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      <title>Crónicas da Gorongosa</title>
      <link>http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/</link>
      <description>por Celestino Gonçalves</description>
      <language>pt</language>
      <copyright>Copyright 2009</copyright>
      <lastBuildDate>Sat, 30 Aug 2008 00:22:16 +0000</lastBuildDate>
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         <title>13 - LIVROS SOBRE FAUNA BRAVIA, CAÇA E CAÇADORES DE MOÇAMBIQUE</title>
         <description><![CDATA[<div class="post-header-line-1"></div>
<div class="post-body entry-content">
<div align="center"><br /><br /></div><br />
<div align="center"><a href="http://3.bp.blogspot.com/_DDIS_FE7C_c/SJ-MTeTQ9PI/AAAAAAAAC1Y/AjJ6lnDE60k/s1600-h/C_1_Capa+I++e+II.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233055558207075570" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 358px; CURSOR: hand; HEIGHT: 232px; TEXT-ALIGN: center" height="283" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_DDIS_FE7C_c/SJ-MTeTQ9PI/AAAAAAAAC1Y/AjJ6lnDE60k/s320/C_1_Capa+I++e+II.jpg" width="454" border="0" /></a></div>
<div align="center"><br /><br />CAMBACO I<br />Editado em 1982<br /><br />CAMBACO II<br />Editado em 1996<br /></div>
<div align="center"><br /><br /></div><br />
<p align="center"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233056188493212674" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 284px; CURSOR: hand; HEIGHT: 334px; TEXT-ALIGN: center" height="221" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_DDIS_FE7C_c/SJ-M4KTMLAI/AAAAAAAAC1g/APB9IKkycrs/s320/Foto_1.jpg" width="188" border="0" /><br />AUTOR<br /><font size="6"><span style="FONT-SIZE: 130%"><span style="FONT-SIZE: 180%; COLOR: #009900"><strong>José Pardal</strong></span><br /></span><br /></font>Editor: MEIBÉRICA &ndash; LIBER EDITORES, Lda<br />Av. Álvares Cabral, 84, r/c Dt&ordm; - 1250 LISBOA<br /><br /></p><br />
<p align="center"><br /><font size="4"><strong><span style="FONT-SIZE: 130%">1- BREVES NOTAS ACERCA DO AUTOR </span></strong><br /><br /></font></p><br />
<p align="justify"><span style="FONT-SIZE: 130%"><strong><font size="4">José da Cunha Pardal</font></strong></span> &ndash; Zé Pardal para os amigos e Mestre Pardal para as sucessivas gerações de alunos da Escola e Instituto Comercial de Lourenço Marques (actual Maputo) que o tiveram como professor - é uma figura que dispensa apresentação especial para quem viveu na capital de Moçambique durante os últimos quarenta anos do período colonial, dada a sua popularidade alcançada tanto na área do ensino como nas actividades da caça!<br /><br /><a href="http://1.bp.blogspot.com/_DDIS_FE7C_c/SJ-NKshN3II/AAAAAAAAC1o/JU0Ehr9zqWg/s1600-h/Foto_2.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233056506916494466" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_DDIS_FE7C_c/SJ-NKshN3II/AAAAAAAAC1o/JU0Ehr9zqWg/s320/Foto_2.jpg" border="0" /></a>Para além de se ter tornado um excelente caçador de elefantes, o Zé Pardal dedicou grande parte da sua vida em Moçambique à defesa e conservação da vida selvagem do território, como vogal dos organismos de tutela e consultivo deste sector, respectivamente, Comissão Central de Caça e Conselho de Protecção da Natureza. Para estas funções ele fora nomeado em representação dos caçadores, facto que, só por si, lhe granjeava a admiração e respeito dos muitos milhares de praticantes do desporto caça.<br /><br />Não é demais afirmar que o Zé Pardal fez parte de um punhado de excepcionais caçadores de elefantes que actuaram em Moçambique no século passado, de entre eles me ocorrem os nomes de alguns, como: Harry Manners, José Afonso Ruiz, Orlando Cristina, Manuel Maria Nunes, Virgílio Garcia, Pierre Maia, Gustavo Guex e Francisco Daniel Roxo.<br /><br />Em relação a todos estes o Zé Pardal leva a vantagem de ter sido um estudioso de balística, sabendo como melhor utilizar as armas e munições para determinadas situações ou posição dos elefantes, chegando ao ponto de, ele próprio, fabricar e carregar os seus projécteis, balanceando-os em função dos estudos de impacto e perfuração que ao longo dos anos foi fazendo. Este aspecto tornou-o conhecido e respeitado no mundo da caça e por isso muitas vezes solicitado a proferir palestras e escrever artigos de grande craveira científica. É, ainda hoje, um assíduo colaborador da revista portuguesa &ldquo;Calibre 12&rdquo;! </p><br />
<p align="justify"><a href="http://4.bp.blogspot.com/_DDIS_FE7C_c/SJ-Nibj1iMI/AAAAAAAAC1w/4K5SNep1Mgc/s1600-h/Foto_3.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233056914680940738" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_DDIS_FE7C_c/SJ-Nibj1iMI/AAAAAAAAC1w/4K5SNep1Mgc/s320/Foto_3.jpg" border="0" /></a>Conheci o Zé Pardal em 1955, exactamente durante as provas de concurso para fiscal de caça, a que concorri e ele era membro do respectivo júri na qualidade de vogal da Comissão Central de Caça.</p>
<p align="justify"><br />Antes disso ouvira muitas vezes falar dele e as referências que tinha levaram-me a ter por este homem um elevado respeito e admiração.<br /><br />O nosso relacionamento institucional, iniciado depois da minha entrada para os quadros da fiscalização da caça, em 1957, depressa conduziu a uma amizade que se mantém até aos dias de hoje e inclui a sua simpática esposa, a Maria Amélia.<br /><br />Alguns anos depois do seu regresso a Portugal, resultante da independência de Moçambique em 1975, visitei o casal na sua confortável residência às portas de Lisboa e foi um desfiar de recordações! </p><br />
<p align="justify">Posteriormente, em 1995, voltei à sua casa para o felicitar pela sua excelente obra &ldquo;Cambaco I&rdquo;, cujo volume levei debaixo do braço para o indispensável autógrafo, que foi assim:<br /><br /></p><br />
<p align="justify"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5234159135347046546" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_DDIS_FE7C_c/SKN4AHg5-JI/AAAAAAAAC4I/asRibmDFvlI/s320/C_1_Dedicat%C3%B3ria.jpg" border="0" /><br />Os anos passaram ligeiros como o vento nas estepes africanas e eis que estamos no ano da graça de 2008!<br /><br />Entretanto, em 1996, o Zé Pardal publicou o &ldquo;Cambaco II&rdquo;, outro sucesso que correu mundo visto que foi traduzido, tal como o "Cambaco I", em duas das principais línguas universais: inglês e espanhol.<br /><br /><a href="http://2.bp.blogspot.com/_DDIS_FE7C_c/SJ-N5ma6_yI/AAAAAAAAC14/JWpXPdRKhtw/s1600-h/Foto_8.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233057312733331234" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_DDIS_FE7C_c/SJ-N5ma6_yI/AAAAAAAAC14/JWpXPdRKhtw/s320/Foto_8.jpg" border="0" /></a> Por descuido meu não adquiri esta segunda obra na altura em que foi lançada. Depois dessa fase desapareceu do mercado e só agora, com a nova visita que lhe fiz, passou a fazer parte do meu acervo graças à generosa oferta do autor, que previamente lhe colocou a sua chancela por baixo de uma simpática dedicatória, também assinada pela Maria Amélia ! </p><br />
<p align="justify">Não obstante os anos que já passaram e o profundo desgosto que sentem pelo afastamento forçado de Moçambique nas condições que são conhecidas daqueles que viveram o trauma da descolonização mal conduzida pelos governantes da época, ambos conservam nos seus rostos serenos a felicidade das suas vidas! </p><br />
<p align="center"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233057991018375794" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_DDIS_FE7C_c/SJ-OhFOranI/AAAAAAAAC2A/ahE4CPhxRZE/s320/Casal-Pardal.jpg" border="0" /></p><br />
<p align="center"><font size="2"><span style="FONT-SIZE: 85%"><strong><span style="COLOR: #ff0000">O simpático casal &ndash; Zé Pardal e Maria Amélia.</span></strong> </span><br /></font></p><br />
<p align="justify">Bem me enganei quando, antes de lhe telefonar a anunciar a visita, pensei que iria encontrar o casal abatido pelo peso dos anos e o desgosto de viverem longe da sua terra amada! Pelo contrário, ambos conservam a jovialidade de duas ou três décadas antes, o que me deixou surpreendido, cheio de inveja, mas feliz! </p><br />
<div align="justify">A bela tarde que passei com estes velhos amigos trouxe-me à memória esses tempos em que ambos éramos novos e tínhamos ideais comuns, sobretudo os de conservação da vida animal selvagem de Moçambique, onde estivemos envolvidos com grande paixão e entusiasmo e nos empenhados por fazer o nosso melhor.<br /><br />Mas não só, também tínhamos um <em>hobby </em>que contribuiu para uma mais estreita amizade, que era a fotografia. No pequeno laboratório da sua casa da Fernandes Tomas, em Lourenço Marques, passamos muitas horas lidando com as revelações, os negativos e as reproduções de fotos, um passatempo que se transformou numa paixão depois que recebi mais lições do mestre Ricardo Rangel e mais tarde do Xico Magalhães, em Vila Pery. </div>
<div align="justify"><br /></div>
<p align="justify"><a href="http://1.bp.blogspot.com/_DDIS_FE7C_c/SLNM39Xo4JI/AAAAAAAAEZo/nwtnbXnJfYA/s1600-h/Foto_4.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5238615315812245650" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_DDIS_FE7C_c/SLNM39Xo4JI/AAAAAAAAEZo/nwtnbXnJfYA/s320/Foto_4.jpg" border="0" /></a>O entusiasmo pela fotografia foi tal que antes da minha partida para o Norte, em 1957, resolvi apetrechar-me do material necessário para um pequeno laboratório amador, assim como de uma máquina de 35 mm que substituíu a velha e anacrónica Kodak 6x6 que possuía. O próprio Pardal me vendeu a sua "Clarus", uma famosa máquina americana em aço inox, equipada com três lentes, uma delas teleobjectiva ideal para captar imagens a média distância. O bonito e resistente estojo em cabedal rígido, vinha repleto de pertences, tais como filtros, fotómetro, pinceis de limpeza, borracha de ventilação, etc. Era a máquina ideal para me acompanhar nas campanhas do mato que iria ter pela frente, visto que fora concebida para suportar a dureza das reportagens nas frentes de combate durante a segunda guerra mundial.<br /><br /></p>
<div align="justify">Ao Zé Pardal devo grande parte deste entusiasmo!<br /></div>
<div align="justify"><br /></div>
<p align="center"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233209210574815890" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_DDIS_FE7C_c/SKAYDN-dQpI/AAAAAAAAC2Y/p2ZA9SbBsWw/s320/Foto-da-Clarus.jpg" border="0" /></p><br />
<p align="center"><font size="2"><span style="FONT-SIZE: 85%"><strong><span style="COLOR: #ff0000">Uma das minhas fotos favoritas, tirada com a "Clarus" em 1958, em Montepuez. Um contra luz sem filtro, que apesar do desgaste de 50 anos aos trambolhões, ainda mostra a excelência da lente e do sistema de velocidade!</span></strong></span><br /></font></p><br />
<p align="justify">A facilidade que passei a ter, de fazer as minhas próprias fotografias com considerável economia, levou-me, ao longo de quase vinte anos de vivência no interior de Moçambique, a encher álbuns sobre álbuns que deixaram de caber nas exíguas estantes das casas que habitava, depois a encher as gavetas destinadas às roupas e por fim a meter as fotos em caixas de sapatos!<br /></p><br />
<p align="justify">Ao longo de meio século que já passou desde o início dessa fobia, consegui desfazer-me de uma boa parte desse espólio, dando-o aos filhos e às netas, mas ainda vivo atolado nesses arquivos que já cheiram a bafio!</p><br />
<p align="justify">Felizmente que as novas tecnologias do digital acabaram com tudo isso!<br /></p><br />
<div align="center"><br /><br /></div><br />
<div align="center"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233059462770557266" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_DDIS_FE7C_c/SJ-P2v7vgVI/AAAAAAAAC2Q/iNcBhOyMZEE/s320/Com+o+Z%C3%A9+Pardal.jpg" border="0" /><font size="2"><span style="FONT-SIZE: 85%; COLOR: #ff0000"><strong>A foto que se impunha - os velhos "cambacos" juntos!</strong></span><br /></font></div><br />
<div align="justify"><br />Para além das muitas pessoas do nosso tempo que recordámos durante a maravilhosa tarde passada com o simpático casal, uma figura especial mereceu particular atenção: o saudoso Francisco Pardal, irmão do José Pardal!<br /><br />O Xico Pardal (como era tratado pelos familiares e amigos), foi o melhor taxidermista de sempre em Moçambique, com reputação mundial. Teve a sua oficina/atellier na cidade da Beira, centro nevrálgico das actividades cinegéticas de Moçambique. Os trabalhos ali executados em qualquer montagem parcial ou total dos grandes, médios ou pequenos animais, obedeciam à melhor tecnologia das famosas taxidermias americanas e espanholas, graças aos conhecimentos e permanente aperfeiçoamento do Xico nesta matéria. Daí ser muito requisitado pelos mais exigentes caçadores que efectuavam safaris de caça em Moçambique.</div><br />
<p align="justify"><br />O prestígio alcançado pelo Xico Pardal, na área da taxidermia, muito contribuíu para o bom nome da indústria dos safaris de caça no território, que durante os quinze anos que precederam a independência em 1975, foi considerado o destino preferido dos amantes da caça africana. O mano Zé, naturalmente orgulhoso disso, não deixou de lhe prestar a merecida homenagem na sua obra!<br /></p>
<div align="center"><br /></div><br />
<p align="center"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233234840427033762" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_DDIS_FE7C_c/SKAvXEnZ9KI/AAAAAAAAC2g/cYR3At8JRew/s320/C_1_Irm%C3%A3os+Pardal_1.jpg" border="0" /><br /><span style="FONT-SIZE: 85%; COLOR: #ff0000"><strong><font size="2">Os manos Pardal - Foto extraída do Livro "Cambaco I" </font></strong></span></p><br />
<p align="center"><strong><span style="FONT-SIZE: 85%; COLOR: #ff0000"></span></strong><br /></p><br />
<div align="center"><br /><strong><span style="FONT-SIZE: 180%">2 &ndash; IMPRESSÕES ACERCA DAS OBRAS </span></strong></div><br />
<div align="center"><font size="5"><br /></font></div><br />
<p align="justify">Os &ldquo;Cambacos&rdquo; do José Pardal são, por ventura, as obras mais interessantes e genuínas que se escreveram sobre a caça em Moçambique!<br /><br />Convém esclarecer que a palavra &ldquo;caça&rdquo; tem conotação apenas com o acto de caçar e não com os animais (fauna bravia), uma terminologia que no passado foi muito comum para as duas coisas mas que actualmente já não se aplica desta maneira.<br /><br />Ambos os volumes estão recheados de histórias de caça e de relatos da vivência do autor e de sua família (mulher e dois filhos) no mato em Moçambique. Algumas dessas histórias transmitem com grande fidelidade as emoções e os perigos vividos pelo autor durante as caçadas aos grandes animais, sobretudo elefantes, a espécie maior a que se dedicou ao longo dos anos e o tornou um dos maiores caçadores do seu tempo.<br /></p><br />
<div align="center"><br /></div><br />
<p align="center"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233381025756570722" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_DDIS_FE7C_c/SKC0ULZ9ZGI/AAAAAAAAC2w/Q5EmNcm-GNU/s320/Cambaco+II.jpg" border="0" /></p><br />
<div align="center"><font size="2"><span style="FONT-SIZE: 85%; COLOR: #ff0000"><strong>José Pardal, o grande caçador de elefantes!</strong></span><br /></font></div><br />
<div align="center"><font size="2"><span style="FONT-SIZE: 85%; COLOR: #ff0000"><strong>(Foto do livro "Cambaco I"</strong><span style="FONT-SIZE: 100%; COLOR: #000000">)</span></span><br /></font></div><br />
<div align="justify">O José Pardal é um escritor nato, que sabe transmitir, por palavras adequadas e carregadas de emoção, os mais ínfimos pormenores dos acontecimentos que ele próprio viveu, a maior parte deles recheados de perigos, sobretudo quando relata as caçadas que lhe causaram grandes arrepios e perigaram a sua vida e dos seus acompanhantes.<br /><br />Por outro lado, o autor valoriza as suas narrativas com um toque de romantismo de rara sensibilidade, só possível a quem viveu e saboreou tão apaixonadamente toda a beleza do interior de África, o contacto com populações no seu estado de pureza e cultura ancestral e observou as mais belas cenas da vida animal selvagem que só nesse profundo interior podem ser vistas!<br /><br />Mas não só, o José Pardal, a cada passo das suas histórias, dá-nos a grande lição de humildade, de franqueza e de pureza de sentimentos ao valorizar essa gente fantástica do interior com quem conviveu e de quem recebeu ensinamentos preciosos, realçando as amizades que construiu com os seus pisteiros e moradores dos locais onde acampava e caçava.<br /><br />A atracção que o Zé Pardal teve desde muito novo pela caça e pela vida simples do interior de Moçambique, foi seguida pela mulher e filhos, um clã que ao longo dos anos fez as suas férias nos acampamentos e todos vieram a ser caçadores. Jamais usufruiram das licenças graciosas à metrópole a que tinham direito e este aspecto é salientado pelo autor com grande orgulho porque, dessa forma, construiu uma família unida e cheia de amor!<br /><br />Melhor que as minhas palavras, são as transcrições que se seguem de alguns trechos de ambos os volumes. A narrativa sobre o "O Elefante que estava ao Lado" é um caso que se repetiu com muitos caçadores de elefantes, alguns mesmo pagaram com a própria vida porque algo falhou na avaliação correcta da situação no momento crucial de disparo. Esta breve amostra deixa claro o valor destas duas obras e aguça a curiosidade para a próxima publicação, que irá surgir em breve e que o autor diz ser uma condensação dos dois volumes, aumentada substancialmente de narrativas de outros acontecimentos da sua vida sertaneja, de aventuras e observações, quer como caçador quer como estudioso do inestimável património que a natureza nos legou - a fauna bravia.<br /></div><br />
<div align="justify">Será, certamente, mais um trabalho de grande craveira que os apreciadores não vão deixar de ler e de ter nos seus escaparates!<br /><br />Força Zé Pardal!<br /><br />Marrabenta, Agosto de 2008<br /><br />Celestino Gonçalves</div><br />
<div align="center"><br /><br /></div><br />
<div align="center"><br /><span style="FONT-SIZE: 180%"><strong>3 &ndash; REPRODUÇÕES DO &ldquo;CAMBACO I&rdquo; </strong></span></div><br />
<div align="center"><font size="5"><br /><br /><br /></font></div><br />
<div align="left">3.1 - DEFINIÇÃO DA PALAVRA &ldquo;CAMBACO&rdquo; </div><br />
<div align="center"><br /></div><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233387846119098466" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_DDIS_FE7C_c/SKC6hLPGiGI/AAAAAAAAC24/X2DD0JbK_Ks/s320/C_1_Defini%C3%A7%C3%A3o+de+Cambaco.jpg" border="0" /><br />3.2 &ndash; DEFINIÇÃO DE &ldquo;CAÇADOR&rdquo;<br /><br /><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233388545748150466" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_DDIS_FE7C_c/SKC7J5jqqMI/AAAAAAAAC3A/zML0TZWfEDw/s320/C_1_Defini%C3%A7%C3%A3o+ca%C3%A7ador.jpg" border="0" /><br />3.3&ndash; NOTA DO EDITOR<br /><br /><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233390339118392578" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_DDIS_FE7C_c/SKC8ySYc5QI/AAAAAAAAC3I/EdwHLM7sjSY/s320/C_1_Nota+Editor.jpg" border="0" /><br />3.4&ndash; PREFÁCIO<br /><br /><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233391054551365570" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_DDIS_FE7C_c/SKC9b7k9t8I/AAAAAAAAC3Q/CqmjLtbZdgA/s320/C_1_Pref%C3%A1cio.jpg" border="0" /><br />3.5 - INTRODUÇÃO<br /><br /><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233392015135345250" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_DDIS_FE7C_c/SKC-T2CCCmI/AAAAAAAAC3Y/gXl0kDQShZM/s320/C_1_Introdu%C3%A7%C3%A3o.jpg" border="0" /><br />
<p align="center"><br /><br /><br /><span style="FONT-SIZE: 180%"><strong>4 &ndash; REPRODUÇÕES DO &ldquo;CAMBACO II&rdquo; </strong></span></p><br /><strong><span style="FONT-SIZE: 180%"></span></strong><br /><br /><br />4.1 - RETRATO A ÓLEO DO AUTOR<br /><br /><br /><br /><br />
<p><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5238606482809305474" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 281px; CURSOR: hand; HEIGHT: 381px; TEXT-ALIGN: center" height="360" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_DDIS_FE7C_c/SLNE1z3oOYI/AAAAAAAAEZI/kqnlmTfLPZA/s320/Retrato+a+%C3%93leo.jpg" width="256" border="0" />4.2 - NOTA DO AUTOR<br /></p><br />
<p><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5238607189215402322" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_DDIS_FE7C_c/SLNFe7b92VI/AAAAAAAAEZQ/mfwE9krA-nE/s320/C_II+-+Nota+do+autor.jpg" border="0" />4.3 - NOTA DO EDITOR</p><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5238607902102367474" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_DDIS_FE7C_c/SLNGIbJdrPI/AAAAAAAAEZY/s-nF8qRc0Tw/s320/C_II+-+Nota+do+Editor.jpg" border="0" /><br />4.4 &ndash; CAPÍTULO II &ndash; O ELEFANTE QUE ESTAVA AO LADO<br /><br /><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233392964934099682" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_DDIS_FE7C_c/SKC_LITs4uI/AAAAAAAAC3g/gKzXklE6w2M/s320/O+Elefante_1.jpg" border="0" /> <img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233393695556473954" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_DDIS_FE7C_c/SKC_1qFplGI/AAAAAAAAC3o/1C21ddD1E1Y/s320/O+Elefante_2.jpg" border="0" /> <img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233394294184352242" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_DDIS_FE7C_c/SKDAYgJqGfI/AAAAAAAAC3w/Rn4vQRTFzNw/s320/O+Elefante_3.jpg" border="0" /><br /><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233395151888666482" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_DDIS_FE7C_c/SKDBKbWTT3I/AAAAAAAAC34/vY20SFFzVh8/s320/I+Elefante_4.jpg" border="0" /><br /><br /><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233395817041208642" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_DDIS_FE7C_c/SKDBxJPBpUI/AAAAAAAAC4A/fSfeTLudK5A/s320/O+Elefante_5.jpg" border="0" /> <img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5238609804609330322" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" height="229" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_DDIS_FE7C_c/SLNH3KieHJI/AAAAAAAAEZg/Ke_ALWaODLg/s320/Cabaco+I_1.jpg" width="295" border="0" /><br /><br />
<p align="center"><br /><span style="FONT-SIZE: 180%">FIM</span> </p>
<div style="CLEAR: both"></div></div>]]></description>
         <link>http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/2008/08/13_livros_sobre_fauna_bravia_c.html</link>
         <guid>http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/2008/08/13_livros_sobre_fauna_bravia_c.html</guid>
        
        
         <pubDate>Sat, 30 Aug 2008 00:22:16 +0000</pubDate>
      </item>
            <item>
         <title>12 - AFRICAN TRAILS - A HISTÓRIA DO SEU AUTOR</title>
         <description><![CDATA[<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
<p align="center"><img alt="11+-+African+Trails" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/11_2B_2D_2BAfrican_2BTrails.jpg" border="0" /></p>
<p>&nbsp;<br /><br /></p>
<div align="center"><strong><span style="FONT-SIZE: 180%"><font size="6">AFRICAN TRAILS</font></span></strong> <br /><br /></div>
<div align="center">Autor <br /></div>
<div align="center"><span style="FONT-SIZE: 180%"><strong><font size="6">FRANCISCO MAGALHÃES</font></strong></span> <br /><br /><span style="FONT-SIZE: 180%"><strong><span style="FONT-SIZE: 130%"><font size="6">(XICO) </font></span></strong></span></div><br />
<p align="center"><strong><span style="FONT-SIZE: 130%"><font size="4">(Caçador desportista)</font></span></strong> <br /></p><br /><br />
<div align="center">Ano: 1996 (Edição em inglês, esgotada) <br />Edição em português: no prelo (Brasil) <br /></div><br /><br /><br />
<p align="left">&nbsp;</p>
<p align="center"><img height="229" alt="Xico_Capa" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Xico_Capa.jpg" width="348" border="0" /></p><br /><br /><br />
<p align="left"><strong><span style="FONT-SIZE: 180%"><font size="6">1</font></span> - BREVES NOTAS SOBRE O LIVRO</strong> <br /></p><br /><br />
<div align="justify">Este interessante livro relata a experiência do autor como caçador desportista em Moçambique durante os últimos quinze anos da administração colonial portuguesa (1960/1975). Trata-se de uma obra cuja edição foi feita em Inglaterra em circunstâncias que prejudicaram os direitos do autor, levando-o a processar a editora e em consequência disso encontram-se suspensas as vendas e as reedições em língua inglesa. Entretanto e dado o sucesso alcançado no Brasil, o autor tem já no prelo a reedição (melhorada) em português, esperando-se que sai-a em breve. </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Alguns dos relatos das caçadas referem a participação do autor nos trabalhos das brigadas de controle dos animais, sobretudo elefantes, que estavam a meu cargo na província de Manica e Sofala, alguns deles na área do Parque Nacional da Gorongosa. Também revela a sua grande paixão pelo mesmo Parque com cuja administração colaborou tanto em trabalhos da sua profissão, que foram as instalações eléctricas em alguns edifícios do Chitengo e nos da Bela-Vista, como na elaboração dos mapas das picadas com desenhos dos animais mais representativos. Esses mapas, tal como um outro abrangendo toda a província, foram oficializados e vigoraram até muito recentemente. </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">A descrição pormenorizada que ali se faz das regiões de caça frequentadas pelo autor e do seu potencial faunístico, são um excelente contributo para os estudos que se venham a fazer nessas mesmas áreas, sobretudo para localização de algumas espécies raras que sofreram elevado desbaste durante a guerra civil que grassou no país desde 1977 a 1992.</div><br /><br /><br />
<div align="left"><strong><span style="FONT-SIZE: 180%"><font size="6">2 - </font></span><span style="FONT-SIZE: 130%"><font size="4">O QUE ESCREVI ACERCA DO XICO NO ANO 2000 (*)</font></span></strong></div><br /><br />
<div align="justify">Nascido em Moçambique, em 1936, desde criança que o Xico se habituou a conviver com a natureza e logo se apaixonou pela caça. Seu pai foi chefe de posto administrativo e viveu em regiões das mais famosas em fauna bravia, como Marromeu, Lacerdónia, Inhaminga, Gorongosa, Vila Machado e por último Vila Pery, actual Chimoio. </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Caçador desportista por excelência, estudioso e apaixonado pelos problemas da fauna bravia, depressa despertou a minha atenção após a chegada a Vila Pery no início de 1963. Para além da caça tinha ainda outra grande paixão: a fotografia ! Raramente se encontravam, no seio dos caçadores, indivíduos com estes atributos ! </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">O Xico era um profissional do ramo da electricidade, com formação superior obtida na África do Sul. Esta sua actividade contribuiu também para a nossa aproximação: elaborou e executou projectos de electrificação para o Parque Nacional da Gorongosa, - a cuja administração estive ligado nessa altura - e também para o Posto de Fiscalização de Caça de Vila Pery. <br /></div>
<div align="justify">Conhecedor das áreas de caça da região e do seu potencial faunístico, foi o meu melhor colaborador na identificação das mesmas, quer elaborando mapas e gráficos, quer acompanhando-me nas deslocações, sobretudo quando havia operações de controle de animais em defesa de pessoas e bens, muito frequentes naquela zona central de Moçambique. </div>
<p align="center"><img style="WIDTH: 364px; HEIGHT: 238px" height="167" alt="Acampamento_Com Gonçalves" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Acampamento_Com_20Gon_E7alves.jpg" width="364" border="0" /></p>
<p align="center"><font color="#ff0000">O Xico com o autor num dos acampamentos de controle de animais em defesa de pessoas e bens</font></p>
<div align="justify"><br />No escritório-laboratório da residência da família Magalhães &ndash; uma das melhores da cidade - passámos muitas horas ao serão, revelando filmes e fazendo fotos e mapas ilustrados com desenhos dos animais típicos das respectivas áreas. Muitos destes trabalhos foram oficializados e alguns deles ainda estão em uso, nomeadamente os respeitantes aos Parques Nacionais, Reservas e Coutadas. O Xico era perito nestes trabalhos e executava-os com grande satisfação, nunca tendo cobrado por eles qualquer importância ! </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Dizia-me que a melhor recompensa que podia receber era a nossa confiança e o reconhecimento das suas virtudes como caçador desportista, respeitador das leis da caça e simultaneamente como conservador da fauna bravia. Não tive pois qualquer dúvida em lhe facultar a realização de alguns dos seus sonhos, integrando-o muitas vezes nos meus trabalhos de controle de animais de grande porte, nomeadamente de elefantes, quando em defesa de pessoas e bens. Foi um dos raros caçadores estranhos aos Serviços da Fauna a quem facultei semelhante participação, durante a minha actividade e a sua preciosa ajuda revelou-se sempre muito útil e confirmou o seu valor como caçador. </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Publicou em 1996 um interessante livro, em inglês, sobre as suas aventuras como caçador, com o título &ldquo;African Trails&rdquo;, descrevendo ali algumas experiências sobre a sua participação naquelas brigadas. Está a preparar a edição em português. </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Saiu de Moçambique em 1976, em circunstâncias que muito o traumatizaram e que deixou transparecer naquele mesmo livro. </div>
<div align="justify"></div>
<div align="justify"></div>
<div align="justify">Vive há largos anos no Brasil, provavelmente sonhando com a sua terra natal e com os belos momentos que ali passou nas caçadas que tanto o emocionavam! Pela admiração e respeito que sempre me mereceu e pela amizade recíproca que ao longo dos anos temos mantido, o primeiro lugar neste álbum dificilmente poderia ser ocupado por outro !</div>
<div align="justify"></div>
<div align="justify">Voltarei, em local diferente, a falar do Xico e de seus saudosos pais ! </div><br /><em>(*) - Álbum n&ordm; 1 da série "ÁLBUM DE RECORDAÇÕES" do meu site </em><a href="http://www.geocities.com/Vila_Luisa"><em></a></em><em><a href="http://www.geocities.com/Vila_Luisa"><font color="#445566">www.geocities.com/Vila_Luisa</font></em></a><strong><span style="FONT-SIZE: 180%"></span></strong></a> <br /><br /><br /><br /><br /><br />
<div align="justify"><strong><span style="FONT-SIZE: 180%"><font size="6">3 - </font></span><span style="FONT-SIZE: 130%"><font size="4">VOLTANDO A FALAR DO XICO E DA FAMÍLIA</font></span> </strong></div><br /><strong>
<div align="justify"><br /></strong>Volvidos oito anos após aquela publicação, a promessa de voltar a falar do Xico e de seus saudosos pais cumpre-se agora. Faço-o com satisfação redobrada porque ao longo destes anos recebi imensas mensagens de amigos comuns para saberem notícias dele, alguns antigos colegas de escola que sem dúvida vão gostar de ter mais informações. E porque já visitei o Xico na sua terra de adopção, o Brasil, em 2006, em retribuição de três visitas que dele recebi aqui em Portugal, tenho motivos adicionais para enriquecer a pequena biografia que abriu os "Álbuns de Recordações" do meu site no ano 2000.</div>
<div align="justify"></div>
<div align="justify"></div>
<div align="justify"></div>
<div align="justify">Voltando aos tempos de Vila Pery para descrever a família Magalhães (casal e dois filhos), queria dizer que este clã desfrutava de grande simpatia da parte da população da bela cidade do planalto de Chimoio, em cujo meio se encontrava radicado desde o início da década de 30 (o Xico nasceu lá em 1936). <br /></div>
<div align="justify"><img style="WIDTH: 212px; HEIGHT: 293px" height="450" alt="Pai Magalhães" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Pai_20Magalh_E3es_small2.jpg" width="395" border="0" />&nbsp;O&nbsp;patriarca, <strong>António Correia de Sousa Magalhães</strong> (conhecido por "Magalhães Careca"), descendente de uma antiga família cuja árvore genealógica revela ligação à irmã do navegador português Fernão de Magalhães, foi para Moçambique depois de ter feito os seus estudos para oficial da Marinha nos anos em que algumas figuras conhecidas, como o antigo presidente da república Almirante Américo Tomaz, igualmente fizeram tal formação. Seguiu contudo a carreira administrativa como chefe de posto da Companhia de Moçambique, mas quando esta majestática foi integrada no Estado, em 1941, ele abandonou a carreira e fixou-se em Vila Pery (então uma pequena vila) para se dedicar à indústria de madeiras, construção civil e outras actividades imobiliárias. Um dos seus melhores negócios (assim o dizia), foi a compra da fazenda "Mandigos", que inicialmente pertencera aos caminhos de ferro de Moçambique e depois aos irmãos Fernandes até chegar às suas mãos. Uma propriedade de grandes dimensões situada na parte sul da vila e dividida desta apenas pela estrada Beira-Rodésia, que adquiriu justamente por antever o desenvolvimento da futura cidade capital do Chimoio e a sua importância como área de expansão da mesma. </div>
<div align="justify"><br />O sucesso das suas empresas depressa o tornaram uma figura bem conhecida e admirada não só na vila mas ao nível da província de Manica e Sofala que abrangia praticamente todo o centro de Moçambique (entre os rios Save e Zambeze), cuja capital era a cidade da Beira, a segunda maior do território. O desenvolvimento da pequena vila dos anos 40, transformada numa airosa e bonita cidade nos anos 50, muito se ficou a dever ao dinamismo e colaboração deste velho colono, que através de parcelamentos sucessivos e adequados permitiu a criação da zona industrial, aerodromo, campo de futebol, feira de exposições agro-pecuárias, laboratório de investigação veterinária e pequenas quintas para agricultura e habitação. Parte dessas parcelas, nomeadamente as de benefício público como o aeródromo, feira, campo de futebol e laboratório veterinário, foram por ele oferecidas ao Estado. <br /></div>
<div align="justify"><br /></div><a href="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_0OaRUhdTI/AAAAAAAAAkk/aYO5smoYypU/s1600-h/Cinema+Montalto_2000.jpg"></a>
<p align="center"><img style="WIDTH: 351px; HEIGHT: 247px" height="218" alt="Cinema Montalto_2000" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Cinema_20Montalto_2000.jpg" width="467" border="0" /></p>
<div align="justify">O maior e mais belo conjunto arquitectónico da cidade, constituído pelo prédio e cinema Montalto, construído no centro e com frente para as duas principais avenidas, integrou, para além de uma moderna sala de espectáculos, um espaçoso café, lojas, escritórios e apartamentos de habitação. Foi um dos mais arrojados projectos por si encabeçados, de parceria com outros dois bem conhecidos empresários da época, Eng&ordm; Jaime Guedes (construtor civil e empreiteiro de estradas) e Jorge de Abreu (da Somocine e Hoteis Tivoli e Turismo de Lourenço Marques). A empresa que formaram - Sociedade de Construções Montalto - daria assim o nome a este complexo e ao próprio cinema que ainda hoje é a única sala de espectáculos da cidade. </div>
<div align="justify"><br />Mas a empresa que lhe terá dado mais sucessos, em termos financeiros, era a LICA - Luso Industrial Comercial e Agrícola, Lda, que comercializava internamente e exportava as ricas madeiras de Moçambique, preparadas nas duas serrações que possuía em Gondola e Inhamacoa. Este negócio, considerado dos mais rendosos no território, levava o velho Magalhães a deslocar-se com frequência ao estrangeiro, o que lhe dava a oportunidade de conhecer muitos países de todos os quadrantes e o tornava uma pessoa bem informada e esclarecida com quem dava gosto conversar. </div>
<p align="justify"><br />A matriarca, <strong>D. Rosalina Barradas</strong>, de uma família com vários elementos igualmente radicados em Vila Pery, há muitos anos, tornara-se uma das principais damas da sociedade local, tanto pelo estatuto do próprio marido como pela simpatia que irradiava e pela sua acção benemérita junto dos mais desfavorecidos. <br /></p>
<div align="justify">Boa esposa, boa mãe, boa amiga e maravilhosa anfitriã, D. Rosalina tinha o seu tempo sempre ocupado, quer nas lides da casa quer nos compromissos sociais ou ainda a costurar, um hobby que muito adorava. E porque era um hobby, apenas confeccionava roupas para a família e amigas e nunca cobrava por isso qualquer importância! <br /><br /><br /></div>
<div align="justify"><a href="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_v0qgnFqyI/AAAAAAAAAfs/dcW3GOb_BG4/s1600-h/A+casa+de+Vila+Pery+em+2000.jpg"></a><img style="WIDTH: 395px; HEIGHT: 268px" height="304" alt="A casa de Vila Pery em 2000" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/A_20casa_20de_20Vila_20Pery_20em_202000.jpg" width="603" border="0" />A casa da família, construída num vasto talhão na parte sul da cidade, não muito longe do centro, era das melhores vivendas de Vila Pery e estava discretamente protegida por muros periféricos com grades metálicas cobertas por espessas sebes de buganvílias e lantanas sempre bem aparadas. De piso térreo e arquitectura moderna ao estilo das moradias dos bairros chiques das cidades da África do Sul e da Rodésia, compunha-se de dois corpos unidos e em sentidos opostos. O interior, de divisões espaçosas e bem arejadas, era dotado de amplas portadas e janelas envidraçadas. No exterior e ao fundo do quintal, alinhavam-se os anexos de apoio constituídos por uma ampla garagem, escritório, dependência de empregados e estúdio fotográfico. Na parte da frente e à direita da casa estava um pequeno e airoso challet destinado aos trabalhos de costura de D. Rosalina, uma autêntica sala de visitas onde ela recebia e tomava chá com as amigas. Mais tarde o Xico construiu um pavilhão anexo à garagem onde instalou uma escola de judo, outra das suas grandes paixões e que alcançou grande sucesso na cidade, chegando a ter mais de três dezenas de praticantes! </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Tudo naquela casa espelhava o bom gosto de D. Rosalina! A sala comum, requintadamente equipada com móveis das melhores madeiras, onde se destacava uma enorme mesa para as refeições (nota evidente do espírito de bem receber desta família), era o espaço onde os Magalhães se orgulhavam de receber as suas inúmeras visitas, muitas delas partilhavam das suas refeições mesmo que chegassem em cima da hora. Contígua a esta sala, entre a cozinha e a ala dos quartos, havia a sala de música onde o Xico muitas vezes ao serão deliciava a família e os amigos tocando ao piano as músicas mais em voga na época e também alguns clássicos que bem dominava. Ele ainda agora recorda com muito orgulho que foi o primeiro pianista do conjunto dos irmãos Muge, célebre em Moçambique na década de 60!</div>
<div align="justify"><br />Os quadros, as molduras com fotos de família, os bibelôs, a tapeçaria e os arranjos de flores sempre viçosas, tudo disposto nos lugares adequados, condiziam igualmente com o ambiente sóbrio e funcional da casa. Na grande cozinha, as flores eram substituídas por vários cestos repletos de boa fruta tropical da região do planalto, dispostos ao longo das bancadas de mármores que ladeavam as paredes. </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">O quarto do Xico, o terceiro do fim da ala respectiva, era uma autêntica <em>suite, </em>espaçoso, com banheiro privativo e uma salinha de entrada, tornando-o assim independente mesmo para receber visitas. Estava decorado discretamente com motivos de caça, fotografias artísticas, quadros e outros objectos da sua autoria. Numa vitrine encontravam-se dos melhores livros e álbuns sobre a caça, vida selvagem, fotografia, judo e música, as suas paixões e <em>hobbys</em> predilectos. E num armeiro especial, a um canto da salinha, estava o património pessoal de que mais se orgulhava, que era o arsenal de armas de caça próprias para abate de todo o tipo de animais, incluindo elefantes, bem polidas e oleadas e que faziam inveja a qualquer caçador profissional afamado. Cada uma destas espingardas tinha a sua história, que ele contava com o entusiasmo próprio dos caçadores, sobretudo quando referia os seus sucessos nas caçadas aos búfalos, a espécie que o fez viver emocionantes aventuras e que tão bem relatou no seu livro "Afican Trails". </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Aquele belo apartamento da casa dos Magalhães fora concebido e mobilado para os dois filhos do casal, mas o João, o mais novo, só o utilizava quando ali ia de férias, visto que, ao contrário do Xico que regressou da África do Sul após os estudos, ficou em Johannesburg a trabalhar na IBM depois de concluída a formação em engenharia de sistemas de computadores. O John, como era (e ainda é) conhecido, viria a adquirir uma elevada craveira técnica dentro da IBM, acabando por ser requisitado pelas grandes empresas deste grupo sedeadas no Canadá, onde se radicou há mais de vinte anos e desempenha altos cargos como conselheiro, gerente de sistemas, vice presidente e consultor sénior da Logitek (Toronto) e director do grupo DMR (Ottawa). </div>
<div align="justify"><br />Durante os seis anos que residi em Vila Pery (1963/1968), fui frequentador assíduo da casa dos Magalhães, graças à amizade enraizada com o Xico que me facultava o seu pequeno mundo onde me sentia bem justamente pelo muito de comum que tínhamos, nomeadamente na área da fotografia que ele tão bem dominava e que também era um dos meus <em>hobbys</em> preferidos. No seu bem apetrechado estúdio passámos imensos serões, revelando filmes, fazendo fotos e trabalhando-as nas mais diversas formas, o que me permitiu aumentar os conhecimentos que já tinha nesta matéria. <br /></div>
<div align="justify">Mas o calor humano que ali se respirava era sem dúvida o factor máximo que me dava o à-vontade e o prazer de conviver com esta família, cujo patriarca me tratava carinhosamente por poeta (alusão ao facto de usar o cabelo comprido) e com quem muito aprendi porque era um bom conversador, senhor de uma invulgar bagagem geral de conhecimentos e com grande experiência de vida em Moçambique. Era também um acérrimo crítico à governação colonial e um fervoroso adepto de uma independência baseada nos princípios democráticos, sem quaisquer barreiras de caris rácico ou religioso. </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">O Xico, que entretanto (1973) constituíra família casando com a simpática Fernanda, filha de um funcionário da Textáfrica (a grande fábrica de tecidos instalada no início da década de 60 nos subúrbios de Vila Pery e que muito contribuiu para o grande desenvolvimento da cidade), mudara-se para uma casa que o pai lhe oferecera como prenda da casamento, situada junto das pistas do aeródromo e integrada numa parcela de terreno com 14 hectares. Ali iniciou um projecto agro-pecuário (cultivo de forragens e criação de ovelhas), mais um dos seus planos para rentabilizar os vastos terrenos da família.</div><br />
<div align="justify">Os sonhos desta família começaram a desvanecer-se com o falecimento súbito, em 1973, do pai Magalhães e ruíram completamente com as transformações políticas operadas em Moçambique após a independência, em 1975. <br /><br />Tudo se complicou com as medidas tomadas pelas novas autoridades, que decretaram, em 2 de Fevereiro de 1976, a nacionalização dos bens de rendimento como prédios, terrenos, ou qualquer bem imóvel com excepção da própria casa de habitação. A família Magalhães perdeu praticamente tudo, um verdadeiro império comercial, industrial, agrícola e imobiliário! <br /></div>
<div align="justify">Entretanto o Xico já havia sido privado de todas as suas espingardas de caça, recolhidas pela polícia como medida de segurança própria de quem vinha de uma guerra e receava complicações que alterassem o processo de descolonização em curso. Uma medida que foi acompanhada com a proibição do exercício da caça, aquilo que ele mais gostava fazer nos tempos livres! </div><br />
<div align="justify">A população portuguesa, desprotegida face à retirada das tropas e de todas as forças de segurança do regime colonial, iniciou a debandada logo após o acordo de Luzaka ente a Frelimo e o governo português, em 7 de Setembro de 1974. Muitos daqueles que insistiram manter-se após a independência em 25 de Junho do ano seguinte, viram-se a braços com imensas dificuldades, muitas vezes pelo exagero na actuação dos agentes de autoridade do novo poder da Frelimo. Um pequeno problema era transformado em grande conflito lesa pátria e o Xico acabou por ter o primeiro, relacionado com duas granadas que a polícia portuguesa lhe entregou anos antes, destinadas ao encarregado de uma das serrações da família para defesa das instalações que já haviam sido atacadas por grupos de guerrilheiros. O Xico nunca entregou essas granadas e guardou-as na sua casa acabando por se esquecer delas até que uma busca inesperada da polícia as detectou. Foi preso e viu-se envolvido num processo que acabou por ter um desfecho feliz graças à boa reputação que desfrutava entre a população negra local. Esteve eminente a sua expulsão de Moçambique com a aplicação da célebre sentença conhecida pelo 24/20, que era aplicada a torto e a direito e que dava aos "réus" 24 horas para sair de Moçambique e o direito a levar 20 quilos de bagagem!</div>
