II - Visitas à Serra e Outros Polos de Interesse Turístico
Quem visita actualmente o Parque Nacional da Gorongosa na condição de turista comum e o faça pela primeira vez, pode voltar de lá plenamente satisfeito. Chegado ali pela manhã, pernoitar no Chitengo e regressar pela tarde do dia seguinte, com um pouco de sorte e utilizando o seu próprio carro nos percursos turísticos assinalados num mapa que lhe é distribuído, pode ver muitos e variados animais das espécies que nos últimos doze anos têm regressado e multiplicado nas imensas planícies, savanas, florestas, rios e lagoas do Parque.
Não é ainda, naturalmente (e todos sabemos porquê), a Gorongosa de outros tempos, pujante de grandes manadas e grupos de animais, mas graças às medidas de protecção que ali vêem sendo desenvolvidas desde 1994 que já se podem ver espécies que ali foram praticamente extintas no período de guerra e nos dois anos que se seguiram ao acordo de paz de 1992. Elefantes, búfalos, leões, hipopótamos, crocodilos, pivas, palpadas, impalas, changos, oribis, facoceros, imbabalas, inhalas, cabritos cinzentos e macacos, têm já uma representação considerável nas áreas abertas ao turismo e podem ser observados ao longo das picadas bem tratadas do Parque. No caso das pivas, que em poucos anos passaram de umas escassas dezenas a mais de duas mil, podemos considerar que é uma recuperação fantástica que a continuar neste ritmo em breve teremos todos os tandos repletos deste emblemático animal de planície, que antes da guerra atingiu mais de seis mil exemplares!
A par da boa representação daquelas espécies os visitantes podem contar com uma extraordinária fauna alada que continua presente como antes, enriquecendo sobremaneira o colorido das paisagens e contribuindo com os seus cantos para que ali nos sintamos na verdadeira selva africana!
Não é tão significativa ainda a recuperação de quatro outras espécies igualmente emblemáticas, como as zebras, os bois-cavalo, as gondongas e os elandes, que são ainda em reduzido número e teimam em manter-se afastadas da zona turística, onde outrora eram aos milhares nas planícies e savanas.
Grupo de zebras, uma das espécie mais sacrificadas no Parque e cuja recuperação decorre lentamente (Foto F. Carr)
Também os chamados necrófagos, como hienas, chacais e os próprios abutres, que praticamente desapareceram do Parque devido à quebra da cadeia alimentar de que dependiam, tardam em aparecer justamente porque tal cadeia ainda não foi reposta. Sê-lo-á, certamente, quando os grandes herbívoros e os carnívoros como os leões voltarem a povoar a Gorongosa numa escala que alimente e equilibre a mesma cadeia.
O projecto Carr Foundation, como já tive a oportunidade de dizer, foi como que uma dádiva dos deuses que surgiu há dois anos, altura em que, não obstante algumas tentativas de reabilitar o Parque durante os anteriores dez anos, com gastos avultados de verbas oriundas do próprio Estado e de organizações internacionais que apoiam a conservação da vida animal, se verificava uma autêntica estagnação que poucas esperanças deixava para um futuro risonho deste maravilhoso santuário.
A execução dos programas deste projecto, que visam diversas áreas como reintrodução de espécies, reabilitação de infra-estruras, construção de novos acampamentos, centros de formação e de investigação, museu, pontes, estradas, escolas, postos sanitários, estância termal, pista de aviação, etc., é já bem patente em obras de significado investimento, umas já concluídas, outras em construção como pontes na principal via de acesso ao Parque, o santuário de fauna bravia (onde já foram colocados cerca de 50 búfalos importados do Kruger Park) , restauro de boa parte do acampamento turístico do Chitengo, abertura e limpeza da rede de estradas e picadas, etc.
Outras acções decorrem num ritmo satisfatório, tanto na zona do Parque como na periferia, com destaque para a região da Serra, considerada o pulmão do Parque porque dali vem praticamente toda a água que forma e alimenta o grande ecossistema da Gorongosa. A criação de viveiros de árvores nativas e até endémicas para a recuperação dos danos causados no revestimento florestal das encostas e até dos planaltos superiores da Serra, a formação e implantação de um corpo de fiscais e os estudos com vista à criação de uma indústria de ecoturismo com a directa participação das comunidades residentes, são trabalhos já bem visíveis em Nhancuco, Canda e outros locais, com aceitação das autoridades, incluindo das tradicionais que começam a compreender os objectivos do Projecto Carr que é facultar-lhes postos de trabalho e rendimentos tirando partido dos recursos naturais únicos que a própria Serra oferece.
