usam as camisinhas, das tantas a elas distribuídas pelos titios ora empregados que acreditam que combater o HIV basta incitar a curiosidade adolescente distribuindo-lhes as borrachas portáteis! Borrachas que os mais inocentes agradecem a oferta porque vão poder enchê-las de ar e ter pelo menos uma bola para jogar com a malta. Bastam alguns plásticos atados circularmente por linhas de uma manta rasgada por fora do balão (jeito), para fazer-se uma perfeita bola que vai contribuir para um crescimento harmonioso dos garotinhos. Claro, a lubrificação do jeito que passa das mãos até a boca dos garotinhos não deve causar graves problemas a saúde deles!

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As crianças são por hábito muito livres embora com idade as meninas se identificam mais com as mães e os meninos com os pais.

A missão do PRPNG não é fazer tudo sozinho, mas incentivar acções de Conservação do Ecossistema e de Desenvolvimento Humano!

Através de muitos esforços para conservar, restaurar o ecossistema a sul do Vale do Rift; incentivar o ecoturismo, buscar mais parceiros para ajudar os vários projectos que o PRPNG vai levando a cabo dentro do Parque e nas comunidades da sua zona de desenvolvimento sustentável (CZDS)-´zona tampão´; projectos como a compra e introdução de espécies de animais largamente dizimadas durante a guerra dos 16 anos, aumento do controlo da caça furtiva, a criação de mais postos de empregos, a reabilitação e reconstrução do acampamento de Safaris de Chitengo e outros acampamentos para trabalhadores, a construção de novas infra-estruturas no Parque e nas suas CZDS-´zona tampão´- como escolas e postos de saúde, a entrega dos 20% das receitas do Parque para as CZDS-´zona tampão´, a disposição de enfermeiros para prestar assistência sanitária nas diversas CZDS ainda sem postos de saúde, a instalação de telecentros ligados a internet em algumas CZDS, a introdução das práticas da agricultura sustentável nas CZDS, a instalação de uma secadora de frutas na vila da Gorongosa como forma de facilitar as comunidades venderem aí as tantas frutas sempre condenadas ao apodrecimento nas diferentes épocas, etc., o PRPNG conseguiu servir de ponte entre a comunidade de Nhancuco (uma das CZDS) e o Banco Internacional de Moçambique (BIM) para a construção das quatro salas novas de aulas nesta comunidade. (ver fotos das adiante).

Estratégias conscientes são a aposta do PRPNG nos seus programas

Na sua estratégia que privilegia mais oportunidades para o melhoramento do Parque e do nível de vida das CZDS, o PRPNG sempre convida entidades e personalidades diferentes e se esforça, depois, em levar tais visitantes e turistas a ver o seu trabalho de restaurar o Parque, a Serra, as comunidades e as oportunidades de ecoturismo que as CZDS oferecem.

Convidando personalidades, visitantes e turistas para os diferentes cantos do Grande Ecossistema, o PRPNG sortudamente conseguiu, num desses dias, trazer personalidades do BIM à comunidade de Nhancuco (lugar onde o PRPNG tem uma das suas equipas de trabalho a produzir viveiros de plantas nativas que reflorestam a Serra) que está a quase 700 m de altitude na Serra, perto das cascatas sobre o rio Murombodzi. Estas personalidades, depois de verem o estado precário das salas de aulas de Nhancuco, aceitaram sem hesitar partilhar a responsabilidade social. Era todo o Millennium BIM a ver e entender as necessidades das crianças desta comunidade de Nhancuco que estudavam em salas péssimas, feitas a partir de caniço e colmo, sem nenhuma segurança nem protecção. O Millennium BIM abriu voluntariamente os seus cofres e desembolsou dinheiro para ajudar a esta comunidade, proprietária das cascatas sobre o rio Murombodzi, a sair das salas de aulas péssimas:

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Antigas salas que funcionaram desde 2005 até 22 de Julho de 2008.

para as salas recém-construídas:

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De 23 de Julho em diante, estas passam a ser as salas de aulas.