<div align="justify">&nbsp;</div>
<div align="justify"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT; mso-fareast-language: PT; mso-bidi-language: AR-SA"><a href="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_v27AnFqzI/AAAAAAAAAf0/OATqBnju7ng/s1600-h/Escrit%C3%B3rio+do+Xico"><span style="TEXT-DECORATION: none; text-underline: none"><?xml:namespace prefix ="" v /><v:shapetype id="_x0000_t75" stroked="f" filled="f" path="m@4@5l@4@11@9@11@9@5xe" o:preferrelative="t" o:spt="75" coordsize="21600,21600">&nbsp;</v:shapetype></a></span></span>Um novo caso surgiu, tempos depois e ditou o fim das suas aspirações e do resto da família, incluindo da mãe que, na altura, Fevereiro de 1976, se preparava para regressar da África do Sul onde fora visitar o John. <br />Uma velha espingarda de 1840, da antiga colecção do Xico, legalizada como arma de panóplia, incapaz de dar tiros há mais de cem anos e que ficara na casa dos pais dependurada na parede do escritório junto de alguns troféus de caça, foi o objecto do "crime" que levou ao novo conflito com as autoridades. <br /><br /></div>
<div align="justify">A feliz coincidência da ida do Xico com a família (esposa e o filho, Rui, de 2 anos) à Rodésia, para receber a mãe no aeroporto de Salisbury, evitou a sua prisão que esteve eminente poucas horas depois de ter saído de Vila Pery. Uma denúncia de que ele mantinha armas em casa levou a polícia da Frelimo a fazer uma busca ao local certo, onde recolheram a velha espingarda. De seguida dirigiram-se à sua residência para o deterem e como não estava foram ao cinema onde normalmente trabalhava como encarregado da cabine de projecção. Interromperam a sessão que estava a decorrer, num aparato como se procurassem um perigoso bandido. Vasculharam praticamente todos os locais da cidade que ele habitualmente frequentava e no hotel Atlântida chegaram a fazer buscas no interior do forno industrial da respectiva cozinha! </div>
<div align="justify"><br />A cunhada Edite (irmã da esposa), ainda a residir em Vila Pery, avisou-o por telefone do que se estava a passar. O Xico e família não voltaram à sua terra abdicando assim de todos os seus bens em troca de liberdade. Ficaram na Rodésia, acolhidos pela cunhada Filomena (outra irmã da Fernanda) e marido que na altura trabalhava em Salisbury. A D. Rosalina, também avisada a tempo, já não viajou e disse adeus, para sempre, à sua bela casa, aos seus bens, à sua querida terra de Moçambique! </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">O casal ficou cerca de um ano e meio na Rodésia, onde a situação era crítica dado que o governo de Ian Smith, que anos antes declarara independência unilateral desligando-se da Inglaterra, era alvo não só de fortes sanções económicas como de resistência armada por parte do movimento de Robert Mugabe, o nacionalista que levou o território à independência em 1980 com o nome de Zimbabwe e que ainda hoje é o presidente do país, não obstante a pressão que está a sofrer pela oposição através de eleições que decorrem no momento em que escrevo este texto. </div>
<div align="justify"><br />Durante esse tempo o Xico trabalhou primeiro nos caminhos de ferro rodesianos, em Bulawayo, operando no ramo da electricidade e depois na polícia de reserva. Esta última actividade foi-lhe imposta pelas forças armadas e era uma obrigação que abrangia todos os estrangeiros ali residentes precisamente para participarem no combate à guerrilha. Andou sete meses a expor-se aos perigos que eram cada vez maiores à medida que o tempo passava e isso o levou a deixarem a Rodésia em Julho de 1978. Entretanto, em 1977, a família ficou aumentada com o nascimento do segundo filho, o João Carlos! </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Depois de uma breve estadia em Portugal, seguiram para o Brasil onde já se encontravam há mais de um ano, na cidade de Recife, a cunhada Filomena e marido que também haviam deixado a Rodésia pouco depois da chegada ali do Xico e família. E foi este casal que lhes deu apoio nos primeiros tempos, inclusive para o primeiro emprego do Xico numa fábrica de linhas como responsável de manutenção de máquinas. </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Finalmente encontraram a paz e estabilidade naquele admirável país que tão bem soube acolher muitos milhares de portugueses regressados das colónias portuguesas que se tornam independentes em 1975, nomeadamente Angola e Moçambique. </div><br />
<div align="justify">Entretanto, D. Rosalina fixara-se com o John no Canadá, onde veio a falecer em 1987 após doença prolongada, o que constituiu mais um acontecimento que abalou profundamente os seus dois filhos. <br /><br /></div>
<p align="center"><span style="COLOR: #ff0000"><img style="WIDTH: 402px; HEIGHT: 247px" height="356" alt="Xico_John_Mãe" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Xico_John_M_E3e.jpg" width="520" border="0" /></span></p>
<p align="center"><span style="COLOR: #ff0000">D. Rosalina com os seus dois filhos Francisco (Xico) e João (John), </span><span style="COLOR: #ff0000">junto das cataratas de Niagara - Canadá, em 1986, cerca de um ano antes do seu falecimento.</span> <br /></p><br /><br /><br />
<p align="left"><strong><span style="FONT-SIZE: 180%"><font size="6">4 - </font></span><span style="FONT-SIZE: 130%"><font size="4">O XICO NO BRASIL</font></span></strong> <br /></p><br /><br /><br />
<p align="justify">Já ali radicado há cerca de dez anos, só em 1988 tive notícias dele através de uma prima, a Ana Maria, que também nascera e vivera em Vila Pery e partira com os pais para o Brasil, em 1975. A Ana Maria regressou em meados da década de oitenta a Moçambique, indo trabalhar no Ministério da Agricultura como secretária da direcção de recursos humanos do MONAP, um projecto nórdico onde curiosamente eu também estava integrado. </p>
<p align="justify"><a href="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_v81QnFq2I/AAAAAAAAAgM/KYiuu7KFbAU/s1600-h/Visita_Xico_94.jpg"></a><img style="WIDTH: 282px; HEIGHT: 330px" height="796" alt="Visita_Xico_94" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Visita_Xico_94.jpg" width="686" border="0" />&nbsp;<br />Foram boas as notícias sobre o Xico, que davam conta ter-se inserido e progredido no mercado de trabalho brasileiro, primeiro na cidade de Recife, até finais da década de 70 e depois em Fortaleza onde se fixou em definitivo e ainda vive actualmente num confortável e bem localizado apartamento em condomínio fechado que ali adquiriu. Reatamos assim os nossos contactos, trocando correspondência que avivou a velha amizade e conduziu ao nosso reencontro quando nos visitou com a família na nossa casa de Amor, em 1994!<img style="WIDTH: 459px; HEIGHT: 295px" height="1344" alt="DSC04528" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/DSC04528_small.jpg" width="1803" border="0" /><a href="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_wFqAnFq9I/AAAAAAAAAhE/_d9A59Sd2dI/s1600-h/Visita_96.jpg"></a> Posteriormente, em 1996, voltou a visitar-nos ainda acompanhado da família, mas esta seria a última com a sua adorada esposa, visto que a Fernanda falecera em fins de 1999, vítima de grave e incurável doença. Mais uma tragédia na vida do Xico, que só chegou ao meu conhecimento depois da publicação do Álbum de Recordações do meu site, em Fevereiro de 2000. Não foi, por isso mesmo, referenciado este infeliz acontecimento na breve biografia que sobre ele ali publiquei. </p>
<p align="justify"><br />Tal desenlace mudou radicalmente a vida do Xico, que ao longo de vinte anos havia reconstruído o seu lar em terras do Brasil e de algum modo atenuado o desgosto pelo que passaram e perderam em Moçambique. A perda da esposa abalou-o profundamente e só recentemente, graças ao seu abnegado espírito de luta contra as adversidades, conseguiu recuperar a moral que ficara profundamente abalada. Contou com a ajuda dos filhos e da Teresa, uma simpática cearense que tem um monte de virtudes que o encantaram para sua companheira! </p>
<p align="justify"><br />Também se reabilitou profissionalmente já que na fase crítica da doença da Fernanda se viu forçado a suspender o seu emprego. Começou por concluir os estudos na área de engenharia industrial, obtendo a respectiva licenciatura, o que lhe permitiu actuar individualmente executando projectos de formação profissional desta mesma área. Por outro lado, obteve do Estado brasileiro a aposentação relativa aos vinte anos de trabalho em Recife e Fortaleza.</p>
<p align="left"><img style="WIDTH: 276px; HEIGHT: 357px" height="632" alt="Visita_Xico_03" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Visita_Xico_03.jpg" width="437" border="0" />Entretanto, no Verão de 2003 , visitou-nos de novo, agora sozinho, aproveitando uma das suas habituais visitas que faz aos tios e primos que vivem no Porto. Proporcionei-lhe aqui o encontro com outro velho e comum amigo, o Dr. Armando Rosinha, antigo director dos serviços de fauna bravia de Moçambique e que também foi administrador (por acumulação) do Parque Nacional da Gorongosa nos tempos em que o Xico ali colaborava. </p>
<div align="justify"><br />Finalmente, concretizei a promessa que há vários anos vinha fazendo ao Xico de o visitar na sua nova terra. Esta decisão foi encorajada também porque quis fazer uma surpresa a minha mulher que era festejarmos as nossas bodas de ouro de casados no Brasil! </div>
<div align="justify"><br />Arrumei com antecedência as passagens e anunciei ao Xico as datas de chegada e regresso e confidenciei-lhe os planos. Em casa deixei correr o tempo e obtive a cumplicidade de uma sobrinha, por sinal costureira, que convenceu a tia a renovar o seu guarda-roupa já a pensar na próxima viagem a Moçambique, programada para o fim do Verão. Quase em cima da data de embarque entreguei-lhe um embrulho muito bonito com os bilhetes! <br /></div><br />
<div align="justify"><br /><a href="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zagQnFrRI/AAAAAAAAAjk/yxe3Vh2-A5A/s1600-h/Fortaleza+%C3%A0+noite.jpg"></a><img style="WIDTH: 417px; HEIGHT: 277px" height="306" alt="Fortaleza à noite" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Fortaleza_20_E0_20noite.jpg" width="612" border="0" />&nbsp;Chegamos a Fortaleza ao fim da tarde do dia 10 de Março de 2006, viajando através de um pacote turístico de uma semana, com instalação num hotel situado na avenida marginal onde se realiza a célebre feira de artesanato nocturna durante todos os dias do ano. </div><br />
<div align="justify">Penso que a reacção que tivemos ao pisar terra brasileira não foi muito diferente da de todos os portugueses que visitam este maravilhoso país! De tanto ouvirmos falar dele, de tantas telenovelas que ao longo de décadas nos entraram em casa e de conhecermos a sua história como colónia portuguesa, até parece que estamos em casa. Ficámos extasiados perante a beleza daquela cidade, a quinta maior do Brasil em termos de população! </div>
<div align="justify"><br />O casal (Xico e Teresa) lá estava no aeroporto e foi no seu carro que seguimos para o Hotel, um percurso de dezassete quilómetros sempre dentro da cidade e a uma hora de ponta que ali, naquele burgo de quase três milhões de habitantes, é coisa séria face ao mar de carros que circulam nas ruas e avenidas a perder de vista! <br /><a href="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_wHAgnFq-I/AAAAAAAAAhM/Au1YhXKeT40/s1600-h/Finalmente+em+Fortaleza+com+Xico%C2%B4s.jpg"><img style="WIDTH: 390px; HEIGHT: 269px" height="338" alt="Finalmente em Fortaleza com Xico&acute;s" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Finalmente_20em_20Fortaleza_20com_20Xico_B4s.jpg" width="644" border="0" /></a>Impunha-se, à chegada ao hotel, um banho reparador para aliviar do cansaço da viagem e a troca de roupa por coisas mais leves visto que estávamos num clima tropical que é bem agressivo durante o dia (a média anual é de vinte e seis graus mas estávamos no período mais quente do ano, acima dos trinta) e que à noite raramente baixa dos vinte! E já mais descontraídos, tiramos a primeira foto com os nossos amigos e começamos a saborear a visita com um breve passeio ali mesmo em frente do hotel, no chamado calçadão da avenida Beira Mar, onde apreciamos a famosa feira de artesanato e nos refrescamos com uns apetitosos sumos de frutos naturais! </div>
<div align="justify"><br />A estadia em Fortaleza ultrapassou as nossas expectativas, não obstante a prévia preparação que fizemos lendo os sites sobre a cidade e as informações recebidas do próprio Xico. A grandiosidade e beleza arquitectónica da cidade, as imaculadas praias da região, o bom hotel onde nos instalámos, o clima quentinho tão do nosso agrado, a simpatia dos habitantes, os sabores da culinária, os bons frutos tropicais, o artesanato genuíno, etc., foram factores que tornaram a nossa estadia muito agradável e francamente inesquecível! <br /><br /><br /></div>
<div align="justify"><a href="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_ztZQnFrYI/AAAAAAAAAkc/ooeZaD2pZvg/s1600-h/Com+Xico+em+Fortaleza.jpg"></a><img style="WIDTH: 450px; HEIGHT: 295px" height="462" alt="Junto da marginal de Fortaleza" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Junto_20da_20marginal_20de_20Fortaleza.jpg" width="689" border="0" />&nbsp;Mas sem o apoio e acompanhamento do casal, que todas as manhãs nos ia buscar ao hotel e nos levava a visitar os lugares mais significativos da cidade (exceptuando apenas o dia em que nos integramos no programa do pacote turístico de visita à praia de Cumbuco, situada a cerca de 40 Km), aquelas "férias" não teriam atingido tal plenitude! O Xico e a Teresa foram inexcedíveis levando-nos a conhecer não só os lugares onde o turista comum normalmente vai, mas outros mais recatados e sobretudo alguns pouco recomendados por questões de segurança como dois mercados rurais e uma favela onde melhor pudemos observar e contactar com o povo e a sua cultura. Felizmente nada nos aconteceu, talvez pela descontracção, pouca exposição e aparência de pobretanas com que nos apresentávamos! <br /><br /></div>
<div align="center"><br /></div><img style="WIDTH: 422px; HEIGHT: 301px" height="305" alt="O Xico e o seu Chevrolet" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/O_20Xico_20e_20o_20seu_20Chevrolet.jpg" width="557" border="0" />&nbsp;Limitados ao tempo do pacote da viagem (8 dias e 7 noites), naturalmente que não pudemos visitar todos os pólos turísticos da cidade e arredores, como desejaríamos. Eram precisos muitos mais dias. Mesmo assim, aproveitamos bem esse tempo graças aos conhecimentos e eficácia dos nossos cicerones e ao genuíno Chevrollet do Xico, que só fracassou por momentos quando desabou sobre Fortaleza uma daquelas chuvadas tropicais que nós bem conhecemos de Moçambique e que afectou a parte eléctrica! <br /><br /><br /><br /><br />
<p align="justify"><a href="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_y2HQnFrAI/AAAAAAAAAhc/9kKZTHAbnFc/s1600-h/O+Forr%C3%B3+no+Pirata.jpg"></a><img style="WIDTH: 480px; HEIGHT: 324px" height="324" alt="O Forró no Pirata" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/O_20Forr_F3_20no_20Pirata.jpg" width="539" border="0" />Visitamos locais típicos da cidade , como o Porto de Mar de Mucuripe; o mercado dos pescadores onde se vende o peixe e mariscos frescos vindos diariamente do mar; o mercado central da cidade, de quatro pisos, onde fervilha uma enorme multidão de gente ; o rio e parque do Cocó, muito belos; alguns bares e restaurantes da cidade e da avenida Beira Mar, onde saboreamos a boa comida nordestina: as praias de Meireles e Iracema, que são a bandeira da cidade; o novo e mega centro comercial onde os restaurantes fornecem a comida mais barata da cidade (que bela feijoada lá comi!); a zona colonial, toda ela bem conservada e vocacionada para o comércio em pequenas lojas muito frequentadas pela população e turistas; o castiço bar do capitão Mostarda, onde se bebe cerveja a rodos; o famoso Pirata, na praia de Iracema, onde passamos uma maravilhosa noite assistindo ao maior espectáculo de forró do Brasil; a praia de Cumbuco, uma das mais belas da região, onde comemos a melhor picanha na aldeia Brasil; a catedral de S. José; etc., etc. <br /></p><br /><br /><br />
<p align="center">&nbsp;<img style="WIDTH: 434px; HEIGHT: 319px" height="319" alt="Com o Pirata de Fortaleza" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Com_20o_20Pirata_20de_20Fortaleza.jpg" width="564" border="0" /></p>
<p align="center"><span style="COLOR: #ff0000">Esta foto, tirada com o Pirata na sua famosa casa de Forró de Fortaleza, deveu-se ao facto do Xico e os filhos terem relações de amizade com este português de sucesso! </span><span style="COLOR: #ff0000"><br /></p>
<div align="justify"><br /></span><a href="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zHRwnFrDI/AAAAAAAAAh0/bOin19UJktA/s1600-h/Na+praia+de+Cumbuco.jpg"><img style="WIDTH: 420px; HEIGHT: 279px" height="279" alt="Na praia de Cumbuco" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Na_20praia_20de_20Cumbuco.jpg" width="563" border="0" /></a><font color="#333333">A excursão à praia de Cumbuco foi muito curiosa porque nos permitiu observar ao longo dos 40 Km do percurso uma paisagem muito igual à do litoral do norte de Moçambique e toda uma sequência de aglomerados populacionais onde é bem notória, pelo aspecto das construções, a diferença de nível de vida dos brasileiros: belos challets, isolados mas bem protegidos com muros altos e com grades electrificadas, misturam-se com pequenas e modestas casas! Aqui e ali aparecem urbanizações onde prevalecem os condomínios fechados, igualmente protegidos com muros e redes electrificadas!&nbsp;<br /><br /><br /><br /></font><a href="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zIlAnFrEI/AAAAAAAAAh8/xY3aQDYCb4s/s1600-h/Coloca+o+badejo+no+forno!.jpg"><font color="#333333"></font></a><font color="#333333"><img style="WIDTH: 459px; HEIGHT: 315px" height="354" alt="Coloca o badejo no forno!" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Coloca_20o_20badejo_20no_20forno_21.jpg" width="655" border="0" />&nbsp;Não obstante a roda viva em que os nossos amigos andaram para nos mostrarem o mais possível da sua cidade, eles excederam-se como anfitriães recebendo-nos e oferecendo-nos na sua casa excelentes refeições tipicamente nordestinas! </font></div><br />
<p align="justify">A primeira vez coube ao Xico a confecção da refeição, uma novidade para nós: badejo no forno, um belo manjar que muito apreciamos! A segunda foi a Teresa a cozinheira: um belíssimo caril (lá não chamam caril) de camarão, que não ficou a trás do melhor da tradição moçambicana! <br /><br /><a href="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zJHwnFrFI/AAAAAAAAAiE/8wuiyipId4s/s1600-h/Comendo+carilada+na+casa+do+Xico.jpg"></a><img style="WIDTH: 487px; HEIGHT: 345px" height="448" alt="Comendo carilada na casa do Xico" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Comendo_20carilada_20na_20casa_20do_20Xico.jpg" width="603" border="0" />O calor humano não se esgotou no Xico, Teresa e João. Os simpáticos cunhados do Xico, a Edite e o António, que igualmente vivem e estão solidamente enraizados em Fortaleza, também nos acolheram na sua casa, um belo apartamento num moderno edifício em condomínio fechado no centro da cidade, obsequiando-nos com um requintado e apetitoso almoço!&nbsp;<br /><br /><a href="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zJ2gnFrGI/AAAAAAAAAiM/0V01P5CGAwQ/s1600-h/Em+casa+da+cunhada+do+Xico.jpg"></a><img style="WIDTH: 434px; HEIGHT: 343px" height="343" alt="Em casa da cunhada do Xico" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Em_20casa_20da_20cunhada_20do_20Xico.jpg" width="644" border="0" />&nbsp;<br /><br />Mas o ponto alto da estadia foi o momento em que, com os nossos amigos, na catedral de S. José e junto do altar do respectivo patrono, eu e a Lurdes nos congratulamos e agradecemos o percurso de 50 anos atingido nesse dia 17 de Março! Uma breve e singela cerimónia que foi seguida de um almoço num modelar restaurante, a última e apetitosa refeição nordestina antes do regresso a Lisboa ao fim da tarde desse dia.<br /><br /><br /><a href="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zRPAnFrJI/AAAAAAAAAik/aDZMNzkLcmQ/s1600-h/Alian%C3%A7a+das+Bodas.jpg"></a><img style="WIDTH: 457px; HEIGHT: 298px" height="298" alt="Na Catederal de S. José_Fortaleza" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Na_20Catederal_20de_20S._20Jos_E9_Fortaleza.jpg" width="510" border="0" />Lá deixámos mais uma amiga, a Teresa, a simpática cearense que nos cativou pelo carinho que nos dedicou e também pela forma como tem contribuído, como companheira do Xico, para a estabilidade emocional deste grande amigo que tem vivido um dos dramas mais intensos entre as famílias que tudo perderam na antiga colónia de Moçambique, por razões que só podem ser atribuídas aos responsáveis do governo português que aprovaram a independência de forma leviana não acautelando no respectivo Acordo (Luzaka, Setembro 1974) os interesses e a própria segurança dos portugueses lá estabelecidos! <br /></p><br />
<p align="justify"><br /><a href="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zRyQnFrKI/AAAAAAAAAis/3_aY7872EnU/s1600-h/O+Xico+contando+uma+hist%C3%B3ria+de+ca%C3%A7a!.jpg"></a><img style="WIDTH: 527px; HEIGHT: 381px" height="419" alt="O Xico contando uma história de caça!" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/O_20Xico_20contando_20uma_20hist_F3ria_20de_20ca_E7a_21.jpg" width="606" border="0" />&nbsp;O Xico já está curado da nostalgia e saudosismo que o perseguiram durante os primeiros anos de estadia no Brasil. Apenas mantém o sentimento de revolta contra as autoridades que o perseguiram e forçaram a sair de Moçambique pois não compreende porque razão o fizeram quando ele era uma pessoa com um passado limpo, muito estimado pela população e se considerava um elemento útil ao país, tanto para fazer formação profissional na área da sua especialidade, como para dar aulas nas escolas secundárias e institutos, ensinar música, treinar desportistas, ou, simplesmente, deixarem-no prosseguir com o seu projecto agro-pecuário que tanto o fascinava! <br /></p>
<p align="center"><br /><br /><br />O Brasil conquistou-o, soube aproveitá-lo e ele agora ama-o tão intensamente como amava a sua terra natal - Vila Pery, Moçambique! <br /><br /><br /><br />*&nbsp;&nbsp; *&nbsp;&nbsp; *<br /></p>
<p align="center"><img style="WIDTH: 545px; HEIGHT: 370px" height="492" alt="O almoço de despedida" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/O_20almo_E7o_20de_20despedida.jpg" width="656" border="0" /></p><br />
<p align="center"><span style="COLOR: #ff0000">O almoço de despedida</span> <br /><br /><br /></p><br />
<p align="justify"><br /></p>
<p align="center"><img style="WIDTH: 554px; HEIGHT: 419px" height="475" alt="No Bazar da fruta" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/No_20Bazar_20da_20fruta.jpg" width="576" border="0" /><br /><br /></p>
<p align="center"><span style="COLOR: #ff0000">As belas frutas brasileiras!</span>&nbsp;<br /><br /><br /><img style="WIDTH: 586px; HEIGHT: 460px" height="460" alt="O João" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/O_20Jo_E3o.jpg" width="566" border="0" />&nbsp;<br /></p>
<p align="center"><span style="COLOR: #ff0000">O simpático João, que muito colaborou na nossa visita! </span><br /><span style="COLOR: #ff0000">O irmão mais velho, o Rui, já casado, vivia na altura em S. Paulo.</span> <br /><br /><br /></p><br />
<p align="center"><span style="COLOR: #ff0000"><img style="WIDTH: 596px; HEIGHT: 469px" height="460" alt="Junto da praia de Fortaleza" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Junto_20da_20praia_20de_20Fortaleza_small.jpg" width="570" border="0" /></p>
<div align="center">&nbsp;Na praia de Iracema</span> <br /><br /><br /></div><br />
<div align="center"><span style="COLOR: #ff0000"></span></div>
<p align="center"><img style="WIDTH: 598px; HEIGHT: 411px" height="475" alt="Xico e Tereza na sua casa" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Xico_20e_20Tereza_20na_20sua_20casa.jpg" width="720" border="0" /></p><br />
<p align="center"><span style="COLOR: #ff0000">A Teresa e o Xico, descontraídos à boa maneira afro-brasileira! <br /><br /></span><br />* * * <br /><br /></p><br />
<div align="justify">Marrabenta, Abril de 2008 <br /></div><br /><br />Celestino Gonçalves]]></description>
         <link>http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/2008/06/12_african_trails_a_historia_d.html</link>
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         <pubDate>Sun, 22 Jun 2008 01:56:19 +0000</pubDate>
      </item>
            <item>
         <title>12 - AFRICAN TRAILS</title>
         <description><![CDATA[<div align="center"><a href="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_vRyQnFqvI/AAAAAAAAAfU/-IUAKKn9PkA/s1600-h/11%2B-%2BAfrican%2BTrails.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5186970057229839090" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_vRyQnFqvI/AAAAAAAAAfU/-IUAKKn9PkA/s320/11%2B-%2BAfrican%2BTrails.jpg" border="0" /></a> (11) <br /><br /></div>
<div align="center"><br />Título <br /><br /></div>
<div align="center"><strong><span style="FONT-SIZE: 180%">AFRICAN TRAILS</span></strong> <br /><br /></div>
<div align="center">Autor <br /></div>
<div align="center"><span style="FONT-SIZE: 180%"><strong>FRANCISCO MAGALHÃES</strong></span> <br /><br /><span style="FONT-SIZE: 180%"><strong><span style="FONT-SIZE: 130%"><font size="6">(XICO) </font></span></strong></span></div><br />
<p align="center"><strong><span style="FONT-SIZE: 130%"><font size="4">(Caçador desportista)</font></span></strong> <br /></p><br /><br />
<div align="center">Ano: 1996 (Edição em inglês, esgotada) <br />Edição em português: no prelo (Brasil) <br /></div><br /><br /><br />
<p align="left"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187023533867641762" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_wCbAnFq6I/AAAAAAAAAgs/hbRA_F8F8ho/s320/Xico1_1.jpg" border="0" /> </p><br /><br /><br />
<p align="left"><strong><span style="FONT-SIZE: 180%">1</span> - BREVES NOTAS SOBRE O LIVRO</strong> <br /></p><br /><br />
<div align="justify">Este interessante livro relata a experiência do autor como caçador desportista em Moçambique durante os últimos quinze anos da administração colonial portuguesa (1960/1975). Trata-se de uma obra cuja edição foi feita em Inglaterra em circunstâncias que prejudicaram os direitos do autor, levando-o a processar a editora e em consequência disso encontram-se suspensas as vendas e as reedições em língua inglesa. Entretanto e dado o sucesso alcançado no Brasil, o autor tem já no prelo a reedição (melhorada) em português, esperando-se que sai-a em breve. </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Alguns dos relatos das caçadas referem a participação do autor nos trabalhos das brigadas de controle dos animais, sobretudo elefantes, que estavam a meu cargo na província de Manica e Sofala, alguns deles na área do Parque Nacional da Gorongosa. Também revela a sua grande paixão pelo mesmo Parque com cuja administração colaborou tanto em trabalhos da sua profissão, que foram as instalações eléctricas em alguns edifícios do Chitengo e nos da Bela-Vista, como na elaboração dos mapas das picadas com desenhos dos animais mais representativos. Esses mapas, tal como um outro abrangendo toda a província, foram oficializados e vigoraram até muito recentemente. </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">A descrição pormenorizada que ali se faz das regiões de caça frequentadas pelo autor e do seu potencial faunístico, são um excelente contributo para os estudos que se venham a fazer nessas mesmas áreas, sobretudo para localização de algumas espécies raras que sofreram elevado desbaste durante a guerra civil que grassou no país desde 1977 a 1992.</div><br /><br /><br />
<div align="left"><strong><span style="FONT-SIZE: 180%">2 - </span><span style="FONT-SIZE: 130%"><font size="4">O QUE ESCREVI ACERCA DO XICO NO ANO 2000 (*)</font></span></strong></div><br /><br />
<div align="justify">Nascido em Moçambique, em 1936, desde criança que o Xico se habituou a conviver com a natureza e logo se apaixonou pela caça. Seu pai foi chefe de posto administrativo e viveu em regiões das mais famosas em fauna bravia, como Marromeu, Lacerdónia, Inhaminga, Gorongosa, Vila Machado e por último Vila Pery, actual Chimoio. </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Caçador desportista por excelência, estudioso e apaixonado pelos problemas da fauna bravia, depressa despertou a minha atenção após a chegada a Vila Pery no início de 1963. Para além da caça tinha ainda outra grande paixão: a fotografia ! Raramente se encontravam, no seio dos caçadores, indivíduos com estes atributos ! </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">O Xico era um profissional do ramo da electricidade, com formação superior obtida na África do Sul. Esta sua actividade contribuiu também para a nossa aproximação: elaborou e executou projectos de electrificação para o Parque Nacional da Gorongosa, - a cuja administração estive ligado nessa altura - e também para o Posto de Fiscalização de Caça de Vila Pery.<img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5164382304660689730" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R6uSWBGdE0I/AAAAAAAAAbg/y1AglyRMhko/s320/Xico2.jpg" border="0" /> <br /></div>
<div align="justify">Conhecedor das áreas de caça da região e do seu potencial faunístico, foi o meu melhor colaborador na identificação das mesmas, quer elaborando mapas e gráficos, quer acompanhando-me nas deslocações, sobretudo quando havia operações de controle de animais em defesa de pessoas e bens, muito frequentes naquela zona central de Moçambique. </div>
<div align="justify"><br />No escritório-laboratório da residência da família Magalhães &ndash; uma das melhores da cidade - passámos muitas horas ao serão, revelando filmes e fazendo fotos e mapas ilustrados com desenhos dos animais típicos das respectivas áreas. Muitos destes trabalhos foram oficializados e alguns deles ainda estão em uso, nomeadamente os respeitantes aos Parques Nacionais, Reservas e Coutadas. O Xico era perito nestes trabalhos e executava-os com grande satisfação, nunca tendo cobrado por eles qualquer importância ! </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Dizia-me que a melhor recompensa que podia receber era a nossa confiança e o reconhecimento das suas virtudes como caçador desportista, respeitador das leis da caça e simultaneamente como conservador da fauna bravia. Não tive pois qualquer dúvida em lhe facultar a realização de alguns dos seus sonhos, integrando-o muitas vezes nos meus trabalhos de controle de animais de grande porte, nomeadamente de elefantes, quando em defesa de pessoas e bens. Foi um dos raros caçadores estranhos aos Serviços da Fauna a quem facultei semelhante participação, durante a minha actividade e a sua preciosa ajuda revelou-se sempre muito útil e confirmou o seu valor como caçador. </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Publicou em 1996 um interessante livro, em inglês, sobre as suas aventuras como caçador, com o título &ldquo;African Trails&rdquo;, descrevendo ali algumas experiências sobre a sua participação naquelas brigadas. Está a preparar a edição em português. </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Saiu de Moçambique em 1976, em circunstâncias que muito o traumatizaram e que deixou transparecer naquele mesmo livro. </div>
<div align="justify"></div>
<div align="justify"></div>
<div align="justify">Vive há largos anos no Brasil, provavelmente sonhando com a sua terra natal e com os belos momentos que ali passou nas caçadas que tanto o emocionavam! Pela admiração e respeito que sempre me mereceu e pela amizade recíproca que ao longo dos anos temos mantido, o primeiro lugar neste álbum dificilmente poderia ser ocupado por outro !</div>
<div align="justify"></div>
<div align="justify">Voltarei, em local diferente, a falar do Xico e de seus saudosos pais ! </div><br /><em>(*) - Álbum n&ordm; 1 da série "ÁLBUM DE RECORDAÇÕES" do meu site </em><a href="http://www.geocities.com/Vila_Luisa"><em></a></em><em><a href="http://www.geocities.com/Vila_Luisa"><font color="#445566">www.geocities.com/Vila_Luisa</font></em></a><strong><span style="FONT-SIZE: 180%"></span></strong></a> <br /><br /><br /><br /><br /><br />
<div align="justify"><strong><span style="FONT-SIZE: 180%">3 - </span><span style="FONT-SIZE: 130%"><font size="4">VOLTANDO A FALAR DO XICO E DA FAMÍLIA</font></span> </strong></div><br /><strong>
<div align="justify"><br /></strong>Volvidos oito anos após aquela publicação, a promessa de voltar a falar do Xico e de seus saudosos pais cumpre-se agora. Faço-o com satisfação redobrada porque ao longo destes anos recebi imensas mensagens de amigos comuns para saberem notícias dele, alguns antigos colegas de escola que sem dúvida vão gostar de ter mais informações. E porque já visitei o Xico na sua terra de adopção, o Brasil, em 2006, em retribuição de três visitas que dele recebi aqui em Portugal, tenho motivos adicionais para enriquecer a pequena biografia que abriu os "Álbuns de Recordações" do meu site no ano 2000.</div>
<div align="justify"></div>
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<div align="justify">Voltando aos tempos de Vila Pery para descrever a família Magalhães (casal e dois filhos), queria dizer que este clã desfrutava de grande simpatia da parte da população da bela cidade do planalto de Chimoio, em cujo meio se encontrava radicado desde o início da década de 30 (o Xico nasceu lá em 1936). <br /><br /></div>
<div align="justify"><a href="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_vwxQnFqwI/AAAAAAAAAfc/pwh5HFF8eoQ/s1600-h/Pai+Magalh%C3%A3es.JPG"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187004124910430978" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 181px; CURSOR: hand; HEIGHT: 250px" height="250" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_vwxQnFqwI/AAAAAAAAAfc/pwh5HFF8eoQ/s320/Pai+Magalh%C3%A3es.JPG" width="201" border="0" /></a>O patriarca, <strong>António Correia de Sousa Magalhães</strong> (conhecido por "Magalhães Careca"), descendente de uma antiga família cuja árvore genealógica revela ligação à irmã do navegador português Fernão de Magalhães, foi para Moçambique depois de ter feito os seus estudos para oficial da Marinha nos anos em que algumas figuras conhecidas, como o antigo presidente da república Almirante Américo Tomaz, igualmente fizeram tal formação. Seguiu contudo a carreira administrativa como chefe de posto da Companhia de Moçambique, mas quando esta majestática foi integrada no Estado, em 1941, ele abandonou a carreira e fixou-se em Vila Pery (então uma pequena vila) para se dedicar à indústria de madeiras, construção civil e outras actividades imobiliárias. Um dos seus melhores negócios (assim o dizia), foi a compra da fazenda "Mandigos", que inicialmente pertencera aos caminhos de ferro de Moçambique e depois aos irmãos Fernandes até chegar às suas mãos. Uma propriedade de grandes dimensões situada na parte sul da vila e dividida desta apenas pela estrada Beira-Rodésia, que adquiriu justamente por antever o desenvolvimento da futura cidade capital do Chimoio e a sua importância como área de expansão da mesma. </div>
<div align="justify"><br />O sucesso das suas empresas depressa o tornaram uma figura bem conhecida e admirada não só na vila mas ao nível da província de Manica e Sofala que abrangia praticamente todo o centro de Moçambique (entre os rios Save e Zambeze), cuja capital era a cidade da Beira, a segunda maior do território. O desenvolvimento da pequena vila dos anos 40, transformada numa airosa e bonita cidade nos anos 50, muito se ficou a dever ao dinamismo e colaboração deste velho colono, que através de parcelamentos sucessivos e adequados permitiu a criação da zona industrial, aerodromo, campo de futebol, feira de exposições agro-pecuárias, laboratório de investigação veterinária e pequenas quintas para agricultura e habitação. Parte dessas parcelas, nomeadamente as de benefício público como o aeródromo, feira, campo de futebol e laboratório veterinário, foram por ele oferecidas ao Estado. <br /></div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify"><a href="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_0OaRUhdTI/AAAAAAAAAkk/aYO5smoYypU/s1600-h/Cinema+Montalto_2000.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187318190289548594" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" height="183" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_0OaRUhdTI/AAAAAAAAAkk/aYO5smoYypU/s320/Cinema+Montalto_2000.jpg" width="301" border="0" /></a> O maior e mais belo conjunto arquitectónico da cidade, constituído pelo prédio e cinema Montalto, construído no centro e com frente para as duas principais avenidas, integrou, para além de uma moderna sala de espectáculos, um espaçoso café, lojas, escritórios e apartamentos de habitação. Foi um dos mais arrojados projectos por si encabeçados, de parceria com outros dois bem conhecidos empresários da época, Eng&ordm; Jaime Guedes (construtor civil e empreiteiro de estradas) e Jorge de Abreu (da Somocine e Hoteis Tivoli e Turismo de Lourenço Marques). A empresa que formaram - Sociedade de Construções Montalto - daria assim o nome a este complexo e ao próprio cinema que ainda hoje é a única sala de espectáculos da cidade. </div>
<div align="justify"><br />Mas a empresa que lhe terá dado mais sucessos, em termos financeiros, era a LICA - Luso Industrial Comercial e Agrícola, Lda, que comercializava internamente e exportava as ricas madeiras de Moçambique, preparadas nas duas serrações que possuía em Gondola e Inhamacoa. Este negócio, considerado dos mais rendosos no território, levava o velho Magalhães a deslocar-se com frequência ao estrangeiro, o que lhe dava a oportunidade de conhecer muitos países de todos os quadrantes e o tornava uma pessoa bem informada e esclarecida com quem dava gosto conversar. </div>
<p align="justify"><br />A matriarca, <strong>D. Rosalina Barradas</strong>, de uma família com vários elementos igualmente radicados em Vila Pery, há muitos anos, tornara-se uma das principais damas da sociedade local, tanto pelo estatuto do próprio marido como pela simpatia que irradiava e pela sua acção benemérita junto dos mais desfavorecidos. <br /></p>
<div align="justify">Boa esposa, boa mãe, boa amiga e maravilhosa anfitriã, D. Rosalina tinha o seu tempo sempre ocupado, quer nas lides da casa quer nos compromissos sociais ou ainda a costurar, um hobby que muito adorava. E porque era um hobby, apenas confeccionava roupas para a família e amigas e nunca cobrava por isso qualquer importância! <br /><br /><br /></div>
<div align="justify"><a href="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_v0qgnFqyI/AAAAAAAAAfs/dcW3GOb_BG4/s1600-h/A+casa+de+Vila+Pery+em+2000.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187008406992825122" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 248px; CURSOR: hand; HEIGHT: 149px" height="149" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_v0qgnFqyI/AAAAAAAAAfs/dcW3GOb_BG4/s320/A+casa+de+Vila+Pery+em+2000.jpg" width="290" border="0" /></a>A casa da família, construída num vasto talhão na parte sul da cidade, não muito longe do centro, era das melhores vivendas de Vila Pery e estava discretamente protegida por muros periféricos com grades metálicas cobertas por espessas sebes de buganvílias e lantanas sempre bem aparadas. De piso térreo e arquitectura moderna ao estilo das moradias dos bairros chiques das cidades da África do Sul e da Rodésia, compunha-se de dois corpos unidos e em sentidos opostos. O interior, de divisões espaçosas e bem arejadas, era dotado de amplas portadas e janelas envidraçadas. No exterior e ao fundo do quintal, alinhavam-se os anexos de apoio constituídos por uma ampla garagem, escritório, dependência de empregados e estúdio fotográfico. Na parte da frente e à direita da casa estava um pequeno e airoso challet destinado aos trabalhos de costura de D. Rosalina, uma autêntica sala de visitas onde ela recebia e tomava chá com as amigas. Mais tarde o Xico construiu um pavilhão anexo à garagem onde instalou uma escola de judo, outra das suas grandes paixões e que alcançou grande sucesso na cidade, chegando a ter mais de três dezenas de praticantes! </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Tudo naquela casa espelhava o bom gosto de D. Rosalina! A sala comum, requintadamente equipada com móveis das melhores madeiras, onde se destacava uma enorme mesa para as refeições (nota evidente do espírito de bem receber desta família), era o espaço onde os Magalhães se orgulhavam de receber as suas inúmeras visitas, muitas delas partilhavam das suas refeições mesmo que chegassem em cima da hora. Contígua a esta sala, entre a cozinha e a ala dos quartos, havia a sala de música onde o Xico muitas vezes ao serão deliciava a família e os amigos tocando ao piano as músicas mais em voga na época e também alguns clássicos que bem dominava. Ele ainda agora recorda com muito orgulho que foi o primeiro pianista do conjunto dos irmãos Muge, célebre em Moçambique na década de 60!</div>
<div align="justify"><br />Os quadros, as molduras com fotos de família, os bibelôs, a tapeçaria e os arranjos de flores sempre viçosas, tudo disposto nos lugares adequados, condiziam igualmente com o ambiente sóbrio e funcional da casa. Na grande cozinha, as flores eram substituídas por vários cestos repletos de boa fruta tropical da região do planalto, dispostos ao longo das bancadas de mármores que ladeavam as paredes. </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">O quarto do Xico, o terceiro do fim da ala respectiva, era uma autêntica <em>suite, </em>espaçoso, com banheiro privativo e uma salinha de entrada, tornando-o assim independente mesmo para receber visitas. Estava decorado discretamente com motivos de caça, fotografias artísticas, quadros e outros objectos da sua autoria. Numa vitrine encontravam-se dos melhores livros e álbuns sobre a caça, vida selvagem, fotografia, judo e música, as suas paixões e <em>hobbys</em> predilectos. E num armeiro especial, a um canto da salinha, estava o património pessoal de que mais se orgulhava, que era o arsenal de armas de caça próprias para abate de todo o tipo de animais, incluindo elefantes, bem polidas e oleadas e que faziam inveja a qualquer caçador profissional afamado. Cada uma destas espingardas tinha a sua história, que ele contava com o entusiasmo próprio dos caçadores, sobretudo quando referia os seus sucessos nas caçadas aos búfalos, a espécie que o fez viver emocionantes aventuras e que tão bem relatou no seu livro "Afican Trails". </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Aquele belo apartamento da casa dos Magalhães fora concebido e mobilado para os dois filhos do casal, mas o João, o mais novo, só o utilizava quando ali ia de férias, visto que, ao contrário do Xico que regressou da África do Sul após os estudos, ficou em Johannesburg a trabalhar na IBM depois de concluída a formação em engenharia de sistemas de computadores. O John, como era (e ainda é) conhecido, viria a adquirir uma elevada craveira técnica dentro da IBM, acabando por ser requisitado pelas grandes empresas deste grupo sedeadas no Canadá, onde se radicou há mais de vinte anos e desempenha altos cargos como conselheiro, gerente de sistemas, vice presidente e consultor sénior da Logitek (Toronto) e director do grupo DMR (Ottawa). </div>
<div align="justify"><br />Durante os seis anos que residi em Vila Pery (1963/1968), fui frequentador assíduo da casa dos Magalhães, graças à amizade enraizada com o Xico que me facultava o seu pequeno mundo onde me sentia bem justamente pelo muito de comum que tínhamos, nomeadamente na área da fotografia que ele tão bem dominava e que também era um dos meus <em>hobbys</em> preferidos. No seu bem apetrechado estúdio passámos imensos serões, revelando filmes, fazendo fotos e trabalhando-as nas mais diversas formas, o que me permitiu aumentar os conhecimentos que já tinha nesta matéria. <br /></div>