Formação de guardas da Serra, em Canda
Visível também nessas acções é a formação, no Chitengo, de agentes para a fiscalização (estes não só para a Gorongosa mas para qualquer outra área de conservação do país). O programa de apoio às comunidades é outra das tarefas prioritárias que já apresenta resultados muito positivos sobretudo nas áreas da saúde, ensino e agricultura.
Os estudos já feitos e os que decorrem nesta fase do Projecto Carr, que prevê uma duração de 30 anos, envolvem cerca de duas dezenas de técnicos e cientistas, nacionais e estrangeiros, que, em condições ainda precárias em termos de instalações, se multiplicam em acções no terreno e nos gabinetes, no sentido de se alcançarem o mais rápido possível os objectivos do Estado e da Fundação: a recuperação do Parque e o seu desenvolvimento a níveis nunca antes atingidos.
Todas estas actividades contam também com quase três centenas de funcionários e trabalhadores moçambicanos, que estão imbuídos de um espirito novo e concomitante com o clima de entusiasmo que reina nos mentores do Projecto e nos responsáveis do Estado que em conjunto levam por diante esta obra admirável que muito vai dar que falar além fronteiras!
A direcção e acompanhamento de todas estas actividades são feitos pelo próprio Greg Carr, o americano que ali investe uma fatia da sua fortuna pessoal, sem qualquer propósito de lucros ou de retornos. Um homem que já era famoso pela forma como fez a sua fortuna mas que agora, graças ao projecto de recuperação da Gorongosa, se tornou mundialmente uma figura admirada como conservador da vida animal e amigo das populações em vias de desenvolvimento. A ele se deve, pois, a viragem de cento e oitenta graus operada nestes dois últimos anos e que conduz o Parque aos resultados previstos no seu projecto que é torná-lo de novo o melhor de África!
Durante a minha recente estadia no Parque, de 10 a 19 de Novembro último, graças ao estatuto de convidado, tive o privilégio de efectuar deslocações, de carro e de helicóptero, a locais aos quais o visitante comum ainda não tem acesso. O Vasco Galante, director do pelouro de comunicações, nem precisou que lhe fizesse qualquer pedido especial pois organizou um programa que incluiu várias visitas, nomeadamente à zona turística e outros locais onde o projecto está a desenvolver acções, como é o caso da Serra da Gorongosa, das quedas do Murombodzi, das falésias do planalto de Cheringoma e das nascentes de água quente no Buè-Maria (futuras termas). Também visitamos o santuário de fauna bravia instalado do lado esquerdo da estrada pouco depois da entrada no Parque e que consta de um parque de 6.200 hectares, vedado e electrificado, com 4 bomas (currais de recepção de animais) e onde já se encontra meia centena de búfalos importados da África do Sul.
O primeiro contacto com o helicóptero
Depois dos primeiros contactos com os animais da zona turística, o Vasco levou-me no seu carro, juntamente com os meus colegas de viagem de Maputo para o Parque -o Paul Dutton e a Gilian - , ao primeiro daqueles passeios, precisamente às quedas do Murombodzi que ficam na nascente do rio do mesmo nome, a uma altitude de 900 metros na Serra. Antes de atingirmos este destino visitamos uma ex-colega e amiga dos primeiros anos pós independência, a Teresa D’Espiney, uma beirense licenciada em medicina veterinária e especializada em fauna bravia, que depois de ter trabalhado na EMOFAUNA (Empresa Moçambicana de Fauna) esteve em vários projectos do ramo noutros pontos de África e agora, qual Diana Fossey, se isolou nas florestas da encosta da Serra da Gorongosa, não a proteger gorilas, que ali não existem, mas a desbravar mato, a plantar árvores, ananases e outras culturas, numa salutar comunhão com a natureza e com as comunidades rurais, um velho sonho que finalmente realiza e que só é acessível a pessoas dotadas de grande coragem e rara sensibilidade! A sua fazenda, situada a cerca de 500 metros de altitude, é atravessada pelo rio Nhandare, que nasce lá no alto da Serra e traz água em abundância, mesmo na época seca e cujas margens conservam uma exuberante vegetação com árvores de grande porte. Um local de rara beleza onde fizemos uma pausa e nos refrescamos naquelas águas cristalinas, antes do almoço vegetariano (com produtos da horta) que a anfitriã nos ofereceu e a outros membros do Projecto, incluindo o próprio Greg, que entretanto ali apareceram de surpresa para igualmente visitarem esta intrépida sertaneja de quem todos são admiradores e amigos!