Uma responsabilidade social exemplar foi assumida aqui pelo Millennium BIM e consubstanciou-se em acção concreta. Millennium BIM mostrou a vontade de olhar para as camadas mais desfavorecidas e realmente carentes. Uma camada que tem que assumir o ritmo de vida actual, mais enquadrado no contexto do chamado mundo actual. Um mundo alfabetizado, global, lentamente reversível. As salas representam incentivo ao tal mundo, um futuro pintado por palavras impressionantes como sustentável, desenvolvido, erradicado de pobreza, melhor e tantos outros termos carregados de psicologia. Muitas gerações recorrerão para estas salas para se alfabetizarem, inspirarem, buscar o que lhes estimula e esperam conquistar através de desafios da vida pós-colonial apoiada no alfabeto.
 
O nosso sentimento geral hoje em Nhancuco é de

Um agradecimento profundo ao PRPNG que se esforça em trazer para as suas CZDS entidades, personalidades conscientes, responsáveis, sensíveis e dispostas a contribuir para a salvação da fauna, flora e que impulsionam uma visão diferente das pessoas que fazem parte deste grande ecossistema. Que o PRPNG um dia consiga ajudar-nos a aprender novas formas de viver que não eliminam os animais, as árvores nem precisemos de praticar queimadas que acabam destruindo nossas próprias vidas, celeiros, e casas e outros haveres.

Se pudéssemos pedir diríamos

Por favor PRPNG, continue a trazer para as nossas comunidades necessitadas, mais e mais entidades e personalidades com sensibilidade e disponibilidade, que um dia nos ajudarão a ter um posto de saúde, alargar e nivelar a estrada para Nhancuco, construir mais salas de aulas porque o número de alunos de ora em diante certamente vai explodir. Por falar de escola, falta-nos ainda um bloco administrativo, casas para professores, mais casas de banho e latrinas, uma cantina, etc. Por exemplo, actualmente os professores que preferem ficar perto de algumas escolas onde leccionam, como os da escola mãe de Murombodzi, da qual as quatro salas de aulas já inauguradas em Nhancuco são anexas, vivem nestas casas:

 Sábado P Dombe em frente da casa
Casa que era para o director da escola de Murombodzi, Sábado Paulo Dombe (em frente da casa).

Esta casa acima era para o director Sábado e é partilhada por duas professoras desta escola mãe.

Sábado Paulo Dombe (em frente da casa) é o actual director da escola mãe, da qual fazem parte integrante as quatro salas inauguradas hoje, dia 23 de Julho de 2008, pelo governo da província e do distrito da Gorongosa, na presença do representante do Millennium BIM e da senhora Maria João Barbosa, entre outros distintos convidados e a própria comunidade de Nhancuco. Portanto, Sábado é o director das quatro salas novas.

O director Sábado decidiu ceder esta casa para suas duas colegas que trabalham com ele na escola mãe por ser a maior e mais espaçosa para partilhar comparativamente a uma outra que fica a escassos metros. Sábado vai passar a dormir nessa outra casa (pequena) que ainda está em construção:

Futura casa de Sábado P Dombe 
Futura casa (ainda em construção) do director da escola mãe de Murombodzi, Sábado Paulo Dombe.

 Casa de banho em construção
Casa de banho (em construção) comum para as duas residências de professores.

Nestas condições vivem muitos dos professores provenientes, que preferem ficar perto da escola ou salas de aulas onde estão afectos para disseminar o alfabeto formal nas CZDS do PNG. São estas condições que diminuem paz ao Greg e toda sua equipa de gestão do PRPNG e, conscientes de não poder recuperar tudo sozinhos, Greg e sua equipa de gestão do Parque se esforçam em convidar seus amigos e simpatizantes para o Parque e para as comunidades. O PRPNG agradece a qualquer parceiro que voluntariamente decidir ajudar com algum fundo para que a conservação e a melhoria do nível de vida das CZDS seja alcançado.

Os hábitos dos professores provenientes e naturais

Para os professores e as comunidades que vivem aqui nos confins da civilização moderna, a única fonte de informação muitas vezes são os rádios (se os tiverem) que se atam a uma corda e se penduram no pescoço, enquanto se caminha. Isso para os profissionais locais claro – os camponeses. Quando se chega à machamba, os rádios a tocar são pendurados numa árvore, num murmuché ou em qualquer outro lugar elevado enquanto as enxadas tocam no chão duro. O lugar elevado ajuda a espalhar o som. Os professores penduram os rádios em seus ´jogos de a vida começa assim´ (cadeiras e mesas de bambus). Aqui não existe cultura dos jornais. Isso de ler é hábito das vilas e cidades, à medida em que se afasta destes focos urbanos tais hábitos de ler caducam.