<div align="justify">Mas o calor humano que ali se respirava era sem dúvida o factor máximo que me dava o à-vontade e o prazer de conviver com esta família, cujo patriarca me tratava carinhosamente por poeta (alusão ao facto de usar o cabelo comprido) e com quem muito aprendi porque era um bom conversador, senhor de uma invulgar bagagem geral de conhecimentos e com grande experiência de vida em Moçambique. Era também um acérrimo crítico à governação colonial e um fervoroso adepto de uma independência baseada nos princípios democráticos, sem quaisquer barreiras de caris rácico ou religioso. </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">O Xico, que entretanto (1973) constituíra família casando com a simpática Fernanda, filha de um funcionário da Textáfrica (a grande fábrica de tecidos instalada no início da década de 60 nos subúrbios de Vila Pery e que muito contribuiu para o grande desenvolvimento da cidade), mudara-se para uma casa que o pai lhe oferecera como prenda da casamento, situada junto das pistas do aeródromo e integrada numa parcela de terreno com 14 hectares. Ali iniciou um projecto agro-pecuário (cultivo de forragens e criação de ovelhas), mais um dos seus planos para rentabilizar os vastos terrenos da família.</div><br />
<div align="justify">Os sonhos desta família começaram a desvanecer-se com o falecimento súbito, em 1973, do pai Magalhães e ruíram completamente com as transformações políticas operadas em Moçambique após a independência, em 1975. <br /><br />Tudo se complicou com as medidas tomadas pelas novas autoridades, que decretaram, em 2 de Fevereiro de 1976, a nacionalização dos bens de rendimento como prédios, terrenos, ou qualquer bem imóvel com excepção da própria casa de habitação. A família Magalhães perdeu praticamente tudo, um verdadeiro império comercial, industrial, agrícola e imobiliário! <br /></div>
<div align="justify">Entretanto o Xico já havia sido privado de todas as suas espingardas de caça, recolhidas pela polícia como medida de segurança própria de quem vinha de uma guerra e receava complicações que alterassem o processo de descolonização em curso. Uma medida que foi acompanhada com a proibição do exercício da caça, aquilo que ele mais gostava fazer nos tempos livres! </div><br />
<div align="justify">A população portuguesa, desprotegida face à retirada das tropas e de todas as forças de segurança do regime colonial, iniciou a debandada logo após o acordo de Luzaka ente a Frelimo e o governo português, em 7 de Setembro de 1974. Muitos daqueles que insistiram manter-se após a independência em 25 de Junho do ano seguinte, viram-se a braços com imensas dificuldades, muitas vezes pelo exagero na actuação dos agentes de autoridade do novo poder da Frelimo. Um pequeno problema era transformado em grande conflito lesa pátria e o Xico acabou por ter o primeiro, relacionado com duas granadas que a polícia portuguesa lhe entregou anos antes, destinadas ao encarregado de uma das serrações da família para defesa das instalações que já haviam sido atacadas por grupos de guerrilheiros. O Xico nunca entregou essas granadas e guardou-as na sua casa acabando por se esquecer delas até que uma busca inesperada da polícia as detectou. Foi preso e viu-se envolvido num processo que acabou por ter um desfecho feliz graças à boa reputação que desfrutava entre a população negra local. Esteve eminente a sua expulsão de Moçambique com a aplicação da célebre sentença conhecida pelo 24/20, que era aplicada a torto e a direito e que dava aos "réus" 24 horas para sair de Moçambique e o direito a levar 20 quilos de bagagem! <br /><br /></div><br /><br /><br />
<div align="justify"><a href="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_v27AnFqzI/AAAAAAAAAf0/OATqBnju7ng/s1600-h/Escrit%C3%B3rio+do+Xico"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187010889483922226" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 301px; CURSOR: hand; HEIGHT: 201px" height="206" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_v27AnFqzI/AAAAAAAAAf0/OATqBnju7ng/s320/Escrit%C3%B3rio+do+Xico" width="318" border="0" /></a>Um novo caso surgiu, tempos depois e ditou o fim das suas aspirações e do resto da família, incluindo da mãe que, na altura, Fevereiro de 1976, se preparava para regressar da África do Sul onde fora visitar o John. <br />Uma velha espingarda de 1840, da antiga colecção do Xico, legalizada como arma de panóplia, incapaz de dar tiros há mais de cem anos e que ficara na casa dos pais dependurada na parede do escritório junto de alguns troféus de caça, foi o objecto do "crime" que levou ao novo conflito com as autoridades. <br /><br /></div>
<div align="justify">A feliz coincidência da ida do Xico com a família (esposa e o filho, Rui, de 2 anos) à Rodésia, para receber a mãe no aeroporto de Salisbury, evitou a sua prisão que esteve eminente poucas horas depois de ter saído de Vila Pery. Uma denúncia de que ele mantinha armas em casa levou a polícia da Frelimo a fazer uma busca ao local certo, onde recolheram a velha espingarda. De seguida dirigiram-se à sua residência para o deterem e como não estava foram ao cinema onde normalmente trabalhava como encarregado da cabine de projecção. Interromperam a sessão que estava a decorrer, num aparato como se procurassem um perigoso bandido. Vasculharam praticamente todos os locais da cidade que ele habitualmente frequentava e no hotel Atlântida chegaram a fazer buscas no interior do forno industrial da respectiva cozinha! </div>
<div align="justify"><br />A cunhada Edite (irmã da esposa), ainda a residir em Vila Pery, avisou-o por telefone do que se estava a passar. O Xico e família não voltaram à sua terra abdicando assim de todos os seus bens em troca de liberdade. Ficaram na Rodésia, acolhidos pela cunhada Filomena (outra irmã da Fernanda) e marido que na altura trabalhava em Salisbury. A D. Rosalina, também avisada a tempo, já não viajou e disse adeus, para sempre, à sua bela casa, aos seus bens, à sua querida terra de Moçambique! </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">O casal ficou cerca de um ano e meio na Rodésia, onde a situação era crítica dado que o governo de Ian Smith, que anos antes declarara independência unilateral desligando-se da Inglaterra, era alvo não só de fortes sanções económicas como de resistência armada por parte do movimento de Robert Mugabe, o nacionalista que levou o território à independência em 1980 com o nome de Zimbabwe e que ainda hoje é o presidente do país, não obstante a pressão que está a sofrer pela oposição através de eleições que decorrem no momento em que escrevo este texto. </div>
<div align="justify"><br />Durante esse tempo o Xico trabalhou primeiro nos caminhos de ferro rodesianos, em Bulawayo, operando no ramo da electricidade e depois na polícia de reserva. Esta última actividade foi-lhe imposta pelas forças armadas e era uma obrigação que abrangia todos os estrangeiros ali residentes precisamente para participarem no combate à guerrilha. Andou sete meses a expor-se aos perigos que eram cada vez maiores à medida que o tempo passava e isso o levou a deixarem a Rodésia em Julho de 1978. Entretanto, em 1977, a família ficou aumentada com o nascimento do segundo filho, o João Carlos! </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Depois de uma breve estadia em Portugal, seguiram para o Brasil onde já se encontravam há mais de um ano, na cidade de Recife, a cunhada Filomena e marido que também haviam deixado a Rodésia pouco depois da chegada ali do Xico e família. E foi este casal que lhes deu apoio nos primeiros tempos, inclusive para o primeiro emprego do Xico numa fábrica de linhas como responsável de manutenção de máquinas. </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Finalmente encontraram a paz e estabilidade naquele admirável país que tão bem soube acolher muitos milhares de portugueses regressados das colónias portuguesas que se tornam independentes em 1975, nomeadamente Angola e Moçambique. </div><br />
<div align="justify">Entretanto, D. Rosalina fixara-se com o John no Canadá, onde veio a falecer em 1987 após doença prolongada, o que constituiu mais um acontecimento que abalou profundamente os seus dois filhos. <br /><br /></div>
<p align="center"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187012500096658258" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" height="236" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_v4YwnFq1I/AAAAAAAAAgE/nBrMdc2TqMY/s320/Xico_John_M%C3%A3e.jpg" width="365" border="0" /><span style="COLOR: #ff0000">D. Rosalina com os seus dois filhos Francisco (Xico) e João (John), </span><span style="COLOR: #ff0000">junto das cataratas de Niagara - Canadá, em 1986, cerca de um ano antes do seu falecimento.</span> <br /></p><br /><br /><br />
<p align="left"><strong><span style="FONT-SIZE: 180%">4 - </span><span style="FONT-SIZE: 130%"><font size="4">O XICO NO BRASIL</font></span></strong> <br /></p><br /><br /><br />
<p align="justify">Já ali radicado há cerca de dez anos, só em 1988 tive notícias dele através de uma prima, a Ana Maria, que também nascera e vivera em Vila Pery e partira com os pais para o Brasil, em 1975. A Ana Maria regressou em meados da década de oitenta a Moçambique, indo trabalhar no Ministério da Agricultura como secretária da direcção de recursos humanos do MONAP, um projecto nórdico onde curiosamente eu também estava integrado. </p>
<p align="justify"><a href="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_v81QnFq2I/AAAAAAAAAgM/KYiuu7KFbAU/s1600-h/Visita_Xico_94.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187017387769441122" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 176px; CURSOR: hand; HEIGHT: 220px" height="203" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_v81QnFq2I/AAAAAAAAAgM/KYiuu7KFbAU/s320/Visita_Xico_94.jpg" width="231" border="0" /></a> <br />Foram boas as notícias sobre o Xico, que davam conta ter-se inserido e progredido no mercado de trabalho brasileiro, primeiro na cidade de Recife, até finais da década de 70 e depois em Fortaleza onde se fixou em definitivo e ainda vive actualmente num confortável e bem localizado apartamento em condomínio fechado que ali adquiriu. Reatamos assim os nossos contactos, trocando correspondência que avivou a velha amizade e conduziu ao nosso reencontro quando nos visitou com a família na nossa casa de Amor, em 1994!<a href="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_wFqAnFq9I/AAAAAAAAAhE/_d9A59Sd2dI/s1600-h/Visita_96.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187027090100562898" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" height="278" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_wFqAnFq9I/AAAAAAAAAhE/_d9A59Sd2dI/s320/Visita_96.jpg" width="258" border="0" /></a> Posteriormente, em 1996, voltou a visitar-nos ainda acompanhado da família, mas esta seria a última com a sua adorada esposa, visto que a Fernanda falecera em fins de 1999, vítima de grave e incurável doença. Mais uma tragédia na vida do Xico, que só chegou ao meu conhecimento depois da publicação do Álbum de Recordações do meu site, em Fevereiro de 2000. Não foi, por isso mesmo, referenciado este infeliz acontecimento na breve biografia que sobre ele ali publiquei. </p>
<p align="justify"><br />Tal desenlace mudou radicalmente a vida do Xico, que ao longo de vinte anos havia reconstruído o seu lar em terras do Brasil e de algum modo atenuado o desgosto pelo que passaram e perderam em Moçambique. A perda da esposa abalou-o profundamente e só recentemente, graças ao seu abnegado espírito de luta contra as adversidades, conseguiu recuperar a moral que ficara profundamente abalada. Contou com a ajuda dos filhos e da Teresa, uma simpática cearense que tem um monte de virtudes que o encantaram para sua companheira! </p>
<p align="justify"><br />Também se reabilitou profissionalmente já que na fase crítica da doença da Fernanda se viu forçado a suspender o seu emprego. Começou por concluir os estudos na área de engenharia industrial, obtendo a respectiva licenciatura, o que lhe permitiu actuar individualmente executando projectos de formação profissional desta mesma área. Por outro lado, obteve do Estado brasileiro a aposentação relativa aos vinte anos de trabalho em Recife e Fortaleza.<a href="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_wANAnFq4I/AAAAAAAAAgc/Ywk-lWCN2AY/s1600-h/Visita_Xico_03.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187021094326217602" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 223px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px" height="248" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_wANAnFq4I/AAAAAAAAAgc/Ywk-lWCN2AY/s320/Visita_Xico_03.jpg" width="223" border="0" /></a> <br /></p><br />
<div align="justify">Entretanto, no Verão de 2003 , visitou-nos de novo, agora sozinho, aproveitando uma das suas habituais visitas que faz aos tios e primos que vivem no Porto. Proporcionei-lhe aqui o encontro com outro velho e comum amigo, o Dr. Armando Rosinha, antigo director dos serviços de fauna bravia de Moçambique e que também foi administrador (por acumulação) do Parque Nacional da Gorongosa nos tempos em que o Xico ali colaborava. </div><br />
<div align="justify"><br />Finalmente, concretizei a promessa que há vários anos vinha fazendo ao Xico de o visitar na sua nova terra. Esta decisão foi encorajada também porque quis fazer uma surpresa a minha mulher que era festejarmos as nossas bodas de ouro de casados no Brasil! </div><br />
<div align="justify"><br />Arrumei com antecedência as passagens e anunciei ao Xico as datas de chegada e regresso e confidenciei-lhe os planos. Em casa deixei correr o tempo e obtive a cumplicidade de uma sobrinha, por sinal costureira, que convenceu a tia a renovar o seu guarda-roupa já a pensar na próxima viagem a Moçambique, programada para o fim do Verão. Quase em cima da data de embarque entreguei-lhe um embrulho muito bonito com os bilhetes! <br /></div><br />
<div align="justify"><br /><a href="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zagQnFrRI/AAAAAAAAAjk/yxe3Vh2-A5A/s1600-h/Fortaleza+%C3%A0+noite.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187261118573554962" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 280px; CURSOR: hand; HEIGHT: 193px" height="171" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zagQnFrRI/AAAAAAAAAjk/yxe3Vh2-A5A/s320/Fortaleza+%C3%A0+noite.jpg" width="280" border="0" /></a> Chegamos a Fortaleza ao fim da tarde do dia 10 de Março de 2006, viajando através de um pacote turístico de uma semana, com instalação num hotel situado na avenida marginal onde se realiza a célebre feira de artesanato nocturna durante todos os dias do ano. </div><br />
<div align="justify"><br />Penso que a reacção que tivemos ao pisar terra brasileira não foi muito diferente da de todos os portugueses que visitam este maravilhoso país! De tanto ouvirmos falar dele, de tantas telenovelas que ao longo de décadas nos entraram em casa e de conhecermos a sua história como colónia portuguesa, até parece que estamos em casa. Ficámos extasiados perante a beleza daquela cidade, a quinta maior do Brasil em termos de população! </div><br />
<div align="justify"><br />O casal (Xico e Teresa) lá estava no aeroporto e foi no seu carro que seguimos para o Hotel, um percurso de dezassete quilómetros sempre dentro da cidade e a uma hora de ponta que ali, naquele burgo de quase três milhões de habitantes, é coisa séria face ao mar de carros que circulam nas ruas e avenidas a perder de vista! <br /><a href="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_wHAgnFq-I/AAAAAAAAAhM/Au1YhXKeT40/s1600-h/Finalmente+em+Fortaleza+com+Xico%C2%B4s.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187028576159247330" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 280px; CURSOR: hand; HEIGHT: 212px" height="188" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_wHAgnFq-I/AAAAAAAAAhM/Au1YhXKeT40/s320/Finalmente+em+Fortaleza+com+Xico%C2%B4s.jpg" width="280" border="0" /></a>Impunha-se, à chegada ao hotel, um banho reparador para aliviar do cansaço da viagem e a troca de roupa por coisas mais leves visto que estávamos num clima tropical que é bem agressivo durante o dia (a média anual é de vinte e seis graus mas estávamos no período mais quente do ano, acima dos trinta) e que à noite raramente baixa dos vinte! E já mais descontraídos, tiramos a primeira foto com os nossos amigos e começamos a saborear a visita com um breve passeio ali mesmo em frente do hotel, no chamado calçadão da avenida Beira Mar, onde apreciamos a famosa feira de artesanato e nos refrescamos com uns apetitosos sumos de frutos naturais! </div><br /><br /><br />
<div align="justify"><br />A estadia em Fortaleza ultrapassou as nossas expectativas, não obstante a prévia preparação que fizemos lendo os sites sobre a cidade e as informações recebidas do próprio Xico. A grandiosidade e beleza arquitectónica da cidade, as imaculadas praias da região, o bom hotel onde nos instalámos, o clima quentinho tão do nosso agrado, a simpatia dos habitantes, os sabores da culinária, os bons frutos tropicais, o artesanato genuíno, etc., foram factores que tornaram a nossa estadia muito agradável e francamente inesquecível! <br /><br /><br /></div>
<div align="justify"><a href="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_ztZQnFrYI/AAAAAAAAAkc/ooeZaD2pZvg/s1600-h/Com+Xico+em+Fortaleza.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187281889035398530" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" height="213" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_ztZQnFrYI/AAAAAAAAAkc/ooeZaD2pZvg/s320/Com+Xico+em+Fortaleza.jpg" width="294" border="0" /></a> Mas sem o apoio e acompanhamento do casal, que todas as manhãs nos ia buscar ao hotel e nos levava a visitar os lugares mais significativos da cidade (exceptuando apenas o dia em que nos integramos no programa do pacote turístico de visita à praia de Cumbuco, situada a cerca de 40 Km), aquelas "férias" não teriam atingido tal plenitude! O Xico e a Teresa foram inexcedíveis levando-nos a conhecer não só os lugares onde o turista comum normalmente vai, mas outros mais recatados e sobretudo alguns pouco recomendados por questões de segurança como dois mercados rurais e uma favela onde melhor pudemos observar e contactar com o povo e a sua cultura. Felizmente nada nos aconteceu, talvez pela descontracção, pouca exposição e aparência de pobretanas com que nos apresentávamos! <br /></div>
<div align="justify"><br /></div><br /><br /><br />
<div align="center"><br /></div><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187348560003298738" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" height="214" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_0qCBUhdbI/AAAAAAAAAlk/bpiX0CGLruE/s320/O+Xico+e+o+seu+Chevrolet.jpg" width="288" border="0" /> <br /><br />
<div align="justify"><br />Limitados ao tempo do pacote da viagem (8 dias e 7 noites), naturalmente que não pudemos visitar todos os pólos turísticos da cidade e arredores, como desejaríamos. Eram precisos muitos mais dias. Mesmo assim, aproveitamos bem esse tempo graças aos conhecimentos e eficácia dos nossos cicerones e ao genuíno Chevrollet do Xico, que só fracassou por momentos quando desabou sobre Fortaleza uma daquelas chuvadas tropicais que nós bem conhecemos de Moçambique e que afectou a parte eléctrica! <br /><br /></div><br /><br /><br />
<p align="justify"><a href="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_y2HQnFrAI/AAAAAAAAAhc/9kKZTHAbnFc/s1600-h/O+Forr%C3%B3+no+Pirata.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187221106658225154" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 288px; CURSOR: hand; HEIGHT: 214px" height="184" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_y2HQnFrAI/AAAAAAAAAhc/9kKZTHAbnFc/s320/O+Forr%C3%B3+no+Pirata.jpg" width="288" border="0" /></a>Visitamos locais típicos da cidade , como o Porto de Mar de Mucuripe; o mercado dos pescadores onde se vende o peixe e mariscos frescos vindos diariamente do mar; o mercado central da cidade, de quatro pisos, onde fervilha uma enorme multidão de gente ; o rio e parque do Cocó, muito belos; alguns bares e restaurantes da cidade e da avenida Beira Mar, onde saboreamos a boa comida nordestina: as praias de Meireles e Iracema, que são a bandeira da cidade; o novo e mega centro comercial onde os restaurantes fornecem a comida mais barata da cidade (que bela feijoada lá comi!); a zona colonial, toda ela bem conservada e vocacionada para o comércio em pequenas lojas muito frequentadas pela população e turistas; o castiço bar do capitão Mostarda, onde se bebe cerveja a rodos; o famoso Pirata, na praia de Iracema, onde passamos uma maravilhosa noite assistindo ao maior espectáculo de forró do Brasil; a praia de Cumbuco, uma das mais belas da região, onde comemos a melhor picanha na aldeia Brasil; a catedral de S. José; etc., etc. <br /></p><br /><br /><br />
<p align="center"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187223580559387682" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 344px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" height="240" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_y4XQnFrCI/AAAAAAAAAhs/fS_P0oF5zaM/s320/Com+o+Pirata+de+Fortaleza.jpg" width="381" border="0" /> <span style="COLOR: #ff0000">Esta foto, tirada com o Pirata na sua famosa casa de Forró de Fortaleza, deveu-se ao facto do Xico e os filhos terem relações de amizade com este português de sucesso! </span><span style="COLOR: #ff0000"><br /></p><br /><br />
<div align="justify"><br /></span><a href="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zHRwnFrDI/AAAAAAAAAh0/bOin19UJktA/s1600-h/Na+praia+de+Cumbuco.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187239978744523826" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" height="211" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zHRwnFrDI/AAAAAAAAAh0/bOin19UJktA/s320/Na+praia+de+Cumbuco.jpg" width="301" border="0" /></a><font color="#333333">A excursão à praia de Cumbuco foi muito curiosa porque nos permitiu observar ao longo dos 40 Km do percurso uma paisagem muito igual à do litoral do norte de Moçambique e toda uma sequência de aglomerados populacionais onde é bem notória, pelo aspecto das construções, a diferença de nível de vida dos brasileiros: belos challets, isolados mas bem protegidos com muros altos e com grades electrificadas, misturam-se com pequenas e modestas casas! Aqui e ali aparecem urbanizações onde prevalecem os condomínios fechados, igualmente protegidos com muros e redes electrificadas! <br /><br /><br /><br /></font><a href="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zIlAnFrEI/AAAAAAAAAh8/xY3aQDYCb4s/s1600-h/Coloca+o+badejo+no+forno!.jpg"><font color="#333333"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187241408968633410" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 283px; CURSOR: hand; HEIGHT: 211px" height="224" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zIlAnFrEI/AAAAAAAAAh8/xY3aQDYCb4s/s320/Coloca+o+badejo+no+forno!.jpg" width="297" border="0" /></font></a><font color="#333333"> Não obstante a roda viva em que os nossos amigos andaram para nos mostrarem o mais possível da sua cidade, eles excederam-se como anfitriães recebendo-nos e oferecendo-nos na sua casa excelentes refeições tipicamente nordestinas! </font></div><br /><br /><br /><br /><br />
<p align="justify">A primeira vez coube ao Xico a confecção da refeição, uma novidade para nós: badejo no forno, um belo manjar que muito apreciamos! A segunda foi a Teresa a cozinheira: um belíssimo caril (lá não chamam caril) de camarão, que não ficou a trás do melhor da tradição moçambicana! <br /><br /><a href="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zJHwnFrFI/AAAAAAAAAiE/8wuiyipId4s/s1600-h/Comendo+carilada+na+casa+do+Xico.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187242005969087570" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 291px; CURSOR: hand; HEIGHT: 225px" height="198" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zJHwnFrFI/AAAAAAAAAiE/8wuiyipId4s/s320/Comendo+carilada+na+casa+do+Xico.jpg" width="291" border="0" /></a>O calor humano não se esgotou no Xico, Teresa e João. Os simpáticos cunhados do Xico, a Edite e o António, que igualmente vivem e estão solidamente enraizados em Fortaleza, também nos acolheram na sua casa, um belo apartamento num moderno edifício em condomínio fechado no centro da cidade, obsequiando-nos com um requintado e apetitoso almoço! <br /><br /><a href="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zJ2gnFrGI/AAAAAAAAAiM/0V01P5CGAwQ/s1600-h/Em+casa+da+cunhada+do+Xico.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187242809127971938" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" height="225" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zJ2gnFrGI/AAAAAAAAAiM/0V01P5CGAwQ/s320/Em+casa+da+cunhada+do+Xico.jpg" width="301" border="0" /></a> <br /><br /><br /><br /><br /><br />Mas o ponto alto da estadia foi o momento em que, com os nossos amigos, na catedral de S. José e junto do altar do respectivo patrono, eu e a Lurdes nos congratulamos e agradecemos o percurso de 50 anos atingido nesse dia 17 de Março! Uma breve e singela cerimónia que foi seguida de um almoço num modelar restaurante, a última e apetitosa refeição nordestina antes do regresso a Lisboa ao fim da tarde desse dia. <br /></p><br /><br /><br />
<p align="justify"><br /><a href="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zRPAnFrJI/AAAAAAAAAik/aDZMNzkLcmQ/s1600-h/Alian%C3%A7a+das+Bodas.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187250926616161426" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" height="205" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zRPAnFrJI/AAAAAAAAAik/aDZMNzkLcmQ/s320/Alian%C3%A7a+das+Bodas.jpg" width="284" border="0" /></a>Lá deixámos mais uma amiga, a Teresa, a simpática cearense que nos cativou pelo carinho que nos dedicou e também pela forma como tem contribuído, como companheira do Xico, para a estabilidade emocional deste grande amigo que tem vivido um dos dramas mais intensos entre as famílias que tudo perderam na antiga colónia de Moçambique, por razões que só podem ser atribuídas aos responsáveis do governo português que aprovaram a independência de forma leviana não acautelando no respectivo Acordo (Luzaka, Setembro 1974) os interesses e a própria segurança dos portugueses lá estabelecidos! <br /></p><br />
<p align="justify"><br /><a href="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zRyQnFrKI/AAAAAAAAAis/3_aY7872EnU/s1600-h/O+Xico+contando+uma+hist%C3%B3ria+de+ca%C3%A7a!.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187251532206550178" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" height="212" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zRyQnFrKI/AAAAAAAAAis/3_aY7872EnU/s320/O+Xico+contando+uma+hist%C3%B3ria+de+ca%C3%A7a!.jpg" width="283" border="0" /></a> O Xico já está curado da nostalgia e saudosismo que o perseguiram durante os primeiros anos de estadia no Brasil. Apenas mantém o sentimento de revolta contra as autoridades que o perseguiram e forçaram a sair de Moçambique pois não compreende porque razão o fizeram quando ele era uma pessoa com um passado limpo, muito estimado pela população e se considerava um elemento útil ao país, tanto para fazer formação profissional na área da sua especialidade, como para dar aulas nas escolas secundárias e institutos, ensinar música, treinar desportistas, ou, simplesmente, deixarem-no prosseguir com o seu projecto agro-pecuário que tanto o fascinava! <br /></p><br /><br /><br />O Brasil conquistou-o, soube aproveitá-lo e ele agora ama-o tão intensamente como amava a sua terra natal - Vila Pery, Moçambique! <br /><br /><br /><br /><br />
<div align="center"><br /></div><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187325938410550610" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_0VdRUhdVI/AAAAAAAAAk0/rfbKB-2TBzw/s320/O+almo%C3%A7o+de+despedida.jpg" border="0" /> <br /><br />
<p align="center"><span style="COLOR: #ff0000">O almoço de despedida</span> <br /><br /><br /></p><br />
<p align="justify"><br /></p><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187326969202701666" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_0WZRUhdWI/AAAAAAAAAk8/_9UhG-13a40/s320/No+Bazar+da+fruta.jpg" border="0" /> <br /><br />
<p align="center"><span style="COLOR: #ff0000">As belas frutas brasileiras!</span> <br /><br /><br /><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187328700074521986" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_0X-BUhdYI/AAAAAAAAAlM/50oM46zaGNE/s320/O+Jo%C3%A3o.jpg" border="0" /> <br /></p><br />
<p align="center"><span style="COLOR: #ff0000">O simpático João, que muito colaborou na nossa visita! </span><br /><span style="COLOR: #ff0000">O irmão mais velho, o Rui, já casado, vivia na altura em S. Paulo.</span> <br /><br /><br /></p><br />
<div align="center"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187260444263689474" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zZ5AnFrQI/AAAAAAAAAjc/RJnjZvWOOpY/s320/Junto+da+praia+de+Fortaleza.JPG" border="0" /><span style="COLOR: #ff0000"> Na praia de Iracema</span> <br /><br /><br /></div><br />
<div align="center"><span style="COLOR: #ff0000"></span></div><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187269158752333106" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zh0QnFrTI/AAAAAAAAAj0/LcrBnwDGg44/s320/Xico+e+Tereza+na+sua+casa.jpg" border="0" /> <br /><br />
<p align="center"><span style="COLOR: #ff0000">A Teresa e o Xico, descontraídos à boa maneira afro-brasileira! <br /><br /></span><br />* * * <br /><br /></p><br />
<div align="justify">Marrabenta, Abril de 2008 <br /></div><br /><br />
<div align="justify">Celestino Gonçalves</div>]]></description>
         <link>http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/2008/05/12_african_trails_2.html</link>
         <guid>http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/2008/05/12_african_trails_2.html</guid>
        
        
         <pubDate>Thu, 22 May 2008 14:57:13 +0000</pubDate>
      </item>
            <item>
         <title>12 - AFRICAN TRAILS</title>
         <description><![CDATA[<div align="center"><a href="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_vRyQnFqvI/AAAAAAAAAfU/-IUAKKn9PkA/s1600-h/11%2B-%2BAfrican%2BTrails.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5186970057229839090" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_vRyQnFqvI/AAAAAAAAAfU/-IUAKKn9PkA/s320/11%2B-%2BAfrican%2BTrails.jpg" border="0" /></a> (11) <br /><br /></div>
<div align="center"><br />Título <br /><br /></div>
<div align="center"><strong><span style="FONT-SIZE: 180%">AFRICAN TRAILS</span></strong> <br /><br /></div>
<div align="center">Autor <br /></div>
<div align="center"><span style="FONT-SIZE: 180%"><strong>FRANCISCO MAGALHÃES</strong></span> <br /><br /><span style="FONT-SIZE: 180%"><strong><span style="FONT-SIZE: 130%"><font size="6">(XICO) </font></span></strong></span></div><br />
<p align="center"><strong><span style="FONT-SIZE: 130%"><font size="4">(Caçador desportista)</font></span></strong> <br /></p><br /><br />
<div align="center">Ano: 1996 (Edição em inglês, esgotada) <br />Edição em português: no prelo (Brasil) <br /></div><br /><br /><br />
<p align="left"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187023533867641762" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_wCbAnFq6I/AAAAAAAAAgs/hbRA_F8F8ho/s320/Xico1_1.jpg" border="0" /> </p><br /><br /><br />
<p align="left"><strong><span style="FONT-SIZE: 180%">1</span> - BREVES NOTAS SOBRE O LIVRO</strong> <br /></p><br /><br />
<div align="justify">Este interessante livro relata a experiência do autor como caçador desportista em Moçambique durante os últimos quinze anos da administração colonial portuguesa (1960/1975). Trata-se de uma obra cuja edição foi feita em Inglaterra em circunstâncias que prejudicaram os direitos do autor, levando-o a processar a editora e em consequência disso encontram-se suspensas as vendas e as reedições em língua inglesa. Entretanto e dado o sucesso alcançado no Brasil, o autor tem já no prelo a reedição (melhorada) em português, esperando-se que sai-a em breve. </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Alguns dos relatos das caçadas referem a participação do autor nos trabalhos das brigadas de controle dos animais, sobretudo elefantes, que estavam a meu cargo na província de Manica e Sofala, alguns deles na área do Parque Nacional da Gorongosa. Também revela a sua grande paixão pelo mesmo Parque com cuja administração colaborou tanto em trabalhos da sua profissão, que foram as instalações eléctricas em alguns edifícios do Chitengo e nos da Bela-Vista, como na elaboração dos mapas das picadas com desenhos dos animais mais representativos. Esses mapas, tal como um outro abrangendo toda a província, foram oficializados e vigoraram até muito recentemente. </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">A descrição pormenorizada que ali se faz das regiões de caça frequentadas pelo autor e do seu potencial faunístico, são um excelente contributo para os estudos que se venham a fazer nessas mesmas áreas, sobretudo para localização de algumas espécies raras que sofreram elevado desbaste durante a guerra civil que grassou no país desde 1977 a 1992.</div><br /><br /><br />
<div align="left"><strong><span style="FONT-SIZE: 180%">2 - </span><span style="FONT-SIZE: 130%"><font size="4">O QUE ESCREVI ACERCA DO XICO NO ANO 2000 (*)</font></span></strong></div><br /><br />
<div align="justify">Nascido em Moçambique, em 1936, desde criança que o Xico se habituou a conviver com a natureza e logo se apaixonou pela caça. Seu pai foi chefe de posto administrativo e viveu em regiões das mais famosas em fauna bravia, como Marromeu, Lacerdónia, Inhaminga, Gorongosa, Vila Machado e por último Vila Pery, actual Chimoio. </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Caçador desportista por excelência, estudioso e apaixonado pelos problemas da fauna bravia, depressa despertou a minha atenção após a chegada a Vila Pery no início de 1963. Para além da caça tinha ainda outra grande paixão: a fotografia ! Raramente se encontravam, no seio dos caçadores, indivíduos com estes atributos ! </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">O Xico era um profissional do ramo da electricidade, com formação superior obtida na África do Sul. Esta sua actividade contribuiu também para a nossa aproximação: elaborou e executou projectos de electrificação para o Parque Nacional da Gorongosa, - a cuja administração estive ligado nessa altura - e também para o Posto de Fiscalização de Caça de Vila Pery.<img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5164382304660689730" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R6uSWBGdE0I/AAAAAAAAAbg/y1AglyRMhko/s320/Xico2.jpg" border="0" /> <br /></div>
<div align="justify">Conhecedor das áreas de caça da região e do seu potencial faunístico, foi o meu melhor colaborador na identificação das mesmas, quer elaborando mapas e gráficos, quer acompanhando-me nas deslocações, sobretudo quando havia operações de controle de animais em defesa de pessoas e bens, muito frequentes naquela zona central de Moçambique. </div>
<div align="justify"><br />No escritório-laboratório da residência da família Magalhães &ndash; uma das melhores da cidade - passámos muitas horas ao serão, revelando filmes e fazendo fotos e mapas ilustrados com desenhos dos animais típicos das respectivas áreas. Muitos destes trabalhos foram oficializados e alguns deles ainda estão em uso, nomeadamente os respeitantes aos Parques Nacionais, Reservas e Coutadas. O Xico era perito nestes trabalhos e executava-os com grande satisfação, nunca tendo cobrado por eles qualquer importância ! </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Dizia-me que a melhor recompensa que podia receber era a nossa confiança e o reconhecimento das suas virtudes como caçador desportista, respeitador das leis da caça e simultaneamente como conservador da fauna bravia. Não tive pois qualquer dúvida em lhe facultar a realização de alguns dos seus sonhos, integrando-o muitas vezes nos meus trabalhos de controle de animais de grande porte, nomeadamente de elefantes, quando em defesa de pessoas e bens. Foi um dos raros caçadores estranhos aos Serviços da Fauna a quem facultei semelhante participação, durante a minha actividade e a sua preciosa ajuda revelou-se sempre muito útil e confirmou o seu valor como caçador. </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Publicou em 1996 um interessante livro, em inglês, sobre as suas aventuras como caçador, com o título &ldquo;African Trails&rdquo;, descrevendo ali algumas experiências sobre a sua participação naquelas brigadas. Está a preparar a edição em português. </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Saiu de Moçambique em 1976, em circunstâncias que muito o traumatizaram e que deixou transparecer naquele mesmo livro. </div>
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<div align="justify">Vive há largos anos no Brasil, provavelmente sonhando com a sua terra natal e com os belos momentos que ali passou nas caçadas que tanto o emocionavam! Pela admiração e respeito que sempre me mereceu e pela amizade recíproca que ao longo dos anos temos mantido, o primeiro lugar neste álbum dificilmente poderia ser ocupado por outro !</div>
<div align="justify"></div>
<div align="justify">Voltarei, em local diferente, a falar do Xico e de seus saudosos pais ! </div><br /><em>(*) - Álbum n&ordm; 1 da série "ÁLBUM DE RECORDAÇÕES" do meu site </em><a href="http://www.geocities.com/Vila_Luisa"><em></a></em><em><a href="http://www.geocities.com/Vila_Luisa"><font color="#445566">www.geocities.com/Vila_Luisa</font></em></a><strong><span style="FONT-SIZE: 180%"></span></strong></a> <br /><br /><br /><br /><br /><br />
<div align="justify"><strong><span style="FONT-SIZE: 180%">3 - </span><span style="FONT-SIZE: 130%"><font size="4">VOLTANDO A FALAR DO XICO E DA FAMÍLIA</font></span> </strong></div><br /><strong>
<div align="justify"><br /></strong>Volvidos oito anos após aquela publicação, a promessa de voltar a falar do Xico e de seus saudosos pais cumpre-se agora. Faço-o com satisfação redobrada porque ao longo destes anos recebi imensas mensagens de amigos comuns para saberem notícias dele, alguns antigos colegas de escola que sem dúvida vão gostar de ter mais informações. E porque já visitei o Xico na sua terra de adopção, o Brasil, em 2006, em retribuição de três visitas que dele recebi aqui em Portugal, tenho motivos adicionais para enriquecer a pequena biografia que abriu os "Álbuns de Recordações" do meu site no ano 2000.</div>
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<div align="justify">Voltando aos tempos de Vila Pery para descrever a família Magalhães (casal e dois filhos), queria dizer que este clã desfrutava de grande simpatia da parte da população da bela cidade do planalto de Chimoio, em cujo meio se encontrava radicado desde o início da década de 30 (o Xico nasceu lá em 1936). <br /><br /></div>
<div align="justify"><a href="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_vwxQnFqwI/AAAAAAAAAfc/pwh5HFF8eoQ/s1600-h/Pai+Magalh%C3%A3es.JPG"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187004124910430978" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 181px; CURSOR: hand; HEIGHT: 250px" height="250" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_vwxQnFqwI/AAAAAAAAAfc/pwh5HFF8eoQ/s320/Pai+Magalh%C3%A3es.JPG" width="201" border="0" /></a>O patriarca, <strong>António Correia de Sousa Magalhães</strong> (conhecido por "Magalhães Careca"), descendente de uma antiga família cuja árvore genealógica revela ligação à irmã do navegador português Fernão de Magalhães, foi para Moçambique depois de ter feito os seus estudos para oficial da Marinha nos anos em que algumas figuras conhecidas, como o antigo presidente da república Almirante Américo Tomaz, igualmente fizeram tal formação. Seguiu contudo a carreira administrativa como chefe de posto da Companhia de Moçambique, mas quando esta majestática foi integrada no Estado, em 1941, ele abandonou a carreira e fixou-se em Vila Pery (então uma pequena vila) para se dedicar à indústria de madeiras, construção civil e outras actividades imobiliárias. Um dos seus melhores negócios (assim o dizia), foi a compra da fazenda "Mandigos", que inicialmente pertencera aos caminhos de ferro de Moçambique e depois aos irmãos Fernandes até chegar às suas mãos. Uma propriedade de grandes dimensões situada na parte sul da vila e dividida desta apenas pela estrada Beira-Rodésia, que adquiriu justamente por antever o desenvolvimento da futura cidade capital do Chimoio e a sua importância como área de expansão da mesma. </div>
<div align="justify"><br />O sucesso das suas empresas depressa o tornaram uma figura bem conhecida e admirada não só na vila mas ao nível da província de Manica e Sofala que abrangia praticamente todo o centro de Moçambique (entre os rios Save e Zambeze), cuja capital era a cidade da Beira, a segunda maior do território. O desenvolvimento da pequena vila dos anos 40, transformada numa airosa e bonita cidade nos anos 50, muito se ficou a dever ao dinamismo e colaboração deste velho colono, que através de parcelamentos sucessivos e adequados permitiu a criação da zona industrial, aerodromo, campo de futebol, feira de exposições agro-pecuárias, laboratório de investigação veterinária e pequenas quintas para agricultura e habitação. Parte dessas parcelas, nomeadamente as de benefício público como o aeródromo, feira, campo de futebol e laboratório veterinário, foram por ele oferecidas ao Estado. <br /></div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify"><a href="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_0OaRUhdTI/AAAAAAAAAkk/aYO5smoYypU/s1600-h/Cinema+Montalto_2000.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187318190289548594" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" height="183" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_0OaRUhdTI/AAAAAAAAAkk/aYO5smoYypU/s320/Cinema+Montalto_2000.jpg" width="301" border="0" /></a> O maior e mais belo conjunto arquitectónico da cidade, constituído pelo prédio e cinema Montalto, construído no centro e com frente para as duas principais avenidas, integrou, para além de uma moderna sala de espectáculos, um espaçoso café, lojas, escritórios e apartamentos de habitação. Foi um dos mais arrojados projectos por si encabeçados, de parceria com outros dois bem conhecidos empresários da época, Eng&ordm; Jaime Guedes (construtor civil e empreiteiro de estradas) e Jorge de Abreu (da Somocine e Hoteis Tivoli e Turismo de Lourenço Marques). A empresa que formaram - Sociedade de Construções Montalto - daria assim o nome a este complexo e ao próprio cinema que ainda hoje é a única sala de espectáculos da cidade. </div>
<div align="justify"><br />Mas a empresa que lhe terá dado mais sucessos, em termos financeiros, era a LICA - Luso Industrial Comercial e Agrícola, Lda, que comercializava internamente e exportava as ricas madeiras de Moçambique, preparadas nas duas serrações que possuía em Gondola e Inhamacoa. Este negócio, considerado dos mais rendosos no território, levava o velho Magalhães a deslocar-se com frequência ao estrangeiro, o que lhe dava a oportunidade de conhecer muitos países de todos os quadrantes e o tornava uma pessoa bem informada e esclarecida com quem dava gosto conversar. </div>
<p align="justify"><br />A matriarca, <strong>D. Rosalina Barradas</strong>, de uma família com vários elementos igualmente radicados em Vila Pery, há muitos anos, tornara-se uma das principais damas da sociedade local, tanto pelo estatuto do próprio marido como pela simpatia que irradiava e pela sua acção benemérita junto dos mais desfavorecidos. <br /></p>
<div align="justify">Boa esposa, boa mãe, boa amiga e maravilhosa anfitriã, D. Rosalina tinha o seu tempo sempre ocupado, quer nas lides da casa quer nos compromissos sociais ou ainda a costurar, um hobby que muito adorava. E porque era um hobby, apenas confeccionava roupas para a família e amigas e nunca cobrava por isso qualquer importância! <br /><br /><br /></div>
<div align="justify"><a href="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_v0qgnFqyI/AAAAAAAAAfs/dcW3GOb_BG4/s1600-h/A+casa+de+Vila+Pery+em+2000.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187008406992825122" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 248px; CURSOR: hand; HEIGHT: 149px" height="149" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_v0qgnFqyI/AAAAAAAAAfs/dcW3GOb_BG4/s320/A+casa+de+Vila+Pery+em+2000.jpg" width="290" border="0" /></a>A casa da família, construída num vasto talhão na parte sul da cidade, não muito longe do centro, era das melhores vivendas de Vila Pery e estava discretamente protegida por muros periféricos com grades metálicas cobertas por espessas sebes de buganvílias e lantanas sempre bem aparadas. De piso térreo e arquitectura moderna ao estilo das moradias dos bairros chiques das cidades da África do Sul e da Rodésia, compunha-se de dois corpos unidos e em sentidos opostos. O interior, de divisões espaçosas e bem arejadas, era dotado de amplas portadas e janelas envidraçadas. No exterior e ao fundo do quintal, alinhavam-se os anexos de apoio constituídos por uma ampla garagem, escritório, dependência de empregados e estúdio fotográfico. Na parte da frente e à direita da casa estava um pequeno e airoso challet destinado aos trabalhos de costura de D. Rosalina, uma autêntica sala de visitas onde ela recebia e tomava chá com as amigas. Mais tarde o Xico construiu um pavilhão anexo à garagem onde instalou uma escola de judo, outra das suas grandes paixões e que alcançou grande sucesso na cidade, chegando a ter mais de três dezenas de praticantes! </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Tudo naquela casa espelhava o bom gosto de D. Rosalina! A sala comum, requintadamente equipada com móveis das melhores madeiras, onde se destacava uma enorme mesa para as refeições (nota evidente do espírito de bem receber desta família), era o espaço onde os Magalhães se orgulhavam de receber as suas inúmeras visitas, muitas delas partilhavam das suas refeições mesmo que chegassem em cima da hora. Contígua a esta sala, entre a cozinha e a ala dos quartos, havia a sala de música onde o Xico muitas vezes ao serão deliciava a família e os amigos tocando ao piano as músicas mais em voga na época e também alguns clássicos que bem dominava. Ele ainda agora recorda com muito orgulho que foi o primeiro pianista do conjunto dos irmãos Muge, célebre em Moçambique na década de 60!</div>