A Teresa ouvindo as “críticas” do velho
Uma pausa para refrescar nas águas do Nhandare
Ainda no trajecto para as quedas o Vasco fez novo desvio pela povoação de Nhancuco, para nos mostrar os viveiros de árvores nativas destinadas ao reflorestamento das encostas da Serra, já em franca produção. Ali se desenvolvem, bem como noutras aldeias da periferia da Serra, actividades do programa de apoio às comunidades, bem como acções de fiscalização por parte do corpo de guardas especialmente preparados para o efeito.
Paragem em Nhancuco para reportagem e abastecimento de ananases
Com o guarda Pita nos viveiros de Nhancuco
A partir dos viveiros de Nhancuco continuamos a subir durante meia dúzia de quilómetros, agora por caminho mais íngreme e sinuoso até às quedas, um trajecto que só as viaturas 4x4 podem fazer enquanto melhor estrada não for construída. Os últimos 500 metros foram percorridos a pé visto que só existe (propositadamente e por questões de salvaguarda do meio ambiente) um carreiro que conduz ao rio, a uns cem metros a jusante das quedas. Ali chegados e depois de nos regalarmos com o maravilhoso espectáculo daquelas águas caindo directas e em cascata de mais de cinquenta metros de altura, por entre frondosas árvores, a tentação de nos banharmos é tão grande que alguns mergulharam, mesmo vestidos, nas piscinas naturais que se formam nas rochas dos vários patamares da falésia e do leito do rio. Os mais atrevidos chegam mesmo a suportar com o “chuveiro” vindo lá de cima, nas partes de menor precipitação. Isto, aliás, só é possível nesta época do ano porque o caudal é baixo a comparar com a grande avalanche de águas da época das chuvas, que se mantém até Julho/Agosto.
Estava ainda bem viva na minha memória a extraordinária beleza deste local, que não visitava há mais de 40 anos!
O banho na piscina natural das quedas
As majestosas quedas do rio Murombodzi
O regresso das quedas ocorreu ao fim da tarde desse dia e na passagem pela vila da Gorongosa fizemos uma paragem para um refresco na pousada, um dos vários edifícios ali construídos na última década que antecedeu a independência pelo maior comerciante da região, o Dário Santos Mosca, pessoa muito conhecida e estimada pelas populações locais e com quem privei durante os anos de actividade no Parque e posteriormente em Portugal enquanto viveu.
Não resisti em colher fotos das pinturas das paredes do bar, por serem alusivas à fauna bravia do Parque e terem sido feitas na década de 60 por um artista beirense – Maga - que conheci, o mesmo que pintou, na mesma altura, alguns murais nas paredes dos bungalows do acampamento do Chitengo.
Um dos murais pintados nas pousada da Gorongosa
Mas a ida às quedas do Murombodzi não esgotou a minha curiosidade pelo resto da Serra, que na década de 60 conheci, sobretudo as encostas e planaltos da região norte quando efectuava operações de fiscalização e também durante um demorado reconhecimento florestal a pé com o engenheiro silvicultor Aguiar Macedo e outro funcionário do Parque, o Luís Fernandes. Alguns dias depois da minha chegada ao Parque, o Vasco Galante, dispondo já do helicóptero que entretanto regressara da África do Sul, facultou-me várias deslocações utilizando este meio de transporte. Aproveitando um trabalho de reportagem das actividades do projecto que o jornalista António Elias, dos jornais Notícias e Domingo, ali foi fazer na mesma altura, sobrevoamos e visitamos locais como a própria Serra, as falésias do planalto de Cheringoma, os viveiros de Nhancuco, as nascentes de água quente do Buè-Maria, o santuário de fauna brravia e as áreas do Parque onde a recuperação dos animais é mais evidente.
O voo à Serra proporcionou-nos logo à partida, poucos minutos após a descolagem do Chitengo, um encontro com uma das duas maiores manadas de palapalas já em recuperação no Parque, muito próximo da zona turística. Cerca de meia centena destes elegantes antílopes negros correram velozmente à aproximação do helicóptero e logo o piloto se desviou para não lhes provocar mais instabilidade. Vimos ainda um pequeno grupo de gondongas, também fugidias, durante a rota.