Muitos dos professores provenientes que preferem viver em ambientes mais agitados e ambular todos os dias para os seus postos de trabalho é que conseguem alguma diferença. Primeiro começam por alugar casas em um dos bairros da vila-sede da Gorongosa. Vivem aí os primeiros 5 ou 6 meses do seu primeiro ano de trabalho enquanto esperam pelo primeiro salário. Este salário é que lhes abre as portas para passarem a receber mensalmente como os professores antigos. Normalmente têm que esperar este salário até aos meses de Maio e Junho do primeiro ano de trabalho em toda a Gorongosa. Nesse tempo todo, estes seres chamados professores sobrevivem a custo chamado por magaiva (arranjos pessoais com vista a safar-se de alguma dificuldade temporária), sobretudo, na vila da Gorongosa. Os professores colocados no interior, pelo menos, costumam ter apoio dos líderes e de alguns membros da comunidade em géneros alimentares, enquanto vivem em casas construídas pela comunidade como as vistas em cima.

A sorte dos residentes na vila-sede não é em alimentos, é poderem assistir algum filme nas proliferantes casas de filmes espalhadas por todos os bairros já electrificados da vila. Poderem ainda ver televisão, falar aos telefones fixos e móveis, beber alguma cerveja fresca devida em barracas, conviver com mais colegas e outros funcionários de outros ministérios, em suma, estes professores têm algum acesso a informação actualizada e nalguns casos aos jornais escritos. Portanto, estes ganham a actualização e padecem de fome enquanto no interior se pode esperar mais apoios em alimentos e carência de informação actualizada.

Depois do primeiro salário acumulado que inclui os salários dos meses todos que o professor esteve a trabalhar sem receber até ao mês do primeiro salário, portanto o maior salário na vida de um professor novo em Gorongosa, muitos costumam conseguir comprar pelo menos uma bicicleta, meio de transporte diário para o seu posto de trabalho. Na posse de uma bicicleta afirma-se definitivamente a recusa do professor de ir viver para a comunidade perto das salas onde lecciona devido às condições inóspitas destes sítios. Alguns mais empreendedores aproveitam esse salário para abrir suas contas bancárias, comprar algum terreno na periferia da Gorongosa ou mesmo começar a pagar pouco a pouco alguma casa. Claro que outros acabam todo seu primeiro dinheiro a matricular em clubes de bebedeiras nocturnas. Daí a nossa esperança que os professores afectos aqui em Nhancuco, um dia, tenham casas convencionais que os motivem a viver no meio de nós, dia e noite, e ensinem as nossas crianças o alfabeto formal e informal que trazem consigo.
 
Sentimento dos pais em relação as novas salas

De hoje em diante, aqui em Nhancuco, começamos a sentir a necessidade de mandar todas as nossas crianças para estudar naquelas salas tão bonitas, tão simbólicas, um dos nossos orgulhos nesta comunidade.

Em Nhancuco acreditamos que o PRPNG sozinho não vai poder fazer tudo para o Parque e para todas as comunidades do Grande Ecossistema ao longo deste Vale do Rift. Temos a consciência de que o PRPNG tem a responsabilidade de encabeçar as actividades de recuperação e revitalização do natural e social nesta zona remota de Sofala, mas sentimos que precisa de muitos apoios do trabalho local e de dinheiro doado pelos que têm e podem doar para poder levar os seus projectos avante e com sucessos. É verdade que todos podem doar ao PRPNG algo que ajude a efectivar os seus inúmeros projectos. Moralmente, todos tínhamos que dar o nosso contributo ainda que mínimo para e participar. Os apoios de entidades com responsabilidade social, a exemplo do Millennium BIM que se encarregou não só do financiamento como também da própria construção das salas, ajudam a elevar o nível de vida nas CZDS do PNG. 

A comunidade de Nhancuco louva a estratégia do PRPNG

Continue PRPNG a convidar mais potenciais parceiros, com sensibilidade, consciência e responsabilidade sociais; parceiros capazes de seguir o exemplo iniciado pelo Millennium BIM de Moçambique no apoio às CZDS do Parque, um dos grupos de comunidades mais carentes de infra-estruturas sociais em toda a região centro de Moçambique. Em Nhancuco, somos um dos grupos mais pobres e carente.

As novas salas de aulas, que hoje nos entregam oficialmente, são o tema das nossas conversas de ora em diante, como não sairão das bocas das outras comunidades nossas vizinhas. Estas salas são, por enquanto, o único símbolo colectivo oferecido por humanos para toda a nossa comunidade, depois da oferta de Deus - as cascatas do Murombodzi e a Serra.

