Texto de Francisco Máximo
Fotos de Francisco Máximo e Grant Norvall
(1 de Março de 2008)
Um grupo de funcionários do Parque Nacional da Gorongosa decidiu passar um dia diferente e deslocar-se às cascatas para disfrutar o que a natureza tem para oferecer. E se o destino em si é razão suficiente para alegrar o espírito, o caminho que se tem que percorrer até lá chegar é razão bastante para satisfação.


Com efeito, atravessar picadas que rasgam campos cultivados, com aromas de chá, fruta e perfumes silvestres é apenas o início do despertar dos sentidos. Pelo meio ficam florestas densas, gente que nos saúda à passagem, pássaros diversos que nos presenteiam com a sua presença, rios que correm generosamente pelos leitos dilatados pela chuva.

A paisagem que nos leva até ao destino é verdadeiramente deslumbrante, em frente a Serra da Gorongosa que se ergue imponente no horizonte e atrás perde-se a vista pelas vastas planícies de Gorongosa, Chimoio e Manica.

Como já se referiu, se mais não houvesse, o passeio até aqui já teria sido razão bastante para a saída. Mas porque a natureza aqui é generosa no que tem para oferecer, espera-nos a cereja em cima do bolo: A cascata. Uma caminhada para desentorpecer as pernas que serpenteia um capim verdejante e vigoroso, que penetra na floresta densa, húmida e aromatizada. O som que se começa a ouvir deixa adivinhar o turbilhão de água que se aproxima. A emoção aumenta.
Chegados à cascata, o sentimento é de êxtase. A quantidade de água que brota da montanha é avassaladora. A altura, os vários patamares que forma, a floresta que a envolve deixa-nos mudos perante tal visão. Os sentimentos de harmonia e de respeito para com a natureza são totais.


Os apelos que a cascata faz para a disfrutar plenamente são irresistíveis e impõe-se um banho longo e revigorante. A alma parece querer sair para se juntar ao turbilhão da água enquanto o corpo se deixa ficar nas piscinas naturais escavadas laboriosamente ao longo de anos, verdadeiros jacuzzis naturais.



Relaxa-se, sorve-se o sol quente que acaricia a pele, perde-se o olhar nos vários arco-irís que se formam nos salpicos. Paz absoluta.
Entretanto, um camaleão incauto que caçava num ramo alto de uma árvore que se erguia nas rochas cai desajeitadamente na água. É imediatamente levado pela corrente forte que o arrasta para uma morte certa. Uma colega levanta-se imediatamente e resgata o camaleão dos remoinhos mortais. Deslocamo-nos todos para saudar o pobre coitado. Ele, parece agradecer carinhosamente a salvadora e não receia travar uma intimidade breve mas genuína e curiosa. Devolve-se o camaleão às suas origens com um sentimento de ternura e respeito por tão gracioso animal.

Tempo de regressar ao Parque, a alma transborda de emoções. No regresso proporciona-se o contacto mais intimo com os habitantes das comunidades, partilha-se água, comida, conhecimento e sorrisos, daqueles que nos fazem sentir abençoados pela vida.


Subitamente, e sem aviso, cai um pequeno sapo no capot do carro. A marcha é imediatamente interrompida e mais uma vez todos se deslocam para observar e saudar tão delicada criatura. O sapo, talvez por sentir que aquele grupo de humanos tem como missão a conservação, decide saltar e agradecer mais de perto um dos elementos do grupo. Acto tão repentino quanto surpreendente, instalou a alegria geral e libertou risos de satisfação.

Um dia em cheio. O regresso ao Parque para mais uma temporada de trabalho com o sentimento de que vale a pena e é um dever preservar a natureza em geral e este ecossistema único em particular.
