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Termiteiras: Estufas Agrícolas

de Bart Wursten

Termite_ZZZzzf  Gorongosa Park and Mountain-(c) Jeffrey BarbeepNa realidade, as termiteiras são estufas altamente organizadas onde as térmitas produzem activamente qualidades especiais de macrofungos. Muitas vezes, cada espécie de térmitas alimenta uma relação específica com uma espécie de fungos e assim existe uma família inteira de macrofungos, chamada Termitomyces, a qual evoluiu graças a estas relações. Muitos deles são comestíveis e os cogumelos (os corpos frutosos dos fungos), muitas vezes de grandes dimensões, são por vezes recolhidos e vendidos junto à estrada, ao longo do Parque Nacional da Gorongosa, durante a estação das chuvas.



 
As térmitas recolhem plantas mortas para alimentar os mais novos (ninfas), assim como a rainha reprodutora e os “reis”. O problema é que as próprias térmitas não são capazes de digerir as membranas de células de celulose das plantas mortas. É por isso que necessitam dos fungos. Debaixo de terra, o ninho consiste em vários andares, pelos quais o material é espalhado. O fungo cresce lá dentro e vive das partes não digestíveis, quebrando-as ainda mais. A pasta eventual que resulta deste quebrar é recolhida e dada como alimento à rainha e às térmitas ninfas. Por conseguinte, o fungo ajuda as térmitas e estas ajudam e perpetuam o ciclo de vida do fungo; é a simbiose perfeita no sentido de fazer com que o fungo prospere.

As térmitas são capazes de regular a temperatura e a humidade com precisão dentro da termiteira. Fazem-no abrindo e fechando centenas de aberturas nas elaboradas estruturas sobre a terra, que normalmente vemos. Estas estruturas são, na realidade, termostatos enormes. Foi demonstrado que as térmitas trabalhadoras são capazes de manter a temperatura constante dentro das zonas de crescimento dos fungos, com variações de meio grau. A humidade é mantida constante ao hidratar ou desidratar.  No Kalahari Central, as térmitas são conhecidas por terem poços com centenas de metros de profundidade no solo, com trabalhadores a irem para baixo e para cima para acrescentar terra húmida, a fim de aumentar a humidade.  


Termite_IMG_2388Ao construir as torres, as térmitas misturam solos argilosos com uma espécie de saliva endurecedora. É por isso que as termiteiras são tão duras e podem durar dúzias de anos depois das colónia que as ocupam terem morrido ou se tenham mudado para outro lado. A combinação de solos ricos em minerais e saliva com os despojos orgánicos das plantações de fungos e da colónia fazem com que as termiteiras sejam um lugar muito fértil, num ambiente que de outro modo seria infértil. É por isso que se vêem sempre árvores e arbustos a crescer em termiteiras. No caso de árvores grandes, não se trata, na maior parte das vezes, das térmitas terem construído a sua termiteira à volta da árvore. Na realidade, a montanha pode ter centenas de anos e estar desabitada de térmitas mas a árvore desenvolveu-se a partir do solo que é rico. Muitas espécies de arbustos e árvores estão estreitamente ligadas às termiteiras. Outras espécies normalmente restritas a zonas ribeirinhas podem ser encontradas longe de um rio mas apenas se estiverem associadas a uma termiteira. Assim sendo, as termiteiras são, não só agricultores mas também paisagistas a longo prazo muito importantes. Em terras inundadas ou pantanosas, como a Gorongosa ou o Delta Okavango no Botswana, as térmitas, ao longo de dezenas de milhar de anos, redefinem os fluxos de cursos de água e a forma das ilhas.


Uma colónia de térmitas sobrevive enquanto houver uma rainha e uma colónia sustentável. Para combater problemas de sobrepopulação e no intuito de espalhar os genes para outras áreas, outro fantástico fenómeno se verifica: normalmente, quando começam as chuvas, uma percentagem de térmitas trabalhadoras e soldados transformam-se e passam a ter asas. Durante esta fase, ambos os machos e as fêmeas estão em período de fertilidade. As térmitas com asas são chamadas alates (aladas) e centenas de milhar delas voam para fora da colónia. Cerca de 99.9 por cento acabarão em festim para os outros insectos, aranhas, répteis, rãs, pássaros, mamíferos e até para pessoas que fazem delas o seu alimento. Os machos e fêmeas alates encontram-se através de sinais químicos e os que têm muita sorte (poucos são os que acabam por encontrar um lugar adequado debaixo da terra) poderão iniciar uma nova colónia. Produzirão descendência para começar uma força de trabalho e transformar-se-ão eventualmente nos próximos rei e rainha.
  
Então e o fungo? De onde vem? Antes de cada alado voar para fora da antiga colónia, armazena corpos reprodutivos do fungo numa cavidade própria no tórax, para que assim os possa transportar consigo quando se vai embora.

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