Nos orgulhamos, porém, da família Palhinha e Carvalho pelas primeiras carteiras que usamos nas primeiras salas, carteiras que retiramos das ruínas residenciais abandonadas que pertenciam a estas duas famílias. Recordamos-lhes mais sempre que vemos tais carteiras, porque salas há em Matacamachaua, por exemplo, que nem se quer têm tijolos por carteiras.
 
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Carteiras (tijolos) retirados das antigas construções pertencentes às famílias Palhinha e Carvalho,

Ora, buscando identificarmo-nos com o novo símbolo colectivo, mandaremos as nossas crianças; meninas e meninos para estudar nas salas novas, cientes de que nós, os pais, também passaremos pelas salas novas para podermos decifrar o alfabeto na busca de um passo para frente.

Agradecemos o PRPNG que serviu de ponte entre nós em Nhancuco e o BIM.
Temos ainda outras tantas necessidades que Nhancuco sozinha nunca conseguirá fazer, gostaríamos de contar sempre com este tipo de ajudas, enquanto nos ensinam a corresponder com as vossas expectativas.

Cresce a consciência local de conservação

Os nossos hábitos e práticas agrícolas, na busca de superar nossas necessidades básicas usando os recursos naturais à nossa volta, levam-nos à  atitudes que, em outros contextos fora de Nhancuco, são interpretadas como tristes, devastadoras, desflorestadoras, entre mil adjectivos nocivos contra o natural. Perpetramos tais acções não por maldade contra a natureza, nem para intencionalmente ofender os peritos na conservação da biodiversidade, mas constituem nossas formas tradicionais de produzir para sobrevivermos e por vezes nem mesmo notamos que agimos mal.

Pelo contrário, sabemos que é a forma herdada dos nossos antepassados para produzir mais comida que alimenta as nossas famílias cada vez mais crescente. Notamos que assim se costuma ter mais excedentes até para vender aos compradores sempre assíduos ao longo da época das colheitas. Uma traição é que os nossos antepassados eram poucos  numericamente, que depois de desequilibrarem o natural à sua volta gradualmente, mudavam-se para outros lugares para continuarem a abrir outros mathemas (ver adiante), caçar, extrair o minério em detrimento do natural. Sempre viveram assim e legaram-nos este estilo de vida que leva tempo para mudar.  Pouco a pouco vamos compreendendo que os tempos mudaram e temos que também mudar as práticas antigas para ajustarem-se às novas exigências: as exigências de seremos muitos numericamente com um espaço que já começa a escassear. As mudanças são inevitáveis e termos que mudar das nossas práticas tradicionais ajustando-as para as novas realidades. Antes, por exemplo, não precisámos de salas de aulas. O tipo de escola era outro. Estudava-se sistematicamente só no período dos ritos de iniciação. O resto era por imitação dos adultos.

Mapira a ser vendida 

Mapira a ser vendida.

Alguns truques actuais para sobreviver em Nhancuco

Uma das formas de sobreviver aqui é vender constantemente uma parte dos produtos da machamba para fazer face as novas exigências da vida – comprar, comprar, comprar mais isto hoje aquilo amanhã. Outra parte dos mesmos produtos as mulheres e crianças levam-na sempre que necessário à moagem para se obter a farinha - a nossa base alimentar. 

 Processo de obtenção de farinha

O processo de obtenção da farinha, nossa base alimentar em Nhancuco.

No princípio, quando a vida era simples e as necessidades de comprar se limitavam a instrumentos básicos, sal, sabão, alguma roupa básica, cobertores, a maior parte dos produtos da machamba era armazenada em celeiros para a fase pós-colheita. Este excedente alimentava a família até a colheita seguinte. Era uma segurança alimentar indiscutível.

