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Serra da Gorongosa - Novas Oportunidades

De Jonathan Turner

ZZZzzt  Gorongosa Park and Mountain-(c) Jeffrey Barbeep_smallRecentemente tive a sorte e a honra de fazer parte da excursão inaugural à Serra da Gorongosa para ver o papa figos de cabeça verde, bem como desfrutar de outros aspectos mágicos da famosa serra mística.


O nosso pequeno grupo de 3 pessoas em dois veículos 4x4 tinha planeado visitar a Serra e o Parque Nacional da Gorongosa, como parte da nossa viagem de 5 semanas por Moçambique. Os meus pais tinham visitado o parque na década de 1950, antes da pilhagem da guerra ter trazido a sua destruição, e era na época (e agora com a Fundação Carr voltará a ser) o melhor de África. Um encontro fortuito com Hendrik Pott e vimo-nos inundados de hospitalidade, surgindo uma hipótese maravilhosa de subir a Serra da Gorongosa com Bart Wursten.


Jonathan turner compressedA Serra da Gorongosa é uma parte integrante de todo o ecossistema da Gorongosa, pois é a principal área de captação de água para o sistema de zonas pantanosas e planícies de inundação do Urema do Parque Nacional da Gorongosa. A serra encontra-se ameaçada com as insidiosas actividades de corte e queimada, que estão a progredir pelas encostas, e pudemos ver as evidências desta situação na nossa subida.


Bart explicou que se juntara à Fundação Carr com a responsabilidade de parar estas actividades de corte e queimada e substituí-las por uma alternativa de ecoturismo sustentável. Recentemente tinha sido concluído um acordo de introdução do ecoturismo com a comunidade que "controla" a metade ocidental da serra. A nossa excursão foi a viagem inaugural à luz deste acordo e a excursão, bem como o projecto global, receberam uma bênção espiritual numa cerimónia conduzida pelo chefe da comunidade, na manhã que antecedeu a nossa partida.


Ficámos impressionados com os objectivos e controlo associado ao projecto. As receitas das viagens de ecoturismo serão canalizadas para um fundo, que é administrado por uma comissão eleita pela comunidade, a ser utilizado para o progresso da comunidade.


A nossa excursão começou com a bênção e, em seguida, partimos da aldeia de Nhancucu, a uma altitude de 804 metros acima do nível do mar. O grupo era constituído por 8 pessoas, incluindo 3 carregadores da aldeia, sendo este um requisito obrigatório para assegurar o benefício directo dos membros da comunidade. Cinco dos elementos eram "pessoas da montanha": Bart, um veterano muito conhecedor e experiente, Jeff, um fotógrafo ao serviço da Fundação, Gavin, o meu irmão, Cynthia, a minha cunhada e eu. Os carregadores eram o José, Frenesto e António da aldeia do Nhancucu.


Na primeira meia hora caminhámos por áreas de terra cultivada e mucuna! Na hora e meia seguinte atravessámos pastos e terra parcialmente cultivada até ao limite da floresta, a uma altitude de 1038 m. Em seguida, nas 3 horas de caminhada seguintes passámos por belas florestas com enormes exemplares de árvores, tais como a Albizia schimperiana, Anthocleista grandiflora, Chrysophyllum gorungosanum e Brachystegia glaucescens, cujas copas proporcionavam total protecção. Saímos da floresta a uma altitude de 1704 m, chegando ao pasto montanhoso, onde Bart afirmou que se avistavam andorinhas azuis. A cerimónia de bênção inicial atrasou o nosso início e chegámos ao pasto às 17:00, quando o sol invernoso se estava a pôr. O cume estava provavelmente a 1 hora de distância e 100 m de altitude, mas tivemos de montar as tendas e nunca chegámos ao ponto mais alto. Para além do pasto existiam áreas com a Protea caffra, Widringtonia nodiflora e grandes áreas com a Strelizia caudata entre outras, bem como uma vista magnífica. A água fora escassa durante o percurso e tivemos de mandar os nossos carregadores ir buscar mais!


A flora da serra é única e por si só um postal.


À noite esfriou e o orvalho era denso, mas o nascer do sol foi inacreditável. A serra está frequentemente sob a chuva (cerca de 2000 mm anualmente) e névoa, mas o céu estava limpo sobre um lençol de nuvens por baixo de nós, espraiando-se pelo horizonte.


A viagem de regresso começou a seguir a uma hora de exploração do planalto de pastos e decorreu a um ritmo em que foi realmente possível aproveitar tudo. Fizemos um desvio por uma grande cascata e no total levámos 8 horas - significativamente mais tempo do que a subida. A distância em linha recta abrangida calculada a partir do Google Earth foi de 16 quilómetros, mas o trilho sinuoso provavelmente duplicou esse valor.


E quanto ao papa figos de cabeça verde? Este pássaro só existe na Serra da Gorongosa e está no topo da lista dos "mais desejados" de qualquer observador de pássaros sério. No entanto, não teria sido relevante para nós não ter avistado nenhum, já que sem o mesmo a experiência teria sido brilhante. Mas estava ali. Nas 6 a 7 horas que passámos na floresta calculámos que provavelmente ouvimos 20 papa figos de cabeça diferentes, cada um chamando a uma distância que permitiria a observação sem binóculos. Mas devido à folhagem só vimos um. Uma taxa de êxito de 5%. Mesmo com uma imitação assobiada muito deficiente do seu chamamento conseguimos mantê-lo na copa sobre nós, dentro e fora de visibilidade, durante provavelmente 20 minutos. Jeff comportou-se como se tivesse ganho o jackpot! Lembro-me do chamamento ser ligeiramente diferente da gravação Multimedia Roberts, embora fosse sem dúvida o chamamento de um papa figos de cabeça verde. Surgem muitos outros pássaros, mas é difícil avistar os pássaros da floresta.


Bart explicou isto, bem como os planos ambiciosos da Fundação para o futuro. O objectivo é estabelecer um acampamento base com cabanas a meio caminho na subida da serra, para tornar possível uma excursão de um dia, com o começo e regresso ao acampamento base no mesmo dia. Estão a ser considerados percursos com ou sem refeições, mas no primeiro caso serão sempre básicas. Ele gostaria que todos os percursos estivessem bem assinalados de modo acomodar excursões autónomas individuais para os que o preferirem. Também espera ampliar o conceito do ecoturismo à outra metade da serra, que é "controlada" por 2 comunidades diferentes e desenvolver trilhos de subida para múltiplos dias ao longo da serra. O elo comum será o ecoturismo sustentável que beneficia a comunidade e fornece uma alternativa à insidiosa desflorestação.


Até à materialização dos planos do Bart, qualquer pessoa que suba a serra deverá estar preparada para um percurso íngreme, uma noite fora e uma experiência fantástica.


Combinámos a excursão à serra com uma estadia no Parque Nacional da Gorongosa - outra jóia especial e diferente.

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