Manada de palapalas em recuperação no Parque (Foto Fundação Carr)
O sobrevoo da Serra emocionou-me sobremaneira logo que o aparelho atingiu os primeiros cumes a sul e começou e divisar-se na minha memória a ideia que conservava desta majestosa montanha de cerca de 30 por 20 Kms., com 1862 metros de altitude no seu pico mais elevado que é o Gogogo (a segunda mais alta do país). Essa ideia tornou-se completamente distorcida agora a observa-la de cima, numa abrangência a perder de vista, com florestas, rios, vales e planaltos do interior a formarem paisagens deslumbrantes, onde os verdes se multiplicam desde o mais carregado das copas das árvores ao mais desbotado de amarelo das planuras, passando pelo cativante esmeralda e pelas misturas esfuziantes das cores acre, amarelo e castanho das folhas de muitas espécies florestais de altitude, autêntica simbiose de tons que a natureza ali nos dá. Um espectáculo soberbo, de rara beleza, que mexe com os nossos sentidos, que passou aos nossos olhos nessa viagem e que jamais se esquecerá!
O Monte Gogogo, o mais alto da Serra
Um dos magníficos vales do interior da Serra
Após tão emocionante sobrevoo o experiente piloto, o Berthus Reineke, que conhece já toda a região como as suas próprias mãos, levou-nos às encostas da Serra para vermos o que se pode classificar de grande calamidade para a conservação do meio ambiente e sobretudo das águas que generosamente escorrem da montanha. Trata-se das actividades de garimpeiros que sulcam e abrem poços nos leitos e margens dos rios (ao que parece à margem das leis) para retirarem ouro, deixando esses locais completamente desfigurados e poluídos com o mercúrio utilizado nessa mineração. Por onde passam esses exploradores fica um rasto de destruição e degradação dos solos ribeirinhos cujas consequências em termos ambientais e para a saúde das populações são muito graves. Vimos crianças brincando nas águas barrentas e envenenadas dos rios onde decorrem essas nefastas actividades!
Destas encostas escorrem os riachos onde os garimpeiros actuam ilegalmente
Aspecto de um dos riachos invadido pelos garimpeiros
Dali o simpático Berthus rumou aos viveiros de Nhancuco onde se fez a primeira aterragem para que o jornalista se inteirasse dos trabalhos ali em curso. De seguida retomamos o voo em direcção ao antigo acampamento da Bela Vista, um local muito bonito que outrora fora escolhido para um turismo selectivo, com construções erguidas durante os primeiros anos da minha actividade no Parque e que a guerra destruiu completamente. Disse-nos o Vasco, pelos intercomunicadores, que em breve se iniciaria a recuperação desse acampamento.
Seguiu-se depois a rota das planícies da zona mais baixa, os chamados tandos, com sobrevoo repetido do lago Urema onde se aglomeram já algumas centenas de hipopótamos e crocodilos e muitos milhares de aves aquáticas com predominância de flamingos. Ali perto, nos tandos do Goínha, vimos sucessivas manadas de centenas de pivas, o animal (antílope) em maior recuperação desde a calamitosa destruição da fauna do Parque.
O Lago Urema, coração do Parque
Uma vez ultrapassado o lago para sul, o helicóptero entrou na zona turística de savana e florestas de galeria onde os elefantes encontraram ambiente (alimentar e de tranquilidade) para se reinstalarem e reproduzirem depois do colapso que os reduzira a zero nesta região nos anos mais críticos que foram os últimos que antecederam o final da guerra em 1992 e os dois seguintes, até 1994, quando o Parque foi alvo da maior chacina antes de ser recuperado definitivamente pelas autoridades da fauna. Em 2000, quando ali estive, eram 125, numa só manada. Agora ultrapassam em muito as duas centenas, dispersos em mais grupos e até já aparecem os cambacos isolados! O piloto mostrou-nos uma dessas manadas mas fê-lo seguindo as instruções rigorosas de não voar muito baixo e circundar afastado para não provocar instabilidade nestes sensíveis e complicados animais.