Actualmente, com a vida toda feita de compras disto e daquilo, somos irresistivelmente induzidos a vender a maior parte dos produtos da machamba sempre que se tem uma necessidade para comprar outros artigos que não temos localmente. Como consequência da economia virada ao mercado passamos a fome o resto do tempo como se não tivéssemos produzido o suficiente. As moagens, a escola actual e as suas tantas necessidades, o vestuário mais estruturado e diverso da era actual, as bicicletas, as viagens, os documentos do notariais, as bebidas industrializadas, os rádios, chinelos, sapatos, capulanas, ofertas nas igrejas, entre outras necessidades novas e imperativas que exigem cada vez mais dinheiro, aqui em Nhancuco, são uma parte das novas exigências de uma vida mais complexa que para aguentar temos que vender a maior parte da nossa produção agrícola. O nosso único rendimento económico é a nossa produção agrícola. É esta produção que deve responder a todas as necessidades que nos são impostas pela a avalanche da moda, da modernidade, do capitalismo, do alfabeto formal e informal. É muito o que é preciso comprar para as nossas novas e ilimitadas preocupações. Temos de comprar esses produtos diversificados que abundam no mercado de hoje e que duram pouco tempo. Esses produtos fabricados na sua maioria na China para os países como Moçambique, produtos baratos na compra como no estragar-se!
 
Mulheres e meninas na moagem

No Murombodzi,  mulheres e crianças é que frequentemente vão à moagem.

As nossas expectativas da vida circunscrevem-se basicamente nestes moldes; o nosso tradicional (sempre a caducar) está a ser cada vez mais ocidentalizado sem consentimento. Uma onda de sublevação chamada modernismo, incompatível com o existencialismo, arrasta cegamente a maioria e tudo quanto pode. Os teóricos deste inevitável dilema cultural, mais destruidor que um abate desenfreado de árvores da Serra, chamam-no de dinamismo cultural e com ele alienam-nos impiedosamente em todo Nhancuco. Nós, os pais e encarregados de educação em Nhancuco, sofremos a duplicar com esta nova calamidade geral a qual não temos como esquinar. Ora é o alfabeto formal ocidental que, como a igreja bíblica, se intrometeu em Nhancuco com suas promessas de um futuro melhor: a profissão, o emprego, boa vida, novas formas de governar o povo acima dos régulos, electricidade, celulares, carros, computadores, etc. O alfabeto formal é acusado de poder trazer tudo isso para a vida de todos seus adeptos quando na verdade só uma minoria é que vai realmente beneficiar-se. O informal e talvez mais oriental, pretendendo abrir horizontes coexistenciais enquanto cultiva a preguiça na zona,  produz o estilo de vida que se pode ver abaixo em Murombodzi: 

O estilo de lojas mais frequ

O estilo de lojas mais frequentes no interior da Gorongosa.

Um jovem-senhor que ao invés de estar a praticar os mathemas (abate de árvores para abrir nova machamba) assimilou o hábito de vendedor e senta-se no mercado de Murombodzi a caçar directamente o dinheiro. Espero pelo dia que este meu concidadão (muitos na mesma condição) se tornará em um milionário capaz de passar habilidades comerciais aos nossos filhos! 

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Mercado perto da escola mãe de Murombodzi.

O contrário poderá desorientar os filhos se pautarão em seguir a vida comercial como esta ou terão de aprender sozinhos abrir os mathemas!

No nosso mercado vendemos o que conseguimos puxar de bicicletas da vila-sede da Gorongosa e colocamos a disposição de outros lá dentro das nossas comunidades. Assim tentamos lutar pela vida sem recorrer aos trabalhos habituais das machambas.
Ao entrarmos na inevitável bancarrota, voltamos para as nossas enxadas e para os mathemas tradicionais. Eis alguns dos produtos que puxamos da vila para os nossos mercados do interior e também lá pagamos as senhas para as receitas da administração:

O tipo de produtos 

O tipo de produtos vendidos no nosso mercado perto da escola mãe de Murombodzi.

Cada qual está na sua banca. Os produtos são, na sua maioria, os mesmos embora os donos são diferentes, com destinos assemelhados aos produtos que vendem. É assim que idealizamos poder viver na nova sociedade virada ao comodismo e consumismo. Na pior desorientação sobre o que seguir em todo fluxo da modernidade, achamos valer mais esta criatividade que não viola nem moral nem fisicamente a nenhum irmão cientes de que não garante nenhum futuro seguro.

Uma das novas formas de viver 

Uma das novas formas de viver para além das machambas nesta comunidade.

Esforcem-se em ajudar-nos a mudar das práticas consideradas danificadoras para as aprovadas como alternativas sustentáveis. Bem haja o PRPNG!
  