<div align="justify"><br />Os quadros, as molduras com fotos de família, os bibelôs, a tapeçaria e os arranjos de flores sempre viçosas, tudo disposto nos lugares adequados, condiziam igualmente com o ambiente sóbrio e funcional da casa. Na grande cozinha, as flores eram substituídas por vários cestos repletos de boa fruta tropical da região do planalto, dispostos ao longo das bancadas de mármores que ladeavam as paredes. </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">O quarto do Xico, o terceiro do fim da ala respectiva, era uma autêntica <em>suite, </em>espaçoso, com banheiro privativo e uma salinha de entrada, tornando-o assim independente mesmo para receber visitas. Estava decorado discretamente com motivos de caça, fotografias artísticas, quadros e outros objectos da sua autoria. Numa vitrine encontravam-se dos melhores livros e álbuns sobre a caça, vida selvagem, fotografia, judo e música, as suas paixões e <em>hobbys</em> predilectos. E num armeiro especial, a um canto da salinha, estava o património pessoal de que mais se orgulhava, que era o arsenal de armas de caça próprias para abate de todo o tipo de animais, incluindo elefantes, bem polidas e oleadas e que faziam inveja a qualquer caçador profissional afamado. Cada uma destas espingardas tinha a sua história, que ele contava com o entusiasmo próprio dos caçadores, sobretudo quando referia os seus sucessos nas caçadas aos búfalos, a espécie que o fez viver emocionantes aventuras e que tão bem relatou no seu livro "Afican Trails". </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Aquele belo apartamento da casa dos Magalhães fora concebido e mobilado para os dois filhos do casal, mas o João, o mais novo, só o utilizava quando ali ia de férias, visto que, ao contrário do Xico que regressou da África do Sul após os estudos, ficou em Johannesburg a trabalhar na IBM depois de concluída a formação em engenharia de sistemas de computadores. O John, como era (e ainda é) conhecido, viria a adquirir uma elevada craveira técnica dentro da IBM, acabando por ser requisitado pelas grandes empresas deste grupo sedeadas no Canadá, onde se radicou há mais de vinte anos e desempenha altos cargos como conselheiro, gerente de sistemas, vice presidente e consultor sénior da Logitek (Toronto) e director do grupo DMR (Ottawa). </div>
<div align="justify"><br />Durante os seis anos que residi em Vila Pery (1963/1968), fui frequentador assíduo da casa dos Magalhães, graças à amizade enraizada com o Xico que me facultava o seu pequeno mundo onde me sentia bem justamente pelo muito de comum que tínhamos, nomeadamente na área da fotografia que ele tão bem dominava e que também era um dos meus <em>hobbys</em> preferidos. No seu bem apetrechado estúdio passámos imensos serões, revelando filmes, fazendo fotos e trabalhando-as nas mais diversas formas, o que me permitiu aumentar os conhecimentos que já tinha nesta matéria. <br /></div>
<div align="justify">Mas o calor humano que ali se respirava era sem dúvida o factor máximo que me dava o à-vontade e o prazer de conviver com esta família, cujo patriarca me tratava carinhosamente por poeta (alusão ao facto de usar o cabelo comprido) e com quem muito aprendi porque era um bom conversador, senhor de uma invulgar bagagem geral de conhecimentos e com grande experiência de vida em Moçambique. Era também um acérrimo crítico à governação colonial e um fervoroso adepto de uma independência baseada nos princípios democráticos, sem quaisquer barreiras de caris rácico ou religioso. </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">O Xico, que entretanto (1973) constituíra família casando com a simpática Fernanda, filha de um funcionário da Textáfrica (a grande fábrica de tecidos instalada no início da década de 60 nos subúrbios de Vila Pery e que muito contribuiu para o grande desenvolvimento da cidade), mudara-se para uma casa que o pai lhe oferecera como prenda da casamento, situada junto das pistas do aeródromo e integrada numa parcela de terreno com 14 hectares. Ali iniciou um projecto agro-pecuário (cultivo de forragens e criação de ovelhas), mais um dos seus planos para rentabilizar os vastos terrenos da família.</div><br />
<div align="justify">Os sonhos desta família começaram a desvanecer-se com o falecimento súbito, em 1973, do pai Magalhães e ruíram completamente com as transformações políticas operadas em Moçambique após a independência, em 1975. <br /><br />Tudo se complicou com as medidas tomadas pelas novas autoridades, que decretaram, em 2 de Fevereiro de 1976, a nacionalização dos bens de rendimento como prédios, terrenos, ou qualquer bem imóvel com excepção da própria casa de habitação. A família Magalhães perdeu praticamente tudo, um verdadeiro império comercial, industrial, agrícola e imobiliário! <br /></div>
<div align="justify">Entretanto o Xico já havia sido privado de todas as suas espingardas de caça, recolhidas pela polícia como medida de segurança própria de quem vinha de uma guerra e receava complicações que alterassem o processo de descolonização em curso. Uma medida que foi acompanhada com a proibição do exercício da caça, aquilo que ele mais gostava fazer nos tempos livres! </div><br />
<div align="justify">A população portuguesa, desprotegida face à retirada das tropas e de todas as forças de segurança do regime colonial, iniciou a debandada logo após o acordo de Luzaka ente a Frelimo e o governo português, em 7 de Setembro de 1974. Muitos daqueles que insistiram manter-se após a independência em 25 de Junho do ano seguinte, viram-se a braços com imensas dificuldades, muitas vezes pelo exagero na actuação dos agentes de autoridade do novo poder da Frelimo. Um pequeno problema era transformado em grande conflito lesa pátria e o Xico acabou por ter o primeiro, relacionado com duas granadas que a polícia portuguesa lhe entregou anos antes, destinadas ao encarregado de uma das serrações da família para defesa das instalações que já haviam sido atacadas por grupos de guerrilheiros. O Xico nunca entregou essas granadas e guardou-as na sua casa acabando por se esquecer delas até que uma busca inesperada da polícia as detectou. Foi preso e viu-se envolvido num processo que acabou por ter um desfecho feliz graças à boa reputação que desfrutava entre a população negra local. Esteve eminente a sua expulsão de Moçambique com a aplicação da célebre sentença conhecida pelo 24/20, que era aplicada a torto e a direito e que dava aos "réus" 24 horas para sair de Moçambique e o direito a levar 20 quilos de bagagem! <br /><br /></div><br /><br /><br />
<div align="justify"><a href="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_v27AnFqzI/AAAAAAAAAf0/OATqBnju7ng/s1600-h/Escrit%C3%B3rio+do+Xico"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187010889483922226" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 301px; CURSOR: hand; HEIGHT: 201px" height="206" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_v27AnFqzI/AAAAAAAAAf0/OATqBnju7ng/s320/Escrit%C3%B3rio+do+Xico" width="318" border="0" /></a>Um novo caso surgiu, tempos depois e ditou o fim das suas aspirações e do resto da família, incluindo da mãe que, na altura, Fevereiro de 1976, se preparava para regressar da África do Sul onde fora visitar o John. <br />Uma velha espingarda de 1840, da antiga colecção do Xico, legalizada como arma de panóplia, incapaz de dar tiros há mais de cem anos e que ficara na casa dos pais dependurada na parede do escritório junto de alguns troféus de caça, foi o objecto do "crime" que levou ao novo conflito com as autoridades. <br /><br /></div>
<div align="justify">A feliz coincidência da ida do Xico com a família (esposa e o filho, Rui, de 2 anos) à Rodésia, para receber a mãe no aeroporto de Salisbury, evitou a sua prisão que esteve eminente poucas horas depois de ter saído de Vila Pery. Uma denúncia de que ele mantinha armas em casa levou a polícia da Frelimo a fazer uma busca ao local certo, onde recolheram a velha espingarda. De seguida dirigiram-se à sua residência para o deterem e como não estava foram ao cinema onde normalmente trabalhava como encarregado da cabine de projecção. Interromperam a sessão que estava a decorrer, num aparato como se procurassem um perigoso bandido. Vasculharam praticamente todos os locais da cidade que ele habitualmente frequentava e no hotel Atlântida chegaram a fazer buscas no interior do forno industrial da respectiva cozinha! </div>
<div align="justify"><br />A cunhada Edite (irmã da esposa), ainda a residir em Vila Pery, avisou-o por telefone do que se estava a passar. O Xico e família não voltaram à sua terra abdicando assim de todos os seus bens em troca de liberdade. Ficaram na Rodésia, acolhidos pela cunhada Filomena (outra irmã da Fernanda) e marido que na altura trabalhava em Salisbury. A D. Rosalina, também avisada a tempo, já não viajou e disse adeus, para sempre, à sua bela casa, aos seus bens, à sua querida terra de Moçambique! </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">O casal ficou cerca de um ano e meio na Rodésia, onde a situação era crítica dado que o governo de Ian Smith, que anos antes declarara independência unilateral desligando-se da Inglaterra, era alvo não só de fortes sanções económicas como de resistência armada por parte do movimento de Robert Mugabe, o nacionalista que levou o território à independência em 1980 com o nome de Zimbabwe e que ainda hoje é o presidente do país, não obstante a pressão que está a sofrer pela oposição através de eleições que decorrem no momento em que escrevo este texto. </div>
<div align="justify"><br />Durante esse tempo o Xico trabalhou primeiro nos caminhos de ferro rodesianos, em Bulawayo, operando no ramo da electricidade e depois na polícia de reserva. Esta última actividade foi-lhe imposta pelas forças armadas e era uma obrigação que abrangia todos os estrangeiros ali residentes precisamente para participarem no combate à guerrilha. Andou sete meses a expor-se aos perigos que eram cada vez maiores à medida que o tempo passava e isso o levou a deixarem a Rodésia em Julho de 1978. Entretanto, em 1977, a família ficou aumentada com o nascimento do segundo filho, o João Carlos! </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Depois de uma breve estadia em Portugal, seguiram para o Brasil onde já se encontravam há mais de um ano, na cidade de Recife, a cunhada Filomena e marido que também haviam deixado a Rodésia pouco depois da chegada ali do Xico e família. E foi este casal que lhes deu apoio nos primeiros tempos, inclusive para o primeiro emprego do Xico numa fábrica de linhas como responsável de manutenção de máquinas. </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Finalmente encontraram a paz e estabilidade naquele admirável país que tão bem soube acolher muitos milhares de portugueses regressados das colónias portuguesas que se tornam independentes em 1975, nomeadamente Angola e Moçambique. </div><br />
<div align="justify">Entretanto, D. Rosalina fixara-se com o John no Canadá, onde veio a falecer em 1987 após doença prolongada, o que constituiu mais um acontecimento que abalou profundamente os seus dois filhos. <br /><br /></div>
<p align="center"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187012500096658258" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" height="236" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_v4YwnFq1I/AAAAAAAAAgE/nBrMdc2TqMY/s320/Xico_John_M%C3%A3e.jpg" width="365" border="0" /><span style="COLOR: #ff0000">D. Rosalina com os seus dois filhos Francisco (Xico) e João (John), </span><span style="COLOR: #ff0000">junto das cataratas de Niagara - Canadá, em 1986, cerca de um ano antes do seu falecimento.</span> <br /></p><br /><br /><br />
<p align="left"><strong><span style="FONT-SIZE: 180%">4 - </span><span style="FONT-SIZE: 130%"><font size="4">O XICO NO BRASIL</font></span></strong> <br /></p><br /><br /><br />
<p align="justify">Já ali radicado há cerca de dez anos, só em 1988 tive notícias dele através de uma prima, a Ana Maria, que também nascera e vivera em Vila Pery e partira com os pais para o Brasil, em 1975. A Ana Maria regressou em meados da década de oitenta a Moçambique, indo trabalhar no Ministério da Agricultura como secretária da direcção de recursos humanos do MONAP, um projecto nórdico onde curiosamente eu também estava integrado. </p>
<p align="justify"><a href="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_v81QnFq2I/AAAAAAAAAgM/KYiuu7KFbAU/s1600-h/Visita_Xico_94.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187017387769441122" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 176px; CURSOR: hand; HEIGHT: 220px" height="203" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_v81QnFq2I/AAAAAAAAAgM/KYiuu7KFbAU/s320/Visita_Xico_94.jpg" width="231" border="0" /></a> <br />Foram boas as notícias sobre o Xico, que davam conta ter-se inserido e progredido no mercado de trabalho brasileiro, primeiro na cidade de Recife, até finais da década de 70 e depois em Fortaleza onde se fixou em definitivo e ainda vive actualmente num confortável e bem localizado apartamento em condomínio fechado que ali adquiriu. Reatamos assim os nossos contactos, trocando correspondência que avivou a velha amizade e conduziu ao nosso reencontro quando nos visitou com a família na nossa casa de Amor, em 1994!<a href="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_wFqAnFq9I/AAAAAAAAAhE/_d9A59Sd2dI/s1600-h/Visita_96.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187027090100562898" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" height="278" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_wFqAnFq9I/AAAAAAAAAhE/_d9A59Sd2dI/s320/Visita_96.jpg" width="258" border="0" /></a> Posteriormente, em 1996, voltou a visitar-nos ainda acompanhado da família, mas esta seria a última com a sua adorada esposa, visto que a Fernanda falecera em fins de 1999, vítima de grave e incurável doença. Mais uma tragédia na vida do Xico, que só chegou ao meu conhecimento depois da publicação do Álbum de Recordações do meu site, em Fevereiro de 2000. Não foi, por isso mesmo, referenciado este infeliz acontecimento na breve biografia que sobre ele ali publiquei. </p>
<p align="justify"><br />Tal desenlace mudou radicalmente a vida do Xico, que ao longo de vinte anos havia reconstruído o seu lar em terras do Brasil e de algum modo atenuado o desgosto pelo que passaram e perderam em Moçambique. A perda da esposa abalou-o profundamente e só recentemente, graças ao seu abnegado espírito de luta contra as adversidades, conseguiu recuperar a moral que ficara profundamente abalada. Contou com a ajuda dos filhos e da Teresa, uma simpática cearense que tem um monte de virtudes que o encantaram para sua companheira! </p>
<p align="justify"><br />Também se reabilitou profissionalmente já que na fase crítica da doença da Fernanda se viu forçado a suspender o seu emprego. Começou por concluir os estudos na área de engenharia industrial, obtendo a respectiva licenciatura, o que lhe permitiu actuar individualmente executando projectos de formação profissional desta mesma área. Por outro lado, obteve do Estado brasileiro a aposentação relativa aos vinte anos de trabalho em Recife e Fortaleza.<a href="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_wANAnFq4I/AAAAAAAAAgc/Ywk-lWCN2AY/s1600-h/Visita_Xico_03.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187021094326217602" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 223px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px" height="248" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_wANAnFq4I/AAAAAAAAAgc/Ywk-lWCN2AY/s320/Visita_Xico_03.jpg" width="223" border="0" /></a> <br /></p><br />
<div align="justify">Entretanto, no Verão de 2003 , visitou-nos de novo, agora sozinho, aproveitando uma das suas habituais visitas que faz aos tios e primos que vivem no Porto. Proporcionei-lhe aqui o encontro com outro velho e comum amigo, o Dr. Armando Rosinha, antigo director dos serviços de fauna bravia de Moçambique e que também foi administrador (por acumulação) do Parque Nacional da Gorongosa nos tempos em que o Xico ali colaborava. </div><br />
<div align="justify"><br />Finalmente, concretizei a promessa que há vários anos vinha fazendo ao Xico de o visitar na sua nova terra. Esta decisão foi encorajada também porque quis fazer uma surpresa a minha mulher que era festejarmos as nossas bodas de ouro de casados no Brasil! </div><br />
<div align="justify"><br />Arrumei com antecedência as passagens e anunciei ao Xico as datas de chegada e regresso e confidenciei-lhe os planos. Em casa deixei correr o tempo e obtive a cumplicidade de uma sobrinha, por sinal costureira, que convenceu a tia a renovar o seu guarda-roupa já a pensar na próxima viagem a Moçambique, programada para o fim do Verão. Quase em cima da data de embarque entreguei-lhe um embrulho muito bonito com os bilhetes! <br /></div><br />
<div align="justify"><br /><a href="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zagQnFrRI/AAAAAAAAAjk/yxe3Vh2-A5A/s1600-h/Fortaleza+%C3%A0+noite.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187261118573554962" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 280px; CURSOR: hand; HEIGHT: 193px" height="171" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zagQnFrRI/AAAAAAAAAjk/yxe3Vh2-A5A/s320/Fortaleza+%C3%A0+noite.jpg" width="280" border="0" /></a> Chegamos a Fortaleza ao fim da tarde do dia 10 de Março de 2006, viajando através de um pacote turístico de uma semana, com instalação num hotel situado na avenida marginal onde se realiza a célebre feira de artesanato nocturna durante todos os dias do ano. </div><br />
<div align="justify"><br />Penso que a reacção que tivemos ao pisar terra brasileira não foi muito diferente da de todos os portugueses que visitam este maravilhoso país! De tanto ouvirmos falar dele, de tantas telenovelas que ao longo de décadas nos entraram em casa e de conhecermos a sua história como colónia portuguesa, até parece que estamos em casa. Ficámos extasiados perante a beleza daquela cidade, a quinta maior do Brasil em termos de população! </div><br />
<div align="justify"><br />O casal (Xico e Teresa) lá estava no aeroporto e foi no seu carro que seguimos para o Hotel, um percurso de dezassete quilómetros sempre dentro da cidade e a uma hora de ponta que ali, naquele burgo de quase três milhões de habitantes, é coisa séria face ao mar de carros que circulam nas ruas e avenidas a perder de vista! <br /><a href="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_wHAgnFq-I/AAAAAAAAAhM/Au1YhXKeT40/s1600-h/Finalmente+em+Fortaleza+com+Xico%C2%B4s.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187028576159247330" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 280px; CURSOR: hand; HEIGHT: 212px" height="188" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_wHAgnFq-I/AAAAAAAAAhM/Au1YhXKeT40/s320/Finalmente+em+Fortaleza+com+Xico%C2%B4s.jpg" width="280" border="0" /></a>Impunha-se, à chegada ao hotel, um banho reparador para aliviar do cansaço da viagem e a troca de roupa por coisas mais leves visto que estávamos num clima tropical que é bem agressivo durante o dia (a média anual é de vinte e seis graus mas estávamos no período mais quente do ano, acima dos trinta) e que à noite raramente baixa dos vinte! E já mais descontraídos, tiramos a primeira foto com os nossos amigos e começamos a saborear a visita com um breve passeio ali mesmo em frente do hotel, no chamado calçadão da avenida Beira Mar, onde apreciamos a famosa feira de artesanato e nos refrescamos com uns apetitosos sumos de frutos naturais! </div><br /><br /><br />
<div align="justify"><br />A estadia em Fortaleza ultrapassou as nossas expectativas, não obstante a prévia preparação que fizemos lendo os sites sobre a cidade e as informações recebidas do próprio Xico. A grandiosidade e beleza arquitectónica da cidade, as imaculadas praias da região, o bom hotel onde nos instalámos, o clima quentinho tão do nosso agrado, a simpatia dos habitantes, os sabores da culinária, os bons frutos tropicais, o artesanato genuíno, etc., foram factores que tornaram a nossa estadia muito agradável e francamente inesquecível! <br /><br /><br /></div>
<div align="justify"><a href="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_ztZQnFrYI/AAAAAAAAAkc/ooeZaD2pZvg/s1600-h/Com+Xico+em+Fortaleza.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187281889035398530" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" height="213" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_ztZQnFrYI/AAAAAAAAAkc/ooeZaD2pZvg/s320/Com+Xico+em+Fortaleza.jpg" width="294" border="0" /></a> Mas sem o apoio e acompanhamento do casal, que todas as manhãs nos ia buscar ao hotel e nos levava a visitar os lugares mais significativos da cidade (exceptuando apenas o dia em que nos integramos no programa do pacote turístico de visita à praia de Cumbuco, situada a cerca de 40 Km), aquelas "férias" não teriam atingido tal plenitude! O Xico e a Teresa foram inexcedíveis levando-nos a conhecer não só os lugares onde o turista comum normalmente vai, mas outros mais recatados e sobretudo alguns pouco recomendados por questões de segurança como dois mercados rurais e uma favela onde melhor pudemos observar e contactar com o povo e a sua cultura. Felizmente nada nos aconteceu, talvez pela descontracção, pouca exposição e aparência de pobretanas com que nos apresentávamos! <br /></div>
<div align="justify"><br /></div><br /><br /><br />
<div align="center"><br /></div><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187348560003298738" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" height="214" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_0qCBUhdbI/AAAAAAAAAlk/bpiX0CGLruE/s320/O+Xico+e+o+seu+Chevrolet.jpg" width="288" border="0" /> <br /><br />
<div align="justify"><br />Limitados ao tempo do pacote da viagem (8 dias e 7 noites), naturalmente que não pudemos visitar todos os pólos turísticos da cidade e arredores, como desejaríamos. Eram precisos muitos mais dias. Mesmo assim, aproveitamos bem esse tempo graças aos conhecimentos e eficácia dos nossos cicerones e ao genuíno Chevrollet do Xico, que só fracassou por momentos quando desabou sobre Fortaleza uma daquelas chuvadas tropicais que nós bem conhecemos de Moçambique e que afectou a parte eléctrica! <br /><br /></div><br /><br /><br />
<p align="justify"><a href="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_y2HQnFrAI/AAAAAAAAAhc/9kKZTHAbnFc/s1600-h/O+Forr%C3%B3+no+Pirata.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187221106658225154" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 288px; CURSOR: hand; HEIGHT: 214px" height="184" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_y2HQnFrAI/AAAAAAAAAhc/9kKZTHAbnFc/s320/O+Forr%C3%B3+no+Pirata.jpg" width="288" border="0" /></a>Visitamos locais típicos da cidade , como o Porto de Mar de Mucuripe; o mercado dos pescadores onde se vende o peixe e mariscos frescos vindos diariamente do mar; o mercado central da cidade, de quatro pisos, onde fervilha uma enorme multidão de gente ; o rio e parque do Cocó, muito belos; alguns bares e restaurantes da cidade e da avenida Beira Mar, onde saboreamos a boa comida nordestina: as praias de Meireles e Iracema, que são a bandeira da cidade; o novo e mega centro comercial onde os restaurantes fornecem a comida mais barata da cidade (que bela feijoada lá comi!); a zona colonial, toda ela bem conservada e vocacionada para o comércio em pequenas lojas muito frequentadas pela população e turistas; o castiço bar do capitão Mostarda, onde se bebe cerveja a rodos; o famoso Pirata, na praia de Iracema, onde passamos uma maravilhosa noite assistindo ao maior espectáculo de forró do Brasil; a praia de Cumbuco, uma das mais belas da região, onde comemos a melhor picanha na aldeia Brasil; a catedral de S. José; etc., etc. <br /></p><br /><br /><br />
<p align="center"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187223580559387682" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 344px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" height="240" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_y4XQnFrCI/AAAAAAAAAhs/fS_P0oF5zaM/s320/Com+o+Pirata+de+Fortaleza.jpg" width="381" border="0" /> <span style="COLOR: #ff0000">Esta foto, tirada com o Pirata na sua famosa casa de Forró de Fortaleza, deveu-se ao facto do Xico e os filhos terem relações de amizade com este português de sucesso! </span><span style="COLOR: #ff0000"><br /></p><br /><br />
<div align="justify"><br /></span><a href="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zHRwnFrDI/AAAAAAAAAh0/bOin19UJktA/s1600-h/Na+praia+de+Cumbuco.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187239978744523826" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" height="211" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zHRwnFrDI/AAAAAAAAAh0/bOin19UJktA/s320/Na+praia+de+Cumbuco.jpg" width="301" border="0" /></a><font color="#333333">A excursão à praia de Cumbuco foi muito curiosa porque nos permitiu observar ao longo dos 40 Km do percurso uma paisagem muito igual à do litoral do norte de Moçambique e toda uma sequência de aglomerados populacionais onde é bem notória, pelo aspecto das construções, a diferença de nível de vida dos brasileiros: belos challets, isolados mas bem protegidos com muros altos e com grades electrificadas, misturam-se com pequenas e modestas casas! Aqui e ali aparecem urbanizações onde prevalecem os condomínios fechados, igualmente protegidos com muros e redes electrificadas! <br /><br /><br /><br /></font><a href="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zIlAnFrEI/AAAAAAAAAh8/xY3aQDYCb4s/s1600-h/Coloca+o+badejo+no+forno!.jpg"><font color="#333333"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187241408968633410" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 283px; CURSOR: hand; HEIGHT: 211px" height="224" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zIlAnFrEI/AAAAAAAAAh8/xY3aQDYCb4s/s320/Coloca+o+badejo+no+forno!.jpg" width="297" border="0" /></font></a><font color="#333333"> Não obstante a roda viva em que os nossos amigos andaram para nos mostrarem o mais possível da sua cidade, eles excederam-se como anfitriães recebendo-nos e oferecendo-nos na sua casa excelentes refeições tipicamente nordestinas! </font></div><br /><br /><br /><br /><br />
<p align="justify">A primeira vez coube ao Xico a confecção da refeição, uma novidade para nós: badejo no forno, um belo manjar que muito apreciamos! A segunda foi a Teresa a cozinheira: um belíssimo caril (lá não chamam caril) de camarão, que não ficou a trás do melhor da tradição moçambicana! <br /><br /><a href="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zJHwnFrFI/AAAAAAAAAiE/8wuiyipId4s/s1600-h/Comendo+carilada+na+casa+do+Xico.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187242005969087570" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 291px; CURSOR: hand; HEIGHT: 225px" height="198" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zJHwnFrFI/AAAAAAAAAiE/8wuiyipId4s/s320/Comendo+carilada+na+casa+do+Xico.jpg" width="291" border="0" /></a>O calor humano não se esgotou no Xico, Teresa e João. Os simpáticos cunhados do Xico, a Edite e o António, que igualmente vivem e estão solidamente enraizados em Fortaleza, também nos acolheram na sua casa, um belo apartamento num moderno edifício em condomínio fechado no centro da cidade, obsequiando-nos com um requintado e apetitoso almoço! <br /><br /><a href="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zJ2gnFrGI/AAAAAAAAAiM/0V01P5CGAwQ/s1600-h/Em+casa+da+cunhada+do+Xico.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187242809127971938" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" height="225" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zJ2gnFrGI/AAAAAAAAAiM/0V01P5CGAwQ/s320/Em+casa+da+cunhada+do+Xico.jpg" width="301" border="0" /></a> <br /><br /><br /><br /><br /><br />Mas o ponto alto da estadia foi o momento em que, com os nossos amigos, na catedral de S. José e junto do altar do respectivo patrono, eu e a Lurdes nos congratulamos e agradecemos o percurso de 50 anos atingido nesse dia 17 de Março! Uma breve e singela cerimónia que foi seguida de um almoço num modelar restaurante, a última e apetitosa refeição nordestina antes do regresso a Lisboa ao fim da tarde desse dia. <br /></p><br /><br /><br />
<p align="justify"><br /><a href="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zRPAnFrJI/AAAAAAAAAik/aDZMNzkLcmQ/s1600-h/Alian%C3%A7a+das+Bodas.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187250926616161426" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" height="205" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zRPAnFrJI/AAAAAAAAAik/aDZMNzkLcmQ/s320/Alian%C3%A7a+das+Bodas.jpg" width="284" border="0" /></a>Lá deixámos mais uma amiga, a Teresa, a simpática cearense que nos cativou pelo carinho que nos dedicou e também pela forma como tem contribuído, como companheira do Xico, para a estabilidade emocional deste grande amigo que tem vivido um dos dramas mais intensos entre as famílias que tudo perderam na antiga colónia de Moçambique, por razões que só podem ser atribuídas aos responsáveis do governo português que aprovaram a independência de forma leviana não acautelando no respectivo Acordo (Luzaka, Setembro 1974) os interesses e a própria segurança dos portugueses lá estabelecidos! <br /></p><br />
<p align="justify"><br /><a href="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zRyQnFrKI/AAAAAAAAAis/3_aY7872EnU/s1600-h/O+Xico+contando+uma+hist%C3%B3ria+de+ca%C3%A7a!.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187251532206550178" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" height="212" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zRyQnFrKI/AAAAAAAAAis/3_aY7872EnU/s320/O+Xico+contando+uma+hist%C3%B3ria+de+ca%C3%A7a!.jpg" width="283" border="0" /></a> O Xico já está curado da nostalgia e saudosismo que o perseguiram durante os primeiros anos de estadia no Brasil. Apenas mantém o sentimento de revolta contra as autoridades que o perseguiram e forçaram a sair de Moçambique pois não compreende porque razão o fizeram quando ele era uma pessoa com um passado limpo, muito estimado pela população e se considerava um elemento útil ao país, tanto para fazer formação profissional na área da sua especialidade, como para dar aulas nas escolas secundárias e institutos, ensinar música, treinar desportistas, ou, simplesmente, deixarem-no prosseguir com o seu projecto agro-pecuário que tanto o fascinava! <br /></p><br /><br /><br />O Brasil conquistou-o, soube aproveitá-lo e ele agora ama-o tão intensamente como amava a sua terra natal - Vila Pery, Moçambique! <br /><br /><br /><br /><br />
<div align="center"><br /></div><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187325938410550610" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_0VdRUhdVI/AAAAAAAAAk0/rfbKB-2TBzw/s320/O+almo%C3%A7o+de+despedida.jpg" border="0" /> <br /><br />
<p align="center"><span style="COLOR: #ff0000">O almoço de despedida</span> <br /><br /><br /></p><br />
<p align="justify"><br /></p><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187326969202701666" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_0WZRUhdWI/AAAAAAAAAk8/_9UhG-13a40/s320/No+Bazar+da+fruta.jpg" border="0" /> <br /><br />
<p align="center"><span style="COLOR: #ff0000">As belas frutas brasileiras!</span> <br /><br /><br /><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187328700074521986" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_0X-BUhdYI/AAAAAAAAAlM/50oM46zaGNE/s320/O+Jo%C3%A3o.jpg" border="0" /> <br /></p><br />
<p align="center"><span style="COLOR: #ff0000">O simpático João, que muito colaborou na nossa visita! </span><br /><span style="COLOR: #ff0000">O irmão mais velho, o Rui, já casado, vivia na altura em S. Paulo.</span> <br /><br /><br /></p><br />
<div align="center"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187260444263689474" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zZ5AnFrQI/AAAAAAAAAjc/RJnjZvWOOpY/s320/Junto+da+praia+de+Fortaleza.JPG" border="0" /><span style="COLOR: #ff0000"> Na praia de Iracema</span> <br /><br /><br /></div><br />
<div align="center"><span style="COLOR: #ff0000"></span></div><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187269158752333106" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zh0QnFrTI/AAAAAAAAAj0/LcrBnwDGg44/s320/Xico+e+Tereza+na+sua+casa.jpg" border="0" /> <br /><br />
<p align="center"><span style="COLOR: #ff0000">A Teresa e o Xico, descontraídos à boa maneira afro-brasileira! <br /><br /></span><br />* * * <br /><br /></p><br />
<div align="justify">Marrabenta, Abril de 2008 <br /></div><br /><br />
<div align="justify">Celestino Gonçalves</div>]]></description>
         <link>http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/2008/05/12_african_trails_1.html</link>
         <guid>http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/2008/05/12_african_trails_1.html</guid>
        
        
         <pubDate>Tue, 20 May 2008 00:04:48 +0000</pubDate>
      </item>
            <item>
         <title>12 - AFRICAN TRAILS</title>
         <description><![CDATA[<div align="center"><a href="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_vRyQnFqvI/AAAAAAAAAfU/-IUAKKn9PkA/s1600-h/11%2B-%2BAfrican%2BTrails.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5186970057229839090" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_vRyQnFqvI/AAAAAAAAAfU/-IUAKKn9PkA/s320/11%2B-%2BAfrican%2BTrails.jpg" border="0" /></a> (11) <br /><br /></div>
<div align="center"><br />Título <br /><br /></div>
<div align="center"><strong><span style="FONT-SIZE: 180%">AFRICAN TRAILS</span></strong> <br /><br /></div>
<div align="center">Autor <br /></div>
<div align="center"><span style="FONT-SIZE: 180%"><strong>FRANCISCO MAGALHÃES</strong></span> <br /><br /><span style="FONT-SIZE: 180%"><strong><span style="FONT-SIZE: 130%"><font size="6">(XICO) </font></span></strong></span></div><br />
<p align="center"><strong><span style="FONT-SIZE: 130%"><font size="4">(Caçador desportista)</font></span></strong> <br /></p><br /><br />
<div align="center">Ano: 1996 (Edição em inglês, esgotada) <br />Edição em português: no prelo (Brasil) <br /></div><br /><br /><br />
<p align="left"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187023533867641762" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_wCbAnFq6I/AAAAAAAAAgs/hbRA_F8F8ho/s320/Xico1_1.jpg" border="0" /> </p><br /><br /><br />
<p align="left"><strong><span style="FONT-SIZE: 180%">1</span> - BREVES NOTAS SOBRE O LIVRO</strong> <br /></p><br /><br />
<div align="justify">Este interessante livro relata a experiência do autor como caçador desportista em Moçambique durante os últimos quinze anos da administração colonial portuguesa (1960/1975). Trata-se de uma obra cuja edição foi feita em Inglaterra em circunstâncias que prejudicaram os direitos do autor, levando-o a processar a editora e em consequência disso encontram-se suspensas as vendas e as reedições em língua inglesa. Entretanto e dado o sucesso alcançado no Brasil, o autor tem já no prelo a reedição (melhorada) em português, esperando-se que sai-a em breve. </div>
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<div align="justify">Alguns dos relatos das caçadas referem a participação do autor nos trabalhos das brigadas de controle dos animais, sobretudo elefantes, que estavam a meu cargo na província de Manica e Sofala, alguns deles na área do Parque Nacional da Gorongosa. Também revela a sua grande paixão pelo mesmo Parque com cuja administração colaborou tanto em trabalhos da sua profissão, que foram as instalações eléctricas em alguns edifícios do Chitengo e nos da Bela-Vista, como na elaboração dos mapas das picadas com desenhos dos animais mais representativos. Esses mapas, tal como um outro abrangendo toda a província, foram oficializados e vigoraram até muito recentemente. </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">A descrição pormenorizada que ali se faz das regiões de caça frequentadas pelo autor e do seu potencial faunístico, são um excelente contributo para os estudos que se venham a fazer nessas mesmas áreas, sobretudo para localização de algumas espécies raras que sofreram elevado desbaste durante a guerra civil que grassou no país desde 1977 a 1992.</div><br /><br /><br />
<div align="left"><strong><span style="FONT-SIZE: 180%">2 - </span><span style="FONT-SIZE: 130%"><font size="4">O QUE ESCREVI ACERCA DO XICO NO ANO 2000 (*)</font></span></strong></div><br /><br />
<div align="justify">Nascido em Moçambique, em 1936, desde criança que o Xico se habituou a conviver com a natureza e logo se apaixonou pela caça. Seu pai foi chefe de posto administrativo e viveu em regiões das mais famosas em fauna bravia, como Marromeu, Lacerdónia, Inhaminga, Gorongosa, Vila Machado e por último Vila Pery, actual Chimoio. </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Caçador desportista por excelência, estudioso e apaixonado pelos problemas da fauna bravia, depressa despertou a minha atenção após a chegada a Vila Pery no início de 1963. Para além da caça tinha ainda outra grande paixão: a fotografia ! Raramente se encontravam, no seio dos caçadores, indivíduos com estes atributos ! </div>
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<div align="justify">O Xico era um profissional do ramo da electricidade, com formação superior obtida na África do Sul. Esta sua actividade contribuiu também para a nossa aproximação: elaborou e executou projectos de electrificação para o Parque Nacional da Gorongosa, - a cuja administração estive ligado nessa altura - e também para o Posto de Fiscalização de Caça de Vila Pery.<img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5164382304660689730" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R6uSWBGdE0I/AAAAAAAAAbg/y1AglyRMhko/s320/Xico2.jpg" border="0" /> <br /></div>
<div align="justify">Conhecedor das áreas de caça da região e do seu potencial faunístico, foi o meu melhor colaborador na identificação das mesmas, quer elaborando mapas e gráficos, quer acompanhando-me nas deslocações, sobretudo quando havia operações de controle de animais em defesa de pessoas e bens, muito frequentes naquela zona central de Moçambique. </div>
<div align="justify"><br />No escritório-laboratório da residência da família Magalhães &ndash; uma das melhores da cidade - passámos muitas horas ao serão, revelando filmes e fazendo fotos e mapas ilustrados com desenhos dos animais típicos das respectivas áreas. Muitos destes trabalhos foram oficializados e alguns deles ainda estão em uso, nomeadamente os respeitantes aos Parques Nacionais, Reservas e Coutadas. O Xico era perito nestes trabalhos e executava-os com grande satisfação, nunca tendo cobrado por eles qualquer importância ! </div>
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<div align="justify">Dizia-me que a melhor recompensa que podia receber era a nossa confiança e o reconhecimento das suas virtudes como caçador desportista, respeitador das leis da caça e simultaneamente como conservador da fauna bravia. Não tive pois qualquer dúvida em lhe facultar a realização de alguns dos seus sonhos, integrando-o muitas vezes nos meus trabalhos de controle de animais de grande porte, nomeadamente de elefantes, quando em defesa de pessoas e bens. Foi um dos raros caçadores estranhos aos Serviços da Fauna a quem facultei semelhante participação, durante a minha actividade e a sua preciosa ajuda revelou-se sempre muito útil e confirmou o seu valor como caçador. </div>
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<div align="justify">Publicou em 1996 um interessante livro, em inglês, sobre as suas aventuras como caçador, com o título &ldquo;African Trails&rdquo;, descrevendo ali algumas experiências sobre a sua participação naquelas brigadas. Está a preparar a edição em português. </div>
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<div align="justify">Saiu de Moçambique em 1976, em circunstâncias que muito o traumatizaram e que deixou transparecer naquele mesmo livro. </div>
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<div align="justify">Vive há largos anos no Brasil, provavelmente sonhando com a sua terra natal e com os belos momentos que ali passou nas caçadas que tanto o emocionavam! Pela admiração e respeito que sempre me mereceu e pela amizade recíproca que ao longo dos anos temos mantido, o primeiro lugar neste álbum dificilmente poderia ser ocupado por outro !</div>
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<div align="justify">Voltarei, em local diferente, a falar do Xico e de seus saudosos pais ! </div><br /><em>(*) - Álbum n&ordm; 1 da série "ÁLBUM DE RECORDAÇÕES" do meu site </em><a href="http://www.geocities.com/Vila_Luisa"><em></a></em><em><a href="http://www.geocities.com/Vila_Luisa"><font color="#445566">www.geocities.com/Vila_Luisa</font></em></a><strong><span style="FONT-SIZE: 180%"></span></strong></a> <br /><br /><br /><br /><br /><br />
<div align="justify"><strong><span style="FONT-SIZE: 180%">3 - </span><span style="FONT-SIZE: 130%"><font size="4">VOLTANDO A FALAR DO XICO E DA FAMÍLIA</font></span> </strong></div><br /><strong>
<div align="justify"><br /></strong>Volvidos oito anos após aquela publicação, a promessa de voltar a falar do Xico e de seus saudosos pais cumpre-se agora. Faço-o com satisfação redobrada porque ao longo destes anos recebi imensas mensagens de amigos comuns para saberem notícias dele, alguns antigos colegas de escola que sem dúvida vão gostar de ter mais informações. E porque já visitei o Xico na sua terra de adopção, o Brasil, em 2006, em retribuição de três visitas que dele recebi aqui em Portugal, tenho motivos adicionais para enriquecer a pequena biografia que abriu os "Álbuns de Recordações" do meu site no ano 2000.</div>
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<div align="justify">Voltando aos tempos de Vila Pery para descrever a família Magalhães (casal e dois filhos), queria dizer que este clã desfrutava de grande simpatia da parte da população da bela cidade do planalto de Chimoio, em cujo meio se encontrava radicado desde o início da década de 30 (o Xico nasceu lá em 1936). <br /><br /></div>
<div align="justify"><a href="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_vwxQnFqwI/AAAAAAAAAfc/pwh5HFF8eoQ/s1600-h/Pai+Magalh%C3%A3es.JPG"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187004124910430978" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 181px; CURSOR: hand; HEIGHT: 250px" height="250" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_vwxQnFqwI/AAAAAAAAAfc/pwh5HFF8eoQ/s320/Pai+Magalh%C3%A3es.JPG" width="201" border="0" /></a>O patriarca, <strong>António Correia de Sousa Magalhães</strong> (conhecido por "Magalhães Careca"), descendente de uma antiga família cuja árvore genealógica revela ligação à irmã do navegador português Fernão de Magalhães, foi para Moçambique depois de ter feito os seus estudos para oficial da Marinha nos anos em que algumas figuras conhecidas, como o antigo presidente da república Almirante Américo Tomaz, igualmente fizeram tal formação. Seguiu contudo a carreira administrativa como chefe de posto da Companhia de Moçambique, mas quando esta majestática foi integrada no Estado, em 1941, ele abandonou a carreira e fixou-se em Vila Pery (então uma pequena vila) para se dedicar à indústria de madeiras, construção civil e outras actividades imobiliárias. Um dos seus melhores negócios (assim o dizia), foi a compra da fazenda "Mandigos", que inicialmente pertencera aos caminhos de ferro de Moçambique e depois aos irmãos Fernandes até chegar às suas mãos. Uma propriedade de grandes dimensões situada na parte sul da vila e dividida desta apenas pela estrada Beira-Rodésia, que adquiriu justamente por antever o desenvolvimento da futura cidade capital do Chimoio e a sua importância como área de expansão da mesma. </div>
