Por Carlos Lopes Pereira
Na maior parte das vezes, prestamos pouca atenção aos animais que há para além dos pássaros e mamíferos. Eu nutro bastante interesse por tartarugas, nomeadamente as aquáticas. Tal como os crocodilos, sobreviveram milhões de anos para chegar aos nossos dias. Estes espécimes são raramente encontrados aqui no Parque Nacional da Gorongosa.

Em quatro anos, avistei tartarugas apenas por duas vezes, em Março e em Abril (acaso mais alguém as terá visto?). Ao que parece, elas movimentam-se quando as águas recuam para lugares mais permanentes e quando põem os seus ovos. Uma encontrava-se na Estrada 4 e encontrei a segunda na Estrada3. O seu nome científico é Cycloderma frenatum, também Tartaruga de Carapaça Ondulada do Zambeze. Tenho as minhas dúvidas quanto a denominá-las C. Frenatum, já que a sua carapaça difere das das tartarugas classificadas e denominadas frenatum. Consulte http://www.chelonia.org/Cycloderma_gallery.htm. para ver fotos delas. Estou em contacto com especialistas nesta matéria e preciso de mais fotos do plastom (debaixo da carapaça). Se acaso avistar alguma, por favor, tire boas fotografias e diga-me onde a encontrou.

Alguma informação de história natural: este tipo de tartaruga faz o seu ninho no período de Dezembro a Março. Há relatórios que atestam que as fêmeas posicionam os ovos depois das chuvas, durante o período seco de 8 meses. O ninho inclui, normalmente, 15 a 25 ovos de casca delicada e esféricos, com cerca de 30 a 35 mm de diâmetro. As crias têm sido encontradas no período de Dezembro a Fevereiro. A sua carapaça mede uma média de 40 a 48 mm e possuem a mesma cor e padrão que os adultos, mas mais clara. A C. Frenatum é carnívora, alimenta-se de peixe, caracois aquáticos, mexilhão e possivelmente de amfíbios. Sachsse (1971) relatou que estas espécies não só fazem emboscadas a peixes (como o Chitra indica) mas também, se necessário, perseguem-nos por curtas distâncias. Estas tartarugas são tímidas e recolhem para a carapaça quando molestadas. A maior parte da sua vida é passada debaixo de lama ou areia. Lista Vermelha do IUCN (1996) Baixo risco: perto de serem ameaçadas.
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