Ajudar a quem realmente merece e quer é construir uma história permanente

Uma memória indelével e menção honrosa endereçamos ao BIM que, tendo visto a situação difícil em que as nossas crianças estudavam aqui em Nhancuco, pontualmente aceitou dispensar fundos para a construção das salas convencionais, seguras, onde os nossos filhos passarão a sentar-se e estudar a vontade sem receios de molhar ao cair da chuva.

A época chuvosa é sempre nossa vizinha aqui em Nhancuco. Como de hábito, esta época é mais prolongada e acompanhada de precipitações e outras formas naturais que ameaçavam sempre as nossas crianças durante as suas aulas. E nós também quando estamos nas nossas aulas de alfabetização. Para além de que as temperaturas aqui na Serra mudam à qualquer instante, e antes estávamos sujeitos a toda esta maçada. O Millennium BIM, pela primeira vez, construiu-nos as primeiras quatro salas com o material convencional, resistente, seguro e cómodo.

É o Millennium BIM que abriu-nos aqui em Nhancuco pela primeira vez, depois da guerra dos 16 anos, esta página da história das infra-estruturas sociais construída na base de material convencional de que apreciamos e agradecemos imenso. A nossa capacidade construtiva e experiência locais aqui em Nhancuco só nos admitem construir infra-estruturas como as antigas salas de Nhancuco, as casas dos professores vistas acima, etc. Como um pintainho dentro de um ovo sempre precisa da galinha para abrir a carapaça, também em Nhancuco nós precisámos do BIM para nos tirar das salas precárias para as convencionais que acabou de entregar-nos hoje.
 
Com elevado apreço sentimos de coração e alma a grandeza desta ajuda na comunidade de Nhancuco. Teremos sempre dentro de nós, em memória indelével do Millennium BIM, a mais distinta apreciação dos esforços empreendidos em construir-nos o futuro sustentável.

Millennium BIM, continue com esta disponibilidade sempre pronta para ajudar a melhorar as condições dos que realmente necessitam de ajuda como nós em Nhancuco!

Em Nhancuco, depois das salas do BIM, ainda lutamos com carências extremas em posto de saúde, acessibilidade da via principal que leva a esta comunidade.

Mulheres, crianças, velhos, deficientes físicos vêm-se sempre na obrigação de percorrer grandes distâncias para chegarem ao posto de saúde mais próximo e obterem os tratamentos. Muitas vezes temos de carregar estas pessoas com macas, quando já não conseguem andar, até chegar ao posto de saúde mais próximo. E às vezes morrem a caminho do posto de saúde!
 
Muitos turistas e visitantes estragam seus carros, voltam no caminho, ficam enterrados e arrependidos enquanto procuram chegar às cascatas de Murombodzi. São estas pessoas que conseguindo passar por Nhancuco acabariam por ver as nossas dificuldades, e quem sabe se um dia nos pudessem ajudar como o Millennium BIM! Quiçá outras instituições possam imitar o exemplo já dado pelo Millennium BIM.

Bem haja oh Millennium BIM em Moçambique!

Quando um governo eleito pelo povo não se esquece dos seus compromissos eleitorais

Bem haja oh governo da província e do distrito que com responsabilidade soube estar sempre presente na nossa comunidade de Nhancuco lado a lado até hoje, dia 23 de Julho de 2008, dia da inauguração das nossas salas de aulas de Nhancuco, construídas pelo Millennium BIM. A presença do governo nestes locais ajuda-nos a perceber a preocupação pelas comunidades de que representam.

Em Nhancuco acreditamos que com acções práticas como estas, que todos podem ver sem muito esforço inclusive as crianças, os cegos que podem palpar, o governo realmente está do lado das comunidades e se esforça em traduzir em realidades tangíveis os destinos que sonha para as pessoas que representa. Continue nosso governo a representar-nos e lutar sempre pelo melhor de nós, vossas comunidade, em todo o tempo e lugar depois de vos votarmos como nossos representantes legítimos.

Bem hajam todos aqueles que directa ou indirectamente contribuíram para que estas salas realmente pudessem ser construídas e servir simultaneamente para as nossas crianças buscarem aí o seu futuro melhor e nós a nossa alfabetização. Aos desenhadores, pedreiros, carpinteiros, e a todas as profissões ligadas a construção das salas, vai o nosso muito obrigado.

Porquê este documento?