Manada de elefantes sobrevoada ao largo
O rumo seguinte abrangeu o sobrevoo do santuário de fauna bravia, após o que aterrámos junto das nascentes de água quente do Buè-Maria, um local de floresta densa muito perto do rio Punguè e que o Projecto Carr pretende desenvolver com infra-estruturas adequadas a uma estância termal.
O regresso ao Chitengo fez-se sobrevoando o rio Púnguè, sempre atraente com as suas águas rasgando os areais do leito agora em grande parte à vista por se estar na época seca. Foram mais de três horas, na sua quase totalidade passadas no ar, observando as maravilhas que tornam este o local cujo ecossistema de características únicas é considerado o mais completo para a fauna e flora de todo o continente africano.
A visita às falésias de Cheringoma, noutro dia da estadia, foi mais uma jornada inolvidável, tanto pelo que nos foi dado ver do ar (muitos animais e paisagens bonitas), como pela observação directa, no terreno, desta maravilha da natureza.
O helicóptero levou-nos ao ponto mais alto do planalto onde nasce o rio Nhandindi, que ali mesmo, através de milhões de anos, rasgou as rochas calcárias e se despenha a mais de 50 metros, formando um conjunto de impressionantes falésias que ladeiam o mesmo rio até atingir as planuras do Vale do Rift, onde despeja as suas águas cristalinas nas barrentas do Mucombeze, depois se fundem com as do Urema, do Ding-Ding e finalmente do Púnguè a caminho do Indico.
Será neste mesmo lugar que o Projecto vai criar um acampamento com características muito especiais visto que será vocacionado para turistas, estudiosos e adeptos do contacto com estes fenómenos da natureza!
Noutras ocasiões, de helicóptero e de carro, acompanhei ainda o Vasco Galante e o jornalista Elias em deslocações visando essencialmente o encontro com elefantes e leões. Tivemos sucesso quanto aos primeiros, mas de leões apenas encontramos os poisos já que por duas vezes chegamos atrasados alguns minutos em relação a outros visitantes que os viram, uns na picada 4, outros na 6.
Paciência, a sorte não nos acompanhou neste particular mas o facto real da sua presença já razoável no Parque é mais um consolo que ficou desta visita!
Dias depois do meu regresso a Maputo recebi telefonemas do Vasco e do Hendrik dizendo que os leões apareciam praticamente todos os dias, um dos grupos até com crias. Mandaram-me fotos, uma das quais aqui deixo porque se trata do animal que sempre foi e se mantém como o emblema do Parque!
Belo exemplar de leão, menos tímido que as suas parceiras
(Foto F. Carr)
Entretanto, numa tarde de pausa no Chitengo, ministrei uma palestra aos alunos do curso de fiscais de caça que ali decorre integrado no programa de formação de agentes para os Parques Nacionais e Reservas do país. Naturalmente que o tema abordado foi sobre a fiscalização e o combate à caça furtiva, baseado na minha experiência profissional de longos anos de actividade, tanto no Parque Nacional da Gorongosa (1963/1969), como noutros pontos do norte, centro e sul de Moçambique.
Foto de família, com o grupo de alunos do curso de fiscais
À esquerda: a Drª Brit, coordenadora do Centro de Formação do Chitengo; ao centro, de verde: o Dr. Bechane, instrutor do mesmo curso
No dia 19, à tarde e depois de mais um game drive na zona turística, parti para a Beira no helicóptero que igualmente levou o jornalista António Elias no seu regresso a Maputo.
Em amena conversa com o jornalista António Elias, no Chitengo
Curiosamente o meu companheiro de viagem na ida para o Parque, o Paul Dutton, também viajou no heli para a Beira, mas para ir a uma consulta de urgência face a problemas de saúde, felizmente sem gravidade, tendo regressado no mesmo dia ao Parque onde ficaria até à segunda semana de Dezembro.
Atordoado de tantas emoções vividas durante os 10 dias de estadia, mas muito feliz, regressei a Maputo, no dia imediato, no avião executivo do Greg Carr, em companhia de 3 técnicos consultores sul africanos que regularmente se deslocam ao Parque.
Outras viagens se sucederam e vieram a tornar esta estadia em Moçambique como das mais emocionantes de todas as anteriores!
Maputo, Dezembro de 2006
Celestino Gonçalves
Fiscal de caça e expert em fauna bravia que viveu e trabalhou em Moçambique de 1952 a 1990.

