<div align="justify"><br />O sucesso das suas empresas depressa o tornaram uma figura bem conhecida e admirada não só na vila mas ao nível da província de Manica e Sofala que abrangia praticamente todo o centro de Moçambique (entre os rios Save e Zambeze), cuja capital era a cidade da Beira, a segunda maior do território. O desenvolvimento da pequena vila dos anos 40, transformada numa airosa e bonita cidade nos anos 50, muito se ficou a dever ao dinamismo e colaboração deste velho colono, que através de parcelamentos sucessivos e adequados permitiu a criação da zona industrial, aerodromo, campo de futebol, feira de exposições agro-pecuárias, laboratório de investigação veterinária e pequenas quintas para agricultura e habitação. Parte dessas parcelas, nomeadamente as de benefício público como o aeródromo, feira, campo de futebol e laboratório veterinário, foram por ele oferecidas ao Estado. <br /></div>
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<div align="justify"><a href="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_0OaRUhdTI/AAAAAAAAAkk/aYO5smoYypU/s1600-h/Cinema+Montalto_2000.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187318190289548594" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" height="183" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_0OaRUhdTI/AAAAAAAAAkk/aYO5smoYypU/s320/Cinema+Montalto_2000.jpg" width="301" border="0" /></a> O maior e mais belo conjunto arquitectónico da cidade, constituído pelo prédio e cinema Montalto, construído no centro e com frente para as duas principais avenidas, integrou, para além de uma moderna sala de espectáculos, um espaçoso café, lojas, escritórios e apartamentos de habitação. Foi um dos mais arrojados projectos por si encabeçados, de parceria com outros dois bem conhecidos empresários da época, Eng&ordm; Jaime Guedes (construtor civil e empreiteiro de estradas) e Jorge de Abreu (da Somocine e Hoteis Tivoli e Turismo de Lourenço Marques). A empresa que formaram - Sociedade de Construções Montalto - daria assim o nome a este complexo e ao próprio cinema que ainda hoje é a única sala de espectáculos da cidade. </div>
<div align="justify"><br />Mas a empresa que lhe terá dado mais sucessos, em termos financeiros, era a LICA - Luso Industrial Comercial e Agrícola, Lda, que comercializava internamente e exportava as ricas madeiras de Moçambique, preparadas nas duas serrações que possuía em Gondola e Inhamacoa. Este negócio, considerado dos mais rendosos no território, levava o velho Magalhães a deslocar-se com frequência ao estrangeiro, o que lhe dava a oportunidade de conhecer muitos países de todos os quadrantes e o tornava uma pessoa bem informada e esclarecida com quem dava gosto conversar. </div>
<p align="justify"><br />A matriarca, <strong>D. Rosalina Barradas</strong>, de uma família com vários elementos igualmente radicados em Vila Pery, há muitos anos, tornara-se uma das principais damas da sociedade local, tanto pelo estatuto do próprio marido como pela simpatia que irradiava e pela sua acção benemérita junto dos mais desfavorecidos. <br /></p>
<div align="justify">Boa esposa, boa mãe, boa amiga e maravilhosa anfitriã, D. Rosalina tinha o seu tempo sempre ocupado, quer nas lides da casa quer nos compromissos sociais ou ainda a costurar, um hobby que muito adorava. E porque era um hobby, apenas confeccionava roupas para a família e amigas e nunca cobrava por isso qualquer importância! <br /><br /><br /></div>
<div align="justify"><a href="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_v0qgnFqyI/AAAAAAAAAfs/dcW3GOb_BG4/s1600-h/A+casa+de+Vila+Pery+em+2000.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187008406992825122" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 248px; CURSOR: hand; HEIGHT: 149px" height="149" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_v0qgnFqyI/AAAAAAAAAfs/dcW3GOb_BG4/s320/A+casa+de+Vila+Pery+em+2000.jpg" width="290" border="0" /></a>A casa da família, construída num vasto talhão na parte sul da cidade, não muito longe do centro, era das melhores vivendas de Vila Pery e estava discretamente protegida por muros periféricos com grades metálicas cobertas por espessas sebes de buganvílias e lantanas sempre bem aparadas. De piso térreo e arquitectura moderna ao estilo das moradias dos bairros chiques das cidades da África do Sul e da Rodésia, compunha-se de dois corpos unidos e em sentidos opostos. O interior, de divisões espaçosas e bem arejadas, era dotado de amplas portadas e janelas envidraçadas. No exterior e ao fundo do quintal, alinhavam-se os anexos de apoio constituídos por uma ampla garagem, escritório, dependência de empregados e estúdio fotográfico. Na parte da frente e à direita da casa estava um pequeno e airoso challet destinado aos trabalhos de costura de D. Rosalina, uma autêntica sala de visitas onde ela recebia e tomava chá com as amigas. Mais tarde o Xico construiu um pavilhão anexo à garagem onde instalou uma escola de judo, outra das suas grandes paixões e que alcançou grande sucesso na cidade, chegando a ter mais de três dezenas de praticantes! </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Tudo naquela casa espelhava o bom gosto de D. Rosalina! A sala comum, requintadamente equipada com móveis das melhores madeiras, onde se destacava uma enorme mesa para as refeições (nota evidente do espírito de bem receber desta família), era o espaço onde os Magalhães se orgulhavam de receber as suas inúmeras visitas, muitas delas partilhavam das suas refeições mesmo que chegassem em cima da hora. Contígua a esta sala, entre a cozinha e a ala dos quartos, havia a sala de música onde o Xico muitas vezes ao serão deliciava a família e os amigos tocando ao piano as músicas mais em voga na época e também alguns clássicos que bem dominava. Ele ainda agora recorda com muito orgulho que foi o primeiro pianista do conjunto dos irmãos Muge, célebre em Moçambique na década de 60!</div>
<div align="justify"><br />Os quadros, as molduras com fotos de família, os bibelôs, a tapeçaria e os arranjos de flores sempre viçosas, tudo disposto nos lugares adequados, condiziam igualmente com o ambiente sóbrio e funcional da casa. Na grande cozinha, as flores eram substituídas por vários cestos repletos de boa fruta tropical da região do planalto, dispostos ao longo das bancadas de mármores que ladeavam as paredes. </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">O quarto do Xico, o terceiro do fim da ala respectiva, era uma autêntica <em>suite, </em>espaçoso, com banheiro privativo e uma salinha de entrada, tornando-o assim independente mesmo para receber visitas. Estava decorado discretamente com motivos de caça, fotografias artísticas, quadros e outros objectos da sua autoria. Numa vitrine encontravam-se dos melhores livros e álbuns sobre a caça, vida selvagem, fotografia, judo e música, as suas paixões e <em>hobbys</em> predilectos. E num armeiro especial, a um canto da salinha, estava o património pessoal de que mais se orgulhava, que era o arsenal de armas de caça próprias para abate de todo o tipo de animais, incluindo elefantes, bem polidas e oleadas e que faziam inveja a qualquer caçador profissional afamado. Cada uma destas espingardas tinha a sua história, que ele contava com o entusiasmo próprio dos caçadores, sobretudo quando referia os seus sucessos nas caçadas aos búfalos, a espécie que o fez viver emocionantes aventuras e que tão bem relatou no seu livro "Afican Trails". </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Aquele belo apartamento da casa dos Magalhães fora concebido e mobilado para os dois filhos do casal, mas o João, o mais novo, só o utilizava quando ali ia de férias, visto que, ao contrário do Xico que regressou da África do Sul após os estudos, ficou em Johannesburg a trabalhar na IBM depois de concluída a formação em engenharia de sistemas de computadores. O John, como era (e ainda é) conhecido, viria a adquirir uma elevada craveira técnica dentro da IBM, acabando por ser requisitado pelas grandes empresas deste grupo sedeadas no Canadá, onde se radicou há mais de vinte anos e desempenha altos cargos como conselheiro, gerente de sistemas, vice presidente e consultor sénior da Logitek (Toronto) e director do grupo DMR (Ottawa). </div>
<div align="justify"><br />Durante os seis anos que residi em Vila Pery (1963/1968), fui frequentador assíduo da casa dos Magalhães, graças à amizade enraizada com o Xico que me facultava o seu pequeno mundo onde me sentia bem justamente pelo muito de comum que tínhamos, nomeadamente na área da fotografia que ele tão bem dominava e que também era um dos meus <em>hobbys</em> preferidos. No seu bem apetrechado estúdio passámos imensos serões, revelando filmes, fazendo fotos e trabalhando-as nas mais diversas formas, o que me permitiu aumentar os conhecimentos que já tinha nesta matéria. <br /></div>
<div align="justify">Mas o calor humano que ali se respirava era sem dúvida o factor máximo que me dava o à-vontade e o prazer de conviver com esta família, cujo patriarca me tratava carinhosamente por poeta (alusão ao facto de usar o cabelo comprido) e com quem muito aprendi porque era um bom conversador, senhor de uma invulgar bagagem geral de conhecimentos e com grande experiência de vida em Moçambique. Era também um acérrimo crítico à governação colonial e um fervoroso adepto de uma independência baseada nos princípios democráticos, sem quaisquer barreiras de caris rácico ou religioso. </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">O Xico, que entretanto (1973) constituíra família casando com a simpática Fernanda, filha de um funcionário da Textáfrica (a grande fábrica de tecidos instalada no início da década de 60 nos subúrbios de Vila Pery e que muito contribuiu para o grande desenvolvimento da cidade), mudara-se para uma casa que o pai lhe oferecera como prenda da casamento, situada junto das pistas do aeródromo e integrada numa parcela de terreno com 14 hectares. Ali iniciou um projecto agro-pecuário (cultivo de forragens e criação de ovelhas), mais um dos seus planos para rentabilizar os vastos terrenos da família.</div><br />
<div align="justify">Os sonhos desta família começaram a desvanecer-se com o falecimento súbito, em 1973, do pai Magalhães e ruíram completamente com as transformações políticas operadas em Moçambique após a independência, em 1975. <br /><br />Tudo se complicou com as medidas tomadas pelas novas autoridades, que decretaram, em 2 de Fevereiro de 1976, a nacionalização dos bens de rendimento como prédios, terrenos, ou qualquer bem imóvel com excepção da própria casa de habitação. A família Magalhães perdeu praticamente tudo, um verdadeiro império comercial, industrial, agrícola e imobiliário! <br /></div>
<div align="justify">Entretanto o Xico já havia sido privado de todas as suas espingardas de caça, recolhidas pela polícia como medida de segurança própria de quem vinha de uma guerra e receava complicações que alterassem o processo de descolonização em curso. Uma medida que foi acompanhada com a proibição do exercício da caça, aquilo que ele mais gostava fazer nos tempos livres! </div><br />
<div align="justify">A população portuguesa, desprotegida face à retirada das tropas e de todas as forças de segurança do regime colonial, iniciou a debandada logo após o acordo de Luzaka ente a Frelimo e o governo português, em 7 de Setembro de 1974. Muitos daqueles que insistiram manter-se após a independência em 25 de Junho do ano seguinte, viram-se a braços com imensas dificuldades, muitas vezes pelo exagero na actuação dos agentes de autoridade do novo poder da Frelimo. Um pequeno problema era transformado em grande conflito lesa pátria e o Xico acabou por ter o primeiro, relacionado com duas granadas que a polícia portuguesa lhe entregou anos antes, destinadas ao encarregado de uma das serrações da família para defesa das instalações que já haviam sido atacadas por grupos de guerrilheiros. O Xico nunca entregou essas granadas e guardou-as na sua casa acabando por se esquecer delas até que uma busca inesperada da polícia as detectou. Foi preso e viu-se envolvido num processo que acabou por ter um desfecho feliz graças à boa reputação que desfrutava entre a população negra local. Esteve eminente a sua expulsão de Moçambique com a aplicação da célebre sentença conhecida pelo 24/20, que era aplicada a torto e a direito e que dava aos "réus" 24 horas para sair de Moçambique e o direito a levar 20 quilos de bagagem! <br /><br /></div><br /><br /><br />
<div align="justify"><a href="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_v27AnFqzI/AAAAAAAAAf0/OATqBnju7ng/s1600-h/Escrit%C3%B3rio+do+Xico"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187010889483922226" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 301px; CURSOR: hand; HEIGHT: 201px" height="206" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_v27AnFqzI/AAAAAAAAAf0/OATqBnju7ng/s320/Escrit%C3%B3rio+do+Xico" width="318" border="0" /></a>Um novo caso surgiu, tempos depois e ditou o fim das suas aspirações e do resto da família, incluindo da mãe que, na altura, Fevereiro de 1976, se preparava para regressar da África do Sul onde fora visitar o John. <br />Uma velha espingarda de 1840, da antiga colecção do Xico, legalizada como arma de panóplia, incapaz de dar tiros há mais de cem anos e que ficara na casa dos pais dependurada na parede do escritório junto de alguns troféus de caça, foi o objecto do "crime" que levou ao novo conflito com as autoridades. <br /><br /></div>
<div align="justify">A feliz coincidência da ida do Xico com a família (esposa e o filho, Rui, de 2 anos) à Rodésia, para receber a mãe no aeroporto de Salisbury, evitou a sua prisão que esteve eminente poucas horas depois de ter saído de Vila Pery. Uma denúncia de que ele mantinha armas em casa levou a polícia da Frelimo a fazer uma busca ao local certo, onde recolheram a velha espingarda. De seguida dirigiram-se à sua residência para o deterem e como não estava foram ao cinema onde normalmente trabalhava como encarregado da cabine de projecção. Interromperam a sessão que estava a decorrer, num aparato como se procurassem um perigoso bandido. Vasculharam praticamente todos os locais da cidade que ele habitualmente frequentava e no hotel Atlântida chegaram a fazer buscas no interior do forno industrial da respectiva cozinha! </div>
<div align="justify"><br />A cunhada Edite (irmã da esposa), ainda a residir em Vila Pery, avisou-o por telefone do que se estava a passar. O Xico e família não voltaram à sua terra abdicando assim de todos os seus bens em troca de liberdade. Ficaram na Rodésia, acolhidos pela cunhada Filomena (outra irmã da Fernanda) e marido que na altura trabalhava em Salisbury. A D. Rosalina, também avisada a tempo, já não viajou e disse adeus, para sempre, à sua bela casa, aos seus bens, à sua querida terra de Moçambique! </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">O casal ficou cerca de um ano e meio na Rodésia, onde a situação era crítica dado que o governo de Ian Smith, que anos antes declarara independência unilateral desligando-se da Inglaterra, era alvo não só de fortes sanções económicas como de resistência armada por parte do movimento de Robert Mugabe, o nacionalista que levou o território à independência em 1980 com o nome de Zimbabwe e que ainda hoje é o presidente do país, não obstante a pressão que está a sofrer pela oposição através de eleições que decorrem no momento em que escrevo este texto. </div>
<div align="justify"><br />Durante esse tempo o Xico trabalhou primeiro nos caminhos de ferro rodesianos, em Bulawayo, operando no ramo da electricidade e depois na polícia de reserva. Esta última actividade foi-lhe imposta pelas forças armadas e era uma obrigação que abrangia todos os estrangeiros ali residentes precisamente para participarem no combate à guerrilha. Andou sete meses a expor-se aos perigos que eram cada vez maiores à medida que o tempo passava e isso o levou a deixarem a Rodésia em Julho de 1978. Entretanto, em 1977, a família ficou aumentada com o nascimento do segundo filho, o João Carlos! </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Depois de uma breve estadia em Portugal, seguiram para o Brasil onde já se encontravam há mais de um ano, na cidade de Recife, a cunhada Filomena e marido que também haviam deixado a Rodésia pouco depois da chegada ali do Xico e família. E foi este casal que lhes deu apoio nos primeiros tempos, inclusive para o primeiro emprego do Xico numa fábrica de linhas como responsável de manutenção de máquinas. </div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Finalmente encontraram a paz e estabilidade naquele admirável país que tão bem soube acolher muitos milhares de portugueses regressados das colónias portuguesas que se tornam independentes em 1975, nomeadamente Angola e Moçambique. </div><br />
<div align="justify">Entretanto, D. Rosalina fixara-se com o John no Canadá, onde veio a falecer em 1987 após doença prolongada, o que constituiu mais um acontecimento que abalou profundamente os seus dois filhos. <br /><br /></div>
<p align="center"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187012500096658258" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" height="236" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_v4YwnFq1I/AAAAAAAAAgE/nBrMdc2TqMY/s320/Xico_John_M%C3%A3e.jpg" width="365" border="0" /><span style="COLOR: #ff0000">D. Rosalina com os seus dois filhos Francisco (Xico) e João (John), </span><span style="COLOR: #ff0000">junto das cataratas de Niagara - Canadá, em 1986, cerca de um ano antes do seu falecimento.</span> <br /></p><br /><br /><br />
<p align="left"><strong><span style="FONT-SIZE: 180%">4 - </span><span style="FONT-SIZE: 130%"><font size="4">O XICO NO BRASIL</font></span></strong> <br /></p><br /><br /><br />
<p align="justify">Já ali radicado há cerca de dez anos, só em 1988 tive notícias dele através de uma prima, a Ana Maria, que também nascera e vivera em Vila Pery e partira com os pais para o Brasil, em 1975. A Ana Maria regressou em meados da década de oitenta a Moçambique, indo trabalhar no Ministério da Agricultura como secretária da direcção de recursos humanos do MONAP, um projecto nórdico onde curiosamente eu também estava integrado. </p>
<p align="justify"><a href="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_v81QnFq2I/AAAAAAAAAgM/KYiuu7KFbAU/s1600-h/Visita_Xico_94.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187017387769441122" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 176px; CURSOR: hand; HEIGHT: 220px" height="203" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_v81QnFq2I/AAAAAAAAAgM/KYiuu7KFbAU/s320/Visita_Xico_94.jpg" width="231" border="0" /></a> <br />Foram boas as notícias sobre o Xico, que davam conta ter-se inserido e progredido no mercado de trabalho brasileiro, primeiro na cidade de Recife, até finais da década de 70 e depois em Fortaleza onde se fixou em definitivo e ainda vive actualmente num confortável e bem localizado apartamento em condomínio fechado que ali adquiriu. Reatamos assim os nossos contactos, trocando correspondência que avivou a velha amizade e conduziu ao nosso reencontro quando nos visitou com a família na nossa casa de Amor, em 1994!<a href="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_wFqAnFq9I/AAAAAAAAAhE/_d9A59Sd2dI/s1600-h/Visita_96.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187027090100562898" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" height="278" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_wFqAnFq9I/AAAAAAAAAhE/_d9A59Sd2dI/s320/Visita_96.jpg" width="258" border="0" /></a> Posteriormente, em 1996, voltou a visitar-nos ainda acompanhado da família, mas esta seria a última com a sua adorada esposa, visto que a Fernanda falecera em fins de 1999, vítima de grave e incurável doença. Mais uma tragédia na vida do Xico, que só chegou ao meu conhecimento depois da publicação do Álbum de Recordações do meu site, em Fevereiro de 2000. Não foi, por isso mesmo, referenciado este infeliz acontecimento na breve biografia que sobre ele ali publiquei. </p>
<p align="justify"><br />Tal desenlace mudou radicalmente a vida do Xico, que ao longo de vinte anos havia reconstruído o seu lar em terras do Brasil e de algum modo atenuado o desgosto pelo que passaram e perderam em Moçambique. A perda da esposa abalou-o profundamente e só recentemente, graças ao seu abnegado espírito de luta contra as adversidades, conseguiu recuperar a moral que ficara profundamente abalada. Contou com a ajuda dos filhos e da Teresa, uma simpática cearense que tem um monte de virtudes que o encantaram para sua companheira! </p>
<p align="justify"><br />Também se reabilitou profissionalmente já que na fase crítica da doença da Fernanda se viu forçado a suspender o seu emprego. Começou por concluir os estudos na área de engenharia industrial, obtendo a respectiva licenciatura, o que lhe permitiu actuar individualmente executando projectos de formação profissional desta mesma área. Por outro lado, obteve do Estado brasileiro a aposentação relativa aos vinte anos de trabalho em Recife e Fortaleza.<a href="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_wANAnFq4I/AAAAAAAAAgc/Ywk-lWCN2AY/s1600-h/Visita_Xico_03.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187021094326217602" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 223px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px" height="248" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_wANAnFq4I/AAAAAAAAAgc/Ywk-lWCN2AY/s320/Visita_Xico_03.jpg" width="223" border="0" /></a> <br /></p><br />
<div align="justify">Entretanto, no Verão de 2003 , visitou-nos de novo, agora sozinho, aproveitando uma das suas habituais visitas que faz aos tios e primos que vivem no Porto. Proporcionei-lhe aqui o encontro com outro velho e comum amigo, o Dr. Armando Rosinha, antigo director dos serviços de fauna bravia de Moçambique e que também foi administrador (por acumulação) do Parque Nacional da Gorongosa nos tempos em que o Xico ali colaborava. </div><br />
<div align="justify"><br />Finalmente, concretizei a promessa que há vários anos vinha fazendo ao Xico de o visitar na sua nova terra. Esta decisão foi encorajada também porque quis fazer uma surpresa a minha mulher que era festejarmos as nossas bodas de ouro de casados no Brasil! </div><br />
<div align="justify"><br />Arrumei com antecedência as passagens e anunciei ao Xico as datas de chegada e regresso e confidenciei-lhe os planos. Em casa deixei correr o tempo e obtive a cumplicidade de uma sobrinha, por sinal costureira, que convenceu a tia a renovar o seu guarda-roupa já a pensar na próxima viagem a Moçambique, programada para o fim do Verão. Quase em cima da data de embarque entreguei-lhe um embrulho muito bonito com os bilhetes! <br /></div><br />
<div align="justify"><br /><a href="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zagQnFrRI/AAAAAAAAAjk/yxe3Vh2-A5A/s1600-h/Fortaleza+%C3%A0+noite.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187261118573554962" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 280px; CURSOR: hand; HEIGHT: 193px" height="171" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zagQnFrRI/AAAAAAAAAjk/yxe3Vh2-A5A/s320/Fortaleza+%C3%A0+noite.jpg" width="280" border="0" /></a> Chegamos a Fortaleza ao fim da tarde do dia 10 de Março de 2006, viajando através de um pacote turístico de uma semana, com instalação num hotel situado na avenida marginal onde se realiza a célebre feira de artesanato nocturna durante todos os dias do ano. </div><br />
<div align="justify"><br />Penso que a reacção que tivemos ao pisar terra brasileira não foi muito diferente da de todos os portugueses que visitam este maravilhoso país! De tanto ouvirmos falar dele, de tantas telenovelas que ao longo de décadas nos entraram em casa e de conhecermos a sua história como colónia portuguesa, até parece que estamos em casa. Ficámos extasiados perante a beleza daquela cidade, a quinta maior do Brasil em termos de população! </div><br />
<div align="justify"><br />O casal (Xico e Teresa) lá estava no aeroporto e foi no seu carro que seguimos para o Hotel, um percurso de dezassete quilómetros sempre dentro da cidade e a uma hora de ponta que ali, naquele burgo de quase três milhões de habitantes, é coisa séria face ao mar de carros que circulam nas ruas e avenidas a perder de vista! <br /><a href="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_wHAgnFq-I/AAAAAAAAAhM/Au1YhXKeT40/s1600-h/Finalmente+em+Fortaleza+com+Xico%C2%B4s.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187028576159247330" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 280px; CURSOR: hand; HEIGHT: 212px" height="188" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_wHAgnFq-I/AAAAAAAAAhM/Au1YhXKeT40/s320/Finalmente+em+Fortaleza+com+Xico%C2%B4s.jpg" width="280" border="0" /></a>Impunha-se, à chegada ao hotel, um banho reparador para aliviar do cansaço da viagem e a troca de roupa por coisas mais leves visto que estávamos num clima tropical que é bem agressivo durante o dia (a média anual é de vinte e seis graus mas estávamos no período mais quente do ano, acima dos trinta) e que à noite raramente baixa dos vinte! E já mais descontraídos, tiramos a primeira foto com os nossos amigos e começamos a saborear a visita com um breve passeio ali mesmo em frente do hotel, no chamado calçadão da avenida Beira Mar, onde apreciamos a famosa feira de artesanato e nos refrescamos com uns apetitosos sumos de frutos naturais! </div><br /><br /><br />
<div align="justify"><br />A estadia em Fortaleza ultrapassou as nossas expectativas, não obstante a prévia preparação que fizemos lendo os sites sobre a cidade e as informações recebidas do próprio Xico. A grandiosidade e beleza arquitectónica da cidade, as imaculadas praias da região, o bom hotel onde nos instalámos, o clima quentinho tão do nosso agrado, a simpatia dos habitantes, os sabores da culinária, os bons frutos tropicais, o artesanato genuíno, etc., foram factores que tornaram a nossa estadia muito agradável e francamente inesquecível! <br /><br /><br /></div>
<div align="justify"><a href="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_ztZQnFrYI/AAAAAAAAAkc/ooeZaD2pZvg/s1600-h/Com+Xico+em+Fortaleza.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187281889035398530" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" height="213" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_ztZQnFrYI/AAAAAAAAAkc/ooeZaD2pZvg/s320/Com+Xico+em+Fortaleza.jpg" width="294" border="0" /></a> Mas sem o apoio e acompanhamento do casal, que todas as manhãs nos ia buscar ao hotel e nos levava a visitar os lugares mais significativos da cidade (exceptuando apenas o dia em que nos integramos no programa do pacote turístico de visita à praia de Cumbuco, situada a cerca de 40 Km), aquelas "férias" não teriam atingido tal plenitude! O Xico e a Teresa foram inexcedíveis levando-nos a conhecer não só os lugares onde o turista comum normalmente vai, mas outros mais recatados e sobretudo alguns pouco recomendados por questões de segurança como dois mercados rurais e uma favela onde melhor pudemos observar e contactar com o povo e a sua cultura. Felizmente nada nos aconteceu, talvez pela descontracção, pouca exposição e aparência de pobretanas com que nos apresentávamos! <br /></div>
<div align="justify"><br /></div><br /><br /><br />
<div align="center"><br /></div><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187348560003298738" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" height="214" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_0qCBUhdbI/AAAAAAAAAlk/bpiX0CGLruE/s320/O+Xico+e+o+seu+Chevrolet.jpg" width="288" border="0" /> <br /><br />
<div align="justify"><br />Limitados ao tempo do pacote da viagem (8 dias e 7 noites), naturalmente que não pudemos visitar todos os pólos turísticos da cidade e arredores, como desejaríamos. Eram precisos muitos mais dias. Mesmo assim, aproveitamos bem esse tempo graças aos conhecimentos e eficácia dos nossos cicerones e ao genuíno Chevrollet do Xico, que só fracassou por momentos quando desabou sobre Fortaleza uma daquelas chuvadas tropicais que nós bem conhecemos de Moçambique e que afectou a parte eléctrica! <br /><br /></div><br /><br /><br />
<p align="justify"><a href="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_y2HQnFrAI/AAAAAAAAAhc/9kKZTHAbnFc/s1600-h/O+Forr%C3%B3+no+Pirata.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187221106658225154" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 288px; CURSOR: hand; HEIGHT: 214px" height="184" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_y2HQnFrAI/AAAAAAAAAhc/9kKZTHAbnFc/s320/O+Forr%C3%B3+no+Pirata.jpg" width="288" border="0" /></a>Visitamos locais típicos da cidade , como o Porto de Mar de Mucuripe; o mercado dos pescadores onde se vende o peixe e mariscos frescos vindos diariamente do mar; o mercado central da cidade, de quatro pisos, onde fervilha uma enorme multidão de gente ; o rio e parque do Cocó, muito belos; alguns bares e restaurantes da cidade e da avenida Beira Mar, onde saboreamos a boa comida nordestina: as praias de Meireles e Iracema, que são a bandeira da cidade; o novo e mega centro comercial onde os restaurantes fornecem a comida mais barata da cidade (que bela feijoada lá comi!); a zona colonial, toda ela bem conservada e vocacionada para o comércio em pequenas lojas muito frequentadas pela população e turistas; o castiço bar do capitão Mostarda, onde se bebe cerveja a rodos; o famoso Pirata, na praia de Iracema, onde passamos uma maravilhosa noite assistindo ao maior espectáculo de forró do Brasil; a praia de Cumbuco, uma das mais belas da região, onde comemos a melhor picanha na aldeia Brasil; a catedral de S. José; etc., etc. <br /></p><br /><br /><br />
<p align="center"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187223580559387682" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 344px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" height="240" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_y4XQnFrCI/AAAAAAAAAhs/fS_P0oF5zaM/s320/Com+o+Pirata+de+Fortaleza.jpg" width="381" border="0" /> <span style="COLOR: #ff0000">Esta foto, tirada com o Pirata na sua famosa casa de Forró de Fortaleza, deveu-se ao facto do Xico e os filhos terem relações de amizade com este português de sucesso! </span><span style="COLOR: #ff0000"><br /></p><br /><br />
<div align="justify"><br /></span><a href="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zHRwnFrDI/AAAAAAAAAh0/bOin19UJktA/s1600-h/Na+praia+de+Cumbuco.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187239978744523826" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" height="211" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zHRwnFrDI/AAAAAAAAAh0/bOin19UJktA/s320/Na+praia+de+Cumbuco.jpg" width="301" border="0" /></a><font color="#333333">A excursão à praia de Cumbuco foi muito curiosa porque nos permitiu observar ao longo dos 40 Km do percurso uma paisagem muito igual à do litoral do norte de Moçambique e toda uma sequência de aglomerados populacionais onde é bem notória, pelo aspecto das construções, a diferença de nível de vida dos brasileiros: belos challets, isolados mas bem protegidos com muros altos e com grades electrificadas, misturam-se com pequenas e modestas casas! Aqui e ali aparecem urbanizações onde prevalecem os condomínios fechados, igualmente protegidos com muros e redes electrificadas! <br /><br /><br /><br /></font><a href="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zIlAnFrEI/AAAAAAAAAh8/xY3aQDYCb4s/s1600-h/Coloca+o+badejo+no+forno!.jpg"><font color="#333333"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187241408968633410" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 283px; CURSOR: hand; HEIGHT: 211px" height="224" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zIlAnFrEI/AAAAAAAAAh8/xY3aQDYCb4s/s320/Coloca+o+badejo+no+forno!.jpg" width="297" border="0" /></font></a><font color="#333333"> Não obstante a roda viva em que os nossos amigos andaram para nos mostrarem o mais possível da sua cidade, eles excederam-se como anfitriães recebendo-nos e oferecendo-nos na sua casa excelentes refeições tipicamente nordestinas! </font></div><br /><br /><br /><br /><br />
<p align="justify">A primeira vez coube ao Xico a confecção da refeição, uma novidade para nós: badejo no forno, um belo manjar que muito apreciamos! A segunda foi a Teresa a cozinheira: um belíssimo caril (lá não chamam caril) de camarão, que não ficou a trás do melhor da tradição moçambicana! <br /><br /><a href="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zJHwnFrFI/AAAAAAAAAiE/8wuiyipId4s/s1600-h/Comendo+carilada+na+casa+do+Xico.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187242005969087570" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 291px; CURSOR: hand; HEIGHT: 225px" height="198" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zJHwnFrFI/AAAAAAAAAiE/8wuiyipId4s/s320/Comendo+carilada+na+casa+do+Xico.jpg" width="291" border="0" /></a>O calor humano não se esgotou no Xico, Teresa e João. Os simpáticos cunhados do Xico, a Edite e o António, que igualmente vivem e estão solidamente enraizados em Fortaleza, também nos acolheram na sua casa, um belo apartamento num moderno edifício em condomínio fechado no centro da cidade, obsequiando-nos com um requintado e apetitoso almoço! <br /><br /><a href="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zJ2gnFrGI/AAAAAAAAAiM/0V01P5CGAwQ/s1600-h/Em+casa+da+cunhada+do+Xico.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187242809127971938" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" height="225" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zJ2gnFrGI/AAAAAAAAAiM/0V01P5CGAwQ/s320/Em+casa+da+cunhada+do+Xico.jpg" width="301" border="0" /></a> <br /><br /><br /><br /><br /><br />Mas o ponto alto da estadia foi o momento em que, com os nossos amigos, na catedral de S. José e junto do altar do respectivo patrono, eu e a Lurdes nos congratulamos e agradecemos o percurso de 50 anos atingido nesse dia 17 de Março! Uma breve e singela cerimónia que foi seguida de um almoço num modelar restaurante, a última e apetitosa refeição nordestina antes do regresso a Lisboa ao fim da tarde desse dia. <br /></p><br /><br /><br />
<p align="justify"><br /><a href="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zRPAnFrJI/AAAAAAAAAik/aDZMNzkLcmQ/s1600-h/Alian%C3%A7a+das+Bodas.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187250926616161426" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" height="205" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zRPAnFrJI/AAAAAAAAAik/aDZMNzkLcmQ/s320/Alian%C3%A7a+das+Bodas.jpg" width="284" border="0" /></a>Lá deixámos mais uma amiga, a Teresa, a simpática cearense que nos cativou pelo carinho que nos dedicou e também pela forma como tem contribuído, como companheira do Xico, para a estabilidade emocional deste grande amigo que tem vivido um dos dramas mais intensos entre as famílias que tudo perderam na antiga colónia de Moçambique, por razões que só podem ser atribuídas aos responsáveis do governo português que aprovaram a independência de forma leviana não acautelando no respectivo Acordo (Luzaka, Setembro 1974) os interesses e a própria segurança dos portugueses lá estabelecidos! <br /></p><br />
<p align="justify"><br /><a href="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zRyQnFrKI/AAAAAAAAAis/3_aY7872EnU/s1600-h/O+Xico+contando+uma+hist%C3%B3ria+de+ca%C3%A7a!.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187251532206550178" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" height="212" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zRyQnFrKI/AAAAAAAAAis/3_aY7872EnU/s320/O+Xico+contando+uma+hist%C3%B3ria+de+ca%C3%A7a!.jpg" width="283" border="0" /></a> O Xico já está curado da nostalgia e saudosismo que o perseguiram durante os primeiros anos de estadia no Brasil. Apenas mantém o sentimento de revolta contra as autoridades que o perseguiram e forçaram a sair de Moçambique pois não compreende porque razão o fizeram quando ele era uma pessoa com um passado limpo, muito estimado pela população e se considerava um elemento útil ao país, tanto para fazer formação profissional na área da sua especialidade, como para dar aulas nas escolas secundárias e institutos, ensinar música, treinar desportistas, ou, simplesmente, deixarem-no prosseguir com o seu projecto agro-pecuário que tanto o fascinava! <br /></p><br /><br /><br />O Brasil conquistou-o, soube aproveitá-lo e ele agora ama-o tão intensamente como amava a sua terra natal - Vila Pery, Moçambique! <br /><br /><br /><br /><br />
<div align="center"><br /></div><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187325938410550610" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_0VdRUhdVI/AAAAAAAAAk0/rfbKB-2TBzw/s320/O+almo%C3%A7o+de+despedida.jpg" border="0" /> <br /><br />
<p align="center"><span style="COLOR: #ff0000">O almoço de despedida</span> <br /><br /><br /></p><br />
<p align="justify"><br /></p><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187326969202701666" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_0WZRUhdWI/AAAAAAAAAk8/_9UhG-13a40/s320/No+Bazar+da+fruta.jpg" border="0" /> <br /><br />
<p align="center"><span style="COLOR: #ff0000">As belas frutas brasileiras!</span> <br /><br /><br /><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187328700074521986" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_0X-BUhdYI/AAAAAAAAAlM/50oM46zaGNE/s320/O+Jo%C3%A3o.jpg" border="0" /> <br /></p><br />
<p align="center"><span style="COLOR: #ff0000">O simpático João, que muito colaborou na nossa visita! </span><br /><span style="COLOR: #ff0000">O irmão mais velho, o Rui, já casado, vivia na altura em S. Paulo.</span> <br /><br /><br /></p><br />
<div align="center"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187260444263689474" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zZ5AnFrQI/AAAAAAAAAjc/RJnjZvWOOpY/s320/Junto+da+praia+de+Fortaleza.JPG" border="0" /><span style="COLOR: #ff0000"> Na praia de Iracema</span> <br /><br /><br /></div><br />
<div align="center"><span style="COLOR: #ff0000"></span></div><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187269158752333106" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R_zh0QnFrTI/AAAAAAAAAj0/LcrBnwDGg44/s320/Xico+e+Tereza+na+sua+casa.jpg" border="0" /> <br /><br />
<p align="center"><span style="COLOR: #ff0000">A Teresa e o Xico, descontraídos à boa maneira afro-brasileira! <br /><br /></span><br />* * * <br /><br /></p><br />
<div align="justify">Marrabenta, Abril de 2008 <br /></div><br /><br />
<div align="justify">Celestino Gonçalves</div>]]></description>
         <link>http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/2008/05/12_african_trails.html</link>
         <guid>http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/2008/05/12_african_trails.html</guid>
        
        
         <pubDate>Wed, 14 May 2008 01:16:17 +0000</pubDate>
      </item>
            <item>
         <title>11 - SANTUÁRIO BRAVIO - Moçambique - Gorongosa - Safaris</title>
         <description><![CDATA[<div class="post-body entry-content">
<p>
<div>
<div><br />&nbsp;</div>
<div align="center"><a href="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R1SRSUzW9JI/AAAAAAAAAPs/BoA3jz86CS0/s1600-R/3+-+SantuÃ¡rio+Bravio.jpg"></a><font size="2"><span style="FONT-SIZE: 85%"><img style="WIDTH: 374px; HEIGHT: 502px" height="942" alt="Santuário Bravio_Capa" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Santu_E1rio_20Bravio_Capa.jpg" width="504" border="0" />&nbsp;</span><br /></font></div>
<div align="center"><br />&nbsp;</div>
<div><br /></div><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5162184295017419010" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" height="409" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R6PDRBGdEQI/AAAAAAAAAWo/Rq7ptgG3CEY/s320/Capa+do+Livro.jpg" width="353" border="0" />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (10)</div>
<div><br />
<div align="center"><span style="FONT-SIZE: 130%"><font size="4">Título</font></span> </div>
<div><br /><br /></div>
<p align="center"><strong><span style="FONT-SIZE: 130%"><font size="4">SANTUÁRIO BRAVIO</font></span></strong> </p>
<div><br /></div>
<p align="center"><strong>Sub-Título</strong> </p>
<div><br /></div>
<p align="center"><font size="4"><span style="FONT-SIZE: 130%"><strong>MOÇAMBIQUE - GORONGOSA - SAFARIS</strong></span><br /></font></p>
<div><font size="4"><br /><br /></font></div>
<div align="center"><font size="4"><span style="FONT-SIZE: 130%">Autor e Editor</span><br /><br /></font></div>
<div align="center"><span style="FONT-SIZE: 130%"><strong><font size="4">José Maria d'Eça de Queiroz</font></strong></span> </div>
<div><br /></div>
<div align="center"><font size="2"><span style="FONT-SIZE: 85%">Ano: 1964</span><br /></font></div>
<div><br /><br /></div>
<p align="center"><font size="4"><span style="FONT-SIZE: 130%">Distribuidora</span><br /></font></p>
<p align="center"><font size="4"><span style="FONT-SIZE: 130%">EMPRESA NACIONAL DE PUBLICIDADE</span><br /></font></p>
<p align="center"><span style="FONT-SIZE: 85%"><font size="2">Avenida da Liberdade, 266 - LISBOA (*)</font></span></p>
<div><br /><br /></div>
<p align="justify"><strong>1 - BREVE APONTAMENTO SOBRE O AUTOR</strong><br /><br /></p>
<div><br /><br /></div>
<p align="justify">Confessando a minha ignorância devo dizer que não conhecia este escritor que ostenta o pomposo nome daquele que foi um dos mais consagrados escritores portugueses de todos os tempos! E porque nenhum dado biográfico do autor consta do livro, pouco mais posso adiantar nesta apresentação. </p>
<p align="justify"><br />O que apurei é que, de facto, <strong>José Maria D'Eça de Queiroz</strong> é parente (não sei em que grau) do autor do "Crime do Padre Amaro" e de tantas obras famosas da literatura portuguesa! Este facto, só por si, justifica a admiração e atenções de que o mesmo foi alvo em Moçambique, nomeadamente no Parque Nacional da Gorongosa onde permaneceu algumas semanas e nas coutadas oficias.<br /></p>
<p align="justify">Conheci-o pessoalmente, em 1963, quando ele e a sua equipa (esposa Maria Tereza e o fotógrafo Ludwig Wagner) arribaram ao Parque onde eu já trabalhava como colaborador directo do respectivo administrador, Dr. Amadeu Silva e Costa.<br />Um ano antes já o autor havia estado na Gorongosa, onde se entusiasmou com tudo o que viu e programou uma visita mais demorada e apetrechada para observar e colher material para a obra que acabaria por publicar em 1964.</p>
<p align="justify"><br />Como se tratava de personalidade credenciada ao mais alto nível do Ministério do Ultramar, em Moçambique teve as portas abertas e com estatuto VIP em todos os pontos da sua estadia. A administração do Parque Nacional da Gorongosa colocou-lhe à disposição, inclusivè, viatura com motorista e um guarda acompanhante para as suas incursões diárias ao interior e zonas periféricas onde observou a mais fabulosa fauna bravia de Moçambique e colheu o material que faz parte do capítulo principal deste livro.</p>
<p align="justify"><br /><br />&nbsp;</p>
<div>2 - <strong>SOBRE O LIVRO </strong></div>
<div><br />Trata-se de um livro-álbum, bilingue (portugês e inglês), de 351 páginas. Contém 270 fotografias, 100 das quais a cores e também alguns desenhos e vinhetas. Tem uma encadernação de excelente qualidade, com capa rígida forrada a tecido de cor beje, com título e desenho de uma impala gravados a cor de vinho. Está protegido com sobrecapa de brochura a cores com foto de um leão. Tem o formato de 0,29x0,22 e todos os exemplares foram numerados e assinados pelo autor.</div>
<div><br /></div>
<div>Pode considerar-se uma obra de luxo!</div>
<div><br />O livro, todo ele escrito no estilo romântico que caracterizou muitos escritores que descreveram a África como local de deleite de aventureiros, caçadores, fazendeiros e exploradores, surge numa fase em que Moçambique atravessa um notável desenvolvimento no domínio do turismo ligado à fauna bravia, com destaque para o Parque Nacional da Gorongosa e coutadas de caça.</div>
<div><br /></div>
<div>O autor aproveita essa circunstância e descreve de uma forma singular o panorama e as actividades desde sector, focalizando as narrativas nas actividades e no potencial faunístico nos locais que visitou, nomeadamente a Gorongosa e as coutadas oficiais 1 (Kanga N&acute;Thole), distrito de Manica e Sofala,&nbsp;e 16 (Chicualacuala), distrito da Gaza.</div>
<div><br /></div>
<div>É sem dúvida uma obra que encanta os apaixonados pela vida animal e caçadores, que encontram nas excelentes narrativas e nas muitas fotografias de rara beleza um incentivo para visitarem aqueles locais maravilhosos!</div>
<div><br /></div>
<div>Esta obra, que é das melhores que se escreveram no século passado enaltecendo o potencial turístico de Moçambique, particularmente do Parque Nacional da Gorongosa, está ainda mais valorizada pelas fotos e referências a outros locais que o autor visitou, como a capital Lourenço Marques (actual Maputo), a cidade da Beira e as ilhas de Moçambique, Santa Carolina e Bazaruto.</div>
<div><br /></div>
<div>Das muitas descrições que enaltecem aquele que foi considerado o mais importante santuário da fauna bravia de África, escolhemos esta (Pág. 65):</div>
<div><br /><br /><font color="#000000"></div>