Para restaurar o hábito de leitura extensiva que entrou na última etapa da sua falência. Ler os e-mails e escrevê-los, as sms pelo telefone, os filmes e músicas, os vídeo-clips, etc., está na moda sim. A moda pode-se definir como hóspede. Vai-se, passa depressa, ficamos nós e só nós. Saímos de uma moda para a outra e passamos a vida na moda! Triste é que os modistas hipnotizam-nos como o vento hipnotiza folhas secas!

Então:

Hendrik Pott fez o que Vasco Galante tradicionalmente faz. Convidar os outros a partilhar uns momentos impares. Desta vez foi Hendrik Pott.

Estava a matabichar na companhia de dona Rosa e uns colegas, na manhã do dia 22 de Julho, debaixo de uma das árvores do bonito quintal do habitual Restaurante Furtivo de Chitengo.

Hendrik preencheu este papel. Não sei as motivações dele para a opção;
Se por vontade pessoal ou por indicação, se por afeição natural e clandestina, ou simplesmente por escolha aleatória, ou...
Convidou-me a fazer parte de um evento indelével na vida de uma comunidade: para a cerimónia de inauguração das quatro novas salas de aulas em Nhancuco. Salas anexas da escola primária de Murombodzi.

Hendrik sugeriu que levássemos uma máquina de filmar ou de fotografar. Então quis saber se Carlitos Sunza (nosso jornalista no PRPNG) deixara tudo a disposição.

A verdade contradizia. Hendrik, sempre calmo e inteligente, esperto e experiente ficava cada mais impaciente e desesperado à medida em que a resposta positiva demorava chagar. Interessava ao Hendrik uma máquina que o garantisse imagens para recordar este dia histórico na vida da comunidade de Nhancuco. Um nacionalismo puro, uma paixão forte pelo Nhancuco, pelas salas novas, pela educação que se alastra aos confins, a responsabilidade de representar o PRPNG neste evento ... escapavam do interior de Hendrik para espreitarem fora dele através da cara, seu temperamento mexia-se como um caniço no leito de um rio.

Quem nunca quis ter recordações dos momentos impares na vida? Um dia tão impar e sem mdc (menor divisor comum «na matemática básica da escolinha») como 23 de Julho de 2008.

Hendrik, em nome de todo bem articulado PRPNG convidou-me para este dia impar. Uma gratidão enorme fica aqui expressa com a minha máxima sinceridade possível para toda equipa de gestão do PRPNG.

A máquina está no escritório do departamento para as comunicações. Carlitos acreditou que Vasco levara as chaves para a reunião trimestral de Maputo. Para abrir as portas de Maputo!

Vasco não salta para nenhum ramo seco. Tem consciência que ramo seco pode deixá-lo conhecer o chão propositadamente.
Ao Vasco Galante talvez falte-lhe duplicar os anitos que sustentam Carlitos. Os hábitos de ocultar a verdadeira idade é dos africanos. Estes é que manipulavam a idade a seu belo prazer. Geralmente reduziam uns dois ou mais quando obrigados a registar-se oficialmente em documentos. Poucas são as vezes que tiveram idade acrescida.

Isso de registar é tal cultura do alfabeto acidental. Aqui tudo regista-se na memória e passa-se depois para os mais novos com acréscimos ou diminuições. Os nascimentos não precisavam de ser registados em documentos, porém ninguém jamais esqueceu seus familiares por não estarem registados, nem os régulos esqueciam os seus elementos.

Então começaram a ser obrigados porque não faz parte da sua cultura registar-se quando uma criança nasce. Na cultura folclore africana não existe o registo escrito de nascimento porque os curandeiros (parteiras oficiais da cultura e médicos) não tinham o alfabeto escrito, mas na memória. O Alfabeto ambulante, que muitos acreditam ter nascido no Egipto, Fenícia, transformado e reduzido pelos gregos para o sistema actual do mundo moderno é recente em África. Tal alfabeto, escondendo-se na loucura do Humanismo (movimento que eliminou uma sociedade dogmática antiga, mais democrática, igualitária, honesta na moral e incompatível com o desorientador alfabeto), eliminou a consciência antiga; antiguidade que não tolerava o feminino, era ao mesmo tempo mais deformada para a avidez da actualidade traiçoeira, irreconciliável com as interpretações grosseiras da extremista Bíblia Sagrada. Quando este alfabeto chegou no interior de Sofala, começaram a surgir idades falsas manipuladas em função dos objectivos dos registos. Os europeus têm já por tradição registar-se logo ao nascer. E Vasco é um europeu apaixonado pela África, então...!

(continua)


 

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