<div align="center"><em></font><font color="#0000ff"><strong>"A Gorongosa é como o mar: sempre igual e sempre diferente. O mar tem mil mares. </STRONG></FONT></EM><br /></DIV>
<DIV align=center><EM><FONT color=#0000ff><STRONG>Na Gorongosa, o tando tem mil tandos - a savana tem mil savanas."</strong></font></em></div>
<div><br /></div>
<div><br /></div>
<div><strong>3 - ALGUMAS FOTOS DO LIVRO</strong><a href="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R1SPv0zW9II/AAAAAAAAAPk/_5SKlgVXwZU/s1600-R/Tesouro+Selvagem_5.jpg"><br /></div>
<div><br /><br /></div>
<p align="center"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5139891126527259778" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 341px; CURSOR: hand; HEIGHT: 419px; TEXT-ALIGN: center" height="339" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R1SPv0zW9II/AAAAAAAAAPk/DDTLximsrP0/s320/Tesouro+Selvagem_5.jpg" width="341" border="0" /></a><strong><font color="#333333"> </font><font size="2"><font color="#333333"><span style="FONT-SIZE: 85%">Palapalas no tando</span><br /></font></font></strong></p>
<div><font color="#333333"><br /><br /></font></div><u><font color="#333333"></font></u><a href="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R1SPhEzW9HI/AAAAAAAAAPc/GfRgCg97a84/s1600-R/Tesouro+Selvagem_4.jpg"><font color="#333333"></font></a>
<p align="center"><span style="FONT-SIZE: 85%"><strong><font size="2"><img style="WIDTH: 356px; HEIGHT: 528px" height="998" alt="Santuário Bravio_4" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Santu_E1rio_20Bravio_Capa.jpg" width="454" border="0" />&nbsp;</font></strong></span></p>
<p align="center"><span style="FONT-SIZE: 85%"><strong><font size="2">Os leões (ex-libris do Parque)<br /></p></font></strong></span>
<div align="center"><br /><br /><a href="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R1SOkEzW9EI/AAAAAAAAAPE/E6V4qrRCcI8/s1600-R/Tesouro+Selvagerm_2.jpg"></a>
<div><font size="2"><strong><span style="FONT-SIZE: 85%"><img style="WIDTH: 573px; HEIGHT: 339px" height="324" alt="Santuário Bravio_6" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Santu_E1rio_20Bravio_Capa.jpg" width="599" border="0" />&nbsp;</span></strong></font></div>
<div><font size="2"><strong><span style="FONT-SIZE: 85%"></span></strong></font>&nbsp;</div>
<div><font size="2"><strong><span style="FONT-SIZE: 85%">Um elefante na pista de Chitengo</span></strong><br /><br /><br /><br /></div></font><u><font color="#0000ff"></font></u><a href="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R1SNaEzW9CI/AAAAAAAAAO0/fVw0-f3oKqo/s1600-R/Tesouro+Selvagem_1_1.jpg"></a>
<div align="center"><span style="FONT-SIZE: 85%"><font size="2"><strong><img style="WIDTH: 572px; HEIGHT: 932px" height="1007" alt="Santuário Bravio_3" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Santu_E1rio_20Bravio_Capa.jpg" width="468" border="0" /></strong></font></span></div>
<div align="center"><span style="FONT-SIZE: 85%"><font size="2"><strong></strong></font></span>&nbsp;</div>
<div align="center"><span style="FONT-SIZE: 85%"><font size="2"><strong>Travessia do rio Púnguè em Buè Maria e imagens do Chitengo</strong> </font></span></div>
<div align="center"><span style="FONT-SIZE: 85%"><font size="2"></font></span>&nbsp;</div>
<div><br /></div><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5162539016366395682" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 516px; CURSOR: hand; HEIGHT: 313px; TEXT-ALIGN: center" height="195" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R6UF4hGdESI/AAAAAAAAAW4/eKKo3uP-7is/s320/Santu%C3%A1rio+Bravio_Autor.jpg" width="320" border="0" /><strong><span style="FONT-SIZE: 85%"><font size="2">O autor (à esquerda) e esposa (centro)</font></span></strong> 
<div><strong><span style="FONT-SIZE: 85%"><font size="2">jantando com o comandante do paquete "Moçambique" </font></span></strong></div>
<div><strong><span style="FONT-SIZE: 85%"><font size="2">na viagem que os levou de Lisboa até à Ilha de Moçambique, em 1963</font></span></strong></div>
<div><strong><span style="FONT-SIZE: 85%"><font size="2"></font></span></strong>&nbsp;</div><strong><span style="FONT-SIZE: 85%"></span></strong></div><strong><span style="FONT-SIZE: 85%"></span></strong></div>
<div><span style="FONT-SIZE: 85%">
<div align="left"><font size="2"></font></div>
<div align="left"><strong>(*)</strong> -<span style="FONT-SIZE: 100%"> Alguns alfarrabistas portugueses com site na Google têm à venda este livro</span></div>
<div align="left"><span style="FONT-SIZE: 100%">que ronda os &euro; 100,00.<br /></span></div></span>
<div align="center"></div></div>
<p></p>
<div style="CLEAR: both"></div></div>]]></description>
         <link>http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/2008/02/santuario_bravio.html</link>
         <guid>http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/2008/02/santuario_bravio.html</guid>
        
        
         <pubDate>Wed, 06 Feb 2008 22:41:46 +0000</pubDate>
      </item>
            <item>
         <title>10 - FAUNA SELVAGEM E PROTECÇÃO DA NATUREZA</title>
         <description><![CDATA[<div align="center"><br /><strong>REUNIÃO DE SÁ DA BANDEIRA EM 1972</strong></div>
<div align="center">&nbsp;</div>
<div align="center">&nbsp;<a href="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R0yt0F00J0I/AAAAAAAAAOk/WZLkyz53y38/s1600-h/14+-+Fauna+Selvagem+e+ProtecÃ&sect;Ã&pound;o+da+Natureza.jpg"></div><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5137672385351395138" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 307px; CURSOR: hand; HEIGHT: 413px; TEXT-ALIGN: center" height="335" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R0yt0F00J0I/AAAAAAAAAOk/WZLkyz53y38/s320/14+-+Fauna+Selvagem+e+Protec%C3%A7%C3%A3o+da+Natureza.jpg" width="307" border="0" /></a>
<div align="center"><br /><br /></div>
<div align="center"></div><span style="FONT-SIZE: 85%">
<div align="center"><br /></div>
<p align="center"></span><span style="FONT-SIZE: 180%"><strong>FAUNA SELVAGEM</strong><br /></p>
<p align="center"><strong>E</strong><br /></p>
<p align="center"><strong>PROTECÇÃO DA NATUREZA</strong></p>
<div align="center"><br /></div>
<p align="center"></p></span><span style="FONT-SIZE: 130%">
<div align="center"><br /></div>
<p align="center">EDITOR</p>
<div align="center"><br /></div>
<p align="center"><strong>AGÊNCIA GERAL DO ULTRAMAR</strong></p>
<div align="center"><br /></div>
<p align="center">L I S B O A</p>
<div align="center"><br /></div>
<p align="center"></p>
<div align="center"><br /></div>
<p align="center">ANO: <strong>1973</strong></p>
<div align="center"><br /></div>
<p align="center"></p>
<div align="center"><br /></div>
<p align="center"></p></span><span style="FONT-SIZE: 180%">
<div align="center"><br /></div>
<p align="justify">1 - <b><span style="FONT-SIZE: 100%">NOTA PRÉVIA DO LIVRO</span></p></b>
<div align="center"><br /></div>
<p align="justify"></span><b>"Realizou-se no Estado Português de Angola, de 17 de Novembro a 2 de Dezembro de 1972, a primeira reunião, a nível nacional, para o estudo dos problemas das da fauna selvagem e protecção da Natureza no ultramar português.</P>
<DIV align=center><br /></DIV>
<P align=justify></P>
<DIV align=center><br /></DIV>
<P align=justify>A sessão inaugural teve lugar em Luanda e os trabalhos da Reunião decorreram na cidade de Sá da Bandeira, com larga participação de individualidades - cerca de uma centena - em representação dos sectores público e privado da metrópole, de Angola e de Moçambique.</P>
<DIV align=center><br /></DIV>
<P align=justify>Por determinação do Ministro do Ultramar recaiu sobre o Gupo de Trabalho para o Estudo do Fomento Pecuário no Ultramar, o encargo da preparação, a nível central, desta Reunião. Simultâneamente nos Estados de Angola e de Moçambique funcionaram comissões provinciais que se ocuparam das tarefas relacionadas com a Reunião nos referidos territórios.</P>
<DIV align=center><br /></DIV>
<P align=justify></P>
<DIV align=center><br /></DIV>
<P align=justify>A agenda da Reunião era constituída por sete temas, conforme a seguir se discrimina:</P>
<DIV align=center><br /></DIV>
<P align=justify>1. - "Zonas de Protecção da Fauna Selvagem", seus aspectos gerais e especiais no domínio da conservação, melhoria, ampliação e constituição em função dos seus fins técnicos, sócio-económicos e turísticos.</P>
<DIV align=center><br /></DIV>
<P align=justify>2. - Patologia animal relacionada com a fauna selvagem.</P>
<DIV align=center><br /></DIV>
<P align=justify>3. - Valor económico da fauna selvagem - criação e aproveitamento racional como fonte de proteínas e outros produtos, subprodutos, troféus e despojos -. Repovoamento e introdução de novas espécies.</P>
<DIV align=center><br /></DIV>
<P align=justify>4. - Turismo e Protecção da Natureza:</P>
<DIV align=center><br /></DIV>
<P align=justify>- Turismo cinegético, de foto-safaris e de contemplação;</P>
<DIV align=center><br /></DIV>
<P align=justify></P>
<DIV align=center><br /></DIV>
<P align=justify>- em Coutadas;</P>
<DIV align=center><br /></DIV>
<P align=justify>- em terrenos abertos (áreas livres);</P>
<DIV align=center><br /></DIV>
<P align=justify></P>
<DIV align=center><br /></DIV>
<P align=justify>- em Zonas de Protecção; </P>
<DIV align=center><br /></DIV>
<P align=justify>- inter-relações entre o turismo cinegético, o de foto-safaris e o contemplativo e o turismo em praias de certos litorais e ilhas adjacentes;</P>
<DIV align=center><br /></DIV>
<P align=justify></P>
<DIV align=center><br /></DIV>
<P align=justify>- colaboração, ao nivel da África Austral, na realização de circuitos turísticos numa política de grandes espaços; harmonia nas legislações e eliminação de onstáculos de natureza burocrática.</P>
<DIV align=center><br /></DIV>
<P align=justify>5. - Legislação de base da "Protecção da Natureza no Ultramar Português" - Decreto n&ordm; 40 040, de 20 de Janeiro de 1955 -, e regulamentos consequentes, estabelecidos por outros diplomas legais.</P>
<DIV align=center><br /></DIV>
<P align=justify>Propostas de actualização ou alteração das disposições legais em vigor. Sua fundamentação.</P>
<DIV align=center><br /></DIV>
<P align=justify>6. - Mentalização das populações a todos os níveis - em especial as camadas dirigentes e escolares - no sentido de uma melhor compreensão e interesse pela fauna selvagem nos seus aspectos polivalentes (protecção, conservação, exploração, etc.).</P>
<DIV align=center><br /></DIV>
<P align=justify>7. - Política e estruturas científicas. Investigação e experimentação. </P>
<DIV align=center><br /></DIV>
<P align=justify>A discussão dos problemas abordados concretizou-se em conclusões e recomendações votadas em plenário final da Reunião.</P>
<DIV align=center><br /></DIV>
<P align=justify>Por iniciativa do Grupo de Trabalho para o Estudo do Fomento Pecuário no Ultramar e com a colaboração da Agência-Geral do Ultramar publicam-se neste volume os relatórios apresentados nas sessões de trabalho, bem como as conclusões e recomendações votadas no final. Estas conclusões e recomendações foram oportunamente homologadas pelo Ministro do Ultramar, constituindo assim base para o prosseguimento da meritória tarefa do estudo dos problemas da fauna selvagem e protecção da Natureza no ultramar português."</p>
<div align="center"><br /></div>
<p align="justify"></p><span style="FONT-SIZE: 180%">
<div align="center"><br /></div>
<p align="justify"></p>
<div align="center"><br /></div>
<p align="justify"><span style="FONT-SIZE: 100%">2 - A PARTICIPAÇÃO DE MOÇAMBIQUE</span></p>
<p align="justify"><span style="FONT-SIZE: 100%"></span></p>
<p align="justify"><span style="FONT-SIZE: 130%"></span></p><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5137677015326140242" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 472px; CURSOR: hand; HEIGHT: 339px; TEXT-ALIGN: center" height="242" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R0yyBl00J1I/AAAAAAAAAOs/af4Ph0UlvQs/s320/14_1+-+Fauna+Selvagem+-+Reuni%C3%A3o+de+Angola.jpg" width="442" border="0" /></span><br />
<p align="justify">A Comissão representativa de Moçambique foi constituída pelos sete elementos que estão em primeiro plano na foto acima, tirada durante uma sessão de trabalhos em Sá da Bandeira, a saber: Em primeiro plano: Eng&ordm; José Martins Santareno, secretário provincial de terras e povoamento e presidente da Comissão; Em segundo plano da esquerda para a direita: Jorge Abreu, industrial de turismo (Hoteis Tivoli e Turismo e Moçambique Safarilândia); Dr. Armando Rosinha, chefe da repartição técnica da fauna; Dr. Eduardo de Castro Amaro, inspector provincial de veterinária; Eng&ordm; Videira e Castro, director dos serviços de agricultura e florestas; Prof. Doutor Jaime Travassos Dias, director da faculdade de veterinária e do Museu Álvaro de Castro (actual Museu de História Natural); e Dr. Fernando Paisana, director dos serviços de veterinária.</p>
<p align="center">(<span style="FONT-SIZE: 85%"><font size="2">foto gentilmente cedida pelo Dr. Armando Rosinha)</font></span></p><br />
<p align="justify">Coube à representação moçambicana elaborar os trabalhos relacionados com os temas:<br /></p>
<p align="justify">- VALOR ECONÓMICO DA FAUNA SELVAGEM (relator o Dr. Eduardo de Castro Amaro)</p>
<p align="justify">(relator o Dr. Eduardo de Castro Amaro)</p><br />
<p align="justify">- LEGISLAÇÃO BASE DA "PROTECÇÃO DA NATUREZA NO ULTRAMAR PORTUGUÊS" </p>
<p align="justify">(relator o Dr. Armando Rosinha)</p><br />
<p align="justify">- POLÍTICA E ESTRUTURAS CIENTÍFICAS - INVESTIGAÇÃO E EXPERIMENTAÇÃO </p><br />
<p align="justify">(relator o Prof. Doutor Jaime Travassos Dias)</p><br />
<p align="justify">Os restantes 4 temas foram apresentados pelos representantes da Angola: Prof. Doutor Carlos Neves, Prof. Doutor Aires Gonçalves, A. Leite de Magalhães e S. Newton da Silva.</p><br />
<p align="justify"></p><span style="FONT-SIZE: 180%"><br />
<p align="justify"></p><br />
<p align="justify"><span style="FONT-SIZE: 100%">3 - BREVE COMENTÁRIO</span></p><br />
<p align="justify"></span>Contém este livro, de 305 páginas, a mais importante e esclarecedora matéria jamais produzida pela administração colonial relativamente ao estudo de medidas de protecção e exploração da fauna bravia nos territórios de Angola e Moçambique. </p>
<p align="justify">As experiências colhidas antes e depois da publicação do célebre Decreto Lei n&ordm; 40 040, de 20 de Janeiro de 1955 e a pressão internacional para que se cumprissem em Angola e Moçambique os tratados a que Portugal tinha aderido, nomeadamente os de Londes de 1933 (Conferência para a Protecção da Fauna e da Flora Africanas) e de Nova Delhi de 1969 (X&ordf; Assembleia Geral da União Internacional para a Conservação da Natureza - UICN), levaram as autoridades coloniais a dispensar alguma atenção a estes problemas. A Reunião de Sá da Bandeira foi não só o corolário dessa atitude como também da persistente acção de um punhado de devotados defensores da fauna bravia e da Natureza em geral, entre os quais os que ali estiveram presentes.</p><br />
<p align="justify">As conclusões e recomendações ali produzidas constituem um verdadeiro tratado cuja validade não tem prazo. As gerações de técnicos e governantes, actuais e seguintes, encontrarão nestas mesmas conclusões e recomendações directrizes importantes para o sector, cuja implementação, aliás, já se vem verificando em algumas situações pontuais em Moçambique, desde 1994, como é o caso dos Parques da Gorongosa e Limpopo e Reserva do Niassa, para não citar outros projectos de menor envergadura.</p><br />
<p align="justify">A propósito do que acima refiro, recordo aqui um trecho do trabalho do Dr. Armando Rosinha (Tema 5, página189) onde este conceituado técnico que dirigiu o Parque Nacional da Gorongosa e os Serviços de Protecção da Fauna Bravia, antes e depois da independência de Moçambique, deixa uma mensagem à população e governantes deste país relativamente à importância destes recursos naturais:</p>
<p align="center"><br /><span style="COLOR: #006600">"Pessoalmente, estamos sincera e decididamente convencidos de que Moçambique - se a sua população e os seus dirigentes assim o entenderem -, tem neste sector de actividade uma sólida alavanca em que pode assentar o seu desenvolvimento económico, contribuindo-se ao mesmo tempo para manter, desenvolver e legar aos vindouros um ambiente natural equilibrado e são onde a vida humana seja um prazer, e não, como vem sucedendo em muitos locais, infelizmente, um pesado fardo que milhares de seres arrastam penosamente."</span></p>
<p align="center"><span style="COLOR: #006600"></span></p>
<p align="left"><span style="COLOR: #000000">Por último salienta-se a importancia que representou o Parque Nacional da Gorongosa nos estudos relacionados com as zonas de protecção da fauna selvagem e desenvolvimento do turismo. Foram apresentadas estatísticas sobre o seu movimento e receitas desde 1952 a 1971 e publicadas no livro excelentes fotos da sua fauna. O relator do Tema 4 - Turismo e Protecção da Natureza -, o angolano A. Leite de Magalhães, ao referir-se a este Parque disse ser "<EM>a galinha de ovos de ouro, o maior espectáculo do mundo e legítimo orgulho de competentes serviços do Estado de Moçambique"!</em></span></p>
<p align="left">Este livro não esteve à venda por se tratar de uma edição para uso interno dos organismos estatais e privados ligados à protecção e exploração da fauna bravia.</p>
<p align="justify">A biblioteca do Ministério da Agricultura e Pescas de Moçambique conserva este precioso documento, que tem sido fonte de consulta de muitos estudantes e técnicos e continuará, em muitos aspectos, a ser um guia dos legisladores sobre as matérias ali recomendadas.<span style="FONT-SIZE: 180%"><br /></p>
<p></p>
<p align="justify"></p><br />
<p align="justify"><span style="FONT-SIZE: 100%">4 - ALGUMAS FOTOS DO LIVRO</span></p>
<p align="justify"><span style="FONT-SIZE: 100%"></span>&nbsp;</p>
<p align="center"><span style="FONT-SIZE: 100%"><img style="WIDTH: 539px; HEIGHT: 383px" height="462" alt="Fauna Selvagem_Búfalos_2" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Fauna_20Selvagem_B_FAfalos_2_small.jpg" width="608" border="0" /></span></p>
<p align="center">Búfalos de Marromeu &ndash;&nbsp;Moçambique&nbsp;</p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p align="center"><span style="FONT-SIZE: 100%"><img style="WIDTH: 534px; HEIGHT: 399px" height="498" alt="Fauna Selvagem_Zebras" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Fauna_20Selvagem_Zebras_small.jpg" width="619" border="0" /></span></p>
<p align="center"><span style="FONT-SIZE: 100%">Zebras do P.N.Gorongosa-Moçambique</span></p>
<p align="center"><span style="FONT-SIZE: 100%">&nbsp;</p>
<blockquote></blockquote></span>
<p align="justify"><span style="FONT-SIZE: 100%"></span></p>
<p align="justify"><span style="FONT-SIZE: 130%"></span></p></b></span>
<p align="center"><img style="WIDTH: 526px; HEIGHT: 442px" height="564" alt="Fauna Selvagem_Leões" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Fauna_20Selvagem_Le_F5es_small.jpg" width="800" border="0" /></p>
<p align="center">Leões do P.N.Gorongosa</p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p align="center"><img style="WIDTH: 530px; HEIGHT: 420px" height="515" alt="Fauna Salvagem_Elefantes" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Fauna_20Salvagem_Elefantes_small.jpg" width="346" border="0" /></p>
<p align="center">Elefantes da Reserva do Maputo &ndash; Moçambique</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center"><img style="WIDTH: 567px; HEIGHT: 382px" height="383" alt="Fauna Selvagem" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Fauna_20Selvagem_small.jpg" width="539" border="0" /></p>
<p align="center">Hipopótamos do P.N.Gorongosa</p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p align="center"><img style="WIDTH: 572px; HEIGHT: 387px" height="553" alt="Fauna Selvagem_Palanca Real" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Fauna_20Selvagem_Palanca_20Real_small.jpg" width="642" border="0" /></p>
<p align="center">As famosas Palancas Reais, endémicas de Angola!</p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p><strong>Novembro, 2007</strong></p>
<p><strong>Celestino Gonçalves<br /></strong></p>]]></description>
         <link>http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/2007/12/_9_fauna_selvagem_e.html</link>
         <guid>http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/2007/12/_9_fauna_selvagem_e.html</guid>
        
        
         <pubDate>Sun, 02 Dec 2007 22:49:25 +0000</pubDate>
      </item>
            <item>
         <title>9 - O PRIMEIRO ENCONTRO DE REPRESENTANTES DO PARQUE E DA FRELIMO</title>
         <description><![CDATA[<div class="post-body entry-content">
<p>
<div align="center"><img alt="PNG_Imagem_20cabe_E7alho" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/PNG_Imagem_20cabe_E7alho.jpg" border="0" /><br />&nbsp;</div>
<div align="justify"><a href="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R0IjlF00JtI/AAAAAAAAANs/cTBB0Ok7oX4/s1600-h/PNG_Imagem+cabeÃ&sect;alho.jpg"></a><br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </strong></div>
<div align="justify"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 1 9 7 4<br /></strong></div>
<div align="justify"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;O PRIMEIRO ENCONTRO </strong></div>
<div align="justify"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;DE REPRESENTANTES DO PARQUE E DA FRELIMO</strong></div>
<div align="justify">
<div align="justify"><strong><font size="5">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</font><br /></strong><br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;(SEGUNDA PARTE)<br /><strong><br /><br /></strong><br />1<strong> - INTRODUÇÃO<br /><br />Como fiz menção na primeira parte deste trabalho, constituiu-se no Chitengo, em fins do mês de Julho de 1974, logo após a desmobilização do contingente de 120 homens da OPV, uma comissão de trabalhadores composta por elementos representativos dos diversos sectores da vida do Parque, para se analisar a situação e estudarem-se medidas adequadas para fazer regressar à normalidade as actividades que se encontravam praticamente paralisadas desde o &ldquo;25 de Abril&rdquo;.<br /><br />A administração do Parque, que na altura estava desfalcada dos seus habituais responsáveis, nada podia fazer perante a indisciplina que se instalou no seio dos trabalhadores levados por uns quantos agitadores que se aproveitaram da confusão que a mudança política naturalmente provocou. Os caçadores furtivos encontraram o caminho aberto naquele reino sem controle e até no acampamento de Chitengo se ouviam com frequência os tiros que em pleno dia derrubavam os elefantes!<br /><br />A única medida era pedir auxílio e esse só a FRELIMO, através dos seus comandantes militares, podia dar. Os voluntários da OPV, que ali foram instalados para garantir o funcionamentos dos postos de fiscalização, tiveram o pior dos comportamentos ao transformarem-se eles próprios em caçadores furtivos e, pior ainda, hostilizando e agredindo os responsáveis do Parque que os pretendiam impedir de cometer semelhantes transgressões.<br /><br />A companhia da tropa portuguesa, instalada no Chitengo com a finalidade de garantir a segurança dos funcionários e dos turistas visitantes, recolheu os seus homens à caserna e deixou de operar, esperando apenas e ansiosamente, ordens para o seu regresso a Portugal.<br /><br />Vivia-se no Chitengo um clima de incertezas até pela táctica da Frelimo que na região demorou em sair da mata com a desconfiança natural de quem manteve uma guerra tantos anos sem tentativas credíveis para um acordo final em consonância com os seus objectivos.<br /><br />Ficar de braços cruzados a ver os efectivos dos animais mais representativos a diminuírem dia após dia, era uma situação incomportável para um punhado de fieis guardiães do Parque, precisamente aqueles que formaram a comissão e deram a sua contribuição para as medidas a tomar. E estas eram de contactar rapidamente os responsáveis das bases da FRELIMO, que se constava estarem algures na Serra da Gorongosa e na região de Bué Maria.<br /><br />Receava-se contudo que qualquer iniciativa nossa, sem contactos prévios, viesse a ser mal sucedida, pelo que resolvemos procurar a pessoa mais indicada, o Mosca de Vila Paiva. Ele nos disse que iria mandar um emissário à Serra e logo obtivesse resposta do comandante da Base nos contactava.<br /><br />Entretanto amadurecemos a ideia de preparar uma mensagem para mandarmos pessoalmente, por um ou dois trabalhadores que eventualmente se dispusessem a tal missão. Tal documento ficou concluído em 4 de Agosto e dele se fizeram várias cópias, mas voluntários para a arriscada tarefa de entrega não surgiram. Consultados os mais maduros e sensatos, todos estavam muito cépticos quanto à reacção dos combatentes e não aceitaram tal missão.<br /><br />Cerca de uma semana depois do apelo que fizemos ao Mosca recebemos deste, no dia 10, o recado que muito desejávamos. Tinha a promessa do comandante Cara Alegre de visitar a Vila no dia seguinte!<br /><br />E lá estivemos no memorável encontro! Como chefe da delegação e depois de apresentar ao comandante Cara Alegre os companheiros ali presentes, li em voz alta e com a emoção que me acompanhou desde o início da missão no Parque, a mensagem que ele e os presentes escutaram com grande atenção e aplaudiram no final. Este responsável da FRELIMO, que ali prometeu enviar esta mensagem ao seu comandante máximo, Samora Machel, garantiu-me, mais tarde e já em Maputo, que este a recebeu quando estava em Luzaka com a delegação da FRELIMO para a assinatura do acordo com os representantes do governo português &ndash; 7 de Setembro de 1974 &ndash;, que conduziu Moçambique à independência.<br /><br />Esse documento, que felizmente faz parte do meu arquivo e já resistiu 33 anos, por ter sido batido em stencil e copiado com tintas e em papel de pouca qualidade, está mal conservado e não dá reprodução fiel, pelo que a sua cópia foi a solução. Aqui fica, tal como o seu anexo.<br /><br /><br /><br />2 &ndash; A MENSAGEM ENTREGUE À FRELIMO<br /></div></strong><br /><strong><br />
<div align="justify"><br /><span style="COLOR: #009900">MENSAGEM DOS TRABALHADORES DO<br />PARQUE NACIONAL DA GORNGOSA<br />AOS COMBATENTES DA FRELIMO<br /><br /><br />Prezados camaradas!<br /><br />Chegou a hora de darmos as mãos para a construção do Moçambique Novo, pelo qual vós lutais há tantos anos de armas na mão!<br />Chegou a hora de reconstruir esta Terra, tão abalada por treze anos de uma guerra contra os governantes colonialistas!<br />O novo governo português, depois de ter demitido aqueles governantes no histórico golpe de Estado de 25 de Abril, abriu já o caminho para a total independência de Moçambique.<br />O General Spínola &ndash; novo Presidente de Portugal &ndash; no seu memorável discurso de 27 de Julho findo, proclamou o direito dos povos africanos de Moçambique, Angola e Guiné à total independência.<br />Nessa proclamação disse solenemente:<br /><br />&ldquo;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;PODEM AGORA OS SOLDADOS DE AMBOS OS LADOS ARRUMAR<br />AS ARMAS E DAREM AS MÃOS PARA EM PAZ CONSTRUIREM UM PAÍS<br />NOVO&hellip;..&rdquo;<br /><br />Logo após aquela data, em todo o Moçambique se tem festejado a vitória do seu Povo, conduzido pela FRELIMO ao longo destes anos de luta!<br />O cessar fogo é uma realidade em muitos pontos do território, havendo em muitos lados uma leal colaboração entre as tropas da Frelimo e os soldados portugueses, que retiram as minas das estradas e confraternizam nas próprias bases e aquartelamentos.<br />A guerra acabou finalmente, para bem de todos, porque redundou na mais justa das vitórias: a independência do Povo de Moçambique.<br />Só quem não recebe notícias pode ignorar o que se passa. É preciso que todos saibam: Moçambique é uma Nação Livre!<br />Nesta hora de alegria para o povo moçambicano, todos os trabalhadores do Parque Nacional da Gorongosa, reunidos especialmente para elaboração desta mensagem, vêm manifestar o seu regozijo por ter acabado a guerra e declararem o seu firme desejo de colaborar com o futuro governo moçambicano na reconstrução desta próspera Terra por forma a nela SER ERGUIDA A Nação que todos ambicionam.<br />Nesta tarefa, que só é possível na paz, todos nós temos um papel importante.<br />Nós, os homens e mulheres que trabalham no Parque Nacional da Gorongosa, queremos ardentemente participar na obra que vai seguir-se.<br />Dentro da missão que nos compete &ndash; zelar pelo património faunístico da Nação &ndash; solicitamos a melhor compreensão de todos, camaradas da Frelimo e residentes na região do Parque.<br />Às pessoas menos esclarecidas sobre a verdadeira razão da existência do Parque da Gorongosa, desejamos informar que ele representa uma riqueza da Nação Moçambicana; que essa riqueza pertence ao povo moçambicano em geral e não aos que aqui trabalham; que os animais que aqui protegemos constituem o símbolo dessa riqueza; que é dever de todos nós conservar na Terra os Parques Nacionais onde esteja garantida a continuidade dos representantes de todos os seres vivos, para os legarmos às gerações vindouras; que o Parque da Gorongosa é e será sempre o melhor reduto da fauna em Moçambique; que este Parque, como &ldquo;Sala de Visitas&rdquo;, há-de ser motivo de orgulho de todos os moçambicanos quando utilizado na sua verdadeira finalidade (recepção de amigos, exploração turística a nível internacional, manifestações de carácter turístico, cultural e científico, etc.); que o Parque bem organizado, como estão os famosos Parques da Tanzânia, Kénia, Uganda e outros países independentes de África, muito contribuirá para que Moçambique acarrete com preciosas divisas estrangeiras para os seus cofres, como sucede naqueles países, nomeadamente no Kénia onde o turismo deste género fornece uma das principais receitas ao Estado.<br />Também o futuro governo de Moçambique independente há-de conservar e desenvolver este maravilhoso Parque, construindo nele as necessárias estruturas com vista ao progresso que em todos os sectores se irá verificar em todo o território.<br />Repetimos: O Parque Nacional da Gorongosa será um dos motivos de orgulho do povo moçambicano e as próprias populações vizinhas, que naturalmente serão respeitadas nos seus direitos, muito virão a beneficiar dele.<br />Lembra-se aqui, com muita satisfação, que numa das recentes emissões da &ldquo;Voz da Frelimo&rdquo;, foi feita referência ao Parque da Gorongosa como sendo &ldquo;uma mina de Moçambique&rdquo;. Isto dá-nos a consoladora certeza de que os responsáveis pela futura administração estão absolutamente informados sobre o valor deste Parque e que para o mesmo reservam já um plano de conservação adequado.<br />É apoiados neste conceito que nós, trabalhadores do Parque, sentimos ânimo e confiança nos futuros governantes e nos propomos dar todo o esforço na tarefa que vai seguir-se.<br />Pedimos pois a melhor compreensão para o nosso trabalho e o respeito pelas funções que nos atribuíram, sobretudo nesta fase de transição, pois temos a certeza que no futuro não nos faltará uma directriz orientada segundo os melhores interesses da Nação.<br />Neste momento, em que muitos &ndash; ou quase todos &ndash; habitantes da região ignoram o valor e a finalidade deste Parque, podem existir alguns ressentimentos contra os nossos guardas e fiscais, por proibirem a caça. Pois ninguém, depois de esclarecido, poderá levar a mal termos cumprido as nossas obrigações. Fazemo-lo pensando sempre no futuro, podendo nesta altura constituir um motivo de orgulho para todos quantos, de uma forma ou outra, contribuíram para legar ao Moçambique Independente tão valioso património, hoje em dia tão importante como os restantes que constituem a riqueza desta Terra.<br />Queremos prestar este esclarecimento aos nobres soldados da Frente de Libertação de Moçambique, nesta hora do &ldquo;apertar de mãos&rdquo;, para que fique inequivocamente conhecida a posição que todos os trabalhadores do Parque Nacional da Gorongosa têm assumido na defesa dos interesses comuns e o seu propósito de continuarem a pugnar pelo património da Nação Moçambicana.<br />Desfeitas possíveis más interpretações que porventura se tenham arreigado em consequência da falta de esclarecimento sobre a orientação do pessoal ao serviço no Parque Nacional da Gorongosa, todos nós pedimos que seja feita a aproximação. Necessitamos dela para solucionar problemas que presentemente ameaçam a vida do Parque, tais como os relacionados com a repressão à caça dos elefantes praticada por furtivos vindos das cidades, que aproveitando-se da situação confusa praticam as maiores barbaridades para obterem lucros fáceis.<br />É preciso salvarmos o Parque desses furtivos. É preciso reestruturar rapidamente a fiscalização nos postos ora abandonados por motivos que neste momento já não têm razão de existir.<br />Para tanto precisamos do auxílio da FRELIMO, a exemplo do que sucede noutros pontos de Moçambique.<br />Quanto mais tarde entrarmos no bom caminho, da paz e da fraternidade, maiores serão os prejuízos para o património que aqui estamos a defender e consequentemente para a economia da Nação Moçambicana.<br /><br />CAMARADAS !<br />A vossa colaboração é urgente. Ajudem-nos a proteger o Parque dos reaccionários, que Aproveitando-se da presente situação não só abatem a caça para negócio como ameaçam destruir os nossos acampamentos.<br />Temos instalações a defender desses &ldquo;furtivos&rdquo;, como seja a Bela-Vista, onde há casas que custaram muito dinheiro e muito trabalho a todos nós.<br />Pretendemos que todos os acampamentos voltem a ser ocupados tranquilamente por nós próprios, na proporção que era hábito para assegurar a fiscalização das respectivas áreas.<br />Sem a vossa ajuda, porém, a tarefa é não só difícil como mal interpretada.<br />Não queremos pegar em armas &ndash; as nossas armas habituais são as que utilizamos na defesa contra eventuais ataques de animais &ndash; para defender este valioso património. Queremos sim o entendimento, nesta hora de transição, que é a hora em que os homens terão de se conhecer.<br />Venham pois, camaradas, dialogar sobre a melhor forma de todos unidos garantirmos a continuidade da riqueza e a construção de um Moçambique Novo.<br />De agora em diante aguardamos a vossa vinda, as vossas mensagens de amizade, os vossos encontros fraternos, para juntos confraternizarmos na paz e traçarmos um novo rumo, uma vida melhor.<br />Julgamos não terem qualquer dúvida na nossa honestidade e o facto de nunca termos sido guerrilheiros bem atesta a melhor das nossas intenções, embora também estes já tenham deposto as armas e aguardem a união total.<br />A nossa missão não pode ser confundida e nunca se emiscuiu em problemas da guerra. Servimos sempre a causa da fauna e queremos continuar fieis à mesma.<br />Apelamos para a vossa compreensão, pois estamos numa luta de interesses paralela à vossa: a luta por Moçambique livre, independente e próspero.<br />A História há-de registar toda a epopeia destes treze anos de luta heróica para tornar Moçambique independente. Estamos todos crentes que os vindouros acrescentarão nela um capítulo próprio em homenagem aos bravos soldados que ajudaram a salvar o mais belo santuário de caça de todo o Mundo, que é esta nossa &ndash; de todos &ndash; GORONGOSA.<br />Aqui os esperamos, camaradas da FRELIMO, no Chitengo ou em qualquer outro ponto do Parque, na certeza que virão na paz, para &ldquo;darmos as mãos&rdquo; e resolvermos os nossos problemas.<br />Assim, todos os trabalhadores do Parque Nacional da Gorongosa vos saúdam e gritam bem alto:<br /><br />VIVA MOÇAMBIQUE LIVRE!<br />VIVA A FRELIMO!<br />VIVA A PAZ E A FRATERNIDADE!<br /><br />Chitengo, 4 de Agosto de 1974<br /><br />A COMISSÃO DE TRABALHADORES<br /><br />Assinados:<br />1 &ndash; Celestino Ferreira Gonçalves, fiscal de caça-chefe<br />2 &ndash; Joaquim Pedro Rato Martins, fiscal de caça de 1&ordf; classe<br />3 &ndash; Pedro David Ernesto Manussos, fiscal de caça de 2&ordf; classe<br />4 &ndash; Lourenço Rodrigues, guarda de Parques, Reservas e Coutadas<br />5 &ndash; Chico Natal Alfredo Candeeiro, motorista<br />6 &ndash; Manuel Chimoio, motorista<br />7 &ndash; Batage Vasco, operador de máquinas<br />8 &ndash; Castigo Mamunanculo, servente de 1&ordf; classe (guarda)<br />9 &ndash; Francisco Pranga, servente de 1&ordf;classe (guarda)<br />10 &ndash; Alberto Matambo, servente de 1&ordf; classe (guarda)<br /><br /><br /><span style="COLOR: #000000">3 &ndash; O ANEXO DA MENSAGEM<br /></span><br />O QUE É O PARQUE NACIONAL DA GORONGOSA<br />E AS RAZÕES DA SUA EXISTÊNCIA<br /><br />- Criado há cerca de 40 anos &ndash; primeiro como Reserva de Caça &ndash; tem o seu coração no vale do rio Urema e Alonga-se às terras vizinhas de Cheringoma e Gorongosa, ocupando uma área de cerca de 4.000 Km2.<br />- É povoado de uma abundante fauna, onde se destaca uma elevada representação de Elefantes, Hipopótamos, Búfalos, Inhacosos, Zebras, Bois-cavalos, Leões, Impalas, etc..<br />- É mundialmente conhecido e tornou-se famoso pela beleza natural que encerra e variadíssima fauna que alberga. Os seus Leões constituem autêntico &ldquo;ex-libris&rdquo; de Moçambique, pois deixam-se fotografar a escassos metros das viaturas.<br />- No campo turístico é de longe o principal cartaz de Moçambique.<br />- No campo científico serve os vários ramos ligados à zoologia, biologia, ecologia, botânica, etc..<br />- No campo cultural proporciona a divulgação da vida selvagem às camadas estudantis e de todos que nutrem interesse pelos problemas da natureza.<br />- No campo económico representa uma fonte de receitas em divisas estrangeiras, através da exploração turística e futuramente na venda de animais para jardins zoológicos de todo o mundo.<br />- É servido por um acampamento central &ndash; CHITENGO &ndash; onde existem instalações para cerca de 150 turistas.<br />- Tem diversos outros acampamentos na sua periferia, destinados essencialmente a fiscalização.<br />- Trabalham no Parque cerca de 130 empregados, entre brancos, mistos e negros (estes em maior número), que executam as diversas tarefas de administração, fiscalização, oficinas, obras, maquinaria e viaturas, arranjo de picadas, manutenção de acampamentos, etc..<br />- Nos últimos anos de normal funcionamento recebeu em média 26 mil visitantes por ano.<br />- Tem uma rede interna de picadas com cerca de 500 Km.<br />- É servido por uma pista para aviões do tipo &ldquo;táxi aéreo&rdquo;.<br />- A ligação rodoviária para o exterior é feita por um ramal de 11 Km. A partir do portão de entrada até à estrada asfaltada Centro-Norte.<br />- No acampamento do Chitengo existe luz eléctrica fornecida pela rede exterior da SHER.<br />- No mesmo acampamento há uma estação telégrafo-postal dos CTT, com telefones para o exterior tipo VHF.<br />- Há uma Escola Primária, Posto de Socorros , Campos de Jogos e duas Piscinas.<br /><br />Chitengo, 4 de Agosto de 1974<br /><br />DISTRIBUIÇÃO:<br />Comandantes e outras autoridades da FRELIMO<br />da região da Gorongosa e Cheringom</span>a</div><br /><br /><br />
<div align="center">4 - IMAGENS HISTÓRICAS</div><br /><br />
<div align="left"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134709244464211682" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R0Im2l00JuI/AAAAAAAAAN0/rGZZI06NRqY/s320/VisitaGovG_PNG_64.jpg" border="0" /></strong></div></div>
<div align="center">Visita do Governador Geral Arantes e Oliveira em 1964.</div>
<div align="center">A receber a comitiva o Dr. Armando Rosinha e Celestino Gonçalves (atrás à esq&ordf;)</div>
<p align="center"><img alt="Martins e Inês em 1974" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/images/Martins_20e_20In_EAs_20em_201974.jpg" border="0" /></p>
<div align="center">Joaquim Rato Martins (fiscal de caça) e esposa Inês (professora no Chitengo).</div>
<div align="center">Ambos viveram intensamente os problemas de 1974 no Parque.</div>
<div align="center">&nbsp;</div>
<div align="center">&nbsp;</div>
<div align="center"></div>
<div align="center"></div><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134711546566682386" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R0Io8l00JxI/AAAAAAAAAOM/Y8vWw5j7mic/s320/Castigo+e+Batage+Vasco.jpg" border="0" /><br />
<div align="center">Castigo Mamunanculo e Batage Vasco, em 2000, </div>
<div align="center">quando visitei o Parque ao fim de 19 anos de ausência. Dois</div>
<div align="center">resistentes de 1974, infelizmente já falecidos.</div>
<div align="center">&nbsp;</div>
<div align="center"></div><br /><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134712358315501346" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R0Ipr100JyI/AAAAAAAAAOU/JHLfe9sVqE8/s320/GrupoPNG1974.jpg" border="0" /><br />
<p align="center">Jantar de despedida do Luís Fernandes (adjunto do administrador do Parque) e Esposa, Zilda (professora do Chitengo) quando foram de férias em 1974, antes do "25 de Abril". Eles voltariam depois mas por pouco tempo.</p>
<p align="center"></p>
<p align="center"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134713157179418418" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R0IqaV00JzI/AAAAAAAAAOc/crT138wlchM/s320/Harry+anners_5.jpg" border="0" /></p>
<p align="center">As célebres presas de elefante que em 1977 foram transferidas do Parque para o Palácio da Presidência em Maputo e depois para o Museu de História Natural, onde se encontram. Na imagem pode ver-se outro dos resistentes de 1974, Pedro Manussos, também já falecido.</p>
<p align="center">*&nbsp;&nbsp; *&nbsp;&nbsp; *</p>
<p align="center">Novembro, 2007</p>
<p align="center">Celestino Gonçalves</p>
<p></p>
<div style="CLEAR: both"></div></div>]]></description>
         <link>http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/2007/11/o_primeiro_encontro_de_represe_1.html</link>
         <guid>http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/2007/11/o_primeiro_encontro_de_represe_1.html</guid>
        
        
         <pubDate>Tue, 20 Nov 2007 01:14:51 +0000</pubDate>
      </item>
            <item>
         <title>8 - O PRIMEIRO ENCONTRO DE REPRESENTANTES DO PARQUE E DA FRELIMO</title>
         <description><![CDATA[<p align="center"><img alt="PNG_Imagem cabeçalho" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/images/PNG_Imagem_20cabe_E7alho.jpg" border="0" /></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align="center"><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><span style="FONT-SIZE: 18pt"><font face="Times New Roman"><span style="mso-spacerun: yes">&nbsp;</span>1 9 7 4</font></span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align="center"><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><span style="FONT-SIZE: 18pt"><font face="Times New Roman"><?xml:namespace prefix ="" o /><o:p></o:p></font></span></b>&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align="center"><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><font size="3"><font face="Times New Roman">O PRIMEIRO ENCONTRO DE REPRESENTANTES DO PARQUE E DA FRELIMO<o:p></o:p></font></font></b></p><o:p><font face="Times New Roman" size="3"><strong>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align="left"><br /></p>
<p class="post-body entry-content">
<div class="post-body entry-content" align="center">(PRIMEIRA PARTE)<br /></div>
<div class="post-body entry-content" align="center">
<div align="center"><span style="FONT-SIZE: 130%"><strong><span style="FONT-SIZE: 180%"><font size="6">&nbsp;</font></span></strong></span></div></div>
<div class="post-body entry-content" align="justify"><strong><font size="5">1 &ndash; O ENCONTRO</font></strong></div>
<div class="post-body entry-content" align="justify"><strong><font size="5"><br /></font>A luta armada que a FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique) desencadeou durante dez anos (1964/1974), com vista à independência de Moçambique, viria a terminar pouco depois do golpe militar em Portugal em 25 de Abril de 1974, mais concretamente depois de assinado o Acordo de Luzaka em 7 de Setembro do mesmo ano entre representantes do governo de Lisboa e a delegação da Frelimo chefiada pelo seu presidente Samora Moisés Machel.<br /><br />Desde 1970 que a guerra iniciada no norte havia atingido o centro de Moçambique e o Parque Nacional da Gorongosa viria a ressentir-se devido a algumas acções da Frelimo, nomeadamente depois de um ataque intimidativo às instalações do acampamento do Chitengo, em 1973, quando o mesmo estava repleto de turistas. Esta situação levou as autoridades coloniais (civis e militares) a colocar no Parque uma Companhia de tropa portuguesa e um grupo equivalente em número de homens armados sob o comando da Organização Provincial de Voluntários &ndash; OPV.<br /><br />A situação de guerra favoreceu a acção dos caçadores furtivos, tanto residentes como idos das cidades e vilas, que abatiam indiscriminadamente os grandes animais, sobretudo elefantes. Logo após o &ldquo;25 de Abril&rdquo; tudo se agravou devido à indisciplina reinante nos homens da OPV, também eles predadores dos efectivos dos grandes animais, quer para alimentação quer para negócio da carne e marfim. Os próprios guardas e os trabalhadores do Parque em geral, afectados pela confusão reinante, caíram numa total indisciplina e deixaram de cumprir cabalmente as suas tarefas passando os dias a reivindicar condições impossíveis de satisfazer no momento que se atravessava.<br /><br />A administração do Parque encontrava-se, nessa altura, desfalcada dos principais responsáveis devido ao pedido de demissão, meses antes, do próprio administrador, o veterinário Dr. Albano Cortês e pela ausência de férias em Portugal do respectivo adjunto, o fiscal de caça Luís Lopes Fernandes. O fiscal de caça Justino Matias, que ficou a substituir o adjunto, tal como o seu colega Manuel João Moedas, tiveram entretanto de ser retirados do Parque porque vinham sendo maltratados e ameaçados de morte pelos homens da OPV, justamente por tentarem opor-se às suas actividades ilegais. Ambos foram substituídos no Chitengo pelos fiscais de caça Pedro Manussos e Joaquim Rato Martins, excelentes profissionais conhecedores do Parque, mas impotentes perante tão caótica situação.<br /><br />A primeira medida para acabar com toda aquela anarquia foi a desmobilização e retirada do grupo da OPV . Assim, em fins de Julho (3 meses após o &ldquo;25 de Abril&rdquo;), depois de uma autêntica odisseia que eu próprio vivi como enviado especial do serviços centrais para promover essa diligência, foi possível, com o apoio do comandante das tropas portugueses e dos seus homens instalados no Chitengo, desarmar e retirar os 120 homens e enviá-los para Lourenço Marques, onde haviam sido recrutados e preparados para aquela missão no Parque. Um trabalho que se tornou difícil devido ao facto da retirada do grupo não ter sido decidida nem apoiada pelos altos comandos da OPV. Uma história que está enterrada como tantas outras que ocorreram nesse período do fim da chamada &ldquo;guerra colonial&rdquo; e na transição até à independência de Moçambique em 25 de Junho de 1975!<br /><br />Imediatamente após a saída dos &ldquo;voluntários&rdquo;, reuni com os responsáveis e representantes dos trabalhadores do Parque baseados no Chitengo, para uma análise da situação e estudo de medidas a tomar com vista ao futuro do mesmo Parque. Foi resolvido contactar o mais breve possível os responsáveis da Frelimo sedeados algures na base da Serra da Gorongosa e na margem esquerda do rio Púnguè, com os quais ainda não tinha havido qualquer ligação. Apenas se dispunha de informações que existiam tais bases e que o comandante da região era um guerrilheiro famoso de nome Cara Alegre.<br /><br />Elaborou-se um documento (mensagem) dirigido aos combatentes da Frelimo, exortando-os a defenderem o Parque e darem apoio imediato aos seus responsáveis para resolução de problemas graves que ali decorriam, tais como a caça furtiva e indisciplina entre os trabalhadores. Apesar de ter sido redigido a 4 de Agosto, somente a 11 do mesmo mês foi possível entregar tal documento ao comandante Cara Alegre, o que aconteceu através de um grupo de representantes do Parque, que o subscreveram, a saber:<br /><br />- Celestino Ferreira Gonçalves, fiscal de caça-chefe<br />- Joaquim Pedro Rato Martins, fiscal de caça de 1&ordf; classe<br />- Pedro David Ernesto Manussos, fiscal de caça de 2&ordf; classe<br />- Chico Natal Alfredo Candeeiro, motorista<br />- Francisco Pranga, servente de 1&ordf; classe (guarda)<br />- Castigo Mamunanculo, servente de 1&ordf; classe (guarda)<br /><br />O encontro com o famoso comandante da Frelimo ocorreu em Vila Paiva, sede da Circunscrição da Gorongosa (actual vila de Gorongosa) depois de contactos prévios através do comerciante Dário Santos Mosca, desta localidade, pessoa muito conceituada na região e cujas relações com os representantes da Frelimo eram cordiais. Foi a primeira vez que este comandante apareceu em público e se encontrou com as forças vivas, civis e militares, da região, um acontecimento que arrastou uma autêntica multidão de elementos das populações da vila e circunvizinhas que ali acorreram para ver esta figura mítica da luta armada, cuja popularidade ficou bem demonstrada pelas aclamações de que foi alvo à chegada e quando percorreu as ruas da vila.<br /><br />Foi uma autêntica festa, toda ela patrocinada e dirigida pelo comerciante Mosca, que inclusivamente ofereceu comidas e bebidas a centenas de pessoas que encheram literalmente as suas instalações comerciais e a rua fronteira, dando largas à sua alegria cantando e aplaudindo a Frelimo e o comandante Cara Alegre.<br /><br />Após o primeiro contacto com a população que se concentrara em frente do complexo comercial e industrial de Santos Mosca, o comandante Cara Alegre foi convidado para se dirigir ao quartel militar onde o comandante do batalhão português, tenente coronel Cavaco, acompanhado dos representantes das forças vivas locais e do Parque Nacional da Gorongosa, o recebeu no seu gabinete e lhe dirigiu palavras amigas, retribuídas em tom emocionado por este representante máximo da Frelimo na região da Gorongosa.<br /><br />A nossa representação teve um acolhimento muito especial da parte daquele combatente, que ouviu com muita atenção a leitura que fizemos da nossa mensagem no momento da cerimónia no gabinete do comandante do batalhão português e agradeceu no final afirmando que a faria chegar ao seu chefe máximo, o presidente Samora Machel. Ali mesmo ficou combinada a sua ida ao Chitengo, dias depois, um convite que aceitou prontamente face às preocupações que lhe transmitimos sobre a situação complicada que se vivia no Parque.<br /><br />Regressados ao Chitengo, no dia seguinte ao memorável encontro de Vila Paiva foi-nos entregue pelos guardas do portão de entrada no Parque uma mensagem escrita a lápis, num papel tosco, que dizia: &ldquo;<em>O responsável vindo de L. Marques</em> <em>deve apresentar-se no Bué Maria, amanhã de manhã, sem armas nem militares</em>&rdquo;. Esta mensagem, que não estava assinada e tinha em baixo a palavra &ldquo;Frelimo&rdquo; em letras gordas, foi analisada e todo o grupo que esteve na Vila acordou que seria prudente comparecermos. O mesmo não opinou o capitão da Companhia da tropa portuguesa, que nos chamou a atenção para o perigo de se tratar de uma cilada, acrescentando que em caso de sermos raptados ele nada faria pois tinha ordens superiores, face a ocorrências recentes, de não se exporem mais a situações de perigo como essa.<br /><br />Não obstante a opinião do capitão português, seguimos no dia seguinte de manhã para o Bué Maria, agora com o grupo acrescido de mais dois elementos &ndash; Manuel Chimoio, motorista e Alberto Matambo, servente de 1&ordf; classe (guarda) -, utilizando uma viatura em cuja caixa aberta nos acomodamos. No trajecto de cerca de 5 Km entre o portão de entrada do Parque e o Bué Maria, na margem esquerda do rio Púnguè, sempre com a viatura em velocidade moderada, nada aconteceu. Nem vivalma e a sensação que tínhamos é que até os animais, mesmo as aves, haviam desaparecido, tal o silêncio da mata! Chegados ao rio e depois de uma pequena pausa, o Castigo Mamunanculo, o carismático e sensato guarda do Parque, observou com grande convicção que no regresso teríamos de certo o encontro. E não se enganou!<br /><br />A cerca de um quilómetro do rio e logo após uma curva, deparamos com um grupo (cerca de meia dúzia) de combatentes armados no meio da picada. Deram-nos ordens para entrar na mata, colocando um guia à frente e os restantes atrás do grupo. Obedecemos sem trocar qualquer palavra e à medida que nos embrenhávamos para o interior, silenciosos como nos foi ordenado, apenas trocávamos olhares entre os companheiros mais próximos e percebíamos que a intranquilidade se instalara em cada um de nós. A incerteza do que nos esperava e o aspecto severo dos &ldquo;raptores&rdquo;, sempre com o dedo no gatilho das <em>Kalasches</em>, não dava para melhor disposição!<br /><br />Finalmente, após cerca de um quilómetro de caminhada (que nos pareceu dez), chegamos junto de outro grupo de combatentes, estes chefiados pelo responsável da base de Bué Maria, o comandante Alfredo Maria, que se apresentava bem vestido de camuflado cinzento esverdeado às pintas, a contrastar com a figura desoladora dos seus subalternos, mal vestidos, esfarrapados e quase descalços!<br /><br />Fomos recebidos com alguma rudeza mas após a resposta que demos à pergunta sobre a situação dos &ldquo;voluntários&rdquo; da OPV, tudo se desvaneceu. Ao saber que os famigerados &ldquo;voluntários&rdquo; já haviam sido desmobilizados e mandados para a capital, o Alfredo Maria mudou de tom e permitiu o diálogo durante o qual lhe demos conta da situação preocupante do Parque e relatamos o encontro dois dias antes com o comandante Cara Alegre, em Vila Paiva. Entregámos-lhe, também, um exemplar da nossa mensagem à Frelimo e convidámo-lo a estar presente no encontro do Chitengo onde o Cara Alegre também estaria, dois dias depois. Ao fim de meia hora tudo estava esclarecido e já tranquilos despedimo-nos com toda a cordialidade, como novos amigos que auguram excelentes relações no futuro!<br /><br />O Alfredo Maria, ao contrário do Cara Alegre, era pouco comunicativo e todas as suas palavras eram pausadas e revelavam grande dose de autoritarismo, mesmo nos pedidos que nos fez para lhe fornecermos alimentação, fardas e calçado para os seus combatentes. Nesse mesmo dia, à tarde, uma viatura partiu do Chitengo carregada de fardas (calças, camisas, botas, cintos e bonés), material que fora retirado aos &ldquo;voluntários&rdquo; na sua desmobilização. Enviamos, também, produtos de alimentação e sabão. No regresso veio a resposta positiva ao convite para o encontro no Chitengo, devendo o Parque mandar viatura para o transporte.</strong></div>
<div class="post-body entry-content" align="justify"><strong><font size="5"><span style="FONT-SIZE: 180%"><br />&nbsp;</div></span></font></strong>
<div class="post-body entry-content" align="justify"><strong><font size="5">2 &ndash; A <em>BANJA</em> NO CHITENGO</font></strong></div><strong><font size="5">
<div class="post-body entry-content" align="justify"><br /></font>No dia aprazado, 16 de Agosto, 2 viaturas do Parque partiram ao alvorecer, uma para a Serra da Gorongosa e outra para o Bué Maria e de lá transportaram para o Chitengo aqueles dois comandantes e os elementos da sua segurança pessoal. O grupo do Bué Maria chegaria muito atrasado em relação ao da Serra e praticamente não participou dos momentos mais significativos das cerimónias de recepção.<br /><br />Ambos os comandantes vinham impecáveis nas suas fardas, naturalmente diferenciadas das dos seus subalternos. O Cara Alegre apresentou-se com um visual bem diferente daquele que usou no encontro de 11 de Agosto em Vila Paiva, agora vestido de camuflado de manchas largas, de confecção exclusiva dos comandantes da Frelimo, com o seu inseparável chapéu de abas largas presas de ambos os lados, óculos escuros, pistola à cinta e do lado esquerdo do peito o emblema da Frelimo. Irradiava boa disposição e simpatia e isso ajudou à descontracção de todos. O Alfredo Maria, também garboso e vestido à imagem do seu colega, deu menos nas vistas até pela sua condição de subordinado ao nível de comando da área da Gorongosa.<br /><br />O Chitengo mobilizou toda a sua capacidade organizativa para este encontro, que não obedecendo a nenhum protocolo das partes primou por receber condignamente os convidados da Frelimo, idos ali pela primeira vez numa situação de paz, embora a paz verdadeira só tivesse sido materializada em 7 de Setembro seguinte, em Luzaka.<br /><br />O comandante das tropas portuguesas instaladas no Chitengo, bem como os seus subalternos, aliaram-se aos funcionários e trabalhadores do Parque nesta recepção e convívio, que decorreu em franca camaradagem e sem ressentimentos de ambas as partes.<br /><br />Coube-me a responsabilidade de anfitrião e apoiado pelos restantes elementos dos grupos que se deslocaram a Vila Paiva e Bué Maria, mobilizamos todos os trabalhadores, tanto do Estado como da Safrique, assim como as suas famílias, para participarem na <em>banja</em> de boas vindas aos convidados.<br /><br />Antes de se dirigir às massas concentradas em frente do edifício da administração do Parque, o comandante Cara Alegre foi elucidado dos problemas que grassavam e que mais preocupavam os responsáveis, nomeadamente a indisciplina dos trabalhadores e a situação da caça furtiva que nos últimos dois meses se tornara incontrolável. Ele abordou estes temas na <em>banja</em>, dando particular ênfase à questão da indisciplina que, salientou com severidade, era intolerável no seio da Frelimo e como tal, também ali, a partir desse momento, seria severamente punida pela própria Frelimo.<br /><br />As promessas feitas publicamente pelo comandante Cara Alegre, de enviar pessoal armado para iniciar uma guerra sem tréguas aos caçadores furtivos, assim como de um secretário político para consciencializar e disciplinar os trabalhadores, foram cumpridas dias depois. A viragem há muito desejada no Parque iniciou-se no próprio dia da banja, tal o impacto da intervenção deste comandante junto dos trabalhadores!<br /><br />Ao fim de uma semana de acção das brigadas e do secretário político da Frelimo no Parque, a situação era outra. Mais de cem furtivos e outras tantas armas ilegais foram aprisionados e os trabalhadores voltaram às suas tarefas normais, ordeira e disciplinadamente. Uma mudança total que relançou o Parque nas suas actividades normais, incluindo a parte turística.</div>
<div class="post-body entry-content" align="justify"><br />&nbsp;</div>
<div class="post-body entry-content" align="justify">
<div align="justify">Graças à eficiência sempre patenteada pela Safrique na sua qualidade de concessionária da parte hoteleira do Parque, foi possível oferecer às delegações visitantes um belo almoço no restaurante do Chitengo. Durante o mesmo e por iniciativa do comandante Cara Alegre, cantou-se o &ldquo;Vila Morena&rdquo;, cuja letra este sabia de cor e poucos o puderam seguir senão no entoar da música. Foi o ponto alto desta confraternização que a todos emocionou. Soubemos depois que o Cara Alegre era um excelente músico e havia estado meses antes no encontro mundial da juventude comunista e se encontrara com camaradas portugueses aprendendo com eles a célebre canção de Zeca Afonso que assinalou o golpe militar do &ldquo;25 de Abril&rdquo;!</div><br />A pouco mais de um mês destas ocorrências no Parque e em resultado do Acordo de Luzaka, deu-se início à mudança política no território com a instalação de um governo provisório que dirigiu o país até à sua independência em 25 de Junho de 1975. Ambos os comandantes &ndash; Cara Alegre e Alfredo Maria &ndash; foram investidos de funções em organismos de defesa e segurança desse governo, na cidade da Beira. Depois da independência, o comandante Cara Alegre, agora major das FPLM (Forças Populares de Libertação de Moçambique), seria transferido para Maputo para dirigir a banda militar. Ali nos encontramos várias vezes graças à amizade mútua que cultivamos desde o primeiro encontro em Vila Paiva. Curiosamente, um desses encontros aconteceu durante as comemorações anuais da Semana Nacional da Natureza, ambos integrados no programa de visita à Reserva de Elefantes do Maputo e que foi mais uma demonstração do antigo comandante do seu grande interesse pela fauna bravia.<br /><br />Mais de três décadas decorridas, é justo recordar estas duas figuras míticas da FRELIMO, que na altura certa ajudaram a defender o mais importante santuário de fauna bravia de Moçambique, considerado o melhor de África. Os efeitos da sua acção benéfica no Parque sentiram-se durante vários anos, até 1981, altura em que o conflito interno Frelimo/Renamo, que entretanto surgira, chegara à região da Gorongosa e o Parque viria a ser atingido drasticamente, ficando em total abandono até 1992. Mas esta é outra história, a mais negra de todas! </strong></div><strong>
<div class="post-body entry-content" align="center"><br /></div>
<div class="post-body entry-content" align="justify"><br /><span style="FONT-SIZE: 180%"><font size="5">3 &ndash; IMAGENS PARA A HISTÓRIA<br /></font></span></div>
<div class="post-body entry-content" align="center"><br /><br /></div>
<div class="post-body entry-content" align="center"><font size="5"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134298301993330274" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R0CxGl00JmI/AAAAAAAAAM0/gKSZkrOAWRc/s320/Frelimo_8.jpg" border="0" /><br /></font>A chegada do comandante Cara Alegre a Vila Paiva. Junto dele o anfitrião e organizador do encontro, Dário Santos Mosca. Mais atrás o chefe da representação do Parque (autor desta crónica). À direita e em segundo plano: Adelino Serras Pires Júnior (Tim-Tim), que esteve no encontro com um grupo da SAFRIQUE.</div>
<div class="post-body entry-content" align="center"><br /><br /></div><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134297614798562898" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R0Cwel00JlI/AAAAAAAAAMs/MYSjVa0MqiI/s320/Frelimo_7.jpg" border="0" /> 
<p align="center"><br />O comandante Cara Alegre (centro)</strong></p>
<div class="post-body entry-content" align="center"><strong>é cumprimentado </strong><strong>por um militar do batalhão português instalado na Vila.<br /><br /><br /><br /></div>
<div class="post-body entry-content" align="center"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134298611230975602" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R0CxYl00JnI/AAAAAAAAAM8/1Jb9X2pGaBc/s320/Frelimo_6.jpg" border="0" /><br />Na varanda da pousada da Vila o comandante recebe as boas vindas do comerciante e proprietário Santos Mosca perante as forças vivas e uma grande multidão que o aclamou e à Frelimo. </div>
<div class="post-body entry-content" align="center"><br /><br /></div>
<p class="post-body entry-content" align="center"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134299152396854914" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R0Cx4F00JoI/AAAAAAAAANE/Jck2K237a9c/s320/Frelimo_4.jpg" border="0" /><br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A apoteótica chegada de Cara Alegre e sua comitiva ao Chitengo.</p>
<p class="post-body entry-content" align="center"><br /></p><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134299560418748050" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R0CyP100JpI/AAAAAAAAANM/Qy-U0zw5OBw/s320/Frelimo_1.jpg" border="0" /> 
<p align="center"><br />Na varanda do edifício da administração do Parque dou as boas vindas ao comandante da região militar da Frelimo da área da Gorongosa. À sua direita e à civil o capitão comandante da companhia de tropas portuguesa instalada no Chitengo. </strong><strong></strong><strong></p><br /><br /><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134300462361880226" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R0CzEV00JqI/AAAAAAAAANU/qDA2ChFcApo/s320/Frelimo_2.jpg" border="0" /> 
<p align="center">&nbsp;<br />Momento da cerimónia de boas vindas em que o funcionário do Parque, Francisco Pranga, traduzia a intervenção de Cara Alegre.</p>
<p align="center"><br /><br /></p><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134300848908936882" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R0Cza100JrI/AAAAAAAAANc/Zg10q3V2oC4/s320/Frelimo_3.jpg" border="0" /> 
<p align="center"><br />Aspecto da concentração de pessoas no momento da cerimónia de boas vindas aos representantes da Frelimo no Chitengo.<br /></p>
<p align="center"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134301458794292930" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/R0Cz-V00JsI/AAAAAAAAANk/iz6L2UNAfMg/s320/Frelimo_5.jpg" border="0" /><br />Mesa principal do almoço oferecido pela SAFRIQUE aos convidados, com Cara Alegre ao centro, o capitão português e esposa à direita e à esquerda Celestino Gonçalves e um comandante subalterno de Cara Alegre.<br /><br /><br />* * *<br /><br />NOVEMBRO, 2007<br /><br />Celestino Gonçalves </strong></p>
<p></p>
<div style="CLEAR: both"></div>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align="left"><br /></strong>&nbsp;</p></font></o:p>]]></description>
         <link>http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/2007/11/o_primeiro_encontro_de_represe.html</link>
         <guid>http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/2007/11/o_primeiro_encontro_de_represe.html</guid>
        
        
         <pubDate>Sun, 18 Nov 2007 20:10:33 +0000</pubDate>
      </item>
            <item>
         <title>7 - LIVRO SOBRE O PARQUE NACIONAL DA GORONGOSA</title>
         <description><![CDATA[<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
<h3 class="post-title entry-title">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;TESOURO SELVAGEM DE MOÇAMBIQUE</h3>
<div class="post-header-line-1"></div>
<div class="post-body entry-content">
<p>
<div>
<div>
<div>
<div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="center"><u><font color="#0000ff"></font></u><a href="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/RxE5I3F4R9I/AAAAAAAAALc/4oxIdkyu6t0/s1600-h/Tesouro+Selvagem_1.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5120937075687311314" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/RxE5I3F4R9I/AAAAAAAAALc/4oxIdkyu6t0/s320/Tesouro+Selvagem_1.jpg" border="0" /></a><br /></div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="center">Título</div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="center"></div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="center"><span style="FONT-SIZE: 180%"><strong>TESOURO SELVAGEM DE MOÇAMBIQUE</strong></span></div>
<div align="center"><font size="5"><strong><span style="FONT-SIZE: 180%"></span></strong><br /></font></div>
<div align="center">Autores<br /></div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="center"><strong>Maurice Fiévet e Monique Dumonté</strong></div>
<div align="center"><strong></strong><br />&nbsp;</div>
<div align="center">Editor<br /></div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="center">BANCO NACIONAL ULTRAMARINO -LISBOA<br /><br /></div>
<div align="justify">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ano &ndash; 1973&nbsp; </div>
<div align="justify"><br />&nbsp;</div>
<div align="left">1 - <span style="FONT-SIZE: 130%"><strong><font size="4">SOBRE OS AUTORES</font></strong></span></div>
<div align="left"><span style="FONT-SIZE: 130%"><strong><font size="4"></font></strong></span><font size="4"><br />&nbsp;</div></font>
<div align="justify"><span style="FONT-SIZE: 130%"><font size="4">Maurice Fiévet e Monique Dumonté</font></span>, de nacionalidade francesa, visitaram o Parque Nacional da Gorongosa por algumas vezes na década de 60, recolhendo imagens fotográficas e fazendo filmes sobre os animais selvagens e também para pintarem já que ambos eram artistas plásticos. A rota da Gorongosa fazia parte de outros pontos que visitavam no continente africano, nomeadamente santuários de caça, pelo que, na época, eram provavelmente os mais conhecidos cineastas, fotógrafos e pintores da fauna bravia africana. Os seus trabalhos eram publicados e projectados nas melhores revistas, jornais e cinemas praticamente de todo o Mundo<br /></div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">A última estadia do casal Fiévet na Gorongosa durou longos meses (perto de um ano), usando o acampamento do Chitengo como seu quartel general. Dali faziam as incursões pelo interior do Parque e muitas vezes acampavam na periferia para colher as imagens mais raras ou pintar paisagens dos recantos mais belos. As suas máquinas registaram cenas inéditas que nunca a administração do Parque ou o governo da Colónia conheceu, mas que correram Mundo e valeram certamente avultadas receitas aos seus autores. E tudo a troco de nada para Moçambique.<br /></div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">A lição em certa medida foi aprendida quando a direcção do Parque se foi apercebendo do aproveitamento das facilidades que eram concedidas aos Fiévets, que inclusivamente beneficiavam de regalias especiais quanto à estadia no acampamento e até cedência de guias para as incursões mais longínquas, incluindo às coutadas circunvizinhas. Acabaria por serem incluídas no regulamento do Parque taxas especiais para este tipo de actividades, uma medida que levou este casal a rumar para outros destinos fora de Moçambique.<br /></div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Antes da sua partida, porém, o Banco Nacional Ultramarino, que na altura detinha através da SAFRIQUE (Sociedade de Safaris de Moçambique), a exploração das coutadas de caça de Manica e Sofala e das actividades turísticas do Parque Nacional da Gorongosa, promoveu a publicação do Livro-Álbum "Tesouro Selvagem de Moçambique", uma bonita edição, de luxo, com a tiragem de 4000 exemplares, numerados em duas séries de I a XXXV, de A a Z e de 1 a 3942, edição esta que o mesmo Banco distribuíu com objectivos promocionais das suas actividades em Moçambique. Curiosamente, eu próprio detenho o exemplar com o n&ordm; 235.</div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="center"></div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="justify">Este livro contém um conjunto de fotos de extraordinária qualidade e beleza, todas elas legendadas em três idiomas (português, inglês e francês), pelo que constitui um dos mais belos álbuns da fauna bravia de Moçambique, excepção feita aos répteis que os autores não incluiram. A maioria dessas fotos foram efectuadas na Gorongosa e só praticamente as de girafas e avestruzes, que ali não existem, foram tiradas no sul do território<br /><br /><br /></div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="left"><strong>2</strong>&nbsp;- <font size="4"><span style="FONT-SIZE: 130%"><strong>SOBRE</strong> <strong>A INTRODUÇÃO DO LIVRO</strong></span><br /></font><font size="4"><br /></font></div>
<div align="justify">O livro tem ainda uma breve e interessante introdução, da autoria do Dr. A. J. de Castro Fernandes, prestigiado presidente do Banco Nacional Ultramarino e grande entusiasta pela vida selvagem. Ele visitava com alguma regularidade o Parque Nacional da Gorongosa e foi praticamente ali que resolveu criar a grande empresa SAFRIQUE, a maior e mais famosa em África no ramo da actividade dos safaris ligados à fauna bravia.<br />Fica aqui a sua transcrição:</div>
<div align="justify"><br />&nbsp;</div>
<div align="justify"><strong><span style="COLOR: #000099">"Moçambique é, em tudo, uma terra maravilhosa!<br />&hellip;Naquele tempo, &ldquo;quand la Mer avait dês terribles serpents dans la tête dês marins&rdquo;, Gil Eanes passou o Cabo Bojador, Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança e Vasco da Gama fundeou na Ilha de Moçambique &ndash; há exactamente 475 anos, quase cinco séculos.</SPAN></STRONG></DIV><SPAN style="color: #000099">
<DIV align=justify><br /><STRONG>E durante quinhentos anos se misturaram sangues, se fundiram povos vindos do Norte e do Oriente, coexistiram etnias na pureza da sua linhagem. E tudo pelo milagre do amor, do amor divino, que nos manda amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, do amor profano, que obedece às suas leis&hellip;</STRONG><br /></DIV>
<DIV align=justify><STRONG>Se a paisagem humana é assim, cativante no jeito de conviver, variada no aspecto físico, misteriosa para quantos se limitam a passar sem saber ver, a outra, a paisagem física, de princípio do Mundo, oferece também mil cambiantes e o feitiço da beleza mais bela que possa haver.</STRONG></DIV>
<DIV align=justify><br /><STRONG>A flora, desde a flor mais delicada à mais densa floresta, estonteia, sufoca e, em certos lugares, apazigua a alma e limpa os corações.</STRONG></DIV>
<DIV align=justify><br /><STRONG>Os bichos, todos os bichos, os que voam, os que correm, os que caminham, os que saltam e, até, os que rastejam, integram-se, naturalmente, neste ambiente."</strong></div>
<div align="justify"><br /></div>
<div align="center"><br /></div>
<div align="left"><strong><span style="FONT-SIZE: 130%"><span style="COLOR: #000000"><font size="4">3&nbsp;- ALGUMAS FOTOS DO LIVRO</font></span></span></strong></div>
<div align="justify"><font size="4"><br /></font></div>
<div align="center"><strong><span style="FONT-SIZE: 130%; COLOR: #000000"></span></strong><font size="4"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5120975292306311250" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/RxFb5XF4SFI/AAAAAAAAAMc/yYgqX9SbjdY/s320/Tesouro+Selvagem_8.jpg" border="0" /></font><span style="FONT-SIZE: 130%"><br /></span></span><span style="FONT-SIZE: 85%; COLOR: #cc0000"><font size="2">Maurice Fiévet tornou-se um profundo conhecedor do comportamento dos animais e isso lhe permitia aproximar-se deles para os pintar, fotografar e filmar. Nesta imagem ele colocou-se a cerca de 30 metros dos elefantes!</font></span></div>
<div align="center"><span style="FONT-SIZE: 85%; COLOR: #cc0000"></span>&nbsp;</div>
<div align="center"><span style="FONT-SIZE: 85%; COLOR: #cc0000"></span></div><span style="FONT-SIZE: 85%; COLOR: #cc0000"></span></div>
<div><span style="FONT-SIZE: 85%; COLOR: #cc0000"></span>
<div align="left"><span style="COLOR: #000000">As restantes seis imagens dispensam legendas!</span><br /></div>
<p align="center"><span style="FONT-SIZE: 85%; COLOR: #cc0000"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5120971070353459266" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/RxFYDnF4SEI/AAAAAAAAAMU/CsyPx1qwrZc/s320/Tesouro+Selvagem_7.jpg" border="0" /></span></p></div></div></div></div><br />
<p><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5120970718166140978" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/RxFXvHF4SDI/AAAAAAAAAMM/y4as4xVVzjA/s320/Tesouro+Selvagem_6.jpg" border="0" /></p>
<p><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5120970155525425186" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/RxFXOXF4SCI/AAAAAAAAAME/p8xo4cACVSw/s320/Tesouro+Selvagem_5.jpg" border="0" /><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5120969902122354706" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/RxFW_nF4SBI/AAAAAAAAAL8/jdFAzwrfwnw/s320/Tesouro+Selvagem_4.jpg" border="0" /><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5120969670194120706" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/RxFWyHF4SAI/AAAAAAAAAL0/fJVRYEYkX8M/s320/Tesouro+Selvagem_3.jpg" border="0" /><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5120969386726279154" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/RxFWhnF4R_I/AAAAAAAAALs/z4x7enKtbMU/s320/Tesouro+Salvagem_2.jpg" border="0" /></p>
<p></p>
<p><strong>Marrabenta, Outubro de 2007</strong></p>
<p><strong>Celestino Gonçalves</strong></p>
<p></p>
<div style="CLEAR: both"></div></div>]]></description>
         <link>http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/2007/10/livro_sobre_o_parque_nacional.html</link>
         <guid>http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/2007/10/livro_sobre_o_parque_nacional.html</guid>
        
        
         <pubDate>Sun, 14 Oct 2007 20:00:15 +0000</pubDate>
      </item>
            <item>
         <title>6 - LIVRO SOBRE O PNG - SEM ARMAS NO MEIO DAS FERAS</title>
         <description><![CDATA[<div class="post-header-line-1"></div>
<div class="post-body">
<p>
<p align="center"><a href="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/RpKhgGS4E_I/AAAAAAAAAF0/EbivGf14Tl4/s1600-h/13+-+Sem+Armas+no+meio+das+Feras.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5085304502072382450" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/RpKhgGS4E_I/AAAAAAAAAF0/EbivGf14Tl4/s320/13+-+Sem+Armas+no+meio+das+Feras.jpg" border="0" /></a></p>
<p align="center"><strong>(6)<br /></strong></p>
<p align="center"><strong>Título</strong></p>
<p align="center"><strong><br />SEM ARMAS NO MEIO DAS FERAS</strong></p>
<p align="center"><strong>- A VIDA NA SELVA -<br /><br />Autor: Felix Bermudes<br /><br />Editora: Livraria Bertrand - Lisboa</strong></p>
<div align="center"><strong>Ano: 1959<br /></strong></div>
<div align="center"><br /></div>
<p align="center"><a href="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/RpKormS4FAI/AAAAAAAAAF8/GxueyBvJNQQ/s1600-h/13_1+-++Sem+armas+no+meio+das+feras.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5085312396222272514" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/RpKormS4FAI/AAAAAAAAAF8/GxueyBvJNQQ/s320/13_1+-++Sem+armas+no+meio+das+feras.jpg" border="0" /></a></p>
<div align="center"><strong>O Autor<br /></strong></div>
<p align="left"><strong>1 - SOBRE O AUTOR</strong></p><strong>As gerações dos dois primeiros quarteis do século passado, particularmante as mais atentas ao desporto, conheceram bem este famoso poeta, prosador, comediógrafo, desportista e teósofo, autor de várias obras com destaque para a poesia, a prosa e teatro (escreveu e adaptou 105 peças de teatro).</strong><br /><strong></strong><br /><strong>Mas foi como desportista que <span style="FONT-SIZE: 130%"><font size="4">Félix Bermudes</font></span> mais se notabilisou, praticando várias modalidades como hipismo, futebol, remo, ciclismo, ginástica, atletismo, esgrima, ténis, alpinismo e tiro. Foi campeão nacional, por várias vezes, em algumas destas modalidades. </strong><br /><strong><br /></strong><br /><strong>Foi fundador do Sport Lisboa e Benfica, de cuja primeira equipa de futebol foi jogador e capitão. Mais tarde seria, por muitos anos, presidente da direcção deste que é o maior clube português, cargo onde granjeou enorme popularidade. </strong><br /><strong><br /></strong><br /><strong>Efectuou duas viagens a Moçambique, em 1956 e 1957, tendo nessas duas ocasiões permanecido vários dias na Gorongosa, na altura ainda com o estatuto de Reserva de Caça. Este lugar fascinou-o de tal maneira que sobre ele escreveu este precioso livro, um autêntico hino ao famoso santuário de fauna bravia considerado naquela época o melhor de África. As narrativas dessas excursões e as observações ali contidas, constituem um dos melhores documentos elaborados durante a época colonial sobre o Parque Nacional da Gorongosa e que contribui, na actualidade e no futuro, para se conhecer a sua história e naturalmente para se elaborarem e concretizarem projectos de reabilitação que conduzam ao equilíbrio eco-biológico dos ecossistemas ricos que albergavam e sustentavam uma fantástica fauna que foi dizimada devido às guerras que grassaram no país de 1964 a 1992.</strong><br /><strong><br /></strong><br /><strong>Exemplos flagrantes dos importantes dados históricos focados no livro são os respeitantes às grandes manadas de animais que povoavam as savanas e planícies (o autor teve o privilégio de observar uma das maiores, se não a maior, manadas de búfalos de África, com cerca de 5.000 exemplares); fotografou milhares de hipopótamos no rio e lago Urema; presenciou a ocupação do acampamento do Sungué por grupos de leões e fotografou-os dentro, em cima e ao lado do edifício que fora o restaurante (seis deles sobre o telhado).<br /></strong><br />
<p align="center"><a href="http://bp1.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/RpLEvWS4FDI/AAAAAAAAAGU/SPAfE0SOjQk/s1600-h/13_3+-+Sem+armas+no+meio+das+feras.jpg"></a></p><br /><br />
<p align="center"><a href="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/RpLHNmS4FEI/AAAAAAAAAGc/GbzQaDOUfzA/s1600-h/13_3+-+Sem+armas+no+meio+das+feras.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5085345965686658114" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/RpLHNmS4FEI/AAAAAAAAAGc/GbzQaDOUfzA/s320/13_3+-+Sem+armas+no+meio+das+feras.jpg" border="0" /></a></p>
<p align="center"><span style="FONT-SIZE: 85%; COLOR: #3333ff"><font size="2">Ali começava o mar de búfalos...</font></span></p>
<p align="center"><a href="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/RpLH1GS4FFI/AAAAAAAAAGk/d2HU_kpR_Oc/s1600-h/13_4+-+Sem+armas+no+meio+das+feras.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5085346644291490898" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/RpLH1GS4FFI/AAAAAAAAAGk/d2HU_kpR_Oc/s320/13_4+-+Sem+armas+no+meio+das+feras.jpg" border="0" /></a></p>
<div align="center"><span style="FONT-SIZE: 85%; COLOR: #3333ff"><font size="2">Hipopótamos que fazem sala de estar...<br /></font></span></div>
<p align="center"><a href="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/RpLAx2S4FCI/AAAAAAAAAGM/fuexjApnwPk/s1600-h/13_2+-+Sem+armas+no+meio+das+feras.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5085338891875521570" style="CURSOR: hand" height="324" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/RpLAx2S4FCI/AAAAAAAAAGM/fuexjApnwPk/s320/13_2+-+Sem+armas+no+meio+das+feras.jpg" width="307" border="0" /></a><br /></p><br /><br />
<p align="center"><span style="FONT-SIZE: 85%; COLOR: #3333ff"><font size="2">Seis leões em cima do telhado...</font></span></p><br /><br /><strong>2 - SOBRE O LIVRO</strong><br /><strong></strong><br /><strong>Este pequeno livro, de apenas 91 páginas, constitui, como acima se disse, um valioso documento histórico sobre o Parque Nacional da Gorongosa. Não resistimos em reproduzir o capítulo "O Solar dos Leões", para recordar aquele maravilhoso espectáculo tal como foi visto por este insigne escritor:</strong><br /><br /><span style="COLOR: #000099">"A mais elementar das lógicas parecia aconselhar, na organização de uma Reserva de animais selvagens, que todos os serviços do acampamento fossem instalados no centro do território. Demonstrou, porém, a experiência que a lógica, às vezes, não passa duma batata. O movimento diário das funções administrativas e hoteleiras, agravado com o turismo, acabou por tornar tão familiares as próprias feras, que ameaçavam transformá-las em bichos de capoeira, capazes de vir comer à mão. Era preciso que os animais se deixassem ver a boa distância, mas seria incoerente e decepcionante ter de lhes pedir licença para passar.</SPAN><br /><SPAN style="color: #000099">Reconheceu-se, portanto, que se tornava imperativo transferir o acampamento para a entrada do território mais próxima da cidade da Beira. Com actividade e zelo, aproveitando os ensinamentos da experiência, foi construído o acampamento actual e abandonado o primeiro. Logo uma família de sete leões tomou posse de todos os recintos, incluindo o terraço do restaurante de que fizeram solário. Aprenderam, não se sabe como, a servir-se da escada exterior. em caracol. Arvoraram o interior das casas em abrigos, alcovas e maternidades e passaram a organizar uma vida citadina. O mercado é ali à beirinha, o próprio "tando", onde dezenas de milhar de antílopes se oferecem à escolha do freguês. Outros leões se foram juntando à primeira família, para usufruirem todo este conforto de civilização, e quando lá fui pela primeira vez já o burgo comportava mais de trinta.</SPAN><br /><SPAN style="color: #000099">Hoje, o antigo acampamento é um dos atractivos mais aliciantes do programa turístico da Reserva e constitui romagem obrigatória dos visitantes.</SPAN><br /><SPAN style="color: #000099">As fotografias tomadas neste bairro leonino fornecem-nos as cenas mais inéditas e mais inesperadas: um leão à janela (fig.1); uma leoa com as patas traseiras a sair duma porta e as dianteiras a entrar noutra (fig.2); leões estirados nas soleiras das portas (fig.3). Mas o espectáculo mais inacreditável a que jamais assistimos e àvidamente focámos na câmara, foi o de seis leões em cima do telhado (fig.4).</SPAN><br /><SPAN style="color: #000099">Como os fotografássemos insistentemente, a uns oito metros, acabaram todos por descer pacatamente a escada de caracol, espalhando-se cá por baixo, onde já se encontrava estirada uma dúzia deles.</SPAN><br /><SPAN style="color: #000099">Imediatamente ligada à cidade dos leões, estende-se a vasta planura rasa, ocelada aqui e além de charcos que servem de bebedouro e onde se espraiam, a perder de vista, dezenas de milhar de antílopes, gazelas, zebras, bois-cavalos, sem contar os palmípedes que enxameiam os lagos. À hora das refeições, um grupo de dois ou mais senhores da selva, saem as portas da cidade e vão ali, ao açougue, escolher uma rez. A operação é simples e rápida. Um dos felinos agacha-se, cosido à terra, e os outros enxotam-lhe para cima um herbívoro, que é colhido à passagem. Uma patada na nuca ou um estorcegão no pescoço e fica resolvido o problema dos abastecimentos.</SPAN><br /><SPAN style="color: #000099">Vida simples, fácil, confortável, a dos fidalgos de juba instalados neste solar feudal, cujo brazão é todo carregado de leões."</span><br /><span style="COLOR: #000099"></span><br /><strong>NOTA: Por feliz coincidência o nosso amigo Fernando Gil acaba de publicar na íntegra, no seu Blog &ldquo;Moçambique para todos&rdquo;, &nbsp;este livro. Vale a pena ver. </strong><a href="http://www.macua.org/livros/semarmasferas.html"><strong><font color="#223344">AQUI</font></strong></a><br /><strong></strong><br /><strong>Marrabenta, Julho de 2007</strong><br /><strong>Celestino Gonçalves</strong><br /><br /><br /></div>]]></description>
         <link>http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/2007/07/livro_sobre_o_png_sem_armas_no.html</link>
         <guid>http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/2007/07/livro_sobre_o_png_sem_armas_no.html</guid>
        
        
         <pubDate>Tue, 10 Jul 2007 01:48:22 +0000</pubDate>
      </item>
            <item>
         <title>5 - LIVRO &quot;GORONGOSA - Experiências de um caçador de imagens&quot;</title>
         <description><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p align="center"><a href="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/RoBR9hdQsDI/AAAAAAAAAEM/0jnJINNr31k/s1600-h/2+-+GORONGOSA.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5080150497068888114" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/RoBR9hdQsDI/AAAAAAAAAEM/0jnJINNr31k/s320/2+-+GORONGOSA.jpg" border="0" /></a><br /></p>
<p><br /><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Título<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;GORONGOSA<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;(Experiências de um caçador de imagens)<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Autor<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; João Augusto Silva<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Editora: Empresa Moderna &ndash; Lourenço Marques<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ano: 1964<br /><br /></strong><strong></p>
<p align="center"><a href="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/RoBUuRdQsHI/AAAAAAAAAEs/YAx8ZIUu2_M/s1600-h/2_2+-+Gorongosa.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5080153533610766450" style="WIDTH: 178px; CURSOR: hand; HEIGHT: 211px" height="228" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/RoBUuRdQsHI/AAAAAAAAAEs/YAx8ZIUu2_M/s320/2_2+-+Gorongosa.jpg" width="199" border="0" /></a></p>
<p align="center">O autor em 1964<br /></p>
<p align="center"><a href="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/RoBSMBdQsEI/AAAAAAAAAEU/JHxIEqcUamU/s1600-h/2_1+-+Gorongosa.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5080150746176991298" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/RoBSMBdQsEI/AAAAAAAAAEU/JHxIEqcUamU/s320/2_1+-+Gorongosa.jpg" border="0" /></a><br /><br /><br /></p>
<p align="center"><a href="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/RoBSqhdQsFI/AAAAAAAAAEc/R8qF0_2qY40/s1600-h/2_3+-+Gorongosa.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5080151270163001426" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_DDIS_FE7C_c/RoBSqhdQsFI/AAAAAAAAAEc/R8qF0_2qY40/s320/2_3+-+Gorongosa.jpg" border="0" /></a><br /></p>
<p align="center"><span style="COLOR: #000099">O autor em duas atitudes atrevidas que revelam o seu conhecimento sobre as reacções dos elefantes (Fotos do livro GORONGOSA)</span></p>
<p><font color="#000099"><br /><br /></font>&nbsp;</p>
<p align="center"><span style="COLOR: #000099"><font color="#000099"></font></span></p>
<p><font size="4">1 &ndash; NOTAS SOBRE O AUTOR<br /><br /></font>Referenciado no post anterior como autor do livro ANIMAIS SELVAGENS, João Augusto Silva é trazido de novo a este cantinho para apresentarmos a sua segunda obra &ndash; GORONGOSA -, publicada em 1964, oito anos depois da primeira.<br />Este novo trabalho tem o estilo inconfundível do escritor-caçador-fotógrafo, que brindou Moçambique com dois dos melhores trabalhos àcerca da sua fauna selvagem, a primeira sub-titulada de &ldquo;Contribuição para o estudo da fauna de Moçambique&rdquo; e a segunda rotulada de &ldquo;Experiências de um caçador de imagens&rdquo;.<br />Na verdade, uma obra completa a outra, porque tratando-se de um entusiasta e estudioso da vida selvagem, o autor era também um amante da caça e um excelente fotógrafo. Na primeira fez sobressair os seus dotes de caçador. Já na segunda está patente a sua veia artística com um excelente documentário fotográfico mostrando os mais significativos representantes da fauna do Parque na sua pujança de vida como bem os conhecemos naquela época.<br />Também demonstrou neste livro, nas narrativas e em algumas das imagens, o seu à vontade perante os mais corpulentos e perigosos animais, como o elefante e o búfalo, fotografando-os e fazendo-se fotografar a curta distância e até desafiando-os com gestos atrevidos e sem arma. Isto para justificar a tese (dele e de todos os naturalistas conhecedores da fauna africana) de que os animais selvagens, sejam de pequeno ou grande porte, temem e respeitam o homem.<br /><br />Conheci João Augusto Silva em 1963, precisamente no Parque Nacional da Gorongosa, quando a sua base de actividades era já em Lourenço Marques. O facto de estar a preparar o livro GORONGOSA, levava-o a visitar o Parque com alguma frequência. Sentia-se ali perfeitamente à vontade, quer por conhecer em profundidade toda a região, quer pela forma como era recebido pelos funcionários que o tratavam com a reverência a que se habituaram em anos anteriores quando ele era o administrador de Vila Paiva de Andrade (actual vila de Gorongosa) e acumulava a direcção do Parque.<br /><br />Naturalmente que o autor encontrou ali todas as facilidades, inclusive para recolher o material que lhe faltava para o &ldquo;Gorongosa&rdquo; e eu próprio também dei a minha modesta colaboração. Aproveitei as oportunidades que se depararam para abordar as questões mais dúbias que sempre pairam na cabeça de quem nunca sabe tudo. Foi assim que as nossas conversas conduziram a temas em que os meus conhecimentos puderam sustentar alguns diálogos com o mestre, nomeadamente a situação da fauna bravia de Cabo Delgado e Niassa (Alto Niassa do seu tempo), região que ambos conhecemos relativamente bem por ali termos prestado serviço, ele na década de 40 e eu na de 50/60.<br /><br />Falámos da falta de uma política de conservação em relação às espécies mais apetecidas pelo comércio dos troféus, como é o caso do elefante e do rinoceronte. Ambos estivemos de acordo quanto à necessidade de uma reserva especial para protecção do rinoceronte em Cabo Delgado, visto que esta espécie ainda se encontrava ali bem representada mas que vinha sendo já alvo da cobiça dos caçadores furtivos incentivados por redes de tráfico dos respectivos cornos. Aliás, a ideia desta reserva já a tinha lançado nos meus relatórios anuais de 1958 e 1961, justificada plenamente visto que aquela região do norte de Moçambique albergava, na época, muitas centenas - provavelmente milhares - de rinocerontes, localizados em núcleos que identifiquei em dez zonas diferentes do distrito (actual província). A reserva, contudo, nunca foi criada!<br /><br />O curso dos acontecimentos dos anos que se seguiram até 1992 veio dar-nos razão: os rinocerontes desapareceram, provavelmente até à extinção, tanto no norte como no centro e sul do país.<br /><br /></p>
<div align="left"></div>
<div align="left">2 &ndash; NOTAS SOBRE O LIVRO<br /><br />Porque se trata de um dos livros mais bem escritos e documentados sobre o Parque Nacional da Gorongosa, o mais importante de Moçambique e considerado até 1975 dos mais importantes de África, não posso deixar de reproduzir aqui o trecho de abertura do capítulo &ldquo;Vagueando pelos caminhos do Parque&rdquo;, ciente de que na actualidade e graças ao grande projecto de recuperação ali em curso pela Fundação Carr, desde 2005, os visitantes poderão saborear os prazeres daquele maravilhoso Parque e viver as emoções que o autor aqui nos transmite. As espécies continuam ali todas representadas (excepção do rinoceronte), algumas mesmo em excelente recuperação, pese embora o grande desfalque dos efectivos ali ocorrido durante a guerra civil (1977/1992). O acampamento do Chitengo foi já restaurado de forma a receber turistas e as vias de comunicação restabelecidas de forma a nelas poderem circular viaturas normais conduzidas pelos próprios visitantes. Apenas não se podem ver, por enquanto, as excepcionais manadas de búfalos, bois-cavalos e zebras, como outrora, mas a seu tempo elas serão recompostas conforme planos de reintrodução destas e de outras espécies já em execução pelo mesmo projecto.<br /><br /><br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; *&nbsp;&nbsp;&nbsp; *&nbsp;&nbsp;&nbsp; *<br /><br /><span style="COLOR: #000099">&ldquo;Estamos no Chitengo, centro dos serviços do Parque e acampamento para turistas. Vários pavilhões de construção simples mas cuidada proporcionam o indispensável conforto a quem deseja passar alguns dias de férias no maravilhoso reino dos animais selvagens. No bar ou na esplanada acolhedora, sob as copas protectoras de acácias amarelas, tomam-se refrescos e aperitivos. O restaurante, amplo e alegre, serve reconfortantes refeições e deliciosos vinhos das melhores refeições da Metrópole.<br />Ao cair da noite a luz eléctrica ilumina a jorros a cidadezinha-acampamento, ilha de luz no mar escuro e misterioso da floresta.<br />Corre uma aragem fresca. Sabe bem deambular no terreiro sob a ampla abóbada de um céu reluzente de estrelas, enquanto à roda do acampamento as hienas quebram o silêncio da noite com o seu uivo dolorido. Formam-se diversos grupos de turistas. Fala-se de caça e dos mistérios absorventes do sertão. Os novatos inquirem curiosos sobre os melhores caminhos a percorrer no dia seguinte para ver os elefantes, os búfalos, os leões&hellip; Os veteranos, com ar entendido, prestam esclarecimentos, sugerem itinerários e contam histórias &ndash; histórias que parecem fábulas &ndash; de encontros com manadas de dezenas de elefantes, de mil búfalos, de imensas hordas de bois-cavalos, de leões tão confiantes que se deixam estar, indiferentes à passagem dos carros, olhando desdenhosos. As histórias parecem incríveis e provocam assombro ou cepticismo.<br />Chegou a altura de recolher para dormir um sono reparador. Assaltam-nos a mente sonhos quiméricos; em cavalgadas alucinantes desfilam monstruosos animais bravios.<br />De madrugada toda a gente está de pé. O acampamento tornou-se arraial buliçoso e alegre. Os preparativos da partida para o mato fazem-se afanosamente por entre risos. Depois do pequeno almoço tomado à pressa tem início a debandada dos automóveis.<br />Logo ao fundo do campo de aviação começa a exibir-se o primeiro episódio do filme natural da selva &ndash; um filme a três dimensões, maravilhoso de cor, palpitante de realismo, que aparelho algum jamais reproduzirá com fidelidade.<br />Uma manada de gondongas desgraciosas espreita-nos com visível curiosidade. Duas crias brincam estouvadas. Aparecem algumas zebras gordas, de pele lustrosa como cetim. Uma centena de metros adiante o condutor pára o carro com suavidade&hellip;<br />- Há alguma novidade?<br />- Os elefantes!!!<br />Lá estão eles à direita, à distância de uma pedrada, passeando pachorrentamente. De quando em quando um deles detém-se, ergue a tromba para arrancar um raminho tenro no alto de uma acácia espinhosa e leva-o à boca torcendo a tromba com a mobilidade das serpentes.<br />O carro está parado e todos os seus ocupantes olham respeitosos o quadro invulgar.<br />Ali, diante de nós, desenrola-se como por encanto a cena autêntica, de um mundo perdido no fundo dos tempos. Volvemos de súbito às mais remotas eras! Aqueles monstros antediluvianos, no seu próprio ambiente, enquadrados por uma paisagem singular de palmeiras de leque, grotescas eufórbias, agressivas espinheiras, trazem-nos à memória, não sei se por misterioso atavismo, um mundo do qual conservamos reminiscências confusas na escuridão do subconsciente.<br />Aproxima-se um carro. Os seus ruidosos ocupantes rindo e gritando, destroem a deliciosa paz desse mundo edénico e os elefantes, com a humilde timidez dos fortes, internam-se vagarosamente na floresta. E a viagem prossegue.<br />Aqui e acolá, em charcos lamacentos, retoiçam javalis que olham o carro muito sérios ou fogem com a cauda espetada em pau-de-bandeira.<br />Passam zebras, bois-cavalos, cobos de crescente e novamente, e a cada momento, mais zebras, mais bois-cavalos, mais cobos. Estamos prestes a desembocar num outra picada à nossa frente. Aparece-nos então um soberbo elefante. É um gigante de perfeita e bem modelada anatomia. As presas irrompem-lhe do maxilar superior longas, grossas, muito brancas. Sentiu o carro. Divisou-lhe possivelmente o vulto com os seus olhitos de míope, mas como a aragem corre dele para nós, o olfacto não lhe desvenda a identidade dos intrusos e por isso o rei da selva continua o seu passeio, displicente e majestoso nos gestos, com a segurança de quem não conhece rivais e só respeita o homem.<br />Entramos na picada que conduz ao acampamento velho, agora transformado em solar dos leões. Estão todos ansiosos por verem o falso rei dos animais gozando plena liberdade no seu reino. Diante de nós, no meio da vasta planície desarborizada, erguem-se quatro albergues em alvenaria de tijolo, um refeitório e duas cozinhas que constituem o velho acampamento abandonado porque na época das chuvas o rio transborda sobre a planície e as águas invadem as casas e sobem até às janelas.<br />Nem um leão!... já é pouca sorte!<br />Ninguém esconde o seu desapontamento.<br />De súbito surge à porta de uma das cozinhas uma jovem leoa. Todos olham emocionados. A leoa queda-se uns momentos indecisa e por fim sai a passo, sentando-se no relvado a olhar-nos. Dirigimos o carro para as traseiras do acampamento. Um dos edifícios tem sentinelas à porta; uma leoa, certamente grávida, e um leão de musculatura atlética e juba pouco desenvolvida.<br />Da outra cozinha, mais ao fundo, sai então o patriarca do bando, um macho possante, enorme, com os músculos a desenharem-se através da pele coberta de pêlo amarelo torrado. A juba negra, farta e em desalinho emoldura-lhe a face austera onde brilham dois olhos claros de transparência vítrea. Está calor e o bicho, bamboleando no seu andar de marujo, vai estirar-se à sombra de um pequeno arbusto, olhando-nos de soslaio. Abre a boca, caverna rósea onde a comprida língua serpenteia no meio de acerados caninos muito brancos. Sensível ao calor põe-se a arfar como um caãozito fatigado.<br />&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;.....<br />Continuamos a viagem. À nossa esquerda estende-se o tando &ndash; vasta planura de límpida esmeralda, tendo por pano de fundo, em cenografia ciclópica, a serra da Gorongosa pintada de azul e de lilás.<br />A estrada corre sinuosa na orla da mata, desvendando-nos um panorama surpreendente. Dum lado, a mata de espinheiras anãs, árvores da febre cujas flores enchem os ares com o seu perfume adocicado e palmeiras de marfim vegetal que desenham no azul do céu a graça heráldica das suas palmas em forma de leque. Do outro lado, estende-se o mar sereno da planície coberta de caça. Até onde a vista alcança vêem-se animais selvagens no mais completo à-vontade. Defendidos da ferocidade dos homens só o leão os preocupa; mas esse apenas mata para viver.<br />Parámos à sombra de uma acácia, para almoçar. Daí a momentos desenrola-se à nossa vista uma cena portentosa: um leão sai da espessura de uma moita e dirige-se, cauteloso, para a orla do tando. Em campo aberto pastam zebras, bois-cavalos e impalas. O leão, um jovem de pequena juba, a coberto de um tufo de arbustos, espreita com visível atenção como se avaliasse a situação e estudasse um plano de ataque. Por fim, rastejando com as cautelas do ladrão que receia ser surpreendido, vai-se aproximando a coberto das palmeiras anãs. Estaca. Já não pode adiantar mais um passo sem se denunciar. As zebras, as impalas, os bois-cavalos, ainda que descuidosos na aparência, não ignoram que os cerca um mundo de embustes e traições. Por isso mantêm-se em campo raso enquanto um ou outro varre o descampado com a sua vista penetrante. O leão achou que mais lhe conviria tentar a fortuna esperando a coberto das palmeiras anãs&hellip; E teve sorte o bandido! Em certa altura, duas zebras tomadas de brio, brincando com o desatino dos namorados, aproximaram-se em corridinhas caprichosas. Daí em diante tudo se passou num abrir e fechar de olhos.<br />Com a rapidez com que o raio derruba uma árvore assim o leão tombou fulminantemente sobre uma das zebras partindo-lhe a coluna vertebral de um só golpe. A vítima rebolou no chão levantando uma nuvem de poeira e o agressou voltou de pronto, cravando-lhe os dentes no pescoço musculoso. Com os caninos enterrados na carne fremente o leão ergueu a zebra, ligeiro como um gato levando um rato, e arrastou-a para a sombra fresca duma ocanheira. Ali, muito à vontade, abriu-lhe o ventre e ébrio de gozo, embrenhou o focinho nas entranhas de onde o sangue borbotava aos sacões.<br />&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;.<br />E a caravana prossegue entusiasmada com mais este episódio vivo e dramático do livro da selva.<br />Ao longo de toda a picada, do lado do tando, as manadas sucedem-se a perder de vista. Marchamos agora em direcção ao rio Urema &ndash; a mansão dos hipopótamos.<br />Predominam, os cobos de crescente, as zebras, os bois-cavalos, as impalas.<br />&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;<br />Ao fundo, muito longe, estende-se uma fita comprida de animais que pelo efeito da miragem, comum nestas planuras sobre-aquecidas, parecem vaguear suspensos sobre um lago irreal prateado. A cena causa admiração e entusiasmo àqueles que nunca haviam presenciado o estranho fenómeno.<br />&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;.<br />Avistam-se hipopótamos pastando como toiros nas lezírias. À vista do carro movimentam-se e correm para o rio em fila indiana, O carro aproxima-se e os volumosos paquidermes, para espanto de quem os supunha pesados e lentos, largam em corrida célere e mergulham nas águas, fragorosamente.<br />Fazemos alto à beirinha do rio. Bem perto de nós, boiando nas águas lodosas, agita-se uma massa compacta de hipopótamos, talvez duas centenas. Mas tão longe quanto a vista alcança, sucedem-se manchas de hipopótamos, verdadeiros cardumes ao longo do rio sinuoso que, batido de chapa pelo sol, lembra uma larga fita de aço inoxidável desdobrada na verdura da planície.<br />&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;&hellip;.<br />Depois destes momentos tão bem passados, ricos de acontecimentos e imprevistos, abalamos de regresso ao acampamento.<br />Sobre o lugar onde deixáramos o leão com a presa volteiam abutres. Dirigimo-nos para lá. À chegada do carro os abutres que estavam poisados, banqueteando-se sofregamente, levantam voo e protestam riscando os ares calmos com o seu piar sinistro.<br />Aproximam-se dois chacais prateados e logo a seguir à primeira curva depara-se-nos uma hiena farejando os ares.<br />O acampamento está cheio de turistas. Trocam-se impressões animadamente. Cada um conta entusiasmado as cenas que presenciou, duvidando que outros tenham assistido a maravilhas semelhantes.<br />No dia seguinte abalamos em busca de novas aventuras.&rdquo;<br /></span><br />* * *<br /><br />NOTA: Mais informações sobre a história e a situação actual do Parque Nacional da Gorongosa, podem ser recolhidas em:<br /><br />- </strong><a href="http://www.gorongosa.net/index_por.html"><strong><font color="#223344">http://www.gorongosa.net/index_por.html</font></strong></a><br /><strong><br />Marrabenta, Junho de 2007</strong></div>
<p><strong>Celestino Gonçalves</p>
<div align="left"><br /><br /></div></strong>]]></description>
         <link>http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/2007/06/livro_gorongosa_experiencias_d.html</link>
         <guid>http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/2007/06/livro_gorongosa_experiencias_d.html</guid>
        
        
         <pubDate>Tue, 26 Jun 2007 01:45:25 +0000</pubDate>
      </item>
            <item>
         <title> 4 - O Parque Nacional da Gorongosa na Bolsa de Turismo de Lisboa</title>
         <description><![CDATA[<blockquote><strong>Por: Celestino Gonçalves</strong> </blockquote>
<blockquote><strong>Conforme foi noticiado e divulgado no Site </strong><strong><a href="http://www.gorongosa.net/">www.gorongosa.net</a></strong><strong> e no My Gorongosa, o Parque esteve representado na Bolsa de Turismo de Lisboa, que decorreu na FIL de 24 a 28 do passado mês de Janeiro. <br /></strong><br /><strong>Regressado de Moçambique dias antes da abertura do certame, ali compareci para rever os amigos que no Parque me receberam em Novembro último e me acarinharam com o maior desvelo. Essa estadia abriu-me novos horizontes relativamente à continuação das crónicas que iniciei em 2000 no meu site </strong><strong><a href="http://www.geocities.com/Vila_Luisa%20">www.geocities.com/Vila_Luisa</a></strong> - <strong>uma contribuição que visa a divulgação daquele que foi o meu local de trabalho favorito durante a minha carreira e que preservo na memória como a joia mais preciosa do panorama da fauna bravia de Moçambique.</strong> </blockquote>
<blockquote><strong>Parabéns ao Ministério do Turismo de Moçambique e ao Parque Nacional da Gorongosa, pelos sucessos alcançados!</strong> </blockquote>
<p><img alt="FIL_4comVeAElias" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/images/FIL_4comVeAElias.jpg" border="0" /> </p>
<p><em>Com Vasco Galante (esquerda) e António Elias (direita), no Stand de Moçambique onde o PNG obteve grande sucesso</em> </p>]]></description>
         <link>http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/2007/02/o_parque_nacional_da.html</link>
         <guid>http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/2007/02/o_parque_nacional_da.html</guid>
        
        
         <pubDate>Sat, 24 Feb 2007 20:37:30 +0000</pubDate>
      </item>
            <item>
         <title>3 - Imagens do Parque Nacional da Gorongosa, 1964-1981</title>
         <description><![CDATA[<p>Fotos&nbsp;de Celestino Gonçalves </p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/gorongosa/sets/72157594520575249/show/">Slide show</a> </p>]]></description>
         <link>http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/2007/02/imagens_do_parque_nacional_da.html</link>
         <guid>http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/2007/02/imagens_do_parque_nacional_da.html</guid>
        
        
         <pubDate>Thu, 08 Feb 2007 17:58:19 +0000</pubDate>
      </item>
            <item>
         <title>2 - CRÓNICA DE UMA VISITA AO PARQUE (Nov 09-19, 2006)</title>
         <description><![CDATA[<p>&nbsp;Por Celestino Gonçalves</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img style="WIDTH: 457px; HEIGHT: 700px" height="815" alt="Png07_Capa_2" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/images/Png07_Capa_2.jpg" width="538" border="0" /></p>
<p><a onclick="window.open('http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Cover-1.jpg','popup','width=453,height=640,scrollbars=no,resizable=yes,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=yes,left=0,top=0');return false" href="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Cover-1.jpg"></a>&nbsp;</p>
<p><strong>I - VIAGEM E PRIMEIROS DIAS NO PARQUE</strong></p>
<p><strong>1 &ndash; A viagem Maputo - Chitengo</strong> </p>
<p>Depois da última visita que fiz ao Parque Nacional da Gorongosa, em Janeiro de 2000 e goradas que foram duas outras tentativas de ali voltar em 2002 e 2004, consegui finalmente, de 10 a 19 do corrente, visitar de novo este maravilhoso santuário da fauna bravia que em tempos foi considerado o melhor de África! </p>
<p>Fiz a viagem de Maputo para o Parque de carro, na companhia de um velho amigo e companheiro de trabalho, o Dr. Paul Dutton, eco-biologista sul africano de reconhecidos méritos no campo da fauna bravia, que se mantém activo e presta serviço como consultor da Carr Foundation, do já famoso&nbsp;filantropo norte americano Greg Carr que há dois anos a esta parte vem desenvolvendo um importante projecto de restauração e desenvolvimento no mesmo Parque. </p>
<p><a onclick="window.open('http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/PaulDuttonCar-1.jpg','popup','width=640,height=480,scrollbars=no,resizable=yes,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=yes,left=0,top=0');return false" href="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/PaulDuttonCar-1.jpg"><img height="100" alt="Paulduttoncar-1" hspace="4" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/PaulDuttonCar-1-tm.jpg" width="133" vspace="4" border="1" /></a> <br /><font color="#ff0000"><em>O carro de Paul Dutton em que viajamos de Maputo para a Gorongosa <br />(Foto tirada numa das ruas de Xai-Xai)</em> </font></p>
<p>Os cerca de 1.200 quilómetros que separam Maputo do Chitengo foram percorridos tranquilamente na razoável viatura do Paul, em dois dias, com uma reconfortante paragem e pernoita em Inhassoro na casa de praia de um amigo comum, o Ricardo Teixeira Duarte. </p>
<p><a onclick="window.open('http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/CelestinoDutton-1.jpg','popup','width=640,height=480,scrollbars=no,resizable=yes,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=yes,left=0,top=0');return false" href="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/CelestinoDutton-1.jpg"><img height="100" alt="Celestinodutton-1" hspace="4" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/CelestinoDutton-1-tm.jpg" width="133" vspace="4" border="1" /></a> <br /><em><font color="#ff0000">Com Paul Dutton (direita) o velho amigo e companheiro de muitos anos nos Serviços de Fauna Bravia em Moçambique. <br />(Foto na Esplanada da Maxixe, numa paragem para refrescar!) <br /></font></em></p>
<p><a onclick="window.open('http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/InhassoroBeach-1.jpg','popup','width=640,height=480,scrollbars=no,resizable=yes,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=yes,left=0,top=0');return false" href="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/InhassoroBeach-1.jpg"><img height="100" alt="Inhassorobeach-1" hspace="4" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/InhassoroBeach-1-tm.jpg" width="133" vspace="4" border="1" /></a> <br /><em><font color="#ff0000">Pesca artesanal na praia de Inhassoro</font> <br /></em></p>
<p>Desde 1994 que não me encontrava com o Paul Dutton e esta foi uma excelente oportunidade para um desfiar de recordações dos tempos (e foram muitos anos, antes e depois da independência) em que ambos demos o melhor do nosso esforço em prole da defesa e conservação da vida animal selvagem em Moçambique. </p>
<p><a onclick="window.open('http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/CrossingSaveRiver-1.jpg','popup','width=640,height=480,scrollbars=no,resizable=yes,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=yes,left=0,top=0');return false" href="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/CrossingSaveRiver-1.jpg"><img height="100" alt="Crossingsaveriver-1" hspace="4" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/CrossingSaveRiver-1-tm.jpg" width="133" vspace="4" border="1" /></a> <br /><em><font color="#ff0000">Quando passávamos sobre a ponte do rio Save </font></p>
<p></em></p>
<p><a onclick="window.open('http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/EatingNearPungue-1.jpg','popup','width=640,height=480,scrollbars=no,resizable=yes,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=yes,left=0,top=0');return false" href="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/EatingNearPungue-1.jpg"><img height="100" alt="Eatingnearpungue-1" hspace="4" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/EatingNearPungue-1-tm.jpg" width="133" vspace="4" border="1" /></a> <br /><em><font color="#ff0000">Uma refeição improvisada à beira da estrada, perto do rio Púnguè</font> <br /></em></p>
<p><strong>2 &ndash; Chegada ao Parque</strong> </p>
<p>Animado pelas constantes informações que vim recebendo ao longo dos últimos 10 meses, da parte do n&ordm; 2 do Projecto Carr, Vasco Galante, cheguei ao Parque com a curiosidade muito aguçada de conhecer os progressos ali alcançados depois da minha ultima visita há cerca de 7 anos. A chegada ao Chitengo, no final da tarde do dia 10, foi sentida com alguma emoção, felizmente não tão forte como aquela de que fui acometido em Janeiro de 2000 quando ali cheguei depois de 19 anos de ausência e encontrei ainda fortes vestígios de destruição causados pela guerra. </p>
<p>O encontro que tivera em Lisboa, em finais do ano passado, com Greg Carr e Vasco Galante, realizado justamente para falarmos do Parque, da sua história e do seu desenvolvimento, sobretudo nas décadas de 60 e 70, fora o ponto de partida para uma aproximação e consequente colaboração com a direcção do Projecto da Carr Foundation e daí o honroso convite que da mesma recebi para visitar o Parque sempre que desejasse. </p>
<p><a onclick="window.open('http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/ParkEntrance-1.jpg','popup','width=640,height=480,scrollbars=no,resizable=yes,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=yes,left=0,top=0');return false" href="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/ParkEntrance-1.jpg"><img height="100" alt="Parkentrance-1" hspace="4" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/ParkEntrance-1-tm.jpg" width="133" vspace="4" border="1" /></a> </p>
<p><em><font color="#ff0000">Junto da placa que devido ao seu bonito enquadramento é já um ex-libris do Parque Nacional da Gorongosa situado a 11 Kms do portão de entrada </font></p>
<p></em></p>
<p><a onclick="window.open('http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/ParkMainGate-1.jpg','popup','width=640,height=480,scrollbars=no,resizable=yes,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=yes,left=0,top=0');return false" href="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/ParkMainGate-1.jpg"><img height="100" alt="Parkmaingate-1" hspace="4" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/ParkMainGate-1-tm.jpg" width="133" vspace="4" border="1" /></a> </p>
<p><font color="#ff0000"><em>Outra foto que se impõe quando se chega ao portão de entrada!</em> </font></p>
<p>Também a ligação que sempre tive com duas das principais figuras que desde 1994 têm estado à frente da administração do Parque, concretamente o Dr. Baldeu Chande e o Eng&ordm; Roberto Zolho, dois bons amigos que sempre me dispensaram carinhosas atenções, me dera coragem para voltar e me sentir ali como nos velhos tempos em que fui colaborador directo do mesmo Parque. </p>
<p>O ambiente que fui encontrar no Chitengo, de muitas caras novas, de cientistas e técnicos ainda provisoriamente instalados mas empenhados num trabalho sério e árduo, não me surpreendeu e rapidamente me familiarizei com as pessoas que muito gentilmente me receberam e cada um à sua maneira quiseram ouvir-me sobre o passado histórico do Parque. </p>
<p>O jantar servido numa mesa comum e participado pelos responsáveis e todo o staff técnico e científico presente no Chitengo, foi a primeira das muitas atenções de que fui cumulado durante a estadia no Parque e que muito me sensibilizaram. Naturalmente que o estatuto de decano dos serviços de fauna bravia, que me vem sendo atribuído por ser o mais idoso dos antigos funcionários dos serviços de fauna bravia ainda na ribalta, muito contribui para que este tipo de manifestações vão acontecendo, felizmente, na minha vida! </p>
<p><a onclick="window.open('http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/DinnerWithZolho-1.jpg','popup','width=640,height=480,scrollbars=no,resizable=yes,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=yes,left=0,top=0');return false" href="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/DinnerWithZolho-1.jpg"><img height="100" alt="Dinnerwithzolho-1" hspace="4" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/DinnerWithZolho-1-tm.jpg" width="133" vspace="4" border="1" /></a><span style="FONT-SIZE: 10pt"> <br /></span><em><font color="#ff0000">A primeira refeição no Chitengo após a chegada, rodeado pelo Eng&ordm; Roberto Zolho (esquerda) director e um dos mais abnegados defensores do Parque desde os tempos difíceis da guerra civil até ao presente! À direita está a bióloga Alexandra, uma especialista em fauna alada. </font></p>
<p></em></p>
<p><a onclick="window.open('http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Cake-1.jpg','popup','width=640,height=480,scrollbars=no,resizable=yes,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=yes,left=0,top=0');return false" href="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Cake-1.jpg"><img height="100" alt="Cake-1" hspace="4" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Cake-1-tm.jpg" width="133" vspace="4" border="1" /></a> <br /><em><font color="#ff0000">A gostosa e sugestiva sobremesa com que o velho foi mimoseado na primeira refeição! <br /></font></em></p>
<p><a onclick="window.open('http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Celestino&amp;Greg-1.jpg','popup','width=640,height=480,scrollbars=no,resizable=yes,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=yes,left=0,top=0');return false" href="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Celestino&amp;Greg-1.jpg"><img height="100" alt="Celestino&amp;Greg-1" hspace="4" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Celestino&amp;Greg-1-tm.jpg" width="133" vspace="4" border="1" /></a> <br /><em><font color="#ff0000">A primeira foto com Greg Carr, tirada durante uma amena conversa após o jantar no dia da chegada ao Chitengo <br /></font></em></p>
<p><strong>3 &ndash; A Primeira Visita ao Interior do Parque</strong> </p>
<p>As actividades no Parque começam ao raiar do Sol, tal como antigamente e isso implica levantar cedo. Não se faz qualquer esforço pois também as normas de deitar se regulam pelo mesmo diapasão: cedo! </p>
<p>A primeira surpresa ao sair do <em>bungalow</em> foi o espectáculo dos babuínos (macacos-cão) que em bandos de algumas dezenas invadem sistematicamente o acampamento do Chitengo todas as manhãs, numa atitude de atrevimento que leva as pessoas prudentemente a desviarem-se do seu caminho! Também uma ou duas famílias de facoceros (javalis africanos) têm o mesmo hábito e sem receio dos humanos vagueiam pelo acampamento e se alimentam nos seus bem tratados relvados. Esta situação, que preocupa já os responsáveis do Parque, decorre porque devido à guerra que grassou na região o Chitengo fora abandonado durante anos e naturalmente estas duas espécies ali encontraram boas condições de alimentação, nomeadamente nos frutos das mangueiras e mafurreiras. </p>
<p><a onclick="window.open('http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/BaboonsInChitengo-1.jpg','popup','width=498,height=270,scrollbars=no,resizable=yes,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=yes,left=0,top=0');return false" href="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/BaboonsInChitengo-1.jpg"><img height="100" alt="Baboonsinchitengo-1" hspace="4" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/BaboonsInChitengo-1-tm.jpg" width="184" vspace="4" border="1" /></a> </p>
<p><font color="#ff0000"><em>Logo de manhã os babuínos visitam o acampamento do Chitengo! <br />(Foto cedida pelo Projecto Carr)</em> </font></p>
<p>Planeado o primeiro passeio que se seguiu após o café e as torradas da manhã (madrugada queria eu dizer), tomamos assento num confortável e bem apetrechado 4x4, juntamente com os meus companheiros de viagem de Maputo, Paul e Gilian, do Dr. Baldeu Chande, da bióloga Alexandra e do Hendrik Pott, este o condutor do <em>game drive</em> voluntário para esta que não é a sua habitual tarefa mas que gosta de fazer de vez em quando para desanuviar o espírito! </p>
<p><a onclick="window.open('http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/gamedrive-1.jpg','popup','width=640,height=480,scrollbars=no,resizable=yes,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=yes,left=0,top=0');return false" href="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/gamedrive-1.jpg"><img height="100" alt="Gamedrive-1" hspace="4" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/gamedrive-1-tm.jpg" width="133" vspace="4" border="1" /></a> </p>
<p><em><font color="#ff0000">Preparativos para o primeiro game drive. <br />Na foto, à esquerda, está o Dr. Baldeu Chande, consagrado biólogo moçambicano especialista em fauna bravia que acaba de regressar ao Parque onde tem desenvolvido trabalho de relevo! <br />À direita está o Hendrik Pott, encarregado geral do Chitengo, um verdadeiro gentleman, incansável no atendimento aos turistas, funcionários e técnicos do Parque, assim como aos visitantes oficiais! <br /></font></em></p>
<p><em><br /></em>Os preparativos e a saída do Chitengo, a caminho dos <em>tandos</em>, por me serem ainda tão familiares, fizeram-me recuar quarenta anos e sentir-me como nos tempos em que isso era uma rotina muito agradável porque se esperava sempre um dia diferente no interior do Parque. E na verdade era isso que acontecia pois os muitos milhares de animais que povoavam estes <em>tandos</em>, savanas, lagos, rios e florestas, eram os nossos actores favoritos porque nos proporcionavam espectáculos de rara beleza, como eram as lutas entre os machos, o acto de procriação, os nascimentos das crias, o banho dos elefantes e a forma como as mães educam e protegem os filhos, o canto das aves mais barulhentas como a águia pesqueira, os calaus trompeteiros, os francolins, as galinhas do mato, os toracos, as ibis e as rolas, cujo eco vindo de longe é uma autêntica sinfonia que nos encanta! E quando o dia era mesmo de sorte, podíamos ainda deparar com coisas raras de ver como eram os leões a caçar (na Gorongosa normalmente só caçam durante a noite), uma jibóia a engolir um antílope ou encontrar um daqueles grandes e cada vez mais raros elefantes conhecidos por <em>cambacos</em> que vagueiam distantes das manadas porque a lei da natureza dá aos mais novos força suficiente para os afastarem das fêmeas! </p>
<p><a onclick="window.open('http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/map-1.jpg','popup','width=640,height=496,scrollbars=no,resizable=yes,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=yes,left=0,top=0');return false" href="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/map-1.jpg"><img height="100" alt="Map-1" hspace="4" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/map-1-tm.jpg" width="129" vspace="4" border="1" /></a> <br /><em><font color="#ff0000">Mapa da rede turística do Parque <br />(Foto extraída do site www.gorongosa.net) <br /></font></em></p>
<p>Voltar a estes sítios que tão bem conheci e que foram palco de muitos anos de trabalho, é muito reconfortante, pese embora o desalento que sinto pela escassez de animais que agora povoam o Parque. </p>
<p>Mas as surpresas agradáveis começaram a surgir logo que atingimos o <em>tando</em> do Sungué. Ali por perto da Casa dos Leões vimos os primeiros animais, como impalas, inhacosos, facoceros, changos e oribis. Ao longe, em várias direcções e a recortar o horizonte, divisamos silhuetas de outros das mesmas espécies. </p>
<p><a onclick="window.open('http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/gamedrivegroup-1.jpg','popup','width=640,height=480,scrollbars=no,resizable=yes,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=yes,left=0,top=0');return false" href="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/gamedrivegroup-1.jpg"><img height="100" alt="Gamedrivegroup-1" hspace="4" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/gamedrivegroup-1-tm.jpg" width="133" vspace="4" border="1" /></a> <br /><em><font color="#ff0000">O grupo do nosso primeiro game drive. <br />Da esquerda para a direita: O velho, Gilian, Paul Dutton, Hendrik, Alexandra e Baldeu Chande <br /></font></em></p>
<p><a onclick="window.open('http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/FirstAnimals-1.jpg','popup','width=640,height=480,scrollbars=no,resizable=yes,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=yes,left=0,top=0');return false" href="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/FirstAnimals-1.jpg"><img height="100" alt="Firstanimals-1" hspace="4" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/FirstAnimals-1-tm.jpg" width="133" vspace="4" border="1" /></a> <br /><em><font color="#ff0000">Os primeiros animais fotografados &ndash; Facoceros e Inhacosos &ndash; na planície do Sungué <br /></font></em></p>
<p><a onclick="window.open('http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/lionhouse-2.jpg','popup','width=640,height=481,scrollbars=no,resizable=yes,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=yes,left=0,top=0');return false" href="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/lionhouse-2.jpg"><img height="100" alt="Lionhouse-2" hspace="4" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/lionhouse-2-tm.jpg" width="133" vspace="4" border="1" /></a> <br /><em><font color="#ff0000">O que resta da &ldquo;Casa dos Leões&rdquo;, uma das cinco casas construídas em 1940 junto do rio Sungué, para acampamento turístico e que devido a inundações frequentes viria a ser abandonado e tomado pelos leões. Foi um verdadeiro ex-libris do Parque! <br /></font></em></p>
<p>Este primeiro contacto com os famosos <em>tandos</em> da Gorongosa, após a minha última visita de há sete anos, deu para perceber que a recuperação dos animais da planície, embora lenta, é uma realidade, sobretudo para aquelas cinco espécies. O mesmo não se pode dizer de outras de maior porte como os búfalos, zebras, bois-cavalo e elandes que aos milhares povoavam praticamente toda a zona turística do Parque e que agora estão ainda num processo lento de recuperação. Para estas espécies há mesmo um projecto de reintrodução já iniciado com búfalos vindos do Kruger Parque. </p>
<p><a onclick="window.open('http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/buffalo-1.jpg','popup','width=640,height=471,scrollbars=no,resizable=yes,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=yes,left=0,top=0');return false" href="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/buffalo-1.jpg"><img height="100" alt="Buffalo-1" hspace="4" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/buffalo-1-tm.jpg" width="135" vspace="4" border="1" /></a> <br /><font color="#ff0000"><em>Foto parcial da manada de búfalos recentemente reintegrada no Parque <br />(Foto cedida pelo Projecto Carr)</em> </font></p>
<p>Transposta aquela planície, onde se presencia um dos mais belos pôr de Sol em Moçambique, com a silhueta da Serra da Gorongosa desenhada a Oeste, no fundo azul do céu, o nosso guia seguiu pela picada 4 que é uma das melhoras rotas para encontrar leões e que conduz ao lago Urema. Algumas paragens para fotografar pequenos grupos de Inhacosos, de impalas, famílias de facoceros, antílopes isolados como changos e oribis e aves de grande porte como o solitário e pachorrento calau da terra, foram animando o grupo até ao miradouro do Urema. Não vimos leões mas a certeza de que eles existem por perto e em bom número é já uma consolação! </p>
<p><a onclick="window.open('http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Impala-1.jpg','popup','width=640,height=429,scrollbars=no,resizable=yes,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=yes,left=0,top=0');return false" href="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Impala-1.jpg"><img height="100" alt="Impala-1" hspace="4" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Impala-1-tm.jpg" width="149" vspace="4" border="1" /></a> <br /><font color="#ff0000"><em>Grupo de impalas junto da picada 4 <br />(Foto cedida pelo Projecto Carr)</em> </font></p>
<p>Outra surpresa agradável ocorreu quando chegamos ao miradouro do lago Urema e constatamos que ocorrem ali três verdadeiros milagres: a presença já de muitas dezenas de hipopótamos, algumas centenas de crocodilos e, de pasmar, enorme quantidade de Inhacosos com efectivos a rondar os dois mil! Em Janeiro de 2000 contavam-se pelos dedos das mãos os Inhacosos e os crocodilos e havia apenas um tresmalhado hipopotamo! </p>
<p>Este fenómeno, quanto aos hipopótamos e crocodilos, justifica-se pelo facto das cheias que entretanto ocorreram e fizeram transbordar o rio Zambeze. Este grande rio é atravessado pelo Vale do Rift que faz ligação com o oceano Indico na região da Beira e passa precisamente no coração do Parque onde o Lago Urema é receptor das águas vindas do Norte e albergue natural destes animais que sempre acompanham o curso das cheias. </p>
<p><a onclick="window.open('http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Hippo-1.jpg','popup','width=640,height=480,scrollbars=no,resizable=yes,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=yes,left=0,top=0');return false" href="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Hippo-1.jpg"><img height="100" alt="Hippo-1" hspace="4" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/Hippo-1-tm.jpg" width="133" vspace="4" border="1" /></a> <br /><em><font color="#ff0000">Grupo de hipopótamos no rio Urema <br /></font></em></p>
<p>Depois de uma paragem e de nos regalarmos com a paisagem do lago Urema vista do miradouro, seguimos a rota que passa pela lagoa do Paraíso, agora com pouca água devido à época seca que se atravessa (as chuvas aproximam-se), mas mesmo assim bem frequentada pelas espécies já referenciadas na planície do Sungué e por grande variedade de aves como os imponentes jabirus, os desengonçados marabus, as elegantes garças e cegonhas, as barulhentas ibis, as grandes sécuas, os gansos do Nilo, os vaidosos grous coroados, os colhereiros na sua frenética faina de pesca, as galinhas d&rsquo;água, os mergulhões, os pássaros martelo e uma infinita variedade de aves mais pequenas. Aqui a paisagem convida a bater muitas fotos e a observar os animais. É também o sítio ideal onde se ouvem com intensidade os silvos agudos das águias pesqueiras, tão característicos e penetrantes! </p>
<p><a onclick="window.open('http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/HippoHouse-1.jpg','popup','width=640,height=480,scrollbars=no,resizable=yes,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=yes,left=0,top=0');return false" href="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/HippoHouse-1.jpg"><img height="100" alt="Hippohouse-1" hspace="4" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/HippoHouse-1-tm.jpg" width="133" vspace="4" border="1" /></a><span style="FONT-SIZE: 11pt"> <br /></span><font color="#ff0000"><em>Uma pausa no miradouro do Urema</em> </font></p>
<p>Tomamos depois a picada 11 que acompanha a margem direita do rio Urema até à ligação da estrada Urema-Chitengo onde estivemos bem perto de um grupo de cerca de 20 hipopótamos. Esta zona apresenta-se, tal como outras que visitei nos dias seguintes, bem regenerada de vegetação espessa, com árvores e arbustos que constituem <em>habitat</em> preferencial para as espécies de floresta como inhalas, imbabalas, porcos do mato, macacos, cabritos vermelhos, civetas, manguços e porcos espinho que já ali estão muito bem representadas e em relação às quais a caça furtiva em massa que se verificou nos anos de guerra civil não causou o impacto terrível verificado nas restantes espécies comuns no Parque, algumas delas levadas à extinção! </p>
<p>Estávamos agora na zona frequentada pelos elefantes, cujo número tem aumentado significativamente e atingem já mais de duas centenas, quando em 2000 rondava os 125 exemplares e formavam aquela que foi a primeira manada a regressar ao Parque depois da razia dos anos de guerra que levou à estaca zero não só esta como outras importantes espécies. A hora já avançada do dia e o calor que se fazia sentir não nos permitiu encontrar os grandes paquidermes, de certo já recolhidos ao ambiente mais fresco da floresta distante das picadas. <br />Nos dias seguintes tivemos mais sorte! </p>
<p><a onclick="window.open('http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/WithVasco-1.jpg','popup','width=640,height=480,scrollbars=no,resizable=yes,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=yes,left=0,top=0');return false" href="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/WithVasco-1.jpg"><img height="100" alt="Withvasco-1" hspace="4" src="http://my.gorongosa.net/contributors/goncalvesc/WithVasco-1-tm.jpg" width="133" vspace="4" border="1" /></a><span style="FONT-SIZE: 11pt"> <br /></span><font color="#ff0000"><em>Com Vasco Galante (esquerda), director de comunicações do Parque. Aqui já envergava roupa emblemática do Parque que muito gentilmente me foi oferecida!</em> </font></p>
<p>O resto da manhã foi passada a observar alguns grupos de hipopótamos nos pontos de mais concentração de água ao longo do rio Urema. Tomamos depois a picada do Urema e fizemos os 25 Kms de regresso ao Chitengo sempre entretidos com o brusco e regular aparecimento dos <em>bush animals</em> pois todo o percurso é revestido de densa e verdejante floresta! </p>
<p>Um dia gratificante e memorável! </p>
<p>Maputo, Dezembro de 2006 <br />Celestino Gonçalves <br />Fiscal de caça e expert em fauna bravia que viveu e trabalhou em Moçambique de 1952 a 1990. </p>]]></description>
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         <pubDate>Sat, 09 Dec 2006 14:10:01 +0000</pubDate>
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